7 de junho de 2026

O adeus a Nelson Ned e seu sucesso no exterior

Sugerido por evandro condé de lima

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Do G1

Nelson Ned morre aos 66 anos em São Paulo

O cantor Nelson Ned, de 66 anos, morreu na manhã deste domingo (5) no Hospital Regional de Cotia, em São Paulo. Ele estava internado desde sábado com pneumonia.

 Juvenal Pereira/Estadão Conteúdo)

O cantor em imagem de 1987 (Foto: Juvenal Pereira/Estadão Conteúdo)

Segundo funcionários da Funerária Muncipal de Cotia, o cantor morreu às 7h25 em decorrência de “choque septico, sepse, broncopneumonia e acidente vascular cerebral”. O corpo irá sair da funerária em Cotia e deve chegar no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, por volta das 16h deste domingo. A princípio, o velório será só para a família. Depois, será aberto aos fãs.

Segundo a irmã Neuma Nogueira, que cuidava do cantor em São Paulo, Nelson teve infecção pulmonar e urinária e não respondeu ao tratamento. “Ele teve febre muito alta e estava muito debilitado. Nos últimos 2 dias, ele já estava inconsciente e respondia muito pouco”, disse.

Natural de Ubá, Minas Gerais, Nelson Ned fez fama como cantor de músicas românticas nos anos 60, quando já vivia no Rio de Janeiro. “Tudo passará”, de 1969, foi um de seus grandes sucessos. Em 2003, o cantor sofreu um acidente vascular cerebral. Desde então, vivia no Recanto São Camilo, na Granja Viana, em Cotia, sob a guarda e cuidados de Neuma. O AVC afetou sua parte vocal, assim como memória. Ned foi casado duas vezes e teve três filhos com Marly, sua segunda esposa: duas filhas, de 32 e 33 anos, e um filho, que mora no México. Segundo a irmã Ned Helena, as filhas irão acompanhar o velório em São Paulo.

Carreira
Primogênito dos 7 filhos de Nelson de Moura Pinto e Ned d´Ávila Pinto, ele saiu de Ubá (MG) para tentar a vida no Rio de Janeiro aos 17 anos. Começou bem distante dos palcos, trabalhando em uma linha de montagem de uma fábrica de chocolates. Cantou em boates paulistas e cariocas antes da maioridade e era escondido embaixo do balcão das casas quando o Juizado de Menores passava para fiscalizar.

Tempos depois, passou a ser figura recorrente no programa do Chacrinha, que ele considera o “pai de sua carreira artística”. Foi na televisão que conquistou espaço e sucesso com o hit “Tudo passará”, uma de suas primeiras músicas.“Ele foi um divisor de águas na minha vida. Me deu oportunidade e comida. Devo muito ao falecido amigo. Foi muito difícil ser cantor de brega e anão neste país”, relembrou Ned em entrevista ao G1, em 2012.

Com 32 discos gravados em português e espanhol, Ned cantou no Carnegie Hall e no Madison Square Garden, ambos em Nova York. Ele se converteu nos anos 90 à religião evangélica e, desde então, cantava músicas gospel. Em 1996, lançou a biografia “O pequeno gigante da canção”, que fazia referência à sua altura, de 1,12m.

O hit “Tudo passará” era sua faixa predileta, conforme contou ao G1. “É a que mais gosto. Quando cantei em um programa fui aplaudido de pé no meio da música. Isso é ser brega? Quem não é brega quando fala de amor? É o amor que é brega, não a minha música.”

E um outro lado

Com problemas de saúde, o cantor Nelson Ned, que morreu neste domingo (5), estava em cadeira de rodas e dependia fisicamente de cuidadores. Cheio de dívidas, o astro perdeu toda a fortuna que conquistou ao longo de muitos anos da carreira de sucesso devido aos vícios e aos excessos, conforme ele mesmo contou em uma entrevista dada à Record, em 2011.

— Me deixei levar pela embriaguez do sucesso. Muita cocaína, muita champanhe Dom Pérignon, muita mulherada e comprei muitos carros, tive três Mercedes-Benz. Lavei a égua com xampu e creme rinse.

Após o AVC que sofreu em 2003, Nelson ficou dependente da família. Não podia mais andar e vivia em cadeira de rodas, conforme contou a irmã do cantor, Neuma.   

— Ele requer cuidados 24 horas. É dependente fisicamente, precisa de cuidados para banho, atividades de vida diária.

No programa Nada Além da Verdade, de Silvio Santos, em 2008, Nelson Ned fez mais revelações. A máquina da verdade, ele admitiu que, “infelizmente”, seu filho o odeia e que já usou drogas com pessoas famosas.   

Nelson foi casado duas vezes e teve três filhos, Nelson Junior, Monalisa e Verônica. Os três possuem a alteração genética que fez Ned ter a baixa estatura, a displasia espondiloepifisária.

Do Estadão

 
O ‘pequeno gigante da canção’ foi o cantor de linhagem popular que mais obteve sucesso fora do País
 
Renato Vieira

O “pequeno gigante da canção” Nelson Ned foi, assim como os outros artistas ditos bregas, desprezado pelos setores intelectuais brasileiros. Mas foi o cantor de linhagem popular que mais obteve sucesso no exterior, vendendo milhões de álbuns nos países latinos e EUA e conquistando fãs como o escritor colombiano Gabriel García Márquez, de Cem Anos de Solidão.

A repercussão da sua carreira fora do Brasil, e especialmente a admiração de Márquez, surpreendia as cabeças pensantes do País.

Em trecho do livro Eu Não Sou Cachorro, Não (Ed. Record, 2002), de Paulo Cesar de Araújo, há trechos de entrevista do colombiano à TV Manchete, nos anos 1980. Chico Buarque fez a seguinte pergunta: “As suas preferências musicais causam espanto em muita gente, principalmente no Brasil. Se os seus romances fossem música, seriam samba, tango, som cubano ou um bolero vagabundo mesmo?”. A resposta: “Gostaria que fossem um bolero composto por você e cantado pelo Nelson Ned”.

“É uma pena que Nelson tenha ficado doente em um momento em que a música brega passou a respeitada”, reflete Araújo, que em seu livro redimensionou a importância de artistas identificados com as camadas populares, entre eles Waldick Soriano, Odair José e, é claro, Ned.

Ele foi um dos entrevistados para o livro, surpreendendo o escritor com suas reflexões sobre o “apartheid musical”, a partir dos anos 1970, quando a música dita cafona era o som das classes mais pobres e ignorada pela elite e por parte da imprensa. “O artista popular da minha linha, da linha de um Agnaldo Timóteo, não tem que se preocupar com a imprensa. Quem tem que se preocupar com a imprensa é Djavan, Milton Nascimento, Caetano, Chico, porque eles vivem de imprensa. Nós, não. Nós somos cantores de AM, de rádio, somos homens do povo.”

 

Redação

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2 Comentários
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  1. Casoares

    7 de janeiro de 2014 11:23 am

    Triste

    “O artista popular da minha linha, da linha de um Agnaldo Timóteo, não tem que se preocupar com a imprensa. Quem tem que se preocupar com a imprensa é Djavan, Milton Nascimento, Caetano, Chico, porque eles vivem de imprensa. Nós, não. Nós somos cantores de AM, de rádio, somos homens do povo.”

    A meu ver, não se faz necessário dizer absolutamente nada mais! Aliás, perdão, só incluiria na lista dos preocupados com a imprensa o Senhor Ruberto Calos.

    Através dos parâmetros ditados pela mídia submissa, muitos brasileiros tem vergonha até da própria sombra. Triste país sem memória que ouve “funk” ostentação a pleno volume.

  2. Jair Fonseca

    7 de janeiro de 2014 12:21 pm

    Ave atque vale, Nelson Ned!

    Quando estive em Cuba, no final dos anos 90, fiquei hospedado na casa da família de um motorista, que havia sido soldado. Logo colocou pra tocar uma fita de música brasileira pra nos saudar: não era de Chico Buarque, mas de Nelson Ned mesmo. Se sua gravadora divulgava que ele vendeu 45 milhões de discos no mundo, deve ter vendido o dobro, porque as grandes gravadoras sempre enganaram os artistas e o público. E muito mais gente o ouvia nas rádios populares e através de cópias em fitas. “Mas tudo, tudo passará…” Gravada em português, espanhol, inglês, francês…

    http://www.youtube.com/watch?v=g6r_YtYllE0

     

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