O Delírio Alcoólico de Gustavo Edwin Tjader, por Luciano Hortencio

Bahiano canta DELÍRIO ALCOÓLICO (Ó Lua Cheia), uma cançoneta de Cupertino Marques de Menezes e Gustavo Edwin Tjader (E. Briu).

O Delírio Alcoólico de Gustavo Edwin Tjader, por Luciano Hortencio

Bahiano gravou essa hilária cançoneta em 1913, porém no selo do disco não consta o nome dos compositores. Na discografiabrasileira.com.br consta como autores Cupertino de Menezes, E. Brio e Gustavo Tjador, como se fossem três os compositores da engraçadíssima Ode à lua cheia de cachaça.

Reouvindo agora o Delírio Alcoólico, encontrei o comentário do sobrinho bisneto de Gustavo Edwin Tjader, que colo abaixo:

MAIA MAIA

“meu tio bisavô que compôs a letra e vendeu para o Baiano pois não podia expor o nome, usando o pseudônimo E.briu… vendeu muitas músicas para pagar suas bebedeiras.. morreu novo e de tuberculose em 1915 um ano após escrever esta música… escreveu a música apaixonado por uma prostituta.. que também morreu de tuberculose… não existem provas, é bem verdade, mas está na nossa música deste a época e isso sabemos de boca a boca… mas a família o via mal.. o nome dele era Gustavo Edwin Tjader o ébrio ou .. E.Briu…”

Em memória de Gustavo Edwin Tjader (E. Briu) e com a finalidade de nominar corretamente os compositores, trago aqui essas notas e a hilária letra do Delírio alcoólico.

Ó Lua Cheia, cheia de graça!
Esse teu bojo está repleto de cachaça.
Apaga a luz, sem ninguém ver
E abre-te ao meio o teu recheio.
Estou danado por beber.
Tu não és mais que um garrafão
Que aqui me prende em sacrossanta devoção.
Oh vagabunda lá do espaço,
Dai-me o braço e passo a passo,
Vamos tomar um formidável bom pifão.

Fui o primeiro astronomeiro
Que descobriu quem sabe és irmã da opa.
E que vem sempre ao botequim
Do Joaquim, o português
Que até dizia “O vi tontim”.
Tu és oropa, redonda e branca,
Perambulando pelo azul do firmamento
Neste momento és um acento,
És uma anca de mulher,
Numa concavidade ambígua de colher.

De hoje pra trás, não bebo mais
Eis a promessa que ora faço com fervor.
Eu só não bebo a aguarrás,
Mas tu, ó lua, bebes chumbo derretido e pedes mais.
Vivo na rua e tu no céu,
Mas nos irmana o mesmo vício, o mesmo amor.
Por isso para que mentir,
Sou como tu de um crime réu
Se acaso é crime se beber até cair.

Lua pau d’água a minha mágoa,
É não morar no alambique a vida inteira.
Tendo-te a ti por companheira
Na sempre eterna bebedeira
E na ressaca habitual.
Nesta sarjeta cheia de lama,
Onde me encontro vejo a coisa muito preta.
Pois o tal de guarda noturno
É um malvado sem igual
Que vem soturno escangalhar minha bacanal.

Oh lua adeus, deixa-me andar.
Vou procurar algum lugar pra vomitar.
Tenho a na boca a impressão
E a sensação do gosto mal
De um cabo de chapéu de sol.
Fujo de ti, pois és capaz
De vomitar por sobre mim o parati.
Me encontrarás no botequim,
Fiel ao que já prometi,
De que não bebo nunca mais
De hoje pra trás.

Me diga se uma talagada, de vez em quando, não, não faz até ficar vivo ou morto, hein?

Bahiano – DELÍRIO ALCOÓLICO (Ó Lua Cheia) – cançoneta – Cupertino Marques de Menezes – Gustavo Edwin Tjader (E. Briu).
Disco Odeon R 120.365 – matriz 120690.
Gravação de 30.06.1913.
Arquivo Nirez.
Coisas que o tempo levou.

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