O Época de Ouro se renova para continuar o mesmo: um patrimônio artístico, por Carlos Motta

O Época de Ouro se renova para continuar o mesmo: um patrimônio artístico

por Carlos Motta

O Época de Ouro deixou de ser, há muito tempo, um grupo musical: é hoje um patrimônio artístico da humanidade.

Se estivesse atuando num país de verdade, não seria o conjunto que se apresentaria de terno e gravata em seus recitais, mas sim a plateia, que se obrigaria a usar esse traje em reverência à excepcional qualidade da música a ela oferecida.

O fato é que não existiria mais chorinho no Brasil – e no mundo todo – se não fosse o Época de Ouro. E se existisse, ele estaria confinado a guetos minúsculos e escondidos, com executantes centenários, guardiões de segredos musicais tão complexos como a mais bem guardada fórmula do mais obscuro alquimista.

Mas o Época de Ouro resistiu às modas e à voracidade da indústria de entretenimento, e não se rendeu ao canto da sereia dos modernismos passageiros: a música que faz há mais de meio século continua pura e cristalina como as notas extraídas no pequeno instrumento de cordas de seu fundador, o imortal Jacob Pick Bittencourt, vulgo do Bandolim.

Essa música espalhou sementes por toda a terra, gerando frutos de tamanhos e cores diversas, mas de sabor único e delicioso.

A árvore mãe, para nossa felicidade, continua não só intacta, mas renovando sua folhagem e flores. 

O ano de 2018 nem bem começou e trouxe a boa notícia: o Época de Ouro está com nova formação e vai estreá-la em dois concertos – isso mesmo, concertos, não shows -, no Sesc Pompéia, dias 26 e 27 de janeiro, sábado e domingo, às 21 e 18 horas, respectivamente. O recital, uma homenagem ao centenário de Jacob do Bandolim, terá ainda as participações da cantora Mariene de Castro e do bandolinista Rodrigo Lessa, fundador do Nó Em Pingo D’Água.

O “novo” Época de Ouro tem Celsinho Silva no pandeiro, substituindo seu pai, mestre Jorginho do Pandeiro, falecido em julho do ano passado, Jorge Filho (cavaquinho), Ronaldo do Bandolim, Antonio Rocha (flauta), e os violões de João Camarero (sete cordas) e Luiz Flavio Alcofra (seis cordas).

Todos craques, todos dignos representantes da música brasileira, essa inesgotável fonte de criatividade e beleza.

 

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2 comentários

  1. Que beleza este conjunto.

    Que beleza este conjunto. Grata surpresa agora estou sabendo que João Camarero excelente violonista. Muita responsabilidade e está em boas mãos seguindo a linha de Dino e César Faria. Sucesso ao grupo. Património Nacional.

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