4 de junho de 2026

O mundo poético da cantora Verônica Ferriani

“Verônica Ferriani enternece palavras duras, torna cálidos versos de decepção. Embala para presente letras que tratam do passado, lançando-as ao futuro. Faz da voz instrumento. Salpica de lágrimas a alegria. Alegra com sorrisos o desencanto. Refaz amor destroçado. Encanta com sua tamanha afinação. Junto à música, agiganta-se em seu ofício do gozo de ser mulher plena”.

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Dediquei estas palavras a “Verônica Ferriani e Chico Saraiva – Sobre Palavras” (Borandá), CD lançado em 2009. Agora, no final de 2013, Verônica Ferriani voltou a lançar um disco, de nome tão extenso quanto profundo é o seu significado para sua carreira: “Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio” (independente, patrocínio Uniforja e apoio do ProAC).

Diferentemente dos álbuns anteriores, quando o repertório gravado por Verônica tinha samba e baião, tinha bolero e canção, músicas criadas por compositores a quem ela admirava, este disco recém-lançado tem onze músicas compostas apenas por ela. Um salto dado no sentido de reinventar a carreira.

Reavendo o seu violão, foi nele que achou abrigo para se fortalecer e se desnudar diante da vida. E seu vasto mundo musical tornou-se ainda mais profundo, mais visceral.

Com produção musical de Marcelo Cabral e Gustavo Ruiz, eles que junto com Guilherme Held e Sergio Machado são também responsáveis pelos arranjos de base, o CD conta ainda com outros jovens músicos paulistanos – Pepe Cisneros, Mauricio Takara, Regis Damasceno, Mauricio Badé, Paulinho Viveiro e Edy do Trombone –, que ajudam a dar vida à música autoral de Verônica Ferriani.

Duas guitarras, baixo elétrico e bateria são responsáveis pela pegada pop rock do disco. As bases, por vezes acrescidas de outros instrumentos como clarone, teclado, trombone, trompete, quarteto de cordas, vibrafone, violão de aço e de doze cordas, percussão e baixo acústico, são o ponto de partida para melhor compreensão da música criada por Verônica Ferriani. Com voz solta e firme, ela se dilacera. Com a certeza de que seu canto ganhou novos rumos, ela se esmera em elevá-lo ao máximo.

Há pouco espaço entre as faixas finais. Tal recurso parece autodefesa, como se fosse necessário despejar de uma só vez tudo o que a música é para a vida de Verônica. Vida aberta em verso e canto por uma mulher que se deixa ver por dentro, a partir de seus amores.

O pop está presente em quase todas as músicas. É o caso de quando Verônica assume voz intensa para cantar “Era Preciso Saber”: “Era preciso aprender a andar no escuro/ Sair do porto seguro/ Era preciso descrer/ Ao deus-dará, nem passado nem futuro/ Era preciso saber.”

Às vezes, o pop dá lugar a canções, como “À Segunda Vista”. Nela, acompanhada por violões de aço e de doze, além de clarone, a voz apaixonada e bela de Verônica se transmuda em doçura. Em qualquer uma dessas vertentes, lá está a sua visão de mundo expressas em palavras. Brasilidade iluminando o mundo onde vive a cantora que agora poeta.

Aquiles Rique Reis é músico e vocalista do MPB4

Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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