Viva Wilson Baptista! Um álbum de referência para a música brasileira, por Aquiles Rique Reis

Uma seleção de intérpretes reunidos em torno da obra de Wilson Baptista – quanta beleza e carinho revelados em cada faixa, meu Deus!

Um álbum de referência para a música brasileira (Viva Wilson Baptista!)

por Aquiles Rique Reis

Eita, que eu hoje venho aqui para falar sobre um álbum duplo singular. Trata-se de mais um oportuno lançamento do selo SESC SP, Wilson Baptista – Eu Sou Assim

Taí um comentário gostoso de escrever. Mas não será fácil descrever tudo o que há de bom neste registro, que, graças ao competente trabalho do pesquisador e músico Rodrigo Alzuguir, idealizador do projeto, agora vem à luz.

Primeiro, porque se trata de um trabalho de referência histórica, sobre um dos maiores sambistas brasileiros de todos os tempos. Segundo, porque ele vem a público, seja ele formado por amantes da música brasileira, colecionadores ou pesquisadores, num formato digno do objetivo almejado para o álbum: conteúdo discográfico, material gráfico e textual de alta qualidade. Terceiro, pela seleção de intérpretes reunidos em torno da obra de Wilson Baptista – quanta beleza e carinho revelados em cada faixa, meu Deus! E quarto, resgata a voz (!) do próprio Wilson Baptista, segundo o release recuperada de registros caseiros feitos por ele, num gravador de rolo e numa fita demo, para um LP da cantora Telma Soares, lá pelo meio da década de 1960, que acabou não sendo lançado.

Divididos em dois CDs, lá estão sambas porretas, inclusive sete inéditos, renovados por ótimos arranjos e cantados por Alexandre Rosa Moreno, Ana Bacalhau, Áurea Martins, Ayrton Montarroyos, Beatriz Rabello, Cristina Buarque, Dori Caymmi, Filó Machado, Ilessi, João Bosco, Joyce Moreno, Larissa Luz, Lívia Nestrovski, Maíra Freitas, Marcos Sacramento, Mônica Salmaso, Moyseis Marques, Nei Lopes, Ney Matogrosso e Pretinho da Serrinha – todos admiradores da arte de Wilson Baptista.

E a magia rola ainda mais graças à competência de nove arranjadores e de dezenas de instrumentistas que, juntos, criaram a atmosfera que permitiu que a “deslumbrância” da obra de Wilson aflorasse.

Apesar de “babar” de encantamento com as trinta faixas dos CDs, escolhi algumas para realçar. A definitiva “Meu Mundo É Hoje – Eu Sou Assim” (WB e José Baptista) e a genial “Nega Luzia” (WB e Jorge de Castro)*, ambas cantadas por Wilson Baptista; “Sem Cuíca Não Há Samba” (WB e João Antônio Peixoto)**, na bela voz de Ilessi; “Amor Que Maltrata” (WB e Jorge de Castro), que interpretação a do Ayrton Montarroyos!; “Meus Vinte Anos”*** (WB e Silvio Caldas), bela a voz do Dori Caymmi; “Sou Um Barco” (WB e Alberto Rego), na voz da insuperável Áurea Martins;  “Boato de Felicidade” (Antonio Rago), bem cantada pela Lívia Nestrovski; e “Fui Olhar Nos Teus Olhos” (WB e Francisco Malfitano), sob responsa do Marcos Sacramento.

E que esse flamenguista, nascido em Campos dos Goitacazes, em 1931, e falecido aos 55 anos, no Rio de Janeiro, sempre viva! Viva, Wilson Baptista!

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

https://youtu.be/sIliHsN5vY8 *“Nega Luzia”

https://youtu.be/-dpEiYv7xE0?si=6Gc4DBxdDhxor4MG **“Sem Cuíca Não Há Samba”

https://youtu.be/2rUQkdY0bg8?si=SBPqvlzpu2wkueN8 ***”Meus Vinte Anos”

Aquiles Rique Reis

Crítico de música.

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