5 de junho de 2026

Novo site do ‘NYT’ foca em design interativo e publicidade nativa

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O apelido do New York Times é The Gray Lady, algo como “A senhora grisalha”. Talvez por isso a mais recente remodelação apresentada, na semana passada (8/1), pelo site do tradicional jornalão americano fundado em 1851 tenha chamado a atenção da imprensa. A última vez que o diário reformulou integralmente sua versão online foi em 2006, quando o iPhone ainda não estava no mercado e o iPad nem pensava em nascer. Ou seja, em sete anos, muito mudou no mundo da tecnologia e na noção de consumo de informação.

O novo site foi concebido tendo o público de aparelhos móveis em mente, agora que cerca de um terço de seu tráfego vem de usuários de smartphones e tablets. “Era importante criarmos um layout interativo, que melhora a apresentação de nosso conteúdo dos desktops maiores até os tablets”, diz Denise Warren, vice-presidente executiva de serviços e produtos digitais do Times.

O planejamento inicial para a reformulação começou em 2011 e envolveu um processo de colaboração entre os vários departamentos do jornal. Segundo Denise, as novidades no design são óbvias para os visitantes. “Remodelamos nossas páginas de artigos e reestilizamos nossa homepage e seções principais a fim de oferecer uma experiência mais atraente e um layout mais limpo ao usuário”, afirma ela.

Ao mesmo tempo, a New York Times Company se preocupou em tentar não afastar os leitores mais fiéis – aqueles que odeiam mudanças. Por isso, o novo design vinha sendo testado internamente há algum tempo e foi sendo ajustado ao longo do caminho. “Reconstruir toda a infraestrutura de um site, que é tão bem-sucedida e tão grande como a nossa, é como mexer no motor enquanto se pilota um avião, por isso queríamos fazê-lo com muito cuidado”, justifica Denise.

“Estamos concentrados em manter nossa identidade”, completa Ian Adelman, diretor de design digital do Times. “É fato que existem elementos que ainda lembram um pouco a versão em papel, mas eu realmente não penso tanto sobre isso quanto penso na identidade [da marca] New York Times”.

Publicidade nativa

O novo sistema permite novos tipos de publicidade, o que é fundamental para veículos como o Times, que vêm sofrendo queda na receita de publicidade digital. No terceiro trimestre de 2013, o faturamento caiu 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O novo layout apresenta grande abertura para a chamada “publicidade nativa”. São os posts pagos, ou publieditoriais, que assemelham-se a artigos jornalísticos – por isso são chamados “nativos” –, mas na verdade trazem a mensagem de patrocinadores. Para distinguir os publieditoriais dos artigos jornalísticos de verdade, eles são cercados por uma margem azul e precedidos por um aviso de que são “pagos e postados por” empresas de fora. Os textos também são formatados em fonte diferente.

publisher do Times, Arthur Sulzberger Jr., reconheceu em um memorando divulgado no mês passado que os anúncios que se assemelham a artigos “podem ??ser controversos” entre os jornalistas, mas disse que espera que “a publicidade nativa desempenhe seu papel auxiliando a restaurar a receita de publicidade digital rumo ao crescimento (…), algo que precisamos fazer para apoiar nosso investimento no jornalismo doNew York Times”.

Os publieditoriais podem ser conferidos neste link.

Conquistar leitores

Ao mesmo tempo em que tenta melhorar sua receita na publicidade digital, o Times ainda depende da venda de assinaturas. A esperança da empresa é que um site mais rico seja capaz de manter os antigos assinantes satisfeitos, e também de conquistar os novos. “Quanto mais os leitores se envolvem, encontrando um artigo sobre um filme intrigante quando vieram para acompanhar as últimas notícias sobre o Afeganistão, mais provável que renovem suas assinaturas e aceitem reajustes anuais nestes valores”, diz o analista de mídia Ken Doctor, autor do siteNewsonomics.

A necessidade de satisfazer a ambos, leitores e anunciantes, pode soar como uma estratégia de mídia hermética, coisa de agência de notícias, mas a crescente base de assinantes do Times indica que a experiência do usuário deve continuar a ser o foco. Além disso, mais pessoas têm acessado o Times online do que optado por sua edição impressa. O site recebe cerca de 1,6 milhão de visitantes únicos por dia, ao passo que a circulação do jornal diário está em torno de 730 mil exemplares.

“Tivemos uma grande oportunidade de redimensionar um pouco a experiência publicitária”, diz Denise Warren. “A reação tem sido muito boa. Acho que os anunciantes têm ficado satisfeitos com o que têm visto”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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2 Comentários
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  1. anarquista sério

    18 de janeiro de 2014 1:04 pm

     
    ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
    Papel

     

    ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR

    Papel = internet

    ‘New York Times’ muda o site e visual fica praticamente idêntico ao do jornal impresso

    Surpresa no meio de uma viagem por um lugar distante e praticamente sem internet: o site do “New York Times”, um dos melhores jornais do mundo, estava diferente. Cheguei a pensar que fosse defeito da transmissão, e a página não tivesse “montado” direto. Mas, com uma lenta pesquisa (o normal seria dizer “rápida pesquisa”, porém não com a conexão que eu tinha), deu para constatar: era mesmo um novo projeto gráfico.

    Saíram os títulos em azul, dando lugar a letras pretas, em itálico, iguais às do jornal de papel. As páginas de reportagens ficaram mais limpas, com o texto centralizado. Os comentários de leitores foram içados da parte de baixo da tela –agora correm paralelos, na mesma altura do texto principal.

    São muitas novidades, algumas delas imperceptíveis para o leitor comum. De todas, a que me parece mais importante é que, visualmente, o site do “New York Times” ficou praticamente idêntico ao jornal impresso.

    Essa é uma mudança crucial de conceito. Nos primórdios da web, o leitor deve se lembrar, muitos veículos tradicionais nem usavam seus próprios nomes nos sites. O “Washington Post”, por exemplo, na internet se chamava “digitalink.com” (“tintadigital.com”). A revista “New Scientist” era “planetscience.com”.

    O raciocínio por traz disso era óbvio: a nave-mãe é o impresso, não vamos queimar nossa marca nessa aventura; a gente adota outro nome na internet e depois vê no que dá. Papel era papel, internet era internet.

    Vinte anos depois, o “NYT”, tão imitado e influente, dá um passo corajoso: em identidade visual, papel e on-line praticamente não têm mais distinção. A “homepage” do site e a capa do jornal físico são gêmeas quase idênticas.

    E isso, no caso do “New York Times”, tem um valor simbólico muito forte. Segundo uma reportagem recente do jornal inglês “The Guardian”, na grande maioria dos sites noticiosos líderes de audiência, a homepage, página de abertura, não é tão importante. Só 10% dos leitores começam por ela e depois vão clicando nas notícias. A grande maioria já entra direto nos textos, vindos de links em redes sociais e de pesquisas no Google.

    No caso do “NYT”, essa estatística é muito diferente. A marca é tão forte que nada menos que metade dos leitores inicia a leitura do site pela homepage. Para esse público, digitar nyt.com, quando se está em busca de notícias, é uma ação automática.

    Outro ponto a destacar: assim como em vários outros sites importantes com origem em veículos impressos, inclusive no Brasil, os recursos audiovisuais da internet são bastante explorados no novo projeto gráfico americano.

    Até há alguns anos, uma revista ou jornal impresso que obtivesse um vídeo sensacional, um grande furo de reportagem, pouco teria o que fazer. Poderia, no máximo, montar uma sequência de imagens no papel inerte: o que se chama, no jargão jornalístico, de “cineminha”. E depois torcer para que uma emissora de TV pedisse o vídeo, e pusesse no ar com o devido crédito.

    Isso mudou, o que eventos recentes no Brasil deixam claro. Os vídeos da barbárie no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, foram divulgados pela versão on-line da Folha, na origem um jornal impresso. Foi também esse o caso do vídeo em que Chico Buarque dava ao pesquisador Paulo César Araújo uma entrevista que ele, Chico, vinha negando ter concedido (furo do site do jornal “O Globo”).

    A inovação apareceu até em um caso folclórico, o do notório Rei do Camarote. No fim do ano passado, o sujeito virou febre na internet graças a um vídeo editado com muita inteligência (e veneno) pelo site de uma revista de papel, a “Veja São Paulo”.

    Enquanto escrevo esta coluna, ouço uma entrevista do roqueiro Stephen Malkmus, da banda Pavement, na rádio BBC 6. Ele agradece pela emissora estar tocando bastante uma canção sua. Só que não diz “emissora”, nem “rádio”. Diz “canal”.

    Não dá para culpar o velho Stephen pela imprecisão. O mundo está mesmo assim: rádios transmitem imagens, jornais e revistas fazem vídeos, a TV se aproxima da internet, o próprio conceito de canal ficou muito mais amplo.

    Na segunda década do século 21, uma palavra antiga alcança finalmente seu significado pleno: multimídia. A gente já usava, mas não sabia que ela queria dizer tanta coisa.

     

  2. robson_lopes

    18 de janeiro de 2014 1:28 pm

    Posso até estar enganado, mas

    Posso até estar enganado, mas o que sustenta essa demanda impressa dos jornais, é parte da população mais velha e de uns poucos jovens conservadores, os primeiros por não terem muita intimidade com a tecnologia de smartphones e tablets, os segundos por acharem ainda ser necessária a existência do jornal impressão, claro, tudo são suposições.

    Mas o futuro nos mostrará que esses jornais deverão ser totalmente onlines, com formato diferente do impresso, você entra nos sites dos jornais e eles são quase uma cópia do impresso, não faz sentido, é outra mídia, o formato deveria ser mais eficiente, deveria haver uma maior interação com o público, uma das grandes mudanças atuais é que o público quer opinar no que foi escrito, o jornal ou o jornalista não pode ter medo da crítica, ainda que ela seja ácida, afinal aquilo pode ser, inclusive, um termômetro para proteger sua existência.

    Abrir espaço para artigos externos é algo fantástico, aumenta o mix de opiniões, é o leitor que dirá se aceitará ou não, o jornal não pode colocar como referência de sucesso apenas as opiniões dos assinantes dos jornais impressos, esses são tradicionais e conservadores, demoram muito mais tempo para absorver o novo, têm de ouvir a maioria, e nem sempre um artigo cheio de críticas é um artigo ruim, talvez seja justamente o contrário, quem sabe não tocou justamente naquele ponto, que incomoda a todos.

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