Eles escolheram a barbárie, por rdmaestri

Qualquer ministro de relações exteriores dos países europeus ou dos Estados Unidos do século XIX para os dias de hoje, sabia perfeitamente que para dominar os recursos naturais de um país periférico qualquer havia um protocolo que era repetido a exaustão.

Existia um governo neste país periférico que por diversos motivos não estava muito disposto a exportar seus recursos naturais, os motivos podiam ser desde fechamento natural da economia do país, causas religiosas ou até pretensões nacionalistas.

Existia um país ou um grupo de países que desejava tomar posse direta ou indiretamente desses recursos naturais.

O segundo grupo, promovia uma guerra entre países vizinhos, ou um golpe, ou mesmo uma revolução que derrubava o governo do país que relutava em abrir o seu mercado, para culminar na regra de ouro, a colocação de um governo qualquer, corrupto ou não, que abriria os seus recursos aos países interessados.

Em resumo, antes do começo da revolução ou golpe, os futuros governantes que seriam apoiados pelos países mais desenvolvidos já estavam comprometidos com a manutenção do suprimento da matéria prima até a exaustão da mesma.

Casos como este temos as centenas na história recente, na África, na Ásia e na América Latina, mudavam os personagens, mas a peça era sempre a mesma.

Esta sistemática perdurou até as últimas décadas do século XX, porém entrou em jogo mais um novo parâmetro, o esgotamento dos recursos em nível planetário principalmente os hidrocarbonetos.

No fim do século XX os governantes títeres dos países centrais, ou mesmo aqueles que nacionalistas e revoltados, que mesmo revoltados ainda continuavam a vender seus produtos naturais como o gás e o petróleo, para se manter no poder, além de repassar algo para as suas populações, vendiam a preços ínfimos os derivados (gasolina, óleo diesel, etc..) aos nacionais dos países.

Esta venda a preços completamente fora dos preços internacionais produzia um efeito de um aumento desenfreado do consumo de hidrocarbonetos tanto para a industrialização dos seus países (algumas vezes) como pelo consumo irresponsável como deixar o automóvel ligado durante algumas horas para o ar condicionado manter a temperatura interna do mesmo agradável.

Este aumento de consumo pode ser visto claramente na tabela a seguir dos países exportadores de petróleo.

Na tabela, se vê claramente que nos países da OPEP o consumo em três décadas sobe é multiplicado por três, só diminuindo a intensidade nos últimos 10 anos no IRAQUE.

Outro exemplo que difere do grupo é a VENEZUELA, que apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, de 1980 a 1995 o consumo se mantém estagnado.

 

Enquanto estes países produtores de petróleo aumentavam os seus consumos exponencialmente os paises da OECD (o fechado clube dos outrora mais ricos países do mundo) mantinham seu consumo estagnado ou mesmo decrescente. A figura a seguir mostra claramente a inversão do consumo de petróleo entre os países da OECD e os que não são do clube.

 

Como uma boa parte deste consumo deve-se a China e a Rússia, países que é mais difícil obrigá-los a diminuir o seu consumo contra a sua vontade, talvez a solução ensaiada no Iraque tenha sido um novo paradigma na administração da derrubada de governos.

Pode-se imaginar que a consigna dos partidos de esquerda: Ou somos nós ou a barbárie, tenha influenciado de forma perversa as decisões dos países da OCDE, ou seja, preferiu-se a barbárie nos países periféricos.

Agora voltando ao título do artigo, a atual postura dos governos centrais de promover a mudança de governos estáveis (corruptos ou não) para uma situação de caos, não seja um acaso nem um erro de estratégia, mas sim a estratégia propriamente dita.

Nos países produtores de hidrocarbonetos em que não é possível promover a desordem (apesar de tentarem) como a Rússia, ou países em que o consumo cresce mais do que a produção (como o Brasil), concorrendo diretamente com os países da OCDE, uma confusão interna ou externa aliada com uma recessão, fazem o mesmo papel (por enquanto!).

Logo, se este raciocínio estiver correto, pode-se para as próximas décadas esperar bem mais do que tentativas de criar a recessão em países que produzam ou consumam muito petróleo, ou seja, a barbárie.

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6 comentários

  1. Terá sido por acaso que, ao
    Terá sido por acaso que, ao ler esta exposição, imediatamente associei pré-sal e ambiente político-institucional do Brasil em 2013-2015? Não tenho dúvidas: estamos diante de uma tentativa de assalto.

    • Um dos sintomas!

      Não é por nada que manifestações monstras apareceram embaladas pelas novas armas do Big Brother, o feicebuque e o tuiter. Acho que novos eventos deverão surgir, para encurralar o governo e distanciá-lo cada vez mais das suas origens.

      Para mim é claro, é algo bem mais amplo e não é gerenciado pela “pseudo-inteligência” dos partidos de oposição, é uma clara manobra vinda de fora.

      • Faz muito tempo que suspeito

        Faz muito tempo que suspeito disso. E candidatos a títeres dos interesses de fora nunca faltaram.

  2. Resta suprimir as oposições e

    Resta suprimir as oposições e mostrar que os nossos opostos naturais não são, na realidade, irresolúveis como parecem e que a verdade de ambos só resultará na mutua conciliação.

    Meu pensamento não cessa de avivar que se descubra o ponto de encontro, um princípio mais elevado suscetível de alcançarmos a harmonia dos dois termos aparentemente irreconciliáveis no estado de simples postulado da verdade em si.

    A resolução também já existe dos dois termos realizados, a mostrar que só o meu valor procura o seu como forma do seu contrário. 

  3. Show

    Reflexão correta e apavorante! Se nossa consciência política fosse melhor poderíamos contar com mais resistência. Até agora fomos em frente graças a intuição do povo brasileiro. Classe média, na maioria, mal informada, só tem atrapalhado.

  4. Não cabe simplismos na discussão centro versus periferia.

    Não significa que esta é uma questão encerrada, mas que a globalização se intensificou e ficou mais complexa. Irã e Arábia Saudita, juntos consumiram mais de cinco milhões de barris diários em 2013, respectivamente 2 e 3 milhões de barris, quatro vezes mais do que consumiam em 1980, quando a OCDE ‘bebia’ de petróleo mais do dobro do restante da humanidade. No ano passado a situação se reverteu e o consumo do restante ultrapassou o da OCDE.

    As tendências são estas mesmo, cada vez mais diminui a margem exportável dos exportadores. Porém, não se deve esquecer que houve, nas últimas décadas, transferência de chão de fábrica, relocalização de indústrias em direção aos salários baixos do oriente e alguns países do sul. A produção realizada nesses países tem o destino dos grandes mercados consumidores, localizados principalmente na OCDE, ou seja, parte substantiva do consumo de energia da periferia é consumo dos países centrais.

    China, Indonésia e México são exemplos dramáticos, do crescimento de consumo de energia dos países periféricos. Por conta da decadência na extração de petróleo e o crescimento interno de seu consumo – de 1980 para cá, cresceu seu consumo de óleo por quatro e teve sua produção reduzida pela metade – a Indonésia saiu da condição de grande exportador e tornou-se um importador de tamanho médio, teve de abandonar a OPEP por conta disso. O México caminha em igual direção, consumia de petróleo em 1980, metade do que hoje consome e sua produção está em queda livre.

    A China se tornou a maior consumidora de energia primária e maior emissora de CO2 no mundo. Cresceu seu consumo de energia e com ele sua capacidade produtiva, devido principalmente à instalação em seu território de empresas e capitais oriundos da OCDE, onde se situa os principais mercados de suas exportações. Empresas que antes enfumaçavam e poluiam o ocidente foram para China.

    É uma tolice acreditar que os países centrais  conspiram contra o crescimento chinês, pois a relocalização de suas fábricas para lá lhes trouxe muitos benefícios e enriquecem suas empresas. O mesmo vale para países em que existem numerosas empresas dos países centrais: se a China falir, elas vão junto; se a produção da periferia cair, elas também perdem.

    O crescimento chinês é também o crescimento das multinacionais que lá se instalaram. Um bom exemplo disso pode ser visto no agronegócio no Brasil. Latifundiários são meros capatazes no processo. Sementes, venenos, adubos, máquinas agrícolas e comercialização de safras são em até cem por cento de multinacionais. Daí ser imensa bobagem dizer que, “interesses alienígenas” estão por trás dos ambientalistas contrários à derrubada de florestas. As multinacionais ganham os tubos com as derrubadas e a expansão da “nossa” fronteira agrícola. Trata-se de um discursinho para arregimentar bocós nacionalisteiros como massa de manobra antiambientalista. Quem mais se beneficia da derrubada da Amazônia são os países centrais, através de suas multinacionais aqui instaladas. Enfrentar a derrubada é enfrentar as multinacionais, coisa que não faz o pcdob com seus deputados da bancada ruralista e da motossera, os comunistas transgênicos aliados do latifúndio e do imperialismo multinacional. As multinacionais também ganham muito com mineração, hiroeletricidade e produção de eletrointensivos na Amazônia.

    O problema energético que vamos enfrentar é de outra natureza. Não se vê no horizonte nada com capacidade de substituir os hidrocarbonetos, de onde vem noventa por cento da energia primária consumida no mundo. A decadência das fontes de extração de hidorcarbonetos e as limitações para sua obtenção e uso são visíveis. Na próxima década a depleção dos campos de petróleo será fato consumado. O mundo não se preparou para tanto, as políticas para uma necessária fase de  transição pós-petróleo estão sendo adiadas, pela interdição efetiva do debate, através da omissão dos meios de comunicação, sobre o que de fato está a ocorrer com os principais energéticos que usamos, sobre os quais se assentam a sociedade industrial.

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