4 de junho de 2026

Número de empresas inadimplentes cresce 7,64% em agosto

Jornal GGN – O número de empresas inadimplentes voltou a crescer no mês de agosto: cálculos elaborados pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) mostram que a quantidade de empresas com contas em atraso registrou alta de 7,64% na comparação com agosto de 2013.

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A variação apurada foi levemente superior à apresentada em julho deste ano, quando o crescimento observado fora de 7,11%. O resultado de agosto representa o quinto mês consecutivo com alta superior ao patamar de 7% e foi puxada, principalmente, pelas empresas do ramo de serviços, que apresentaram alta de 10,76%. Já na passagem de julho para agosto, os dados do SPC Brasil mostram que houve uma ligeira desaceleração no crescimento de empresas inadimplentes, passando de 0,37% para 0,26%.

Desde fevereiro deste ano, o número de empresas com dívidas entre 181 e 360 dias vinha apresentando leves recuos na base de comparação anual segundo o indicador do SPC Brasil. Em agosto deste ano, entretanto, essa faixa de tempo apresentou alta de 2,21% em relação ao mesmo mês de 2013. Já as empresas com dívidas mais recentes, com até 90 dias de atraso, mostraram uma alta de 7,82%, menor variação dos últimos cinco meses da categoria.

Para os economistas da entidade, o resultado reflete o fato de que o número de empresas recentemente endividadas vem desacelerando, apesar de ainda apresentar variações positivas elevadas. Por outro lado, as empresas com dívidas contraídas há mais tempo vêm aumentando: o maior crescimento ficou por conta das empresas detentoras de pendências entre 91 e 180 dias, cuja variação foi de 11,79%, a maior para a categoria dos últimos 17 meses. O movimento do indicador mostra que as dívidas estão se mantendo na base de compromissos em atraso, passando da categoria de até 90 dias para a categoria de 90 a 180 dias. Para os economistas do SPC Brasil, os números sugerem que os empresários estão com dificuldades para quitar pendências antigas.

A abertura do indicador por ramo da economia mostra que o setor de serviços foi quem mais contribuiu para a alta da inadimplência: neste segmento, que concentra 35,88% de todas as dívidas das pessoas jurídicas em atraso, a alta anual do número de empresas devedoras foi de 10,76%. Empresas de hospedagem e alimentação (13,46%) e transportes (10%) apresentaram as maiores variações. 

Em segundo lugar ficou o segmento do comércio, com alta de 6,57% e participação de 49,64% no total de dívidas. Logo em seguida aparece o segmento de indústrias, que apresentou alta de 7,77% e ocupa uma fatia de 9,84% no universo de dividas não pagas. Já o setor da agricultura, que representa  0,69% das dívidas em atraso, registrou alta de 4,39% no número de empresas inadimplentes.

Em nota, a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, afirma que o aumento da inadimplência das empresas é reflexo do atual cenário de crescimento econômico em desaceleração, que aliado à manutenção dos juros em patamares elevados e à inflação no teto da meta cria dificuldades relacionadas ao pagamento das dívidas. “Além disso, a piora da confiança do consumidor e o crescimento da inadimplência da pessoa física também são fatores que influenciam a deterioração da capacidade de pagamento das empresas”, destaca a economista.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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