15 de julho de 2026

7 professores que transformam o educar e o aprender

Por Ana Luiza Basílio, do Centro de Referências em Educação Integral

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Para celebrar o Dia do Professor, o Centro de Referências em Educação Integral traz uma lista de iniciativas de sete educadores que, de alguma forma, transformaram o processo de aprendizagem para algo mais significativo para si próprios e, sobretudo, para seus alunos. Essas experiências evidenciam a importância dos professores se colocarem como mediadores do percurso educativo e considerarem o conhecimento e o interesse dos alunos, fazendo da educação um processo dialógico, em que todos ensinam e aprendem.

Solução coletiva

“O que querem aprender?”. Foi com essa fala e sentado em grupo com seus alunos que o professor de matemática Sérgio Juaréz Correa iniciou uma mudança radical na escola primária mexicana José Urbina Lopez, antes essencialmente marcada pela situação de vulnerabilidade em que se inseria e pelo desinteresse dos aluno. Sem recursos financeiros ou materiais específicos, mas inspirado pela metodologia do educador indiano Sugata Mitra, o docente passou a conduzir suas aulas a partir de perguntas e a investir em momentos de debates, o que fez com que as crianças se interessassem pela proposta e participassem mais efetivamente. Em menos de um ano da mudança na forma de ensinar, os resultados surpreenderam toda a comunidade: No exame nacional anterior, 45% tinham sido reprovados na prova de matemática e 31% na de espanhol. Após a “guinada” do professor, os índices em sua turma foram de 7% e 3.5%, respectivamente. Anteriormente, nenhum estava na faixa de pontuação excelente do exame de matemática e no resultado mais recente, 63% alcançaram esta categoria. Para Correa, a melhoria alcançada na aprendizagem foi possível pelo entendimento de que o papel da escola é o de estimular que todas as crianças possam traçar seus próprios percursos de aprendizagem.

Rompendo barreiras

“Respeito é uma coisa que se adquire com a sua própria postura”. É com essa fala que a transexual cearense Érikah Alcântara fala de seu espaço como professora de jovens e adultos no município de Maracanaú, e supervisora da disciplina de Matemática em Pacatuba, ambos municípios cearenses. Recentemente, a educadora foi convidada a participar da campanha nacional Dia da Visibilidade Trans que tem por objetivo lutar pela inserção de transexuais no mercado de trabalho. Realizada no trabalho, Érikah mostra como vencer os preconceitos e apoia o direito à identidade de cada estudante, encorajando-os e os valorizando diariamente em todas as suas diferenças.

Em busca de um sonho

Há 32 anos atrás nem a família de Débora Seabra de Moura tinha certeza sobre como seria sua vida, já que poucas eram as informações naquela época sobre a Síndrome de Down. O aprendizado, no entanto, foi acontecendo com a vivência; e a garota foi estimulada a ter as mesmas oportunidades que seus familiares, o que garantiu seu ingresso em uma escola de educação regular. E foi na escola que ela descobriu o sonho de ser educadora e, hoje, é a primeira professora de ensino fundamental do Brasil com síndrome de Down. Adorada pelos alunos, pais e direção da escola em que atua, Débora venceu preconceitos e prova – diariamente – que todos podem aprender.

Uma história de transformação
Luiz César Madureira é educador social no Município de Diadema e desenvolve seu trabalho na ACER Brasil Desenvolvimento Humano e Comunitário, onde é coordenador do núcleo de esportes. A instituição presta atendimento à infância a partir de atividades como percussão, capoeira, rodas de leitura, direciona acompanhamento aos familiares dessas crianças, e se abre como pólo parceiro a escolas de educação integral. Luiz sabe da dificuldade do trabalho, mas entende que ampliar as oportunidades educativas é o caminho para quebrar o ciclo transgeracional de violência, trabalho infantil e abusos contra crianças e adolescentes.

A escola como parte da comunidade

Por muitos anos, Maria Auxiliadora Rodrigues, ou Dôra, como é popularmente conhecida, viu de perto o desinteresse dos alunos da escola estadual General Dionísio Cerqueira, localizada na comunidade de Santa Cruz, região periférica de Salvador (BA). Seu desafio se ampliou quando foi convidada a assumir a direção da unidade, mas não foi maior que sua vontade de mudança. Dôra encorajou diversas ações colaborativas na comunidade escolar, com a proposição de atividades que fossem para além das salas de aula. Isso implicou não só em motivar a participação discente, mas também de aproximar os familiares da escola, a partir da ideia simbólica de derrubar seus muros. Foi quando nasceu um novo plano pedagógico que propôs outras dinâmicas ao espaço escolar, que agora também pertencente aos moradores do entorno. Para driblar os índices de evasão e reduzi-los a quase zero, a professora abriu as portas da escola à comunidade, dizendo que a educação das crianças e jovens é responsabilidade de todo mundo.

As possibilidades da arte-educação

“Eu queria tirar os jovens da invisibilidade social”. A inquietação da educadora Peter Cohen se dava por conta do baixo IDH do município de Japeri, na Baixada Fluminense (RJ) e das reduzidas oportunidades às quais crianças e adolescentes teriam acesso. Foi com o desejo de mudar essa realidade que ofertou a oficina de pintura Multiarte aos alunos do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, onde leciona. Os estudantes são orientados a criar suas produções que, frequentemente, são levadas para concursos e exposições; muitas, inclusive, premiadas. A iniciativa não só amplia as possibilidades de aprendizagem dos alunos, como estimula que estes acreditem no potencial que têm e alcem novas oportunidades.

Para inspirar
“Sabe qual o meu maior sonho? É ver uma daquelas crianças na faculdade”. A fala que abre o documentário “Carregadoras de sonhos” poderia ser dita por Edielma, Marta, Maraísa ou Rose. Essas quatro educadoras têm em comum o sonho de contribuir com a mudança de vida das crianças do interior do Sergipe a partir da educação. Assista o documentário e conheça histórias de professoras que acreditam na educação.

Qual é a graça?
“Macaco”, “galinha de macumba”, “asfalto”. Muitas foram as vezes que Luiz Rosa, professor de biologia da escola municipal Herbert Roses, na zona norte do Rio de Janeiro, ouviu essas palavras em meio ao tratamento de seus alunos. Com a ideia de combater os chamamentos pejorativos entre a turma, o educador teve a ideia de criar o projeto “Qual é a graça?”, que nasceu com o objetivo de resgatar os valores da cultura negra. De início, os alunos foram envolvidos em uma pesquisa de outros possíveis apelidos aos negros – foram colhidos mais de 300 nomes. Depois, a proposta de trocar cada nome desse por uma atitude positiva. A aprendizagem foi acontecendo com a aproximação da turma de informações e elementos próprios da cultura negra, e que também diziam sobre a história do Brasil, na época da escravidão. Conhecer plantas nativas, artefatos musicais e nomes de negros combatentes foram só algumas das estratégias do educador, que conseguiu modificar o cotidiano dos alunos e ampliar suas possibilidades de aprendizagem em um verdadeiro esforço transdisciplinar.

https://www.youtube.com/watch?v=SyMbByhQpIg align:center

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