“A Amazônia é propriedade do Brasil. É o Brasil quem tem que cuidar dela”, diz Lula ao Le Monde

Ao ser questionado sobre Bolsonaro, Lula adota um tom cáustico, afirmando que o atual presidente brasileiro destrói a educação, os direitos dos trabalhadores e a indústria brasileira.

Le Monde publicou uma entrevista exclusiva com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 12 de setembro de 2019.Reprodução/Le Monde

do RFI

“A Amazônia é propriedade do Brasil. É o Brasil quem tem que cuidar dela”, diz Lula ao Le Monde

O jornal Le Monde desta quinta-feira (12) traz uma entrevista exclusiva com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, concedida na sala de imprensa da sede da Polícia Federal de Curitiba. Dizendo se sentir bem, moralmente e fisicamente, Lula ratifica sua inocência e se diz otimista sobre sua saída da prisão. Também falou sobre a soberania do Brasil sobre a Amazônia, mas defendeu o presidente francês, Emmanuel Macron, dos insultos de Jair Bolsonaro e membros do governo brasileiro.

“Sempre tive excelentes relações com todos os presidentes franceses, de esquerda como de direita, com Chirac, Sarkozy e Hollande. Sou solidário a Emmanuel Macron, depois dos insultos contra sua esposa. Foi uma grosseria injustificável, e isso não tem nada a ver com o povo brasileiro”, afirma o ex-presidente, em entrevista ao novo correspondente do Le Monde no Brasil, Bruno Meyerfeld.

Entretanto, Lula discorda da ideia de Macron de internacionalizar a Amazônia. “A Amazônia é propriedade do Brasil. Ela faz parte do patrimônio brasileiro. É o Brasil quem tem que cuidar dela. Isso não quer dizer que é preciso ser ignorante, que a ajuda internacional não é importante. Mas a Amazônia não pode ser um santuário da humanidade. Lembro que 20 milhões de pessoas vivem lá, precisam comer e trabalhar. Devemos também cuidar deles, levando em consideração a preservação do meio ambiente”, diz.

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Para Lula, é preciso que os brasileiros reajam e se mobilizem pela defesa da natureza. O líder petista lembra ao Le Monde que durante seu governo foram criados fundos, financiados pela Alemanha e a Noruega, para proteger a floresta, além de 144 zonas naturais protegidas, permitindo diminuir o desmatamento ilegal. “Não podemos esperar nada de Bolsonaro e seus ministros sobre essa questão”, avalia.

“Governo de destruição”

Ao ser questionado sobre Bolsonaro, Lula adota um tom cáustico, afirmando que o atual presidente brasileiro destrói a educação, os direitos dos trabalhadores e a indústria brasileira. “É um governo de destruição, sem nenhuma visão de futuro, sem programa, que não é qualificado para o poder. É por isso que Bolsonaro diz tantas besteiras, que ele insultou a esposa de Macron e Michelle Bachelet, que ele briga com Maduro. É a loucura total. E, ainda por cima, se submete totalmente a Trump. Nunca vi disso!”

O líder petista também minimiza a vitória de Bolsonaro nas últimas eleições, avaliando que discursos reacionários sempre atraíram eleitores. “Bolsonaro é, antes de tudo, o resultado de uma rejeição da política. Nesses momentos da história, nos quais a política é tão odiada, as pessoas se apegam ao primeiro monstro que encontram. É lamentável, mas aconteceu”, diz.

Apesar da forte rejeição de parte dos brasileiros, Lula não acredita que o PT deva fazer uma autocrítica. Para o ex-presidente, apesar do intenso antipetismo, a sigla consegue chegar em primeiro ou segundo lugar a cada eleição há vinte anos. “Fernando Haddad obteve 47 milhões de votos. É muito! Sim, perdemos uma eleição, é verdade. Mas perder é normal na democracia. Não podemos ganhar sempre. No Brasil, há muitos antipetistas, mas também muita gente que acredita no partido, e outros ainda que precisam ser convencidos”, afirma.

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Ao comentar sua esperança de sair da prisão, Lula não poupa críticas a Sérgio Moro, quem acusa de se articular com procuradores e mentir à Suprema Corte. Mas o ex-presidente está convicto de que um dia deixará o cárcere e “que um dia as pessoas serão responsabilizadas sobre o que aconteceu neste país”.

Lula também afirma ao Le Monde não temer por sua vida, caso seja libertado. “O Brasil é um país de paz, com um povo que ama a vida. (…) Quero sair da prisão e falar com o povo. Sou um homem sem espírito de vingança, sem ódio. O ódio queima o estômago, dá dor de cabeça, dores nos pés! E eu estou bem, justamente, porque estou do lado da verdade. E, no final, é sempre ela que ganha”, conclui.

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6 comentários

  1. A entrevista é boa e temos ai um “aperitivo” do novo correspondente no Brasil, o Bruno Meyerfeld. De quem ouvi falar bem. A entrevista de Lula é intitulada “Não ha nada a se esperar de Bolsonaro”. Eu digo nada de bom porque de ruim, de péssimo e de horrivel, ainda podem vir por ai. Carluxo gostaria que os generais defendessem seu pai com armas. Como se esse governo, que conseguiu superar a Collor em ridiculos, merecesse que sangue de seu povo fosse derramado por ele. Lula Livre!

  2. Bipolaridade tem cura? Agora a Amazônia é Nossa? Mas quem cedeu continentais territórios dentro da Amazônia, onde nem as Forças Armadas podiam entrar? Quem cedeu estes enormes territórios em áreas de fronteira? Quem comandava o Partido que possuía Marina Silva e Cristovam Buarque, todos Candidatos à Presidência, que declaravam abertamente o apoio à Internacionalização do Território Brasileiro? Que cedeu Território Brasileiro, para ser administrado por Ong’s Internacionais, com Interesses Internacionais, financiadas por Grandes Grupos e MultiNacionais Estrangeiras ligadas à Produção de Venenos, Ind. Alimentícia e Madeireira de Canadá, EUA e Europa com enorme interesses econômico sobre a Região? Agora lembraram que a Amazônia é Povo, Municípios, Estados, Trabalho, Lar, de 30 milhões de Brasileiros? Somente agora? Bipolaridade tem cura? Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

    • Vossa Mercê, não sabe o que é bipolaridade, obviamente. Desinformação tem, mas a sua doença mental, não lhe permitiria procurar respostas. Tampouco aceitará críticas e aprenderá com erros. Algo lamentável. De qualquer modo, vou esclarecer. No dia 20.08 a Voz da América, perdão Jornal “Nassional” (para ficar a gosto do seu educado ministro da edukassão) divulgou fala (editada) do presidente Lula em que reafirmava a soberania da Amazônia (em seus tempos de exercício da presidência). As demarcações de terras indígenas, mesmo aquelas eventualmente localizadas próximas às fronteiras internacionais, obedecem a parâmetros que são até mais brandos comparados com os territórios indígenas dos EUA, que incluem governo e línguas próprias e imunidade tributária, entre outros aspectos. Quanto a ceder território para ONG administrar, penso que deveria nominar, pois ninguém além de você, Ernesto Araújo e Olavo de Carvalho, sabem disto (já pensaram em se consultar?). Por fim, meu caro, a exploração da Amazônia, feita com regras adequadas é possível, só não sei se desejável. Os militares abriram a região amazônica à exploração e o que se viu foi uma selvageria que abriu caminho inclusive para evangélicos americanos com doutrinas medievais, madeireiros, garimpeiros e toda a sorte de mau caráter e bandido, excetuadas raras exceções, para lá afluíram. Não creio que os modelos de exploração deste tipo sejam interessantes para o país. Lá, a opção deveria ser a economia sustentável. Por fim, espero que bipolaridade tenha cura, para todos que dela sofrem. Quanto a seu caso, acredito que ignorância tenha cura, mas dificilmente o paciente reconhece a doença e aceita remédio.

  3. lula livre, sempre comprovando que ainda
    é o maior lider popular o país….
    a equipe do página 12 que entevistou Lula
    tb pousou paRA UMA FORO HISTÓRICA
    E ELOGIOU s condições do ex-presidente.

    emocionante…

  4. Concordo plenamente com o Lula: A floresta amazônica é propriedade do Brasil, e nós temos que cuidar e protege-la contra a sanha destruidora do agronegócio. Mas temos que contar com a ajuda da comunidade internacional para fazer isso, e essa ajuda pode ser dada com um forte bloqueio na importação de produtos como carne, milho, soja, e produtos manufaturados com madeira oriunda da floresta.

  5. Comentário feito em outro post, corrigindo trecho que falava de “quantidade de desmatamentos” para “quantidade de QUEIMADAS não é o que…”:
    Direta ou indiretamente, como o atual governo sabe que mudar a lei (e a CF) para liberar reservas indígenas ou florestais protegidas deve ser lento e difícil, ele está promovendo de fato o que não pode fazer de direito, de forma rápida e contundente, transformando a discussão em fato consumado, ainda que criminoso.
    Macrons, feiuras de primeiras damas, interesses estrangeiros (óbvios e conhecidos), estatísticas distracionistas de quantidades de queimadas e similares são apenas discussões para disfarçar que realmente importa:
    DESMATAMENTO de áreas protegidas por lei (e pelo interesse PÚBLICO).
    Sem falar nas discussões que não interessam, a quantidade de QUEIMADAS NÃO É o que está em questão, pois embora indesejáveis e antiquadas (porém rápidas e baratas para os fazendeiros), se as queimadas forem feitas em áreas já agricultadas, isto não implica necessariamente em desmatamento (mas em poluição), o qual foi sistematicamente reduzido no governo de Lula, independentemente do número de queimadas (inclusive em outras regiões).
    O fato é que enquanto discutimos irrelevâncias, o chefe (?) de governo (?), declaradamente à favor de desmatar para oferecer riquezas ao seu país cafetão, insistindo em predação a troco de meras commodities cujo valor é definido externamente sem o nosso controle, em associação declaradamente solicitada com interesses americanos (conforme Bolsonaros, pai e filhos).
    Fora a destruição irreversível ou de recuperação por muitas gerações.
    Enquanto discutimos o que não interessa, o Mitosco vai conseguindo o que LHE interessa (ou àqueles à quem serve), e o desmatamento continua, gigantesco…
    Inclusive neste momento em que se escreve este.

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