A auto-imolação pública de Augusto Aras

Calderonde La Barca: "Ao rei tudo, menos a honra"

Faria bem o Procurador Geral Augusto Aras de pensar no destino pós-PGR, analisando seus antecessores.

Geraldo Brindeiro passou a história como envagetador geral da República. Deixou uma herança incômoda para filhos e netos.

Rodrigo Janot jogou o Ministério Público Federal na aventura irresponsável de interferir na política. Está no ostracismo, rejeitado por amigos e familiares.

Raquel Dodge aceitou a corte de Jair Bolsonaro. Senhora fina, expôs-se em público rindo das piadas escatológicas de Bolsonaro. Dona de uma biografia impecável, até aceitar disputar a simpatia de Bolsonaro, jogou-a no lixo. Em alguns meses, jogou fora uma reputação que levou décadas para ser construída.

Sérgio Moro acreditou na palavra de Bolsonaro, preparou-se para uma vaga no Supremo, e terminou expelido do governo depois de uma série de desautorizações humilhantes. Hoje reclama da perseguição que sofre do Poder.

Na outra ponta, o grande Cláudio Fontelles, também ex-PGR, envelhece na mais absoluta dignidade, gozando do respeito geral. E Deborah Duprat deixa a Procuradoria Federal dos Direitos Humanos respeitada internacionalmente por sua coerência, coragem e compromisso com sua missão de defender os desvalidos.

Dois episódios recentes comprovam a autodestruição da biografia de Aras.

O primeiro, a lisonja humilhante de Bolsonaro, condecorando-o e acenando publicamente com uma improvável terceira vaga no Supremo Tribunal Federal. Deu a entender publicamente que Aras é barato: se vende por recompensa futura. Tratou-o como ambicioso e tolo, oferecendo-lhe pastel de vento.

O segundo, a sua oferta para participar do inquérito das fakenews – depois de ter tentado impedi-lo – , e a reação do STF de não aceitar a ajuda. Passou a mensagem pública de que Aras não é um interlocutor confiável e que poderia atuar como 5a coluna. Ou seja, convalidou o inquérito das fakenews e continuará sem participar das investigações

Quem conhece Aras sabe que ele é capaz de manobras imprudentes, mas não de deslealdades. Pouco importa. Ele está construindo sua biografia pública e é, através dela, que a historia o tratará.

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Se não se cuidar, Aras terminará da mesma forma que aqueles que não entenderam que o poder é fugaz e o destino ingrato com quem cede demais.

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9 comentários

  1. Enquanto essa MASSA MORAL AMORFA não for alvo de cusparada e humilhação por todo o final da vida que lhes resta (inclusive processados e apenadas por OMISSÃO ou prevaricação no exercício da função), com certeza eles não servirão de exemplo e de desestimulo pros que virão.

  2. E parece ser desinformado. Não acompanhou o caso Santos Cruz, Raquel Dodge, Sérgio Moro, Mandetta e Regina Duarte. Bolsonaro usa, pisoteia e depois persegue os que ousam ou que não se anulam pra ele. Pra continuar com Bolsonaro vai ter que entrar na escolinha do Weintraub. Que, por sinal, está balançando porque ainda não cursou a matéria “ as milícias e é preciso matar por Bolsonaro”.

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  3. É mais um que segue a passos rápidos para o lixo da história, assim como aqueles citados nessa matéria.
    São com esses episódios que aprendemos a distinguir os homens dos ratos.

  4. Mas cá entre nós: se sujeitar por… Por Bolsonaro?

    Que dimensão tem essa gente?

    Haverá um tempo em que construiremos uma pira gigantesca na praça dos Três Poderes, onde as gerações futuras poderão ler: “Aqui ardem as biografias daqueles cuja vaidade foi maior que o dever público”.

    Entre civis e militares, não vai faltar combustível. Por séculos.

  5. A capacidade do bolsonaro de “adquirir” autoridades é admirável.
    Destroem o país com competência, possivelmente assessorada, steve bannon, por exemplo.

  6. Pavlov e seu cão. Leva choque, mas baba de desejo de receber o quinhão da mão do “dono”. Aras (no haras) também espera sua cota do feno…está babando.

  7. Quantos Zumbis dos Palmares terão que renascer para jogar no fundo do abismo esses “capitães do mato” subservientes?

  8. O subserviente SER ATORMENTADO de nome Augusto Aras e que está PGR, tornou-se uma vergonha nacional para os baianos, juristas e advogados.
    Ele que foi o subprocurador-geral da PGR, na gestão de Raquel Dodge, não concorreu e nem integrou a lista tríplice do MPF, mas apesar disso foi implorar e se humilhar ao cargo de PGR para o outro SER ATORMENTADO e que para o nosso desassossego e desprazer está PR.
    Desde a sua candidatura, eleição e assunção ao cargo de PR eu evito citar o nome do ignóbil e nefando SER que nos atormenta diuturnamente desde 2018, antes mesmo da sua posse.
    Ao rever o seu currículo noto que o PGR Aras tem uma trajetória algo vitoriosa em sua carreira, mas após a sua postura para conseguir galgar ao cargo que ora ocupa e as suas atitudes decorrentes não vislumbramos futuro promissor para o mesmo, pois videm o exemplo de Sérgio Moro.
    Será que o PGR já devolveu a sua carteira da OAB e abriu mão da sua sociedade em escritório de advocacia?
    Todos sabem que o PGR Aras pela condição de haver ingressado na carreira do MPF em 1987, antes da promulgação da Constituição Federal, pôde optar por atuar no Ministério Público e manter as suas atividades como advogado, porém os integrantes do órgão que ingressaram na carreira após a Constituição não possuem esse direito. E, nesse caso como foi aprovado pelo Senado e está exercendo o cargo de PGR esperamos que já tenha devolvido à OAB a sua carteira de advogado.
    Eu, desconheço a legislação vigente e pertinente, quanto ao assunto, mas será que o PGR Aras, ao término do seu mandato ou se antes for defenestrado do cargo, poderá doravante voltar à exercer a advocacia ou será mais um nas mesmas condições do Sérgio Moro que terá que prestar prova da OAB para obter a sua carteira de advogado?
    Será mais uma vítima, ou seja, mais um INOCENTE ÚTIL para os devaneios do tresloucado e atual PR, e sucumbido ao canto da sereia e com a promessa de ser ungido ao STF?
    E, parodiando o romance de Lima Barreto “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” posso dizer com certeza tanto quanto o foi “O Triste Fim de Sérgio Moro”, possivelmente o será “O Triste Fim de Augusto Aras”.
    Mas, só a história o dirá, porém a sua biografia já está, definitivamente, maculada.

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