A desigualdade no Chile, por Paulo Gala

O chile continua com uma estrutura produtiva de baixa sofisticação que não estimula acumulo de capital humano, inivação e complexiade produtiva

A desigualdade no Chile

por Paulo Gala

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Países produtores de cobre no mundo são mais desiguais (guardadas as devidas questões idiossincráticas) do que todos países produtores de máquinas e peças necessárias para a produção de papel. A comparação abaixo entre Chile e Malásia é bem ilustrativa. Chile com renda per capita PPP de 21,044U$ e escolaridade média de 9,8 anos, com Gini de 0,49 e posição 72 (ruim) no ranking de complexidade produtiva em 2012. Malásia com renda per capita próxima de 22.314U$ PPP, 9,5 anos de escolaridade média, Gini de 0,39 e posição de 24 no ranking de complexidade econômica, patamar bem melhor do que o chileno.

O chile continua ainda com uma estrutura produtiva de baixa sofisticação que não estimula acumulo de capital humano, inivação e complexiade produtiva. O aumento da complexidade permite um desenvolvimento mais inclusivo da economia, contribuindo para criação de circuitos virtuosos de desenvolvimento cultural, social e tecnológico que se retroalimentam para formar uma rede produtiva mais sustentável. Uma vez que os ganhos de produtividade sejam distribuídos entre os elementos da rede, cria-se o ambiente propício para o desenvolvimento comum onde as inovações e ganhos de eficiência, o desenvolvimento cultural, social e tecnológico promovem os ganhos de produtividade que, por sua vez, se bem redistribuídos, promovem novas ondas de ganhos de produtividade, mais diversidade e complexidade, num ambiente geral de criação de riquezas aliado ao desenvolvimento humano e da qualidade de vida.

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O Chile é desigual pois tem um sistema produtivo ruim, com baixa complexidade e pouca sofisticação. Faltam oportunidades, faltam bons empregos e faltam bons salários: não tem nem empresas nem produtos para gerar essas oportunidades. Um produto sofisticado ou complexo requer maiores habilidades produtivas e, portanto, gera salários mais altos. Um produto sofisticado ou complexo gera uma divisão de trabalho relativamente extensa e isso leva à criação de empregos. Assim, um produto sofisticado ou complexo constrói uma classe média forte. Um produto sofisticado ou complexo gera longas “escadas de carreira”. Isso é importante porque promove a mobilidade social entre os grupos de renda. Uma maior coleção de produtos sofisticados ou complexos na pauta de exportação de um país gera maior “spill over” salarial para outros setores e empregos. Gravei um video sobre o tema:

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2 comentários

  1. Essa cartelização do comércio varejista (apenas duas grandes empresas dominam o comércio de produtos de consumo cotidiano!) explicaria boa parte da desigualdade de renda. Afeta não apenas os preços, cartelizados, mas tenderia a ser poupadora de mão de obra e concentraria os lucros também.

  2. A assim chamada política econômica, que muito pouco tem a ver com a realidade, deveria considerar que a vida humana está na dependência de criar outras condições estruturais. A agonia do capitalismo é o que há de mais evidente. Se não nos ativermos a esta questão, não conseguiremos superar o “deveria ser”. Seria bom ter presente o livro de Jean Ziegler cuja palavra-de-ordem, curta e grossa, poderia fazer parte do menu dos economistas: “É preciso destruir o capitalismo”. Faço minha as suas palavras!

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