A diferença da atuação da direita liberal brasileira e francesa.

 

Tem-se uma diferença substancial entre a direita liberal brasileira e a francesa que fica evidente nos últimos dois anos, uma é baseada na improvisação e no amadorismo enquanto é exatamente ao contrário, é extremamente ela é calculista e nada é deixado ao acaso. Isto desnuda outro problema, a falta total de cultura das “elites econômicas” brasileiras.

A eleição de Macron vem sendo tramada e montada há mais de dois anos, e vem sendo trabalhada com uma organização meticulosa, tanto sob o ponto de vista de apoio mediático como na criação de um personagem palatável ao eleitor. Por outro lado o que vem se fazendo no Brasil é uma espécie de mutirão mafioso em que a cada seis meses se lançam um grupo ao poder.

Em termos de objetivo político final, tanto o objetivo dos franceses como dos brasileiros é o mesmo, o desmanche do Estado e a radicalização de políticas que permitam que as grandes corporações internacionais assumam por completo o poder, logo quanto a isto não é necessário nenhuma diferenciação, mas quanto ao método é da água para o óleo.

Macron foi por um curto período um ministro do governo socialista de Francois Hollande (26 de agosto de 2014 a 30 de agosto de 2016), e durante a sua passagem mostrou claramente suas tendências neo-liberais, depois antes passagem, mostrando para os senhores do mundo a sua disposição, antes mesmo disto ele foi da direção do Banco Rothschild de setembro de 2008 a maio de 2012. Ou seja, uma figura que não esconde suas vinculações ao grande capitalismo internacional.

Após sua passagem pelo governo socialista, que serviu para lhe dar uma imagem de alguém que colaborava com a esquerda, ele lança o seu próprio movimento político EM (que pode ser um acrônimo de Em Marche – traduzido literalmente por Em Movimento ou simplesmente Emmanuel Macron –seu nome), que teoricamente seria uma nova posição fora da linha esquerda – direita mas “acima disto”.

Com apoio das famílias ou grupos empresariais que dominam a comunicação na França, começou-se lentamente em criar uma imagem de Macron, uma imagem que partia de um real perfil do mesmo de uma pessoa que vem das “Grandes écoles” francesas que são segundo a sua própria definição: “Instituições de ensino superior em que o recrutamento se dá por vestibular e oferece treinamento de alto nível.” Ou seja, na França há as universidades em que o ingresso é mais ou menos livre e as “Grandes écoules” em que o ingresso é feito por um rigoroso vestibular fazendo que seus alunos sejam provenientes das famílias mais abastadas. Macron estudou no segundo grau num colégio jesuíta privado (algo só para pessoas de fino trato), na Universidade de Paris X – Nanterre (Universidade), no Instituto de Estudos Políticos de Paris, e finalmente na Escola Nacional de Administração. Ele fez cursos de teatro e mais outras atividades extracurriculares. Após todo este treinamento teve uma vitória no primeiro turno um meio apertada tendo que utilizar em determinado momento a ajuda de um pequeno partido mais tradicional de direita (MoDem) que depois de devidamente utilizado foi devidamente chutado no momento da escolha dos candidatos a deputados nas eleições que ainda seguem.

Pelo lado do Brasil, tanto a escolha dos sucessores golpistas como a própria tomada do poder foi feita de forma meio que aleatória ao sabor dos ventos que sopram. Primeiro se tenta na eleição a vitória de um egresso das oligarquias mineiras, mais hereditárias do que meritocrácicas, onde o sobrenome conta mais do que o currículo, começa seu curso de nível superior na Faculdade de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), uma das bem conceituadas escolas superiores privadas do Brasil, sem terminar seu curso passa para Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), já não tão conceituada como a anterior, porém onde o sobrenome Neves lhe permitia algumas facilidades no curso, depois passa por um cursinho da Escola Superior de Guerra. Como experiência profissional, além de cargos públicos e privados vinculados a família (secretário do avô) e vendedor em uma concessionária da FIAT (que tem a sua principal fábrica em Minas Gerais), não há mais nada de notável no seu trajeto. Embalado no nome do avô é eleito governador do Estado de Minas Gerais para no fim do segundo mandato, quando tenta a eleição a presidente perde para sua concorrente exatamente no estado que foi governador.

Depois da derrota de Aécio, surge a oportunidade de acesso ao poder via Michel Temer, este senhor que no segundo grau escolhe a faculdade de direito, pois vai muito mal nas disciplinas de ciências exatas, começa a sua vida política como segundo-tesoureiro do Centro Acadêmico do que se desliga após ter perdido as eleições em 1962 para presidente do centro. Gradua-se em direito na USP, faz um doutorado e tem algumas incursões no gênero literário que não é nada aceita pela crítica.

Porém o importante na vida política de Temer foi a sua capacidade de lidar com o que havia mostrado habilidade na política estudantil, a parte do dinheiro, e daí por diante todos sabem qual é o resultado final.

Tanto o perfil de Aécio como o de Temer estão de acordo com a formação da chamada “elite” brasileira, nada de notável mas também dizer que é medíocre seria uma inverdade, porém as tentativas de acesso ao poder, assim como a escolha dos quadros para suprir os primeiros níveis do quadro governante, são deveras distintas, enquanto para a escolha dos ministros de Macron há uma triagem da vida pregressa de cada um deles, para não ter surpresas no seguimento, no governo Temer esta triagem pode ter sido até ao inverso, quem tinha problemas entrava e quem não tinha se entrasse durava pouco.

Em resumo, os gentis cavalheiros e madames que entraram no governo Macron, parecem que de forma metódica e dentro dos conformes legais levarão a França a entregar todas as suas empresas genuinamente francesas a quem pagar mais, por outro lado, o bando de marginais que tomaram em suas mãos a República do Brasil, devido à pressa e a falta de elegância, estão fazendo tudo para entregar o mesmo patrimônio brasileiro o mais rápido possível a quem estiver interessado em comprar pelo preço que os mesmos estiverem dispostos a pagar.

Ou seja, como diz o ditado: Quem nasceu para Bidú, nunca chega a Rin-Tin-Tin.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome