21 de maio de 2026

A farsa do aumento do “antissemitismo” no Brasil, por Ualid Rabah

Organizações sionistas acusam aumento de antissemitismo, mas ampliação arbitrária do conceito tenta calar críticas a crimes de guerra cometidos em Gaza
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por Ualid Rabah

Algo rocambolescamente chamado relatório, de duas organizações que apoiam o regime genocidário de “israel”, designadas federação “israelita” de São Paulo e Confederação “israelita”do Brasil, afirma detecção de aumento do antijudaísmo, que grosseiramente chamam “antissemitismo”, no Brasil. Mas isso é uma farsa que precisa ser desmontada. Isso não passa de mentira grosseira, um crime contra a verdade e a opinião pública brasileira.

E como acontece essa farsa? Simples: aumentando o espectro do que seria antijudaísmo. Então, criticar o regime “israelense”, portanto, o estado de supremacia racial e de apartheid, que sequestra o judaísmo e o adota como critério de supremacia, passa a ser “antissemitismo”. Criticar o regime nazista, por exemplo, logo, o estado nazista, seria, por este critério das duas organizações sionistas em solo brasileiro, discriminar os alemães. O mesmo valeria para os que pediram o fim do regime – logo, regime estatal – supremacista branco da África do Sul. Bem, ambos os regimes acabaram e tudo segue melhor do que era na Alemanha e na África do Sul.

A farsa é tão descabida e gritante, que as duas organizações nem escondem desde quando ela começa: de 7 de outubro de 2023 em diante, quando “israel” inicia, proporcionalmente, a maior matança de civis da história, especialmente de mulheres e crianças (estas são 9.946 por milhão de habitantes de Gaza, em 1 ano e 5 meses, ou 3,54 vezes mais que as 2.813 por milhão na Europa da 2ª Guerra Mundial, em seis anos). Eles chamam isso de “guerra”, travada entre “israel” e “Hamas”, sem saber explicar o porquê de matarem praticamente apenas civis, destruírem hospitais, casas, escolas e universidades, centros comunitários, exterminarem jornalistas, funcionários da ONU, profissionais da saúde, cortarem comida e água, toda ajuda humanitária, energia elétrica e tudo que torna possível a vida em Gaza. E, claro, matar em escala industrial mães e suas crianças.

Bem, seguramente que aumentou a rejeição a “israel”, ao seu regime supremacista e ao genocídio que comete. E é claro que isso só poderia acontecer após 7 de outubro, porque é a partir dali que a humanidade, diante do genocídio televisionado, enxerga o que de fato é – e sempre foi – este regime e passa a ter, em maior escala demográfica que antes, repulsa por ele, pelo sionismo como sua ideologia e por seu regime estatal, que o comete metódica e impiedosamente.

Mas os farsantes vão além, afirmando que o alegado “antissemitismo” tem “picos” quando há pronunciamentos públicos de “políticos” contra o genocídio. Referem-se a Lula e a quase todos os líderes mundiais, por certo. A mensagem é clara: primeiro, que estes são “antissemitas”, acusação de que são vítimas Lula, o secretário-geral da ONU, a Corte Internacional de Justiça, o Tribunal Penal Internacional, o Papa Francisco, artistas de todo o mundo, intelectuais e ativistas dos direitos humanos e, segundo, que não devem denunciar o genocídio palestino em Gaza sob pena de engrossarem o alegado “antissemitismo” e figurarem nos “relatórios” sionistas.

Mas os sionistas são tão ousados que nem fazem questão de ao menos parecerem discretos em sua farsa. Exemplo dessa ousadia é a citação que fazem do apoio à campanha global por Boicote, Desinvestimento e Sanções, o BDS, o mesmo que foi aplicado contra o Apartheid da África do Sul e, também, a partir de 1933, contra a Alemanha Nazista, acusando-a de ação “antissemita”. Segundo o relatório-farsa, o apoio ao BDS é de 16% entre os adultos brasileiros e de 24% entre os jovens. E como estes farsantes designam o apoio ao BDS? Bingo: “antissemitismo”! Logo, o colocam para engrossar o “antissemitismo” em seus “relatórios”. Há farsa maior?

Assim, se é “antissemitismo” apoiar o BDS, bem como os políticos denunciarem o genocídio, para não falar do direito de desejar e defender o fim de um regime supremacista, e mesmo denunciar o sionismo como uma ideologia racista e colonial, então temos que quase todas as críticas legítimas a “israel” são antijudaísmo, ou, como designa a farsa sionista no Brasil, “antissemitismo”. Pode ser que os perto de 70% de brasileiros que rejeitam o genocídio na Palestina não passem, para os sionistas, de “antissemitas”.

Com isso, todos os números apresentados pela CONIB e pela FISESP têm vício de origem e, portanto, são falsos e não servem como termômetro acerca do alegado “antissemitismo”. Portanto, devem ser banidos dos bancos de dados governamentais e dos centros universitários, dos relatórios sérios acerca do tema e de qualquer referência minimamente decente. Afinal, o que de fato aumentou foi a capacidade crítica da opinião pública, brasileira e mundial, frente ao que se dá na Palestina, que a levou a compreender que “israel” comete um genocídio desde que o sionismo se faz estado, por autoproclamação, em 1948, e mesmo desde bem antes.

A repulsa é ao regime sionista e não às pessoas de fé judaica. Esta, se há – e há –, vem dos supremacistas brancos de sempre e que, hoje em dia, apoiam “israel” acriticamente e, junto com as organizações sionistas, nos acusam de “antissemitas”. Aliás, não são os que defendem que se permita partido nazista no Brasil os que defendem “israel”? Na prática, o que ainda resta, realmente, de antijudaísmo, é culpa do sionismo e de sua monstruosa criatura estatal, que fala em nome dos judeus enquanto extermina palestinos indefesos, levando à indevida confusão entre sionismo e judaísmo.

Por fim, há algo perigoso por trás dessas falsificações grosseiras contidas nestas piadas ditas relatórios: fixar a agenda sionista de alargamento do conceito de “antissemitismo”, isto é, levar a que no Brasil seja adotada a definição inventada pela tal Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, que, basicamente, torna o presente artigo uma ação “antissemita” e, por consequência, torna criminoso seu autor. E quem a está adotando, inclusive ilegalmente? Bem, os extremistas que governam alguns estados e municípios brasileiros, racistas belicosos, quase todos adoradores do nazifascismo e que, não por mero acaso, defendem a solução final na Palestina posta em curso por “israel”. No fundo, todos simpáticos ao maior extermínio dos que de fato são semitas, os palestinos.

Leia também:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    19 de abril de 2025 12:31 pm

    O problema dos sionistas é que sionismo e genocídio se tornaram sinônimos. Então eles desviam a atenção dos tolos dizendo que a crítica ao genocídio cometido em Gaza é anti-semitismo. Nisso os sionistas se igualam aos pastores vagabundos, sempre inclinados a dizer que são vítimas de perseguição e não vagabundos que exploram a credulidade popular.

  2. AMBAR

    19 de abril de 2025 12:39 pm

    A quem acreditar possa, digo que nacionalidade é carma coletivo. A roda da vida para a cada tempo sorteando determinado país ou nação com talentos específicos que estes aproveitam para escravizar os demais. Portando-nos sempre como seres parasitários, somos parasitas e hospedeiros de nós mesmos, contaminando a natureza que nos sustenta. Arrogantes, achamos que o mundo foi feito para nosso deleite e que a vida de todos os seres com quem comparatilhamos a existência só será útil se nos servir. Se consultarmos a “grande história” veremos que grandes planetas já foram devastados por seres como nós, mas continuamos. Os desertos de hoje, habitados por seres recalcitrantes que se reinventam serão a prova de que a natureza vai mas a voracidade fica. Doenças que somos, quando nos implantamos num espaço, em vez de buscar o equilíbrio preferimos a expansão, e então crescemos desordenadamente vivendo só o hoje. Sionistas reivindicam o comando da história e a herança do mundo parasitando o dia de hoje, “por direito divino”. Talvez o tempo não lhes dê tempo de aproveitar o mundo que pretendem criar.

  3. Carlos

    19 de abril de 2025 2:40 pm

    Caso ser contrário ao genocídio praticado por Israel em Gaza seja sinônimo de antissemitismo então sou antisemita.

  4. +almeida

    19 de abril de 2025 2:45 pm

    O governo da extrema direita, em Israel, está destruindo todas as boas conquistas e referências israelense através do tempos. Degrada a imagem do país, sob os aplausos minoritários dos seus incautos seguidores. Porém, essa degradação patrocinada por uma forte e desumana coalizão radical ganha espaços generosos e destacados na mídia parcial e conivente. Assim, com auxílio da tecnologia de alto custo, conseguem criar uma potente penetração nas camadas inferiores da população mundial, que tem efeito muito mais devastador e muito maior que os próprios defensores solidários da ética, da moral e do tratamento humano.
    Portanto, aumento do “antissemitismo” no Brasil mais que uma farsa é uma estúpida e ridícula infantilidade e ignorância, que são incompatíveis com a responsabilidade, com a habilidade e com as inteligentes relações humanas e diplomáticas que habita no Planeta Terra.

  5. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    20 de abril de 2025 8:14 am

    Se considerarmos a pseudo história bíblica como fundamento para definir os antigos habitantes de Israel e Judá como povos semitas, então precismos incluir no pacote outros grupamentos da região que também era conhecida como terra de cannaã. Assim, tanto judeus comos os palestinos islamitas e cristãos que permaneceram até os dias atuais na região da palestina, podem ser considerados como semitas. Portanto, acusar as pessoas como anti semitas por serem contrários aos genocidas israelenses, não passa de uma manobra cínica.

Recomendados para você

Recomendados