7 de julho de 2026

A guerra cambial, segundo Krugman e Delfim

Um dos pontos animados da palestra de Paul Krugman para o evento da Carta Capital foi o rápido debate com Delfim Netto sobre a tese Guido Mantega.

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Delfim atribuiu a recente crítica do FED (o Banco Central norte-americano) ao Brasil como represália pelo fato de Mantega ter exposto o que, segundo Delfim, seria uma estratégia oculta da política de redução do afrouxamento monetário dos EUA. Com menos dólares, o FED pretenderia aumentar os juros básicos da economia para atrair mais dólares e desvalorizar sua moeda, aumentando a competitividade da economia.

Krugman rebateu, inicialmente, a tese de que o afrouxamento quantitativo da moeda teria sido uma estratégia deliberada para reduzir os juros. “A Europa não fez afrouxamento monetário nenhum, mesmo assim suas taxas de juros estão abaixo ainda que a dos EUA. Prova que juros baixos não são resultado da política monetária”, rebateu ele.

Os juros caíram simplesmente porque seria indefensável juros altos com a economia patinando e a inflação muito abaixo do alvo, diz ele.

“Quando visito emergentes enconro pessoas que se imaginam engajadas em um debate agressivo com autoridades monetárias dos EUA, que pretenderiam impor sua política monetária ao resto do mundo”, ironizou. “A realidade é que essas pessoas estão falando sozinhas. É possível encontrar algum técnico do FED que perca tempo com isso. Mas a presidente não está gastando um minuto com o que o governo brasileira possa ter a dizer. Sua preocupação é com o presidente da Comissão de Finanças do Congresso. Quem pode prejudicar o FED são os norte-americanos. Com tantos problemas na nossa economia, o FED não tem tempo para prestar atenção no que acontece lá fora”.

 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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21 Comentários
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  1. Daytona

    19 de março de 2014 12:54 pm

    Bem fraquinha a resposta do

    Bem fraquinha a resposta do Krugman, e por acaso a taxa de câmbio não impacta na economia norte-americana?Então por que as constantes reclamações dos americanos contra a taxa de câmbio chinesa?

    Dado seu inegável preparo intelectual, fica patente que estava apenas tentando defender o indefensável.

  2. Ivan de Union

    19 de março de 2014 12:56 pm

    Perdao, mas eu nao acredito

    Perdao, mas eu nao acredito em sequer uma palavra desse ultimo paragrafo.  (Nao vou explicar.)

  3. Maria Luisa

    19 de março de 2014 1:03 pm

    Menos, Krugman, menos…

    E o Delfim não replicou isso ai, não ? Olha, o Krugman pode estar certo em partes, mas dai a dizer que o FED, não a presidente em si, mas que a instituição não fica atenta (atentissima) de como andam os bancos centrais de alguns paises, é acreditar que o unico interesse da espionagem americana no Brasil seja realmente uma questão de segurança dos Estados Unidos ou que as criticas do FT e outros jornalões anglo-saxões a Mantega e a economia brasileira são apenas meras preocupações com os rumos da economia brasileira.

    1. Lucinei

      19 de março de 2014 1:52 pm

      Pois é. Po que a atual

      Pois é. Po que a atual presidente do FED citou nominalmente vários países em sem seu discurso? Só provocação?

      Uma coisa é colocar os interesses do seu país – e dos eleitores – em primeiro lugar; outra é ignorar o que acontece em volta. Entendi que ele quis dizer que não adianta “pressionar” nem ficar arenganado à toa com o FED daqui da periferia que não vai arrumar nada.

  4. João Sabóia Jr.

    19 de março de 2014 1:03 pm

    Podia ficar sem essa

    Delfim podia ficar sem essa, mas Paul Krugman mostrou também um pouco da soberba norte-americana, implicitamente quis dizer: “não estamos preocupados com o que o mundo fala sobre nossa política econômica”

  5. alfredo machado

    19 de março de 2014 1:26 pm

    Soberba

    Nassif,

    Se Delfim Netto não retrucou o Nobel com soberba, não o fez por educação. Caso DNetto tivesse aberto a boca e fuzilado a argumentação de vento, o Nobel teria que botar a ironia no saco e sair de fininho.

    1. Calvin

      19 de março de 2014 5:56 pm

      Xi….outro que se imagina no

      Xi….outro que se imagina no debate com eles…

  6. Francy Lisboa

    19 de março de 2014 1:47 pm

     
    Correlacao simples:
    Nobel

     

    Correlacao simples:

    Nobel de Economia: variavel X

    Soberba norte-americana: variavel Y

    cor(X e Y) = 1 “Error”

    Mensagem de erro:

    “Nao foi possivel correlacao mais positiva do que essa em funcao de limitacoes matematicas…mas tinha pano pra manga”

     

    1. Daytona

      19 de março de 2014 2:16 pm

      Caso de correlação espúria.

      Caso de correlação espúria.

  7. Flavio Martinho

    19 de março de 2014 2:23 pm

    Não presta atenção mas

    Não presta atenção mas espiona. grava e guarda tudo. É engraçado!

  8. Flavio Martinho

    19 de março de 2014 2:23 pm

    Não presta atenção mas

    Não presta atenção mas espiona. grava e guarda tudo. É engraçado!

  9. Miguel A. E. Corgosinho

    19 de março de 2014 4:05 pm

    Correlação de forças da

    Correlação de forças da economia: 

    “Delfim atribuiu a recente crítica do FED (o Banco Central norte-americano) ao Brasil…”

    Krugman:  “o FED não tem tempo para prestar atenção no que acontece lá fora”

    O FED disse, mas para o Brasil não disse?

    Delfim: Juros para o Brasil aumentam se: “… seria uma estratégia oculta da política de redução do afrouxamento monetário dos EUA.

    Krugman:Juros para Europa: “A Europa não fez afrouxamento monetário nenhum, mesmo assim suas taxas de juros estão abaixo ainda que a dos EUA.”

    Delfim: Mentalidade de aumento de juros do BACEN com o FED: “Com menos dólares, o FED pretenderia aumentar os juros básicos da economia para atrair mais dólares e desvalorizar sua moeda, aumentando a competitividade da economia.”

    Teoria monetária do Krugmam com FED: ” Quem pode prejudicar o FED são os norte-americanos.” 

    Podemos descobrir que, a obediência monetária do BACEN é ao mercado. Então, podemos confiar nos temores do COPOM?

     

    1. Anderson_Link

      20 de março de 2014 1:50 am

      Rah!

      Opa MIguel, tudo bem?

       

      Imagine vc, sendo pego “no pulo” com os brasileiros, eu, vc, o Mantenga, descobrindo onde eles queriam agir e com isso, impedir, ou ao menos atrapalhar e muito, o que vc queria fazer para arrumar a sua “ótima” idéia para arrumar a sua, e fo*** a nossa, idéia (no caso, economia) hein!?

      Analisando “somente” como atores, Mantenga dá um show de brasildade, malandrangem, no sentindo ótimo da palavra (e não o ruim, como costumam colar nossa imagem), esperteza, visão de futuro, e acerta no momento oportuno de agir. A História há de fazer justiça a este tempo que passamos… Nunca tantos, estiveram tão bem, em tão nível de igualdade (sim, ainda falta muito, mas…) com os “gringos” com seus carros, eletrodomésticos, tecnologia, etc, etc, etc…

      Eu lembro o “milagre” que era conseguir um emprego entre 98 e 2001… o quanto uma faculdade me custou (80% ou mais do salário. Vagas em federais, só para elite que estudou SEMPRE em “boas escolas”) e de como itens de alimentação ou limpeza eram coisas ” de rico”…. usando algumas palavras de Requião… naquele tempo estávamos em genuflexão aos governos, por qq um dos meios (ONU, FMI,O caralho a 4) do exterior, submetidos, humilhados, destratados, tirando os sapatos e, pela figura escrota de FH, com o sorrriso no rosto…  vergonha….

      Hoje nao é só o lado de lá que manipula e usa do seu tamannho e população, força economica, militar, estratégica e social, para fazer as coisas acontecerem: estamos aprendendo tb! A força boa do brasileiro sempre supera o lado ruim que ainda temos, que iremos resolver com certeza, confonrme avançamos como população.

      Eles dizeram que “o FED não tem tempo para prestar atenção no que acontece lá fora” só confirma o quanto eles fazem isso para ajudá-los a manipular as coisas a seu favor…

       

      Abraços!

      1. Miguel A. E. Corgosinho

        20 de março de 2014 4:32 pm

        Precisamos da consciência de muitos voluntários brasileiros

        Precisamos da consciência de muitos voluntários brasileiros com a mesma solucitude de valor pelo país. Mantega é uma rara excessão entre a maioria dos economistas enganadores.

        Acolham no saber conhecer a graça do valor do trabalho concedida aos bancos, porque não tendo limites em nós com as nossas riquezas estamos limitados a nos dilatar pelo jugo desigual da sociedade entre os estrangeiros e os bancos internacionais.

        Que harmonia há entre o valor da nossa riqueza em união com a moeda externa e o sistema eletrônico de valor interno entre os bancos? Nossos limites de vida serão as Dividas e seremos o povo deles.

        O nosso homem exterior se desfaz na probreza porque não vê que, ao fazer o seu trabalho na economia, deixa morrer a manifestação do valor do objeto como está escrito no dinheiro.

        E, para os aproveitadores da oportunidade de medir esse tempo, nada temos do mundo, mas possuimos tudo que eles nos emprestar.

  10. Mauricio Salles

    19 de março de 2014 4:21 pm

    Vai catar coquinho, Krugman

    O duro é que o cara leva Nobel, acerta umas em sua bola de cristal e vira deus. Ele deu é uma resposta muito mal educada isso sim.  Usou o passional. Logo a resposta dele é defensiva e não racional. Então pra que Obama está espinonado a Petrobras e o governo brasileiro entre outros? O Krugman que vá cantar coquinho.

  11. Leo Dias

    19 de março de 2014 6:16 pm

    Ops! Então pq o FED fez
    Ops! Então pq o FED fez críticas recentemente a economia brasileira? Como todo intelectual americano, Paul Krugman é um patriota!

  12. flavio jose

    19 de março de 2014 8:44 pm

    A resposta ado Krugman não

    A resposta ado Krugman não convenceu. O que mais os EUA fazem e tentar prejudicar qualquer uma economia que prejudique a sua. Ele tratou os EUA como se fosse uma republiqueta das bananas e nbão como se fosse um imperio.

  13. Walter o primeiro

    20 de março de 2014 1:58 am

    Importa sim

    Escorregou no americanismo : só nós somos importantes

    Se ele tivesse razão então por que falar da fragilidade de outras economias?

    Seria como a Ata do Copom falar sobre os problemas da economia da Polonia

  14. altamiro souza

    20 de março de 2014 3:36 pm

    quem viu o documentário

    quem viu o documentário inside job ou lê a grande mídia brasileira dificilmente vai acreditar ainda no sistema financeiro mundial, digamm o que disserem… é falcatrua pra todo lado…é mentira na maior cara-de-pau em cima de mentiras e tenebrosas transações…

    a coisa radicalizou de tal forma que a baixaria desses capitalistas selvagens parece que domina o mundo, o sistema financeiro  se adonando dos poderes políticos…essa é a catástrofe…e a grande mídia brasileira, alguns malucos do stf e partidos oposicionistas parece que entraram nesse jogo anti-brasil…

  15. Assustado

    20 de março de 2014 6:14 pm

    O VELHO TÁ GAGÁ
    Se os EUA subirem os juros o dólar vai subir, ou seja, se valorizar. Parece que Delfim tá gagá

    1. Clever Mendes de Oliveira

      21 de março de 2014 12:30 am

      Só dá para criticar o Delfim com o teor correto do que ele disse

       

      Assustado (quinta-feira, 20/03/2014 às 15:14),

      Não sei se caberia uma crítica ao Antonio Delfim Netto nos termos que você o fez. E se ele mencionou o ministro Guido Mantega é preciso ver em que termos ele o mencionou. Do jeito que Luis Nassif conta fica parecendo que Antonio Delfim Netto quis jogar o ministro Guido Mantega na fogueira. Não acredito que agora na altura da vida de Antonio Delfim Netto ele se dispusesse a desempenhar este papel.

      Penso que Luis Nassif deveria trazer alguma informação mais ampla sobre o debate. E digo isso por três bons motivos. Primeiro considero que Luis Nassif fez um pouco de confusão na fala de Antonio Delfim Netto e não sei se a resposta de Paul Krugman embora venha entre aspas seja exatamente isto que ele tenha dito. Para o próprio bem do blog de Luis Nassif esta discussão deveria ser mais bem esclarecida.

      Segundo, em uma era de informação é necessário que a informação seja precisa e correta. E terceiro, provavelmente com a informação precisa do que ocorreu no debate talvez Antônio Delfim Netto não saia tão mal na fita.

      Ontem, quarta-feira, 19/03/2014, quando li este post “A guerra cambial, segundo Krugman e Delfim” de quarta-feira, 19/03/2014 às 09:43, não entendi direito a argumentação de Antonio Delfim Netto e fiquei esperando que alguma outra notícia mais bem esclarecesse o teor da discussão. As únicas informações disponíveis eram deste post no blog de Luis Nassif e outra notícia no site do DCI. Ainda hoje só achei estas duas informações. No site do DCI, com a chamada Plano de Voo de Liliana Lavoratti, há a matéria com o seguinte título: “”Plano de Voo”: Atrito de Krugman com Delfim Netto””, saído na quarta-feira, 19/03/2014 às 00h00. O endereço desta matéria é:

      http://www.dci.com.br/opiniao/plano-de-voo-atrito-de-krugman-com-delfim-netto-id388355.html

      Sem conseguir esclarecer, pois a matéria é curta, a Lilian Lavoratti usa no título o termo atrito para qualificar o que Luis Nassif deixou transparecer tratar-se de um mero debate entre Paul Krugman e Antonio Delfim Netto, mas ainda assim ela traz a notícia de um modo diferente e mais plausível do que o exposto pelo Luis Nassif. Como o texto dela é pequeno, transcrevo-o a seguir. Primeiro o título:

      “”Plano de Voo”: Atrito de Krugman com Delfim Netto””

      Depois uma rápida lide do assunto:

      “O ex-ministro Delfim Netto, e o economista norte-americano e prêmio Nobel, Paul Krugman, tiveram um pequeno atrito durante o Fórum Brasil: Diálogos Para o Futuro…”

      Em seguida há um subtítulo como se vê a seguir:

      “Atrito de Krugman com Delfim Netto”

      E finalmente o texto da matéria:

      “O ex-ministro Delfim Netto, e o economista norte-americano e prêmio Nobel, Paul Krugman, tiveram um pequeno atrito durante o Fórum Brasil: Diálogos Para o Futuro, evento que começou ontem e termina hoje em São Paulo. Depois de sua palestra O Brasil no Cenário Global, Krugman participou de um debate com Delfim Netto. À certa altura do encontro,  Delfim afirmou que o relatório do Fed, o banco central americano, que colocou o Brasil entre os emergentes mais vulneráveis, foi uma “espécie de vingança” direcionada contra o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse existir uma guerra cambial provocada pelos Estado Unidos. Krugman respondeu que quando o Fed toma suas decisões, nem chega a pensar no Brasil. O ex-ministro terminou concordando com o Nobel de economia, mas fez questão de frisar que Mantega havia feito sim uma provocação”.

      Em seguida a Liliana Lavoratti traz outras notícias que não vêm ao caso.

      Pelo jeito da notícia dela sobre o debate de Antonio Delfim Netto e Paul Krugman, até mais parece que Antonio Delfim Netto quis realmente jogar Guido Mantega na fogueira. No entanto, considerei o relato de Liliana Lavoratti mais plausível porque o relato dela está de certo modo de acordo com o que Guido Mantega falou há mais tempo sobre a guerra cambial, e também com o entendimento de Paul Krugman de qual deveria ser a avaliação do FED para adotar a medida de “quantitative easing”. Para Paul Krugman, o FED tem que olhar o interesse dos Estados Unidos.

      Lá atrás quando o ministro Guido Mantega falou do perigo do “quantitative easing” ele referia a possibilidade da sobra de dólar na economia americana valorizar as moedas de periferia. E na época Antonio Delfim Netto considerou válida a preocupação do ministro Guido Mantega. No Tele Síntese – Portal de Telecomunicações – há uma matéria reportando um seminário no SEBRAE em abril de 2012 (Há, portanto, quase dois anos) no qual, em 18/04/2012, Paul Krugman e o ex-ministro Antonio Delfim Netto tinham-se encontrado. O título da matéria é “Paul Krugman e Delfim Netto concordam que juros brasileiros precisam cair mais” e ela pode ser vista no seguinte endereço:

      http://www.telesintese.com.br/paul-krugman-e-delfim-netto-concordam-que-juros-brasileiros-precisam-cair-mais/

      O interesse da turma do SEBRAE ou do Portal de Telecomunições que publicou a matéria era fazer esforço para o juro cair, mas no segundo parágrafo da notícia há o que Paul Krugman vem dizendo a respeito da reclamação que se faz dos efeitos do “quantitative easing” nos países de periferia. Reproduzo parte do segundo parágrafo:

      “Para Krugman, não adianta o Brasil ficar reclamando dos governos dos países desenvolvidos que, com suas políticas, estariam promovendo o ingresso de mais capitais para os países em desenvolvimento e estimulando a sobrevalorização do real”.

      Então em meu entendimento esta resenha de Luis Nassif sobre o debate entre Paul Krugman e Antonio Delfim Netto não ficou bom para ninguém e valeria bem a pena, Luis Nassif fazer uma boa revisão deste post.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 20/03/2014

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