4 de junho de 2026

A inoperância da PGR livra um estuprador e um suspeito de corrupção

Corrigido às 16:15 de 1/10/2018

A respeito do caso do estuprador, leia as explicações da PGR aqui. A responsabilidade seria da justiça estadual.

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O estuprador

Em 1990, o Brasil assinou um Tratado de Extradição com a Espanha. O Tratado prevê a extradição do acusado, desde que cumpridas determinadas providências.

O artigo 12 definia algumas condições:

“O Estado requerente  poderá solicitar, em caso de urgência, a prisão preventiva do reclamado, assim como a apreensão dos objetos relativos ao delito. O pedido deverá conter a declaração da existência de um dos documentos enumerados no Artigo IX e ser seguido da apresentação, dentro de 80 dias, do pedido formal de extradição devidamente instituído. Não sendo formalizado o pedido no prazo supra, o reclamado será posto em liberdade e só admitirá novo pedido de prisão, pelo mesmo fato, se instruído na forma do Artigo IX”.

Em 2016, a polícia do município de Joaquim Távora pediu a prisão preventiva de Itaína Brasil Tickler, por ter estuprado durante um ano uma criança de 12 anos.

No dia 22 de junho deste ano, o Corpo Nacional da Polícia espanhola deteve Tickler em Barcelona. A informação foi repassada ao Ministério Público Federal pela Interpol.

O prazo de 80 dias expirou em 10 de setembro passado, e nenhuma providência foi tomada pelo MPF. Com isso, os advogados de Ticklr entraram com pedido de arquivamento pelo transcurso e perda do prazo pela falta de encaminhamento dos papéis extradicionais pelo MPF brasileiro.

O suspeito de corrupção

Ao mesmo tempo, delegados da Polícia Federal notaram uma mudança notável de comportamento da Procuradora Geral da República Raquel Dodge.

Sabe-se que o governo Temer passou a acelerar uma série de providências antes de deixar o cargo. Parte delas, são os negócios armados em torno da Petrobras e da privatização de aeroportos. Outro ponto são as negociações para indicar pelo menos dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), nas vagas de Celso de Mello e Marco Aurélio de Mello. Nas últimas semanas, o nome de Raquel Dodge passou a ser ventilado no próprio Supremo. Coincidiu com o arrefecimento do ímpeto acusatório de Dodge em relação a Temer. Ela pediu a suspensão do inquérito contra Temer até o final do mandato mesmo depois da Polícia Federal ter apurado indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo colunista de O Globo:

“O delegado da PF Thiago Delabary, que assinou o relatório afirmando que havia provas de corrupção da Odebrecht para Michel Temer, tem feito críticas fortes à decisão de Raquel Dodge de não fazer nada. Diz estar frustrado com Raquel, que colocou lenha para a PF investigar e agora decidiu não denunciar”.

Provavelmente, o objetivo já havia sido alcançado.

Definitivamente, os ares de Brasília alteram o comportamento de qualquer autoridade. Se Bolsonaro for eleito, é possível que das vidraças da PGR se ouça o grito triunfante: #Elesim

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Bruno Cabral

    1 de outubro de 2018 2:38 am

    Plebiscito

    Talvez Haddad tenha coragem de convocar o plebiscito revogatório de TODOS os atos do golpista Temer… e com isso recupere as 3 vagas do STF (Morais e as 2 citadas no artigo). Espero que escolha melhor!

  2. Lucio Vieira

    1 de outubro de 2018 3:21 am

    Fácil entender por que odeiam o PT e amam quem estiver no PP

    Palácio do Planalto. Interesses mesquinhos. O país que se dane.

  3. Rui Ribeiro

    1 de outubro de 2018 11:55 am

    Dodge, l’Autrichienne, que contestou a candidatura Lula…

    A Raquel Doge, l’Autre Chienne, que contestou quase preposteramente a candidatura do Lula no T$E perdeu o prazo?

    Alguém avise para a Raquel, l’Autrichienne, que os critérios para se tornar Ministro do $TF são notável saber jurídico e reputação ilibada, e não a perda de prazos e a prevaricação.

    Mas o próximo Ministro do $TF não seria o $érgio Moro, que despiu o Michel Temer da saia justa que o Eduardo Cunha tinha lhe vestido, ao formular perguntas das quais ele não tinha como escapagar/tergiversar?

    A Dodge deve ter prometido ao Temer que matará no peito, tal qual o Fux.

  4. WG

    1 de outubro de 2018 12:59 pm

    O pior ainda está por vir:

    O pior ainda está por vir: muito provavelmente essa quadrilha golpista jamais pagará pelos crimes contra o o povo e o país.

  5. Jus Ad Rem

    2 de outubro de 2018 3:18 am

    #

    A situação e tão estapafúrdia, com prevaricações de autoridades e manipulações eleitorais como a de Moro, levantando o sigilo da delação de Palocci a seis dias da eleição, delação esta que havia sido rejeitada anteriormente por falta de provas, que chego a ficar com inveja daqueles ignorantes que dizem com um orgulho igualmente ignorante “não gosto de política”.

    O ignorante não gosta de política mas vai votar no Bolsonaro…

    Ah, que inveja eu tenho desses ignorantes.

    Eles não se envolvem. Não se responsabilizam. Depois da merda feita, agem como quem não tem nada com isso.

    É como no caso dos outrora orgulhosos eleitores de Aécio Neves e Geraldo Alckmin, que hoje fingem que isso não aconteceu, se esquecem da canoa furada em que embarcaram e, com autoridade de quem “sabe o que diz”, nos aconselham a votar no salvador da pátria Jair Bolsonazi.

    É muito confortante acreditar que o PT inventou a corrupção e que qualquer merda vai resolver isso aqui.

    Ah, que inveja eu sinto dos ignorantes.

     

  6. Spinologo

    2 de outubro de 2018 7:02 am

    A cão de rico só tem olhos

    A cão de rico só tem olhos para o Lula…

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