A pauta de exportações continua pobre, por Luís Nassif

Se existir algum milagre econômico, seria na Indústria de Transformação - incluindo Bens de Capital, Bens de Consumo e Bens Intermediários.

Agência Brasil

Há dois tipos de comportamento que atrapalham a análise econômica. 

Um deles, o pessimismo excessivo do mercado, sempre visando açular as expectativas para manter a Selic elevada. Um segundo, ainda pequeno, o do otimismo exagerado em relação à melhoria da economia, como se um novo Nirvana surgisse no horizonte da economia.

Tome-se o caso da balança comercial. Houve quem anunciasse o prenúncio da nova revolução industrial, através da análise isolada de alguns ítens da indústria de transformação que melhoraram o desempenho.

Só para deixar claro: os indicadores que interessam, no campo da inovação tecnológica e dos setores de futuro, são os da indústria de transformação, que sofreu imensos baques nos últimos anos, com a desindustrialização do país.  E o termômetro utilizado – para apregoar a suposta nova revolução industrial são os dados da balança comercial de abril de 2024.

Os dados abaixo são retirados da Comexstat, trabalhados pelo GGN.

O saldo comercial de abril de 2024, no acumulado de 12 meses, foi robusto – US$ 103 bilhões. Não foi o maior da história (no acumulado de 12 meses), que continua sendo o de fevereiro de 2024, com US$ 346,8 bilhões. Mas isso é irrelevante.

O importante é analisar os dados por dentro.

No gráfico, percebe-se o aumento do saldo, um aumento das exportações, mas uma queda maior das importações

O saldo é a diferença entre exportações e importações. Portanto, pode crescer se as exportações aumentarem ou se as importações diminuírem.

Em relação a 12 meses atrás – abril de 2023 – houve um aumento do saldo em 59,4% – número expressivo. Mas, desse total, 73,5% – ou US$ 38 bilhões – refletiram a queda de 10,4% nas importações. E apenas 26,5%, ou US$ 10 bilhões, foram fruto do aumento das exportações.

Os grupos e o saldo comercial

Mas vamos para outra subdivisão, entender o comportamento de cada grupo de produtos na formação do saldo comercial. No saldo, as duas grandes contribuições foram de Bens Intermediários e Combustíveis e Lubrificantes.

Bens Intermediários são insumos para a produção industrial. Houve um aumento de US$ 4,6 bilhões nas exportações, mas uma queda de US$ 24,8 bilhões nas importações. Ou seja, a indústria brasileira deixou de importar um montante elevado de insumos, refletindo a fragilidade da produção interna.

Os resultados de Combustíveis devem-se à nova política da Petrobras – que os idiotas da objetividade taxam de nociva ao crescimento.

Em abril de 2021, combustíveis e lubrificantes básicos respondiam por US$ 20,7 bilhões das exportações. Agora, saltaram para US$ 46,2 bilhões.

Se existir algum milagre econômico, seria na Indústria de Transformação – incluindo Bens de Capital, Bens de Consumo e Bens Intermediários.

Vamos ver o comportamento de cada grupo.

Bens de Capital

Depois de uma queda, a partir de 2014, houve uma recuperação expressiva, especialmente em bens de capital.

Quando se abrem os dados, percebe-se um avanço em Bens de Capital, cujo volume de exportações aumentou 16% desde abril de 2013. Mas no caso de Equipamento de Transporte Industrial, houve queda de 8% em relação a abril de 2013.

Mesmo assim, ambos representam apenas 3,3% e 2,1%, respectivamente, do total exportado.;

Bens de Consumo

Nessa categoria, o único item de peso é Alimentos e Bebidas Elaborados, destinado principalmente ao consumo doméstico. Representam 8,9% das exportações. O que vem a ser esse grupo? Carnes, cereais, açúcar, orgulho nacional, mas longe de qualquer milagre de industrialização recente.

Um item com maior índice de tecnologia – automóveis para passageiros – teve queda de US$ 1 bilhão em relação a abril de 2023 – e representa meros 1,1% do volume de exportação.

Bens Intermediários

São aqueles produtos destinados especificamente às indústrias.

No gráfico, nota-se um bom desempenho de Alimentos e bebidas básicos e elaborados – agora, como insumo para a indústria. 

De maior intensidade tecnológica, mas nem tanto, há os insumos industriais elaborados – na maioria produtos siderúrgicos e químicos, que representam 20% da pauta de exportações. Mas os dados mostram 12% abaixo nas vendas, em relação a abril de 2023, assim como peças e acessórios para bens de capital e peças para equipamentos de transporte – as duas últimas com peso pequeno no volume de exportações.

Intensidade tecnológica

Nos próximos dias pretendo elaborar gráficos com os produtos considerados de alta, média e baixa intensidade tecnológica. Aí o mapa ficará mais claro se existe ou não o tal milagre da industrialização.

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3 Comentários

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  1. Nassif o aumento das exportações e queda das importações seria pelo fato q estarmos colhendo os tesultados da desestruturação geral do governo bolso?Incentivado o fazendao Brasil e o fechamento de indústrias?Aliado com a crescente falta de dinheiro do povão e total AUSÊNCIA DE POLITICAS PÚBLICAS MÍNIMAS DE DESENVOLVIMENTO A TODOS NO PAÍS estaríamos no inferno daqueles q propagandeavam o Paraíso no governo passado?Obs.:Acredito q qq coisa serua melhor q o governo de destruição passado inclusive se eu tivesse governando seria bem melhor ah se seria ô !!!Obs2.:É sério Nassif eu ia governar pra todos e não querer meter a mão ou deixar só meia dúzia meter a mão no dinheiro é simoles tudo precisa do minimo pra funcionar!!!Obs3.:Nassif se eu tivesse governando a cada respiração sua ou piscar dos olhos o Brasil decolaria e ia crescer mil por cento a cada piscada(afirmação Guediana no mundo jotamarciliano)

  2. Ora Nassif, como industrializar?
    Pegue as ncms, que nosso ilustre vice presidente e ministro da indústria e comercio aumentou as alíquotas do Imposto de importação para 25% e veja onde elas se enquadram, e olha que ainda nem sentimos, na prática,os efeitos.
    Nossa cartelcracia, é muito eficiente e nossos governantes, na melhor das hipóteses, muito inocentes.

  3. Com relação à importação, somos um dos poucos países que facilitam as importações de manufaturados de ponta e dificultamos as importações de matérias prima e insumos, mesmo que para regular os abusos.

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