Cresce índice de brasileiros que acham que ação humana não é a única causa de tragédias naturais, aponta Quaest

Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
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Em meio a tragédia no RS, muitos internautas religiosos têm relacionado os eventos climáticos a ações sobrenaturais

Imagem captada durante sobrevoo em Canoas, no RS, no dia 5 de maio. | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Os eventos climáticos extremos, como as fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul, ainda não são vistos como consequência única da ação humana por 36% dos brasileiros, segundo pesquisa inédita feita Quaest, divulgada nesta quinta-feira (9).

O levantamento mostra que, de dezembro pra cá, o percentual de entrevistados que acham que as mudanças climáticas estão acontecendo por causa da ação humana caiu de 73% para 58%. Já 27% dizem que a ação humana é um fator, mas existem “outros motivos”. Enquanto 9% se mostram convictos de que a ação humana não tem nenhuma responsabilidade sobre o cenário.

A pesquisa não deixa claro quais seriam esses “outros motivos”. Contudo, em meio a tragédia no extremo Sul do país causada pelas enchentes, as redes sociais foram tomadas por teorias baseadas no fundamentalismo religioso cristão, a partir de publicações que relacionam o caos à “ira de Deus” com a desobediência do povo, ou ao fim dos tempos retratado na bíblia. Vale ressaltar, que o perfil dos entrevistados no levantamento, soma uma maioria cristã – com 59% de católicos e 34% de evangélicos. 

Neste sentindo, é similar aos dados acima o percentual daqueles que negam de alguma forma a relação entre as enchentes e a conscientização a respeito das mudanças climáticas. Enquanto 64% afirmam que essa ligação é total, 30% crê que é algo parcial.

No geral, mais de 90% dos brasileiros ao menos reconhecem a existência e os efeitos das mudanças climáticas no país. Ainda, é quase unânime a percepção de que tem aumentado a intensidade e a frequência destes fenômenos naturais severos nos últimos anos, percentual que chegou a 96%.

Prevenção e responsabilidade

Já quando questionados sobre a prevenção do caos que tomou o RS, a maioria de 70% dos entrevistados afirmaram que a tragédia causada pelas enchentes poderia ter sido evitada com obras e investimentos em infraestrutura, contra 30% que disseram que nada poderia ter sido feito.

Ainda neste sentido, a maioria de 68% reconhece que o governo estadual, encabeçado por Eduardo Leite (PSDB) tem muita responsabilidade no caos, enquanto 20% afirma que a gestão tem pouca responsabilidade. Apenas 12% acredita que administração não tem responsabilidade nenhuma sobre a tragédia.

Em relação às prefeituras, 64% apontam muita responsabilidade, 20% pouca e 16% nenhuma. Já 59% acredita que governo federal tem muita responsabilidade sobre a tragédia, 24% pouca e 17% nenhuma.

Enfrentamento

Dado o cenário drástico atual, a maioria avalia de forma positiva a atuação da prefeitura da capital Porto Alegre (59%), do governo do estado (54%) e do governo federal (53%) no enfrentamento das enchentes.

O percentual positivo aumenta quanto a atuação da população local (88%), de artistas e influenciadores (73%), de lideranças locais (72%), das igrejas (70%) e das empresas (65%).

Sobre o levantamento

A pesquisa ouviu, de forma presencialmente, 2.045 brasileiros de 16 anos ou mais, em todos os estados do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. O grau de confiabilidade é de 95%.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

2 Comentários

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  1. Lula destinou verbas da União para salvar Porto Alegre. Isso é bobagem. Melhor dizer a real para os gaúchos. O governo neoliberal quer que eles emigrem para o Uruguai ou para o nordeste brasileiro. Se ficarem no Rio Grande do Sul eles serão inundados uma vez por ano nos próximos 5 anos, depois as inundações começarão a ocorrer 2 vezes por ano, 3 vezes por ano, etc… Em 2 décadas Porto Alegre será uma laguna. Se não for capaz de se adaptar à nova realidade inspirando-se em Veneza, a capital gaúcha vai morrer lentamente.

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