21 de maio de 2026

Ao GGN, advogado de Youssef elogia entrada do CNJ em investigação sobre grampo em cela: “agora teremos resultados”

"Não tenho a menor dúvida que vai evoluir a investigação para constatar a interferência de todos os juízes", diz

O advogado Antônio Figueiredo Bastos, defensor do doleiro Alberto Youssef na Operação Lava Jato, demonstrou entusiasmo com a entrada do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na investigação sobre uma interceptação ilegal descoberta na cela onde Youssef ficou preso em Curitiba, em 2014.

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Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, do GGN, Figueiredo celebrou a recente decisão do ministro Luís Felipe Salomão, do CNJ, que solicitou esclarecimentos ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba a respeito do caso.

“Não tenho dúvida nenhuma de que, a partir de agora, teremos resultados auspiciosos, porque vão chegar a fundo no que aconteceu”, disse Figueiredo ao GGN. “Quando o CNJ incorpora a investigação e coloca a 13ª Vara no polo passivo, não tenho a menor dúvida que vai evoluir a investigação para constatar a interferência de todos os juízes”, disparou.

Embora tenha se passado cerca de 10 anos desde a descoberta da escuta, o caso é relevante porque poderia ensejar a nulidade das provas usadas em processos da Lava Jato.

Foi o próprio Youssef quem identificou o grampo na cela e denunciou à defesa, que procurou Sergio Moro, então juiz da 13ª Vara, para saber se havia autorização judicial para a escuta. Não havia. A partir daí, a Lava Jato agiu para enterrar duas sindicâncias que investigaram o caso. Moro, inclusive, teria acompanhado de perto a última delas, segundo relatos de um agente federal que participou das apurações.

“Não há mais dúvida da participação de Sergio Moro, com o delegado da sindicância dizendo que tinha que prestar contas a Moro”, avaliou Figueiredo. De acordo com o advogado, o CNJ agora terá condições de apurar o grau de interferência de outros magistrados, que impediram, por exemplo, o acesso da aos autos das investigações, dificultando o trabalho da defesa de Youssef.

Segundo Figueiredo explicou na entrevista exclusiva ao programa TVGGN 20 Horas [assista abaixo], a decisão do CNJ foi motivada por ação do Supremo Tribunal Federal, onde tramita um inquérito sobre o grampo. “Nós provocamos o Supremo porque todas as nossas tentativas esbarraram, lá atrás, em má vontade de juízes e procuradores [da Lava Jato] em nos esclarecer esses fatos, impedindo que tivéssemos acesso a essas investigações”, pontuou Figueiredo.

“Nós temos mais de 30 pedidos para ter vistas, e eles não nos deram. Depois viemos a saber que tudo que eles fizeram na primeira sindicância era fraudado. E não sou eu quem estou dizendo, é a própria Polícia Federal que fez a ‘sindicância da sindicância’ e constatou que o aparelho estava ativo, e que houve interceptação da cela. Ponto final“, declarou o advogado.

O jogo só mudou com a chegada de juiz Eduardo Appio, que passou pela 13ª Vara com uma postura independente da Lava Jato. “A partir do momento em que o Eduardo Appio assume, nós pedimos acesso ao material e partimos para cima. Peticionamos ao ministro Toffoli e pedimos abertura de inquérito.”

Para Figueiredo, pouco importa se a Lava Jato usou ou não o conteúdo das escutas. “Como vamos saber? Não tem como! Aquilo era clandestino, eles podem ter usado aquilo para uma série de informações de inteligência e as defesas nunca vão ficar sabendo. (…) Foi colocado lá não se sabe por quem. Mas foi colocado com o objetivo claro de ter informações sobre a investigação. (…) Só o fato de ter tido escuta clandestina, era suficiente para que tivesse uma investigação e anulação das provas naquele período. Isso é muito sério. Se tivessem anulado, o acordo [de delação premiada] dele não teria sido feito”, comentou.

Assista a entrevista abaixo:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.
alvesscintiaa@gmail.com

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