Água radioativa de Fukushima a caminho da costa Oeste dos EUA

Carta Maior

 

Água contaminada por radiação vinda da usina destruída de Fukushima vai em breve atingir a costa Oeste dos EUA, de acordo com a presidenta da Comissão de Regulamentação Nuclear dos Estados Unidos, Allison Macfarlane. As informações são da Bloomberg.

Enquanto a indústria nuclear e seus aliados no governo minimizam os riscos, cientistas alertam que não há radiação segura.

“A quantidade mais alta de radiação que vai chegar a atingir os EUA é da ordem de cem vezes menos que os padrões para água potável”, disse Macfarlane à Bloomberg. “Então, mesmo se desse para beber água salgada, ainda seria uma quantidade bem baixa”.

As reafirmações sobre segurança que ela faz vêm no encalço dos repetidos esforços da TEPCO, da indústria nuclear e do governo japonês de encobrir, minimizar a crescente crise nuclear de Fukushima.

Há cientistas que alertam que afirmações de que a radiação é segura são altamente enganosas.

Mais de 800 pessoas ao redor do mundo terão câncer por comerem peixe contaminado pela radiação liberada por Fukushima no meio de julho de 2013, de acordo com os cálculos do jornal Georgia Straight, baseados em fórmula de risco de câncer desenvolvida pela Agência de Proteção Ambiental e com base nos níveis de radiação detectados em testes feitos pela Agência de Pesca japonesa.

Isso é, provavelmente, a ponta do iceberg, segundo Daniel Hirsch, um conferencista sobre políticas nucleares da Universidade da Califórnia, de Santa Cruz, em entrevista ao Georgia Straight. O número de 800 ainda não contabiliza o consumo futuro de peixe, isótopos não monitorados liberados por Fukushima e uma série de outros fatores que poderia aumentar drasticamente a incidência de câncer, explicou ele.

Cientistas afirmam que é difícil prever a incidência de câncer entre as pessoas na costa Oeste dos EUA, e que essas estatísticas sobre câncer não incluem diversos outros efeitos prejudiciais à saúde, inclusive danos ao coração e problemas genéticos.

“Toda radiação é insegura”, disse Arnie Gundersen, ex-executivo da indústria nuclear, que mudou de lado, em entrevista ao Common Dreams. “Não há nenhum nível seguro”.

Enquanto isso, cidades na costa Oeste ficam mais nervosas. A cidade de Fairfax, na baía de San Francisco, aprovou uma lei essa semana para intensificar os testes feitos nos frutos do mar da costa e demandando redução na radiação emitida por Fukushima.
Gundersen alerta que o perigo só vai aumentar daqui pra frente. “A torneira ainda está ligada. O Pacífico ainda está sendo contaminado”, disse. “Isso não é uma onda, que acontece uma vez, varre a costa e vai embora. Fukushima continua poluindo o oceano”.
Tradução de Rodrigo Mendes. – Carta Maior

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