Em participação no seminário “Soberania, Inovação e Desafios Nacionais”, promovido pelo GGN em parceria com a Fiocruz e a FESPSP, o climatologista Carlos Nobre, referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas, fez um alerta urgente: a Amazônia está prestes a atingir o ponto de não retorno, momento em que o bioma perde a capacidade de se regenerar.
“O mais crítico é que, se a gente perde a Amazônia e o permafrost, esse solo congelado há milhões de anos, vamos liberar uma quantidade tão grande de gases de efeito estufa que atingiremos de 3 a 4 graus de aquecimento até 2100. E, com isso, vamos tornar muitas partes do planeta simplesmente inabitáveis”, advertiu.
Segundo Nobre, o planeta está à beira de uma mudança sem precedentes. Ultrapassar os 2 °C de aquecimento global, explicou, significaria “entrar em uma nova era geológica, climática e biológica”, com impactos diretos sobre a vida humana.
“Se chegarmos a 3 °C ou 4 °C, toda a região equatorial ao nível do mar se tornará inabitável. O corpo humano não consegue perder calor quando o ar está saturado de vapor d’água. É disso que estamos falando: risco à própria existência dos seres humanos”.
O cientista também alertou para o aquecimento dos oceanos tropicais, que pode levar à extinção dos recifes de corais, base de 25% da biodiversidade marinha.
“Se os oceanos ficarem 2 °C mais quentes, desaparecem todas as espécies de recifes de corais. E, com eles, começa a sexta extinção em massa da Terra”.
Saída é sociobioeconomia
Para Nobre, a saída passa por uma transição urgente para uma sociobioeconomia, que valorize os biomas brasileiros e integre ciência e saberes tradicionais.
“Setenta e cinco por cento das emissões vêm da queima de combustíveis fósseis. Precisamos unir o conhecimento indígena com a tecnologia moderna para alcançar a neutralidade de carbono até 2040”.
Ao encerrar sua fala, o professor destacou a importância da COP 30, que será sediada em Belém, em novembro de 2025.
“Essa tem que ser a mais importante das 30 COPs. Estamos numa emergência climática gravíssima. O Brasil pode e deve ser o primeiro grande país a zerar suas emissões líquidas até 2040, e liderar o caminho para preservar o planeta”.
O seminário, realizado nesta quinta-feira (30), em São Paulo, reúne pesquisadores, gestores e formuladores de políticas públicas para discutir os caminhos da soberania nacional a partir da inovação e da ciência. Na abertura, o jornalista Luis Nassif destacou a criatividade como motor de transformação, enquanto Carlos Gadelha, da Fiocruz, evocou Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares para defender um modelo de desenvolvimento sustentável e humano. Leia mais: Começa em SP evento Soberania, Inovação e Desafios Nacionais
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