9 de junho de 2026

Americanas deu calote de R$ 7 milhões em transportadora: “Parece que foi premeditado”, diz empresário ao GGN

"Eu enfartei. Meu sócio está com síndrome do pânico, não consegue trabalhar. Chegamos ao fundo do poço", diz Moacir Reis ao GGN. Assista
O empresário Moacir Reis, da Forte Minas, veio à falência após a Americanas tomar uma série de decisões que provocaram o estrangulamento financeiro da empresa às vésperas de romper o contrato sem aviso prévio. Foto: Arquivo pessoal

A fraude descoberta no seio das Lojas Americanas tem gerado discussões polêmicas nas últimas semanas. A empresa, que já pediu recuperação judicial, tem um rombo estimado em 40 bilhões de reais e deve ser processada por seus acionistas. Mas para além do prejuízo dos investidores, há outros ângulos desta crise que merecem atenção.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por exemplo, o drama atravessado pelos prestadores de serviço que levaram um calote monumental da Americanas e vieram à falência. É o caso do empresário Moacir Reis, da Forte Minas, uma empresa de logística que sofreu estrangulamento financeiro por decisões provocadas pela Americanas, depois viu o contrato ser rompido sem aviso prévio e, agora, amarga um calote de mais de R$ 7 milhões a receber.

“Eu enfartei. Meu sócio está com síndrome do pânico, não consegue trabalhar, está super depressivo. Chegamos ao fundo do poço”, diz o empresário Moacir Reis à TVGGN.

Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, Moacir Reis narrou os capítulos finais da relação com a Americanas e ainda revelou como a varejista está cobrando da Forte Minas o extravio de mercadorias que foram subtraídas dos galpões depois que a própria Americanas rompeu unilateralmente o contrato com a transportadora, dando um calote nos prestadores de serviço.

A derrocada da Forte Minas

A Forte Minas é uma empresa de logística que se expandiu em Minas Gerais e Espírito Santo tendo empresas do grupo Americanas como suas principais clientes.

“Quando fechamos, eu estava com 350 funcionários em Minas, 200 e poucos funcionários no Espírito Santo e mais uns 800 agregados, terceirizados, que com carro próprio faziam entregas e transferências para as filiais no curto tempo que esse mercado exige”, relatou Moacir.

Em 2020, a transportadora estava em seu terceiro ano de contrato direto com a Americanas, quando a varejista passou a tomar uma série de decisões que colocaram o caixa da Forte Minas em crise.

Primeiro, a Americanas negou reajuste da tabela de frente já negociada pela Forte Minas em 8%, e ainda cortou mais 5% do valor do frente em cima da tabela já defasada;

– Depois, a Americanas passou a exigir que os pagamentos pelo transporte de suas mercadorias fossem faturados em um prazo impraticável, de pelo menos 60 dias. A Forte Minas precisou recorrer a um banco indicado pela própria Americanas para antecipar pagamentos em época de Black Friday e Natal;

– A Americanas também exigiu que a Forte Minas abandonasse o perfil de carga de e-commerce (pequenos produtos), para adotar o perfil de carga de linha branca (eletrodomésticos, móveis, etc), obrigando a transportadora a investir em galpões mais espaçosos. Com isso, a Forte Minas saiu de um gasto de R$ 80 mil ao mês com aluguel de galpões, para cerca de R$ 600 mil ao mês!

“Parece que foi premeditado. Me negaram reajuste, aumentaram prazo [para faturar as entregas], uma série de coisas que foram dificultando meu caixa”, disse Moacir.

O calote da Americanas

No final de 2020, a Forte Minas, já referência no mercado de logística, recebeu uma proposta irrecusável de uma empresa concorrente da Americanas que estava interessada em comprar a transportadora. Mas por força de contrato, Moacir precisou avisar a Americanas da preferência em caso de compra.

Para a surpresa de Moacir, a Americanas sinalizou que compraria a Forte Minas. Mas em janeiro de 2021, a Americanas não apenas recuou das negociações em andamento como ainda anunciou, sem aviso prévio, o fim do contrato. “No telefone, disseram: a partir de amanhã, a carga não vai mais”.

A partir daí, o serviço foi interrompido, e os pagamentos, idem. “Bloquearam todos os meus recebíveis de 60 dias para frente, algo em torno de R$ 7 milhões para receber. Eu fiquei com 29 filiais, 350 funcionários em Minas, e meus galpões sendo saqueados por prestadores de serviços que ficaram com receio da gente não pagar.”

Moacir acrescentou: “Começamos a ter um passivo alto porque comecei a não ter todas as mercadorias para devolver. Mas foi por culpa da Americanas, pois se ela tivesse cumprido o contrato e me dado aviso prévio, eu teria condições de administrar esse encerramento e recompor a nossa logística com uma nova carteira de clientes. Mas não tivemos esse tempo. Foi tudo parado da noite para o dia, com esse prejuízo de R$ 7 milhões em recebíveis, e a desvalorização da minha empresa.

Hoje a Americanas não quer saber de resolver o calote, mas cobra o extravio das cargas, sendo que a mercadoria tinha seguro junto à varejista. Se houve apropriação indébita, cabe à seguradora da Americanas correr atrás”, explicou Moacir.

Leia também:

https://jornalggn.com.br/coluna-economica/lemann-produz-o-maior-rombo-da-historia-por-luis-nassif/amp/

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

15 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Mario Sergio

    25 de janeiro de 2023 6:47 pm

    Na primeira tinha q ter caído fora. Mas o nome era muito forte, reconheço. Fica de lição.

  2. Citadao Dumundo

    26 de janeiro de 2023 9:52 pm

    A AMERICANAS vem atuando como predadora desde que o Grupo Garantia apossou-se da empresa no século passado. Nada do que vem deste malfadado plantel é saudável. Mas o Deus Mercado continua reverenciando a falta de ética e escrúpulo, desde que resulte em lucro.

  3. AMBAR

    27 de janeiro de 2023 12:22 am

    Isso é só o começo. Todos cairão feito dominós, infelizmente.

  4. Denilson Costa Menezes

    27 de janeiro de 2023 5:59 am

    A solução é bem simples: bloqueio imediato de todos os bens do Lemann e dos amiguinhos (já não é a primeira vez que coisas estranhas acontecem com o trio ternura; processo criminal e civil nos três; prisão para os crimes de colarinho branco. Eles fazem o que querem, pois estão acima do bem e do mal. Belas espécimes de homem de bem, tradicional, de família, uns anjos.

  5. NUNO MP SOUZA

    27 de janeiro de 2023 8:37 am

    Alguns, ainda escrevem ou falam em suas entrevistas: “Parece que foi premeditado!” Como parece uma vez que foram comprovadas fraudes contábeis para esconderem empréstimos? Com base em todas essas evidências como o Fisco. Posto Fiscal não detectaram as operações assim como fazem com o Sr Manoel da esquina que tem uma banca de jornal. Como os bancos conseguiram o direito de reaver seus ativos? Porque a justiça não abre essa caixa preta?

  6. Valters Fonseca

    27 de janeiro de 2023 12:54 pm

    Bloqueia os Bens dos 3 Patetas e de seus Laranjas e Familares.apreende seus Passaportes e Apreende seus Aviões Jantinhos particulares pra não fugirem pra suas mansões na Europa…..

  7. Nicolson A Chaves

    27 de janeiro de 2023 9:27 pm

    Por essa sacanagem com a FORTE Minas, se eu já não comprava na Americanas agora é que eu não compro e nem recomendo.

  8. Evilasio Ciqueira

    27 de janeiro de 2023 9:59 pm

    Será que a Lei Sarbanes-Oxley pode ser aplicada nesse caso? Certamente deve ter investidor estrangeiro que foi prejudicado.

  9. Gregorio

    28 de janeiro de 2023 12:03 am

    Um filme passado de 2011,com a falida Ramos transportes, aconteceu mesma coisa.

  10. Alessandro Cesar

    28 de janeiro de 2023 9:42 am

    Premeditado? Claro que sim… Eles sabem que no Brasil jamais serão presos pois são bilionários, e fizeram o que os Políticos fazem sempre, ROUBARAM….. Mais do mesmo!!!

  11. Alexandre Henrique dos Santos

    28 de janeiro de 2023 10:03 am

    Parece que foi? Foi um golpe articulado, essa não é a única empresa a fazer isso e nem será a última. Muitas vezes as pessoas sedem ao nome, a possível grandeza que a empresa é, e deixam de realizar bons negócios acreditando em ilusão. Mais vale ter muitos pequenos cliente, que depender de um só e ainda se tornar escravo dele.

  12. João Fernandes

    28 de janeiro de 2023 10:08 am

    Eu sempre falo que ganhar dinheiro com empresas de grande porte é dificil. Eles ditam as regras e quando quebram levam todo mundo junto

  13. Wender Fabio Goveia

    29 de janeiro de 2023 1:03 pm

    Eu que não sou doido de comprar lá.. Pagar um produto e ter seu dinheiro preso e depois ter q recorrer para receber de volta em longas e medíocres parcelas…

  14. Tito Rodrigues

    29 de janeiro de 2023 4:49 pm

    gostaria muito de faze contato com o senhor Moacir de Almeida Reis

    sou do Distrito Federal -DF

    sou do seguimento de entregas

    gostaria de conversar com o senhor Moacir de Almeida Reis

    por favor me passa o contato dele por favor

  15. Sergio Carvalho

    29 de janeiro de 2023 5:07 pm

    Aceitaram passivamente a imposição do cliente, e trabalhar com um só cliente, sem ter um plano B, por favor.

    Duas coisas a não se fazer nunca, trabalhar exclusivo para um só e trabalhar para governo em algum momento você vai levar calote.

Recomendados para você

Recomendados