8 de junho de 2026

Anti-ministra, Damares implode projetos contra Ditadura enquanto faz parecer que está tudo normal

A primeira bomba foi plantada dentro da Comissão de Anistia, quando Damares colocou na presidência do colegiado um advogado com histórico de atuação contra a reparação de famílias de vítimas da Ditadura

Jornal GGN – Para uma ministra da Mulher que, em pleno 2019, é a favor da chamada “bolsa estupro”, discute feminismo como “armadilha” em evento institucional e se permite colocar o marido em status de superioridade dentro do casamento, não tem outra alcunha: trata-se de uma anti-ministra da Mulher. E é Damares Alves igualmente anti-ministra de Direitos Humanos.

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A estratégia da pastora-ministra é fazer parecer, aos holofotes da mídia, que os trabalhos da Pasta transcorrem normalmente. Mas na prática, Damares implode os projetos contra a  Ditadura aos poucos.

A primeira bomba foi plantada dentro da Comissão de Anistia, quando Damares colocou na presidência do colegiado o advogado João Henrique Nascimento de Freitas, um ex-assessor de Flávio Bolsonaro que tem histórico de atuação contra anistiados e contra a reparação das famílias de vítimas da Ditadura.

O currículo de João Henrique o descredencia para uma Comissão que historicamente faz o oposto do que ele sempre fez: busca a reparação das famílias dos mortos e desaparecidos.

O perfil do novo presidente é simplesmente incompatível com o objetivo da Comissão de Anistia, que é reconhecer, em nome do Estado, as violações a direitos humanos praticados pelos militares nos anos de chumbo.

Além de desculpas, as famílias têm na comissão uma instância para demandar reparação financeira. As ações de Damares convergem para por um fim em boa parte desse trabalho. O GGN abordou o assunto nesta reportagem especial aqui.

A novidade é que o desmonte agora segue para a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos da Ditadura.

Presidida pela procuradora da República Eugênia Gonzaga, o órgão tem sob sua responsabilidade alguns grupos de trabalho. Entre eles, o GT Perus, que desenvolve o trabalho de indentificação das ossadas de vítimas da Ditadura enterradas clandestinamente na vale comum do cemitério de Perus, em São Paulo.

Nesta segunda (22), o GGN mostrou, em entrevista com Gonzaga, as dificuldades enfrentadas pela Comissão Sobre Mortos e o GT Perus desde o final do ano passado. Em grande parte, porque o Ministério de Damares não destrava verbas nem renova contratos essenciais aos trabalhos técnicos.

Segundo Gonzaga, Damares afirmou em reunião logo após sua posse que seria “sensível” à temática da Ditadura e que é favorável às buscas dos desaparecidos. Mas suas palavras não condizem com os atos de gabinete.

Replicando a tática empregada na presidência da Comissão de Anistia, Damares convidou para compor a Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos o procurador da República de Goiás Ailton Benedito.

Segundo a revista Época, o procurador carregará consigo para a Comissão o feito de ter chamado a ONU de “imoral” quando a instituição internacional condenou a comemoração do golpe militar de 1964 defendida pelo governo Bolsonaro.

“Em 30 de março, ao compartilhar uma reportagem sobre as declarações do relator da ONU Fabián Salvioli de que era ‘imoral e inadmissível’ a comemoração do golpe militar de 1964, o procurador escreveu em seu perfil no Facebook: ‘A ONU é imoral’. Em 14 de março, ele também postou: ‘Esquerdistas são bactérias cadavéricas da política. Precisam de ração diária de cadáveres de pessoas inocentes, para alimentar sua ideologia criminosa. No Brasil, eles devoram 164 cadáveres de brasileiros assassinados diariamente, 60 mil por ano, 500 mil na última década.'”

Em entrevista ao GGN, o ex-vice-presidente da Comissão de Anistia e professor de Direito da PUC-RS, José Carlos Moreira da Silva, disse que Damares recheia o colegiado de pessoas que “não têm aderência alguma à missão constitucional e legal da Comissão.”

Gonzaga fez a mesma avaliação sobre a Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos. É “preocupante”, disse ela, que o núcleo receba pessoas que “não comungam” com os trabalhos feitos até aqui.

Damares aparenta estar tudo bem dando sequência às nomeações. Mas a chave dos problemas está justamente em suas escolhas.

Leia mais: GT Perus continua funcionando independente do “revogaço”, diz Eugênia Gonzaga

Leia também: Comissão de Anistia: O desmonte progressivo na era Bolsonaro

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. Avelino

    22 de abril de 2019 6:11 pm

    Essa dita sinistra, tranquilamente crucificaria Jesus, e daria medalhas para os que fizeram isso. Em nome de Jesus, é claro.

  2. Leonel Sampaio

    22 de abril de 2019 6:43 pm

    O título faz parecer que ela está implodindo projetos que seriam pró-Ditadura… tem q especificar “projetos que expunham os crimes da ditadura contra os direitos humanos”

  3. AMORAIZA

    22 de abril de 2019 6:44 pm

    Quando as criaturas das sombras recebem nos olhos o sol do poder, ficam instantaneamente cegas.

  4. Mário

    22 de abril de 2019 9:13 pm

    Ministra Damares, parabéns por representar as pessoas de bem

  5. Carlos Elisio

    23 de abril de 2019 7:11 am

    Esta maluca fanática tá no alto da goiabeira.
    Mas é aquilo: jabuti nao sobe em árvore, colocaram lá.
    Então, deixa a doida quietinha, na realidade só mais um nada nesta soma zero que é este desgoverno fim de comédia ridículo.

  6. Vladimir

    23 de abril de 2019 8:27 am

    Essa gente está executando muito bem o papel de distrair a plateia enquanto os batedores de carteira agem na surdina. Parabéns!

  7. Brazuna

    23 de abril de 2019 9:00 am

    Ela deveria e tirar esse poder absoluto da mãe sobre filhos e desrespeitando totalmente a autonomia do pai sobre a criança!

  8. Brazuna

    23 de abril de 2019 9:05 am

    Deveria e acabar com o poder absoluto da mulher com os filhos! E dar mais autonomia aos pais para poderem ter acesso livre aos mesmo! Pois algumas mulheres abusam do seu poder e o judiciário ainda ajuda!! Querem direitos iguais então dêem os mesmo em relação aos filhos! Acham que são donas!! Mas são as mulheres vergonhosas desse universo que fazem isso! Parabéns aqueles que sabem ser mulher!

  9. Lucrécia

    23 de abril de 2019 11:10 am

    Representante de uma parcela de pessoas completamente cegas pelo desejo de levar o Brasil pra trás. Se alguém de sua família tivesse sido morta pela ditadura, estaria essa boneca de posto defendendo a mesma? Hum…

  10. Talita

    23 de abril de 2019 12:28 pm

    Foi a Narizinho que escreveu esse artigo isento?

  11. Sílvia silva

    23 de abril de 2019 8:29 pm

    Engraçado são essas pessoas que ainda estão do lado dessa podridão que se instalou no Brasil. Passando por cima de todos,destruindo os direitos mais básicos do ser humano,direito a educação, direito a saúde e principalmente o direito à uma aposentadoria futura e ainda tem gente que apóia tenha santa paciência, acorda povo antes que seja tarde demais!

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