Após polêmicas sobre vídeo de reunião, governo agora diz que entregará gravação ao STF

Um dos pedidos do inquérito sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, o governo entrou em contradição e disse ter apenas trechos da gravação

Foto ADRIANO MACHADO / REUTERS

Jornal GGN – Após a polêmica declaração do ex-ministro Sérgio Moro às autoridades que investigam as acusações contra Jair Bolsonaro e a sequência de informações desencontradas de integrantes do governo, o mandatário agora está disposto a entregar o vídeo de uma reunião citada pelo ex-ministro.

O vídeo solicitado pela Procuradoria-Geral da República citado por Moro foi uma reunião de ministros do governo Bolsonaro em que o então mandatário teria pedido a saída do diretor-geral da Polícia Federal (PF) e do superintendente da corporação no Rio.

Após constar como um dos pedidos da PGR no inquérito sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, com base nas acusações de Moro, o governo entrou em contradição e disse ter apenas trechos da gravação.

Aliados de Bolsonaro não sabiam, ao certo, quem portou o cartão de memórias, mas afirmam que não captou o encontro na íntegra, mas apenas um trecho. O caso levantou suspeitas.

Um dos aliados do presidente, o chefe da assesoria especial da presidência da República, Célio Faria Júnior, foi apontado por alguns jornais como a pessoa que teria ficado com o cartão de memória e editado a gravação e que o cartão teria sido devolvido somente nesta terça, vazio.

Faria, por outro lado, nega. “Não tenho qualquer vídeo”, disse, ao ser questionado pela Folha de S.Paulo nesta quarta (06). “As reuniões realizadas na Presidência da República são eventualmente gravadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com a única finalidade de divulgar as imagens da agenda presidencial, na sua maioria registros curtos e pontuais”, disse a secretaria.

A Secretaria de Comunicação, por sua vez, também nega que tenha as imagens. E a Advocacia-Geral da União (AGU), José Levi havia dito, ontem, que não queria entregar o vídeo integral, alegando que “foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”.

Após a polêmica, a AGU voltou atrás e entrou com um pedido ao Supremo, nesta quinta (07), afirmando que sim, irá entregar as imagens.

“A UNIÃO, pessoa jurídica de direito público interno, neste ato representada por seu Advogado-Geral (Art. 4º, inciso III, da Lei Complementar nº 73/93), vem, respeitosamente, nos autos do inquérito em epígrafe, diante do teor da decisão proferida por Vossa Excelência, em complementação à petição anteriormente aviada, rogar seja também avaliada a possibilidade de reconsiderar a ordem de entrega de cópia de eventuais registros audiovisuais de reunião presidencial ocorrida no dia 22 de abril de 2020, para que se restrinja apenas e tão-somente a eventuais elementos que sejam objeto do presente inquérito”, escreveu, no pedido ao STF.

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