Dificilmente, Celso Russomanno perde esta eleição para a Prefeitura de São Paulo. Isto porque já está praticamente no segundo turno, e contará sempre com o peso dos votos de um dos dois outros principais candidatos que ficar de fora. Se Serra não chegar ao segundo turno, é evidente que o antipetismo dos seus eleitores destinará em massa os votos ao candidato do PRB. O mesmo acontecerá com os eleitores – antisserristas – de Haddad, se for Serra o concorrente no segundo turno.
Mas Russomanno não chegou, por acaso, a esta posição relativamente confortável. Ele conta realmente com uma parcela bem expressiva do eleitorado evangélico, é um comunicador, é um simulacro de novidade, ante o cansaço do eleitor com relação à disputa agressiva entre PT e PSDB, que já marca e fere a cidade há décadas.
O que impressiona, portanto, não é a disparada de Russomanno. O que impressiona é a qualidade ruim das criticas ao candidato.
Elas vêm se baseando em dois eixos.
1. Russomanno é candidato de um partido dominado por evangélicos. E mistura, por isso, religião com política.
Como se, infelizmente, já não fosse comum o debate religioso atravessar o discurso político. Isso não acontece somente com os candidatos ligados a partidos cujos caciques são evangélicos. Vide última campanha à Presidência.
Fechar os olhos para as “adequações” que os demais candidatos fazem em sua retórica para não ferir as convicções de religiosos representa um “esquecimento interessado” e recheado de hipocrisia.
2. Russomano representa uma “nova classe média” que confunde cidadania com capacidade de consumo.
Como se nossas classes altas consumistas não fizessem o mesmo há décadas. Isso cheira realmente a uma onda de preconceito crescente contra aos novos grupos agregados á sociedade de consumo.
Era de se esperar. Pesquisa recente mostrou que a ascensão destes grupos incomodam as tradicionais classes médias – segmentos A-B.
Ora, o eleitor de Russomanno não vai desistir do candidato por conta de hipocrisia e preconceito.
É necessário apresentar argumentos melhores. Porque, se o candidato é ruim (São Paulo merecia coisa bem melhor), recheadas de hipocrisia e falsa nobreza, as criticas têm sido piores.
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