21 de maio de 2026

Banco Central abre investigação interna sobre Master e chefes deixam cargos

Sindicância investiga conduta da autarquia em caso de liquidação; servidores de carreira entregaram funções comissionadas sob sigilo
Arquivo Agência Brasil

▸ Banco Central abriu sindicância sigilosa para apurar falhas na fiscalização do Banco Master, liquidado em 2025.

▸ Dois executivos do Desup deixaram cargos após investigação, ligados à compra e documentos do Banco Master.

▸ TCU pediu inspeção, mas acordo substituiu por diligências; PF avança em investigações criminais sobre o caso.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar eventuais falhas e omissões em sua própria estrutura de fiscalização no caso do Banco Master. A sindicância, conduzida sob sigilo pela corregedoria, foi determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, no fim do ano passado. O movimento ocorre em meio ao desdobramento do colapso da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, liquidada em novembro de 2025 após suspeitas de fraudes bilionárias.

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No rastro da investigação, dois nomes do alto escalão do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) deixaram seus postos. Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e então chefe-adjunto do Desup, e Belline Santana, que chefiava o departamento, entregaram seus cargos comissionados.

Embora não pesem acusações formais contra eles, ambos tiveram papéis centrais na trajetória do Master: Souza autorizou a compra do antigo Banco Máxima por Vorcaro em 2019, enquanto Santana assinou documentos enviados ao Ministério Público Federal (MPF) sobre as operações da instituição.

O Banco Central afirma que a alternância em cargos de confiança é uma “prática normal“. Internamente, contudo, a saída dos executivos é lida como um reflexo da pressão por transparência após a Polícia Federal (PF)apontar indícios de fraudes de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas ao BRB (Banco de Brasília).

Radiografia da crise

A cúpula do BC compara a sindicância à investigação de uma “queda de avião“. O objetivo seria realizar uma radiografia profunda para identificar por que a área técnica demorou a detectar o crescimento exponencial e arriscado do Master.

O banco se destacava no mercado ao oferecer CDBs com rentabilidades de até 140% do CDI, patamar muito superior à média dos concorrentes, o que gerou um modelo de negócios considerado insustentável a longo prazo.

A investigação também mira a relação entre o Master e a gestora Reag DTVM, liquidada em janeiro deste ano. Documentos apontam transações “relâmpago” que inflavam artificialmente o patrimônio de fundos.

Em um dos casos mais emblemáticos, um fundo registrou rentabilidade superior a 10.000.000% em um único ano, superando em larga escala ativos como o ouro e o bitcoin.

Impasse institucional

Além do front interno, o Banco Central enfrenta questionamentos externos sobre o rigor e o tempo da liquidação. O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a determinar uma inspeção formal nos documentos do caso, o que gerou um atrito institucional com a autarquia.

Após reuniões entre Galípolo e o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, selou-se um acordo para substituir a inspeção por diligências técnicas, visando encerrar o impasse.

Enquanto a corregedoria analisa a conduta dos supervisores, as frentes criminais avançam na Polícia Federal. Tanto o Banco Master quanto o BRB e a Reag negam irregularidades e afirmam que as operações sob suspeita foram corrigidas ou substituídas antes da intervenção.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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