5 de junho de 2026

BC acumula R$ 57 bi em perdas em contratos de swap cambial

 
Jornal GGN  – Neste ano, as perdas acumuladas pelo Banco Central já chegaram em R$ 57,04 bilhões com as intervenções no mercado de câmbio em contratos de swap. Emitido e vendido pelo BC, o instrumento assume o risco da variação da taxa de câmbio.  No primeiro semestre, a fatura “contra o BC” ficou na casa do R$ 33 bilhões. Com a valorização do dólar em relação ao real, o mercado financeiro dedica mais atenção às operações de swap bancadas pelo Banco Central. 
 
Do Valor
 
 
As perdas acumuladas neste ano pelo Banco Central (BC) com as intervenções no mercado de câmbio feitas em contratos de swap já alcançam R$ 57,04 bilhões. Instrumento derivativo emitido e vendido pelo BC, que assume o risco da variação da taxa de câmbio, e comprado pelo mercado, que assume o risco da variação da taxa de juro em um mesmo período, o contrato de swap cambial deu prejuízo contábil no mês passado de R$ 23,906 bilhões.

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Em todo o primeiro semestre, essa fatura a “favor do mercado” e “contra o BC” havia ficado um pouco acima de R$ 33, bilhões, o que mostra o avanço da deterioração. E a moeda americana continua se fortalecendo ante o real. E sem qualquer trégua. 
 
A cada avanço do dólar em relação ao real, mais atenção o mercado financeiro dedica às operações de swap patrocinadas pelo BC em função de seu custo fiscal em tempos tão bicudos. O Banco Central tem em sua defesa o fato de conter instabilidades no mercado de câmbio sem queimar reservas internacionais e o fato do prejuízo contábil com sua posição de swap, superior a US$ 100 bilhões, significar ganho contábil na conta de reservas. Para a autoridade, as operações de swap são consideradas neutras. 
 
Mas se no balanço contábil do BC “perdas” com swap se compensam por “ganhos” com a valorização do estoque de reservas, o mesmo não vale para um conceito mais abrangente do endividamento do país ­ o que realmente coloca nossa economia na vitrine para investidores internacionais, governos e organizações multilaterais.
 
O BC faz parte do governo central que tem sua dívida monitorada pelo Tesouro Nacional. Junto com o BC estão as contas da Previdência e do próprio Tesouro. E, nessas contas, a perda contábil do BC com swaps é registrada como despesa com juro. Se essa despesa contábil só faz avançar, como mostram as estatísticas, a equipe econômica tem desafios a encarar. E passam pelo câmbio. 
 

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7 Comentários
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  1. Andre Araujo

    6 de agosto de 2015 1:26 pm

    Cantamos essa bola aqui na

    Cantamos essa bola aqui na semana passada no artigo O ESPANTOSO LUCRO DOS BANCOS. Na outra ponta do prejuizo do BC estão os bancos privados, que o BC protegeu de perdas cambiais. E a Lava Jato convulsiona o Pais por causa de alegados R$ 6 bilhõs, no BC o burado é dez vezes maior e é prejuizo ao final para o Tesouro, o mesmo do Levy.

  2. Claudio Soares de Sousa

    6 de agosto de 2015 1:32 pm

    O valor da dívida consolidada

    O valor da dívida consolidada BRUTA sofre um acréscimo com essas operações de swap cambial; o valor da dívida conslidada LIQUIDA tem o acréscimo atenuado justamente pelo efeito positivo da desvalorização cambial sobre as reservas internacionais. O problema desse tipo de matéria jornalística de economia é que sempre é omitido o essencial: as sucesivas elevações da SELIC causam um estrago muito pior nas finanças públicas, porque além de ampliarem fortemente as despesas com os encargos financeiros da dívida mobiliária federal, ainda contribuem para reduzir a demanda agregada e, consequentemente, o denominador da razão Dívida Consolidada Líquida / PIB, sem nehuma contrapartida positiva. E não é dito claramente simplesmente porque a perpetuação dessa linha de política econômica contempla fartamente o sistema financeiro e rentismo parasitário, a quem, afinal, prestam serviço.

    1. Clever Mendes de Oliveira

      6 de agosto de 2015 3:57 pm

      É o que você diz: ninguém quer ver os lados da notícia

       

      Claudio Soares de Sousa (quinta-feira, 06/08/2015 às 10:32),

      E se fosse só esse o problema na notícia. Não sou economista, mas a notícia até quando dada por economista é falaciosa. Seja por exemplo o post “Para professor da Unicamp, ajuste em meio à recessão é contraproducente” de quinta-feira, 06/08/2015 às 11:34, com a entrevista concedida ao Valor Econômico pelo professor associado do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos.

      Pelo que o professor diz, fica parecendo que o ajuste não seria necessário. Quer dizer, pela proposta dele, a economia seria parada pelos juros para segurar o câmbio e o país poderia gastar bem mais. Não haveria problema na proposta dele se se aceitasse ou o aumento da dívida ou mais inflação. O melhor seria mais inflação que provavelmente é o que ele quer, mas ele não diz. E mais inflação em regime democrático não funciona. Mais inflação é bom para o país, mas a população não aceita. De certo modo, para o povo, bom governante é o que compra com juros alto uma inflação baixa.

      O endereço do post “Para professor da Unicamp, ajuste em meio à recessão é contraproducente” é:

      https://jornalggn.com.br/noticia/para-professor-da-unicamp-ajuste-em-meio-a-recessao-e-contraproducente

      E além do que você diz eu lembraria que não se pode reclamar dos 57 bilhões, pois de certo modo isso é déficit público que irriga a economia. Ou então dizendo de outro modo, esses 57 bilhões jogado na economia é função do Banco Central que tem que garantir liquidez na economia.

      E também lembraria que os 57 bilhões em meio ano quase que pulverizam o que a Petrobras perdeu em uma década.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 06/08/2015

      1. Claudio Soares de Sousa

        6 de agosto de 2015 7:00 pm

        Clever,
        concordo em grande

        Clever,

        concordo em grande parte com o disse o Prof. Pedro Paulo Zahluth Bastos da UNICAMP na entrevista que você mencionou. Antes dela, eu mesmo tinha feito comentário aqui tangenciando o assunto (https://jornalggn.com.br/comment/650975#comment-650975). O ponto principal que ficou faltando no final da entrevista é que um possível rebaixamento do rating de nossa dívida soberana não impacta negativamente apenas o custo das captações de empresas brasileiros no exterior, mas sobretudo o fluxo de curto prazo das aplicações estrangeiras no mercado financeiro doméstico, visto que muitos investidores institucionais (fundos de pensão etc) só operam em países com “grau de investimento”. Isso atemoriza a equipe econômica porque temos que “financiar” o déficit em transações correntes do balanço de pagamentos e isso tem ocorrido prioritariamente via conta de capitais. Também temem que um reaquecimento da demanda nessa conjuntura adversa aumente importações, pressionado ainda mais esse déficit. Por isso essa ação defensiva de elevação das taxas de juros reais para níveis absurdos, o que no entanto amplia despesas financeiras para a União, de um lado, e provoca recessão e desemprego, de outro. Fazer ajuste fiscal durante uma recessão e demanda externa em momento adverso (vide preço das commodities, estagnação na Europa, etc) só agrava o quadro de crise, é impossivel econômicamente, inviável politicamente. 

        1. Clever Mendes de Oliveira

          6 de agosto de 2015 11:28 pm

          Discordo em parte do prof e a ele critico por não ser abrangente

           

          Claudio Soares de Sousa (quinta-feira, 06/08/2015 às 16:00),

          Eu procurei ler a entrevista de prof. Pedro Paulo Zahluth Bastos, e como não sou economista não tive muito como contestar o que ele diz. O único ponto que eu pude alegar, como eu fiz no meu comentário anterior para você, é que ele se esquece de dizer que para adotar o que ele quer nós teremos mais inflação.

          Eu quero mais inflação porque considero que a inflação é um importante instrumento de ajuste das contas públicas e dos débitos privados também. Aliás, elogio a equipe econômica do primeiro governo da presidenta Dilma Rousseff por ter magistralmente equilibrado a inflação próximo do teto da meta. Só que a população é contra a inflação e um político tem que administrar o pais levando em conta essa revolta da população com a inflação.

          Agora se você for considerar palavra por palavra com o que o Prof. Pedro Paulo Zahluth Bastos diz, você vai observar que há muita coisa que não foi dita e talvez uma ou outra coisa mais que se pode dizer que ficou mal dita. Ele não menciona que o Brasil tem para países emergentes uma dívida pública elevada e que esta dívida é decorrente do Plano Real e que isso pressiona o governo de forma mais dura do que outros países em estágio da economia semelhante. Nem diz que a necessidade de eleger a candidata Dilma Rousseff fez o governo impulsionar a economia além da conta, tanto assim que em 2009, havia a percepção de bolha na construção civil. O governo junto com o Banco Central souberam agir com precisão e evitaram o pior. Veja, entretanto, o que diz o prof. Pedro Paulo Zahluth Bastos:

          “É preciso lembrar que o primeiro ano de Dilma reforçou o ajuste contracionista iniciado por Lula depois das eleições de 2010. O Banco Central não apenas elevou juros, mas executou programas fortíssimos de regulação macroprudencial que tiveram forte impacto para a desaceleração do crédito; o governo fez ajuste fiscal de pouco mais de 1% do PIB em 2011”.

          Em vez de elogiar o esforço do governo para corrigir as distorções que uma dívida elevada causa e a política econômica anterior que inflou a economia para permitir a eleição da candidata Dilma Rousseff, o prof. Pedro Paulo Zahluth Bastos preferiu ver as medidas adotadas como ruins. É como se dissesse que o governo fez tudo sem causa. E o pior foi o que ele disse antes, como transcrevo a seguir:

          “Dilma tentou fazer uma política anticíclica muito mixuruca, com base em subsídios. E procurando chegar à meta definida a partir de mecanismos de contabilidade”.

          Ora, os subsídios tinham outra finalidade. O governo tinha um grande problema no câmbio que não se podia corrigir de uma vez, por motivos políticos.  Ao reduzir preços de energia e não conceder os aumentos no preço de combustíveis no total que a Petrobras desejava, o governo estava fazendo uma espécie de QE tupiniquim, mas que era o único que nós podíamos fazer. Ao fazer a política da desoneração da folha o governo criava um benefício para o produtor nacional para poder concorrer com o estrangeiro, pois ao obrigar a substituir o imposto sobre a folha por um imposto sobre faturamento ele impunha uma tributação na importação que até então não existia e ao mesmo tempo desonerava a produção interna.

          Tudo que o governo fez foi muito bem pensado, e a economia retomou o caminho do crescimento como se pode ver pelo crescimento expressivo da Formação Bruta de Capital Fixo no último trimestre de 2012, e no primeiro e no segundo de trimestre de 2013, quando se compara um trimestre com o trimestre imediatamente anterior. O problema foi o terceiro trimestre de 2013. Foi ele que desandou a economia. Era sobre o que teria acontecido no terceiro trimestre de 2013 que os economistas de qualquer corrente do pensamento econômico dever-se-iam debruçar. E ele monta uma argumentação um tanto falaciosa, pois não fica bem acusar o governo por querer cumprir a meta e utilizar a meta para criticar o uso de mecanismos de contabilidade.

          E há mais aspectos a considerar antes de denominar a política econômica anticíclica do governo de mixuruca. O que o governo esperava era que os Estados Unidos tivessem recuperado mais cedo. Com a recuperação, o prime rate teria subido e os preços das commodities teriam caído e seria mais fácil desvalorizar o dólar. A recuperação americana não veio e houve a seca no oeste americano que aumentou os preços das commodities e o país teve que segurar o dólar.

          E há a questão de saber de onde virá o crescimento havendo essa contenção de gastos. Talvez a atual crise brasileira seja maior do que imaginado, mas há ainda um espaço para o crescimento via exportação. É com isso que o governo conta. A fábula das expectativas é só para quem quer ouvir. Se o Joaquim Levy realmente acredita nisso é problema dele, mas tenho certeza que a presidenta Dilma Rousseff não acredita.

          O que a presidenta Dilma Rousseff provavelmente acredita é que o dólar favorável venha a impulsionar a economia brasileira de duas maneiras. Primeiro, mesmo que não haja aumento no quantum exportado, mesmo que haja redução no valor em dólar exportado, um exportador hoje recebe em geral 20% a mais do que ele recebia no mesmo mês do ano passado. E segundo, todo o quantum importado que for reduzido abre espaço para a produção nacional. Este é o espaço para o crescimento.

          Aliás, os keynesianos gostam de criticar aqueles que defendem a expectativa boa, que seria a expectativa que, segundo Joaquim Levy, o ajuste ia gerar, mas não rebatem os que utilizam a expectativa má para prever o fundo do poço para a economia. É bem verdade que nem todos agem assim como se pode ver junto ao post “Expectativas e retomada do crescimento, por Bráulio Borges” de quinta-feira, 30/07/2015 às 10:23, aqui no blog de Luis Nassif e que se pode ver no seguinte endereço:

          https://jornalggn.com.br/noticia/expectativas-e-retomada-do-crescimento-por-braulio-borges

          O post consiste da transcrição do artigo de Bráulio Borges “Expectativas e retomada do crescimento” publicado no Valor Econômico de quarta-feira, 30/07/2015 às 10:23 e no artigo ele mostra que as más expectativas com a economia brasileira nos anos de desvalorização cambial não se concretizavam na realidade.

          Clever Mendes de Oliveira

          BH, 06/08/2015

          1. Clever Mendes de Oliveira

            7 de agosto de 2015 4:34 pm

            Suas observações são boas, mas há nelas também carências

             

            Claudio Soares de Sousa (quinta-feira, 06/08/2015 às 16:00),

            Li o artigo “Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade: uma leitura Kaleckiana” de Fernando Rugitsky que saíra na Carta Maior e deu origem ao post “Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade, por Fernando Rugitsky” de sexta-feira, 15/05/2015 às 09:14, aqui no blog de Luis Nassif e originado de uma sugestão de Sergior. Li também o seu comentário enviado sexta-feira, 15/05/2015 às 13:02, lá para o post “Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade, por Fernando Rugitsky”. e para o qual você havia deixado o link. Um bom comentário que o próprio Sergior sugeriu para ser indicado para post pelo que acrescentava de informação ao artigo de Fernando Rugitsky.

            De novo não é porque discordo do seu comentário, mas uma das considerações que você faz, e a qual eu considero incompleta, é você referir ao fato de Fernando Rugitsky ter omitido o período de 2010 quando se iniciaram medidas restritivas do Banco Central revertendo a trajetória de afrouxamento observada a partir do auge da crise. Há um erro quando você diz:

            “Logo após as eleições, no entanto, o COPOM, em uma avaliação equivocada da conjuntura internacional, voltou a elevar a SELIC (de 8,75% até 12,5%)”.

            O histórico que temos é na 149ª reunião realizada de 17/03/2010 a 18/03/2010, a taxa Selic estava em 8,75 e na 150ª reunião realizada de 28/04/2010 a 29/04/2010, portanto, bem antes da eleição, a taxa Selic subiu para 9,50 e ainda houve duas reuniões realizadas antes das eleições em que ocorreu aumento de juros. Houve a 151ª reunião realizada de 09/06/2010 à 10/06/2010 em que se aumentou a taxa Selic para 10,25 e houve a 152ª reunião realizada de 21/07/2010 a 22/07/2010 em que se aumentou o juro para 10,75. E nesse patamar o juro permaneceu até a 156ª reunião realizada de 19/01/2011 a 20/01/2011, já no primeiro governo da presidenta Dilma Rousseff, em que se aumentou o juro para 11,25. E nas reuniões subsequentes o juro é a aumentado até a 161ª reunião realizada de 31/08/2011 à 01/09/2011 em que o Banco Central dá um cavalo de pau e reduz de 12,50 para 12,00 o juro que fora aumentado na reunião anterior de 12,25 para 12,50. Um histórico das taxas pode ser visto no seguinte endereço:

            http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS

            Não é, entretanto, pelo erro que eu considero a sua observação incompleta. O que me parece crítico é você não ter percebido que a taxa de crescimento da economia no final de 2009 e início de 2010 eram muito além da possibilidade do Brasil. Temos que ir aumentando o crescimento de modo pousado. Há reportagens em que o Banco Central já em 2009 avaliava como necessário uma pausa no crescimento da construção civil porque haveria o risco de bolha.

            Em meu entendimento o governo da presidenta Dilma Rousseff teria que fazer várias correções de rumo e fez isso de forma pousada, mas o resultado foi aquém do planejado. Pode ter cometido erros, mas o que mais massacrou o pais foi a reversão que se observa na taxa da Formação Bruta de Capital Fixo que ocorre no terceiro trimestre de 2013. Sobre isso nem você nem o Fernando Rugitsky falaram

            Clever Mendes de Oliveira

            BH, 07/08/2015

  3. armandolo

    6 de agosto de 2015 1:35 pm

    É como aquele filme, um dia

    É como aquele filme, um dia que se repete indefinidamente. O personagem fica preso naquele determinado dia. Todos os dias as más noticias se repetem. Por detras disto, parece haver um clima de apocalipse, induzido por partidos que se tomarem o poder, receberão apenas ruínas. O regime é presidencialista, não há  porque se discutir o impeachment, pois na essencia da democracia, isto seria golpe de estado. O mal foi feito, as politicas perdularias e populistas quebraram o país.E que fique bem claro que ninguem pode ser contra as politicas de inclusão social,mas o PT tem que reconhecer que errou, e muito, na dose.

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