Bolsonaro cancela assinatura da Folha e ameaça anunciantes do jornal

Em entrevista à TV Bandeirantes, presidente diz que jornal não é confiável; atitude é a mesma que Trump tomou nos EUA na semana passada

Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro não só anunciou o cancelamento de todas as assinaturas do jornal Folha de São Paulo no governo federal, como usou de ameaça para com os anunciantes do veículo.

“Determinei que todo o governo federal rescinda e cancele a assinatura da Folha de S.Paulo. A ordem que eu dei [é que] nenhum órgão do meu governo vai receber o jornal Folha de S.Paulo aqui em Brasília. Está determinado. É o que eu posso fazer, mas nada além disso”, disse o presidente durante entrevista concedida à TV Bandeirantes, segundo informações do jornal Folha de São Paulo. Bolsonaro negou que a medida é uma forma de censura.

Mais tarde, o presidente realizou uma live onde não só voltou ao tema como ameaçou os anunciantes do jornal. “Não vamos mais gastar dinheiro com esse tipo de jornal. E quem anuncia na Folha de S.Paulo presta atenção, está certo?”, disse.

Antes de anunciar o cancelamento, o presidente citou um café da manhã que teve com jornalistas da Folha em 03 de setembro, no Palácio da Alvorada. Além do presidente, participaram do evento, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência, Fábio Wajngarten, e o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP).

O presidente autorizou que todo o teor da conversa fosse divulgado, exceto pelos palavrões ditos – o que foi respeitado pelo jornal. Entretanto, Bolsonaro disse na entrevista à TV Bandeirantes que o jornal publicou palavrões na entrevista e que o conteúdo das declarações foi distorcido, algo que ele não havia feito por ocasião da publicação da reportagem.

Bolsonaro repete no Brasil a mesma atitude tomada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última semana. Na ocasião, Trump ordenou que as agências federais do país cancelassem as assinaturas dos jornais The New York Times e The Washington Post por discordar da cobertura que as duas publicações fazem de seu governo.

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