7 de julho de 2026

Bolsonaro e o MPF sabujo, por Luis Nassif

Fez bem Bolsonaro em expor essa sabujice. Foi o melhor exemplo de que, uma corporação que aproveita o espaço republicano de que dispunha, para extrapolar todos os limites da democracia, merece ser não apenas enquadrado, mas humilhado em público.

Uma das condições para a nomeação do Procurador Geral da República Augusto Aras foi o da não recondução de Deborah Duprat na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC). Foi assim, e muito mais, que não chegou ao conhecimento do público.

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Ontem, na posse do novo procurador da PFDC, Jair Bolsonaro foi cobrar a fatura. Convidou-se, apareceu por lá para conferir a posse do novo PFDC, procurador Carlos Alberto Vilhena.

Coube a Vilhena o silêncio mais eloquente da atual quadra da história: no discurso de posse, não mencionou uma vez sequer o nome de sua antecessora, Deborah Duprat, que se tornou referência absoluta de direitos humanos no país.

Mereceu o torrão de açúcar presidencial. “Cada dia mais, o nosso Ministério Público se mostra completamente inteirado com o destino da nossa nação”, disse para um público sabujo. “Um grande homem soma-se nesse momento a essa posição e nós desejamos a ele e a todos os integrantes do MP muito sucesso para o bem do nosso Brasil”.

Não é apenas a questão fundamental dos direitos sociais que está em jogo. É o principal obstáculo aos negócios em andamento, do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, à invasão de reservas ambientais e indígenas pelos amigos de Bolsonaro. E a garantia tácita de que, a partir de agora, a PFDC vai garantir a Bolsonaro o espaço que precisar para o bem “do nosso país”.

Fez bem Bolsonaro em expor essa sabujice. Foi o melhor exemplo de que, uma corporação que aproveita o espaço republicano de que dispunha, para extrapolar todos os limites da democracia, merece ser não apenas enquadrado, mas humilhado em público.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. peregrino

    26 de maio de 2020 10:48 am

    Demoliram a Casa da Cidadania, Bolsonaro foi lá e construiu a dele, a Casa da Bolsonaria

  2. Edivaldo Dias de Oliveira

    26 de maio de 2020 11:20 am

    Nós anistiados políticos perdemos um importante ponto de apoio e ganhamos um inimigo.
    Obrigado Déborah!

  3. Martin

    26 de maio de 2020 1:02 pm

    Me lembro que o presidente disse algo assim quando indicou o atual PGR ao cargo: “qual a função da rainha no jogo de xadrez? Proteger o rei, oras. Esta é a minha rainha”.
    Além de chamar o PGR de rainha, deixou claro qual seria seu papel. E a maioria não deu a devida repercussão crítica ao fato. Nem no MPF, muito menos a gloriosa imprensa corporativa, sempre “surpresa” com as ações cada vez mais autoritárias e intervencionistas do presidente.
    O presidente não mente, não desconversa. É explícito, direto, claro, mal educado se preciso for.
    Estando na política como deputado por mais de 20 anos ele conhece como as instituições realmente são no Brasil. É só lembrar onde estava o MPF e todas as instituições na epoca do mensalão, do impeachment de Dilma, na prisão de Lula e em todo o processo da lava-jato, na aprovação do teto e outros.
    Ele sabe onde elas todas estavam e como estavam. E seu comportamento, que só se agrava e é combatido com notinhas e caras aterrorizadas de jornalistas, vai demonstrado o que são de verdade – “instituições domocráticas” não são democráticas. Dá para fazer o que quiser desde que o capital esteja fuindo na direção “certa”. E ele está fazendo o que quer …
    A esquerda precisa parar de brigar pelas “instiuições democráticas”, incluisive pela tal liberdade e respeito a imprensa corporativa, porque logo logo vão perguntar a ela porque o impeachment é tratado como golpe se hoje vocês defendem tanto estas instituições bradando que são todas democráticas e que o presidente as está destuindo ou tentando destrui?
    O autoritaristo e o desmonte do Brasil têm que ser contidos, porém dando os devidos créditos aos atores do desmonte e aos que podem ou querem impedi-lo.

  4. Anônimo

    26 de maio de 2020 1:05 pm

    É como se o próprio Mefistófeles aparecesse de surpresa escarnecendo da degradação na cara de todos eles….. E é tão nonsense esse tempo que vivemos, tão afundado no absurdo, que não percebem, nem perceberão, a imundície da sarjeta moral em que enfiaram o MPF….. Cheguei a ter esperanças de que, diante da nudez exposta pelo The Intercept, algum dos procuradores ligados à Lava Jato tivesse a dignidade de vir a público e confessar-se arrependido, que fosse de ter acreditado em todo o processo no início, o que pode ser compreendido pelo paroxismo do momento, e “ter se perdido depois” no meio de tantos ruídos….. Que nada! Agem – em seu silêncio acovardado… – como se não houvesse motivos para vergonha, culpa, responsabilidades por erros crassos.
    E agora, o passo derradeiro: usados por um presidente bestial para silenciar as vozes dignas dentro da instituição.
    É Mefistófeles rindo, enquanto fecha a tampa do caixão do MPF….

  5. andre rs t

    26 de maio de 2020 3:32 pm

    o Brasil virou propriedade particular da familicia Bozo. No oriente medio a Arabia Saudita tem o nome da familia Saudita ate no nome : o plano de didaturas sanguinarias apoiadas por Trump que só quer nosssas riquezas, que pesadelo
    ….?????
    pf do bozo….mpf do bozo…..logo logo stf do boxo….governadores, prefeitos e parlamentares bionicos do bozo

  6. João Ferreira Bastos

    26 de maio de 2020 3:49 pm

    Estão todos buscando uma mesada mensal

    Querem seguir o exemplo do Januario e seus filhos que recebiam 50 mil dolares por mês do doleiro Dario Messer para não processa-lo

    Vão buscar criminosos e propor uma mesada

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