Bolsonaro enaltece e Witzel promove policiais pela execução de sequestrador no RJ

Comentando a conduta do governador, Cortella ponderou que a execução não pode virar regra para a polícia nem "entortar a nossa visão de que a solução boa era ninguém ter sido ferido"

Foto: Reprodução

Jornal GGN – Com uma rapidez que não se vê em outras situações envolvendo violações de direitos humanos, Jair Bolsonaro enalteceu, na manhã desta terça (20), a atuação de policiais do Rio de Janeiro após a execução de um sequestrador que fez 37 reféns dentro de um ônibus no ponte Rio-Niterói.

Um atirador de elite abateu o contraventor armado, e vídeo do governador Wilson Witzel vibrando pela operação como se estivesse em um estádio de futebol, comemorando um gol, viralizou nas redes sociais.

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Witzel afirmou que já determinou a “promoção dos atiradores por bravura”. “Foi uma ação que mostra quanto nossa polícia militar é preparada para preservar vidas”, acrescentou, frisando ainda que os agentes estão preparados para matar quem colocar a sociedade em risco, e que é mentira, portanto, que entram nas favelas para matar moradores.

Bolsonaro, por sua vez, escreveu uma mensagem dizendo que “hoje não chora a família de um inocente.”

Witzel ainda disse que a polícia tem de ter liberdade para executar pessoas armadas sempre que outros cidadãos estiverem em risco. Ele revelou também que conversou com a família do sequestrador, que pediu desculpas pelo episódio e alegou transtornos mentais do jovem.

“Um dos familiares pediu desculpas, pediu desculpas aos reféns, a mãe está muito abalada, vamos cuidar da família dele para entender esse problema. Estamos acompanhando a família dos reféns e da pessoa que foi a óbito agora”, afirmou Witzel, segundo a Folha.

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“NÃO SE CONFRATERNIZA COM A MORTE”

Na rádio CBN, o professor Mario Sergio Cortella fez uma reflexão sobre a conduta de Bolsonaro e, principalmente, de Witzel, que foi visto comemorando a execução do sequestrador como quem comemora um gol.

“Ao comemorar uma morte, significa que a gente está fazendo algo que não está no campo da Justiça, mas no campo da vingança”, disse Cortella. “Não se confraterniza com a morte”, pontuou.

Para Cortella, mesmo que a solução tenha passado pela execução do contraventor armado, isso não pode ser regra para a polícia nem “entortar a nossa visão de que a solução boa era ninguém ter sido ferido.”

“A gente comemora o bom sucesso da realização, mas pular, alegre, é difícil pra mim.”

 

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7 comentários

  1. Um Nuremberg para o Brasil

    Um dia, quando tudo isso acabar e a maré da barbárie refluir, será preciso instalar um tribunal internacional nos moldes de Nuremberg para botar cobro no que acontece no Brasil há quase 8 meses. Sem o benefício de cápsulas de cianureto para os genocidas Witzel, Bolsonaro, Dória e correlatos.

  2. Se você não cria empregos, não dá condições para que crianças estudem!
    Sabe-se que para sair da pobreza são necessários em média oito gerações de indivíduos dentro de uma família!
    O bilionários criam meritocracia a partir de si mesmos e mesmo assim dentro de suas famílias há delinquentes!
    O que dizer quando a falta é o excesso?
    Essas pessoas que são combatidas são frutos da sociedade, elas não vieram de marte!
    E uma sociedade que não cuida de sua geração, produz deformidades!
    Se tirar condições de aculturação, de educação e dignidade a tendência é cada vez mais produzir tragédias!
    Não é possível que os políticos não entendam isso!
    A reforma trabalhista, a reforma da previdência, a corrupção vai produzir tragédias no futuro ao invés de minimizá-las!
    É um pais que joga contra seu próprio futuro!
    Milhares estão com decreto assinado para morrer!

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  3. E assim, com o uso da pena de morte decretada por um governador e um presidente, os eleitores de Witzel seguem acreditando que ele não está apenas comemorando a garantia de mais votos para Bolsonaro e milicianos

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    • e assim, com esta comemoração encenada para os presentes, surgem fortes indícios de que pretendem fazer do nosso estado o maior palco que já foi montado para o show da morte e do medo que já se espalha pelo Brasil de Bolsonaro

      sabem muito bem que existe um certo tipo de conforto para seus eleitores na visão de um bandido morto, votos que garantem ao acenderem mais uma vela na imensa escuridão da insegurança pública local e nacional e que jamais foram combatidas de verdade, com assistência social e boa educação, justamente pra isso, para garantir mais votos

      de volta a 1970 com seus grupos de extermínio

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    • e assim, com esta comemoração encenada para os presentes, surgem fortes indícios de que pretendem fazer do nosso estado o maior palco que já foi montado para o show da morte e do medo que já se espalha pelo Brasil de Bolsonaro

      sabem muito bem que existe um certo tipo de conforto para seus eleitores na visão de um bandido morto, votos que garantem ao acenderem mais uma vela na imensa escuridão da insegurança pública local e nacional e que jamais foram combatidas de verdade, com assistência social e boa educação, justamente pra isso, para garantir mais votos

      de volta a 1970 com seus grupos de extermínio

  4. Qualquer ação, que em qualquer lugar do mundo seria tida como normal e esperada de uma boa polícia, bem treinada e bem remunerada, no Brasil vira um circo, onde chefes fanfarrões do executivo assumem papel de palhaços barulhentos e sem nenhum talento.

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  5. O Wilson da Cabecinha deveria promover os bravos policiais que não se envolveram com o crime organizado e nem com as milícias. Coisa rara.
    Matar um pobre coitado com problemas psiquiátricos e que oferece perigo á população é muito fácil.

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