Bolsonaro menospreza Justiça e mostra que não sabe como funciona o indulto

Presidente prometeu nas redes sociais fazer uma lista de policiais presos por "pressão da mídia", que vai incluir "nomes surpreendentes", para soltar no final de ano

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Jair Bolsonaro prometeu, numa transmissão ao vivo nas redes sociais, utilizar o indulto de final de ano para soltar policiais civis e militares que estão presos. O presidente disse que vai “escolher colegas” que, na visão dele, foram condenados “injustamente”. “Espero que o pessoal me abasteça de nomes”, disparou, como se o indulto fosse concedido apenas a pessoas selecionadas a dedo. Ele prometeu até uma lista de “nomes surpreendentes”.

Ao contrário do que diz Bolsonaro, “o indulto não é dado a condenados específicos, mas a todos aqueles cuja situação jurídica se encaixe nos parâmetros determinados no decreto”, enfatizou o jornal O Globo na tarde desta sexta (30). O máximo que o presidente pode fazer é criar os parâmetros compatíveis com o perdão da pena dos policiais que quer beneficiar.

Bolsonaro não quis dizer quem tem em mente, mas está impedido de elaborar o indulto para soltar condenados por crimes de tortura, terrorismo, tráfico de drogas e assassinatos, entre outros crimes hediondos.

Além de denotar desconhecimento sobre o indulto e prometer algo fora de sua alçada, Bolsonaro também menospreza o devido processo legal e o papel da Justiça ao dizer que policiais foram presos apenas por “pressão da mídia”.

“Olha, tem muito policial no Brasil, civil e militar, que foi condenado por pressão da mídia. E esse pessoal no final do ano, se Deus me permitir e eu estando vivo, vai ser indultado. Nomes surpreendentes, inclusive. Pessoas que honraram a farda, defenderam a vida de terceiros, e foram condenados por pressão da mídia. Então, esse pessoal… A caneta Compactor, não é mais BIC, vai funcionar.”

Para finalizar, ele ainda disparou: “Estão me atacando aí, dizendo que o projeto é carta branca para matar. Isso é para esse idiota, é carta branca para o policial não morrer, o mesmo policial que defende a sua vida — rebateu o presidente.”

 

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