A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado acendeu um alerta que vai além do jurídico e entra no campo da psicologia social. O episódio confronta de forma radical a crença central de sua base — a ideia de que “Bolsonaro não é criminoso” — e, segundo o advogado e professor Hugo Apontes, promete provocar uma reação intensa de negação e resistência entre os apoiadores.
“Nos próximos dias, vamos testemunhar um massivo episódio de dissonância cognitiva”, afirma o pesquisador em uma publicação didática. Ele explica que a psicologia ajuda a entender as reações viscerais e a negação obstinada dos apoiadores diante de fatos que contradizem valores arraigados. Não se trata apenas de má-fé: a negação surge como uma defesa psíquica profunda.
Confronto entre crença e fato
Segundo Apontes, a dissonância cognitiva ocorre “quando as pessoas enfrentam um grande conflito entre suas crenças e os fatos”. Em política, isso se intensifica porque crenças se tornam “marcadores identitários”. Ou seja, atacar o líder é percebido como atacar a própria identidade do indivíduo.
Ameaça pessoal e choque fisiológico
O professor explica que, ao confrontar um líder ou grupo de que a pessoa depende emocionalmente, o sistema psíquico interpreta o conflito como uma ameaça pessoal.
O “choque de realidade” é tão intenso que pode causar mal-estar físico: aumento de cortisol, enjoo e dor de cabeça. “Não é só negar ou mentir deliberadamente. É uma defesa psíquica para tentar administrar a experiência de mundo diante de verdades objetivas”, diz Apontes.
Isolamento cognitivo e cristalização comportamental
Quando a dissonância se prolonga, ela gera efeitos duradouros:
- Isolamento cognitivo: bolhas informacionais e dependência de narrativas que estabilizam emocionalmente, mesmo distorcendo a realidade.
- Cristalização: comportamentos se tornam rígidos, e revisões de crenças ficam cada vez mais difíceis.
- Vulnerabilidade: aumento da adesão a teorias conspiratórias e líderes autoritários.
Para Apontes, a dissonância cognitiva explica como a negação de fatos se torna um mecanismo de sobrevivência psicológica, com impactos diretos no debate público e na coesão social.
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Rui Ribeiro
23 de novembro de 2025 2:53 pmMicheque Bostonaro é marmita de bandido. Mas eles diziam que bandido bom, é bandido morto.
Pimenta no zói duzôto, é colírio no zói dos Bostonaros
AMBAR
23 de novembro de 2025 3:02 pmChora gado!
É isso que vai acontecer. Nem os gritinhos histéricos de Malafaia vão convencer o gado de que o bozo é santo. Eles vão desconfiar d e que alguma coisa ele fez para estar encarcerado. Mesmo que um pastor consiga lotar um estádio com narrativas de inocência do mito, ele estará pregando para os mesmos. Novas almas não duvidarão da culpa do bozo e nem se juntarão às narrativas de inocência.
Resta à situação apenas reforçar óbvio, calando de vez a massa desvalida que enfim clamará aos céus pelo milagre que não virá. Aliás, é de milagres não acontecidos e sacrifícios reais que vive a fé cega.
Carlos
24 de novembro de 2025 9:30 amReligião é isso: pura distorção da realidade.
O sujeito ou sujeita é emprenhado pela orelha de manhã num buraco qq, que hj apelidam igreja, e a tarde repete em casa. Se não existir pessoa de bom senso neste fluxo a merda escala
Manoel Batista Correia
24 de novembro de 2025 10:07 amCom dissonância cognitiva ou não, é dificil aguentar esta gente!!!
Parecem zumbis!!!
Rui Ribeiro
25 de novembro de 2025 10:35 amOs Alemães babacas também negavam que Hitler era criminoso.