Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

antes de ser carregado no braços do povo para entregar se voluntariamente à PF, Lula declarou em seu último discurso:

“- E deixa eu contar uma coisa pra vocês: eu vou atender o mandado deles. E vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade.”

após quase um mês de prisão, mantido incomunicável, com todas as visitas negadas, exceto advogados e familiares, pouco a pouco se revela o roteiro desta transferência de responsabilidade:

– Lula negocia sua parte no bojo do Pacto à la Brasil;

– até as eleições fica preso em “cela especial”, com porta e janelas destrancadas;

– enquanto prossegue o delírio coletivo com o milagroso Salvador da Pátria, Lulinha Paz e Amor indica um vice palatável aos golpistas (por exemplo: Haddad) como o Plano B;

– o candidato a Presidente até poderá ser de outro partido (por exemplo: Ciro Gomes), desde que mantido como seu vice o poste ungido por Lula, ficando assim garantida a continuidade da conciliação de classes;

– como os outros candidatos à Esquerda também foram ungidos por Lula, tanto Manuela (PCdoB) quanto Boulos (PSOL) são indicações com objetivo declarado de apoio ao candidato Lulista num segundo turno;

– sob as benções do Lulismo assim se legitimará pelo voto o Golpe de 2016, com a farsa das Eleições de 2018 se reestabelecerá a “normalidade democrática” – tendo como novo normal o Estado Pós Democrático.

ações criam consequências que geram novos mundos, todos completamente diferentes entre si. mas todos estes mundos, outrora desconhecidos, sempre estiveram aí.

há o cadáver da Democracia abandonado para se decompor num mundo. há o Golpe de 2016 perpetrado num outro mundo.

há uma Esquerda inerte num mundo. há um Brasil se fragmentando neste mesmo mundo.

o mundo no qual se procura superar o Golpe de 2016 é muito diferente do mundo em que as condições para o Golpe de 2016 foram geradas.

agimos como se estivéssemos numa encruzilhada, mas já não há nenhuma escolha a ser feita. a opção se deu muito tempo atrás.

nada vai nos levar de volta. aquele mundo está extinto. por mais que supliquemos, a vida não permitirá nenhum retorno.

mas para aqueles que compreendem estarem vivendo os últimos dias de um mundo, a morte adquire um sentido diferente.

esta compreensão é uma força que nenhuma resignação pode conter.

e neste desespero, que é transcendente, se acha uma antiga sabedoria. de que a pedra filosofal sempre poderá ser encontrada, apesar de escondida enterrada na lama.

isto até pode parecer algo trivial, em face da aniquilação. até que a aniquilação acontece.

então, todos os grandes planos e os grandes projetos enfim são expostos tal como são.

vídeo: The counselor (trechos extras)

Leia também:  Clipping do dia

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22 comentários

  1. Tava sumido
     

    Gostei do diálogo do “counselor”, embora não fique clara a circunstância.

    O que é cacete nisso tudo, é que as pessoas resolvem fazer discursos filosóficos aos vencidos ou aos condenados.

    A dor embota, avilta e anula.

    Para o vencedor o prazer de infligir a dor , para o vencido a coisificação.

    Discursos pré executórios têm caráter sádico.

    Se você o  trouxe também se regozija na dor alheia.

    • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

      antes de tudo, algo curioso.

      já li aqui outros participantes se dirigindo a vc como se vc fosse uma mulher. não que tenha importância, mas segundo os algoritmos arkx vc é homem.

      seja como for, não é relevante sabê-lo. até mesmo porque, como estamos num ambiente virtual seria impossível ter uma confirmação. portanto, deixemos os algoritmos prá lá. volta e meia eles se bagunçam todos.

      -> Se você o  trouxe também se regozija na dor alheia.

      acabei de responder ao Eduardo Ramos sobre a mesma cena. vc acha mesmo que me regozijo na dor alheia?

      e alheia a quem, cara-pálida?

      -> Discursos pré executórios têm caráter sádico.

      o diálogo do trecho que postei não é sádico. e muito menos é pré-executório. a execução já aconteceu.

      ao contrário, é um chamado a razão e um apelo para a superação de uma situação de “coisificação” a que somos reduzidos pelo desespero. por negarmos ver claramente a circunstância em que estamos, e como a ela chegamos.

      -> Gostei do diálogo do “counselor”, embora não fique clara a circunstância.

      vc viu o filme?

      o Counseler é o advogado. e não seu interlocutor.

      ele acaba cometendo um erro estúpido e se envolve com um cartel do narcotráfico. as consequências são previsíveis e inevitáveis. ainda assim, ele acha que pode contorná-las, de alguma forma.

      neste trecho que postei, ele é seguidamente chamado a razão por um “amigo” a quem pediu ajuda para tentar resolver o problema. numa tentativa desesperada de negociação com o cartel.

      identifico na cena semelhanças muito grandes com a atual situação brasileira, e como as pessoas estão se sentindo e agindo.

      nós cometemos um erro. nos envolvemos com um cartel poderoso. fomos levianos e irresponsáveis. já não temos como voltar atrás. só nos resta encarar as consequências de nossos atos.

      não temos também como fazer a transferência de responsabilidade. não há nenhuma barganha a fazer. não é uma possibilidade.

      não vamos superar esta situação com qualquer tipo de diálogo com nossos algozes. eles não negociam. não fazem acordo. não importa o quanto supliquemos.

      de nada vale nossa dor e nosso desespero. não podemos trocá-los por nada.

      nesta condição, lutar não é uma opção. é uma imposição de sobrevivência.

      em meio aos escombros de Stalingrado, nenhum acordo era possível com os nazistas. tudo o que se podia fazer era derrotá-los. ou sucumbir…

      .

      • Aê, Arkx, belez?
         

        Então, vamos lá,  pela ordem

        1- Sobre gênero  –

        Se você não se importa, eu menos ainda.

        Não estamos aqui para convolar núpcias.

        2-Sobre a dor:

        Só existem dois tipos de dor: a nossa e a dos outros.

        Com a nossa dor nós nos importamos, por força da natureza.

        Com a dor dos outros, nós só nos importamos na medida em que a natureza nos dota de uma sensibilidade especializada – a empatia.

        3-Sobre o discurso pré-executório

        Todo aquele que tem o poder de punir ou se acredita investido dele, acha alguma satisfação em tripudiar sobre seu alvo.

        No caso, o executor chegou ao limite dos ensinamentos científicos-filosóficos para ilustrar que ele (o alvo) merecia a ignomínia  de que estava sendo vítima.

        E por fim,

        Na curiosidade, amiguinho, fui assistir a película.

        As críticas, que li primeiro, não fizeram muita justiça ao filme – nem as condescendentes nem as ácidas.

        Do que eu mais gostei:

        1- do cabelo do primeiro traficante ( da hora!)

        2- do esmalte da unha da Cameron Diaz

        3- do dente de outro da Cameron Diaz (não tem preço!)

        4- de ver que o Brad Pit está envelhecendo

        5- do esmero com que o motoqueiro foi executado

        Falando sério, o filme foi um pano de fundo para passar alguns conceitos sobre mundos paralelos, física quântica e escolhas, e também sobre ética, moral e comportamentos.

        Esse conceito(mundos paralelos), antes filosófico, e agora científico, de que a cada escolha que fazemos criamos um mundo e que vivemos muitas alternativas de nós mesmos, uma de cada vez porque nossa mente é limitada, nos traz vantagens e desvantagens, muitas delas aplicadas em terapias modernas de auto ajuda.

        Explico :

        Explico?

        Nã!

        Vai ficar muito longo, mas o principal é que partindo desses conceitos, podemos modificar todos os tempos e todas as escolhas. Tudo depende de como encaramos a vida e em qual mundo escolhemos viver a cada instante.

        Abraços.

         

           

        • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

          -> Falando sério, o filme foi um pano de fundo para passar alguns conceitos sobre mundos paralelos, física quântica e escolhas, e também sobre ética, moral e comportamentos.

          uau!

          amiguinhx, vc é capaz de imaginar as dezenas de pessoas com quem compartilhei este vídeo nas últimas duas semanas?

          e vc, amiguinhx, acaba de ganhar o troféu arkx! única e inédita vitória!

          o singelo problema, mas não creio que o será para vc, será buscá-lo num mundo paralelo.

          e de quebra, vem junto como bônus extra:

          – uma sessão no salão do Javier Bardem;

          – um esmalte igual ao da Cameron Diaz (quanto ao dente de outro, não estou certo, pois nem reparei);

          – já o Brad Pitt ficou velho demais;

          – e vamos deixar em paz os motoqueiros, por enquanto…

          -> a cada escolha que fazemos criamos um mundo e que vivemos muitas alternativas de nós mesmos, uma de cada vez porque nossa mente é limitada, nos traz vantagens e desvantagens, muitas delas aplicadas em terapias modernas de auto ajuda.

          misturar política com auto-ajuda não é aconselhável.

          muito embora, como aqui já argumentei diversas vezes: não haverá processo político que não seja também processo terapêutico. não haverá processo terapêutico que não seja também processo político;

          portanto, vamos a grande questão: é possível fazer política sem levar em conta o que vc muito bem expôs acima?

          compreendem agora tudo o que aqui tenho escrito por todos estes anos?

          p.s.:

          se convolar núpcias nunca esteve como opção, o mesmo não se pode afirmar de convolar mundos.

          p.s.2:

          “e começou a decifrar o instante que estava vivendo, decifrando-o à medida que o vivia, profetizando-se a si mesmo no ato de decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse vendo a si mesmo num espelho falado.”

          “Cem Anos de Solidão” – Gabriel Garcia Marquez

          .

          • Boralá!

            Boralá!

            1-Sobre compartilhamentos e troféus

            Não, não imagino o quanto você possa ter compartilhado o filme.

            E nunca me ocorreu que eu estivesse concorrendo a algum prêmio, troféu ou galardão.

            (gostou do galardão?)

            2-Sobre buscas num mundo paralelo

            Bem, se não houve de minha parte a criação de alternativa para o concurso ou aquisição de qualquer prêmio vindo de sua parte

            tal prêmio não existe no meu mundo.

            Tendo  você  o instituido, cabe a você dar-lhe um destino.

            3- Sobre o salão do Javier Bardem

            Fui atrás da biografia do citado.

            Custa-me crer que aquele maloqueiro de cabelo em pé que aparece no filme seja o mesmo “galã” que aparece nas biografias dos astros.

            4-Sobre o esmalte da Cameron Diaz

            Só posso reafirmar que ele “iluminou” a mão da moça, mas acho pouco provável que você o encontre.

            5-Sobre o dente de ouro.

            Ele apareceu em duas cenas, em zoom, e pareceu muito bizarro.

            Na primeira cena ela conversava com a amiga(noiva do advogado) acho que perto da piscina, enquanto a acariciava inconvenientemente

            Na segunda cena, já no final do filme, ele aparece quando ela estava na mesa, com o último cara, quando já terminava as transferências financeiras e conversava com ele em tom de ameaça velada. Fui um zoom rápido e estranho.

            De toda sorte, muito me surpreenderia se você o tivesse observado.

            SOBRE POLÍTICA E AUTO AJUDA

            Em resposta à sua questão:

            “é possível fazer política sem levar em
            conta o que vc muito bem expôs acima?”

            Tudo o que acreditamos é possível.

            No mais, não fazer política pode ser ainda mais proveitoso.

            As questões cruciais que iniciaram o nosso diálogo

            transferência de responsabilidade

            é que vão determinar os melhores mundos possíveis ou não.

            O primeiro passo para transformar o seu mundo é assumir a responsabilidade sobre tudo o que acontece nele.

            Se foi você que fez, você pode desfazer.

            Se não foi, você só é a vítima.

            Então, mesmo que não tenha sido você, conscientemente, tome para sí a responsabilidade para assumir o controle.

             

             

            Ps1- Sobre convolar mundos – ” Tudo que existe no seu mundo foi você que colocou lá”

            Ps2- Ainda estou lendo os 100 anos de solidão (em doses bem homeopáticas)

            Ps3- O que é essa coisa aí da foto?

             

            Inté!

             

          • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

            -> E nunca me ocorreu que eu estivesse concorrendo a algum prêmio, troféu ou galardão.

            -> Bem, se não houve de minha parte a criação de alternativa para o concurso ou aquisição de qualquer prêmio vindo de sua parte

            execro competições. ou mesmo concursos. portanto, jamais os promoveria.

            seu troféu é sim uma vitória. porque só vc até o momento conseguiu fazer a conexão correta, a partir da cena que postei do filme “The Counseler”.

            mas parece que ainda não notou que alguns dos trechos não constam da versão oficial do filme.

            ainda assim, fez o principal. afirmar que: “o filme foi um pano de fundo para passar alguns conceitos sobre mundos paralelos, física quântica e escolhas, e também sobre ética, moral e comportamentos”.

            o filme só existe em função da cena que postei. e a cena que está no filme só existe para se buscar esta cena completa.

            faz lembrar um conto do Borges: “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius“.

            também tem a ver com a pós-verdade e as fake news. mas num outro sentido, até oposto.

            já pensou quanto trechos como o que postei devem existir? inseridos nos filmes sem que quase ninguém os note, e menos ainda os compreenda…

            -> Ps3- O que é essa coisa aí da foto?

            tb ainda não viu o filme? já que vc se interessa por mundos paralelos.

            e por falar neles, não são uma criação individual, muito embora as opções de cada um de nós modulem certos aspectos de cada um destes mundos, no que nos tange diretamente.

            sobre este assunto, sempre é bom dar exemplos concretos. poderia dá-los, mas em outra oportunidade.

            mas nenhum “indivíduo” tem o poder de fazer condensar (um ermo muito melhor do que o tradicional “colapsar” adotado pela física quântica) um mundo.

            vídeo: Arrival – use the “weapon”

            [video: https://www.youtube.com/watch?v=ZLO4X6UI8OY%5D

            .

          • Continuando nosso assunto
             

            Bem, meu caro Arques

            Se você desdiz que me premiou por alguma proeza, fica o dito pelo não dito.

            É uma forma de se desfazer uma alternativa, mas não de anular seus efeitos.

            Fica mais uma sensação de vazio psicológico, que vai se somando a cada constatação.

            De todo modo, até onde me é dado saber, troféu é prêmio.

            Se no seu conceito alguém mereceu, é forçoso admitir alguém o instituiu.

            Como cada um pensa o seu próprio mundo, e cada pessoa é um mundo único, em algum momento o seu mundo foi tangenciado pelo meu para satisfazer alguma expectativa sua: a de que alguém havia entendido o filme sob a mesma ótica que você, o que não quer dizer que estejamos certos. Estamos apenas concertados, e será uma grande coincidência se tivermos  alcançado todas as intenções do autor do livro  e do diretor que realizou a película.

            Gostaria de dizer pra você, que não prestei atenção à cena que você postou.

            Para mim parecia mais uma daquelas críticas aos muitos  lixões que existem e São Paulo e outros estados.

            Mais que isso, só fui fazer conexão com ela depois que assisti o filme e fui rever seu post, pois nem no filme eu prestei atenção.

            Passou tão batido que me perguntei: Ué, por que essa cena de lixão.

            Só revendo o seu post é que eu fui ver que havia um corpo de vestido vermelho.

            Mas você sabe por que?

            O discurso do chefe do tráfico ao advogado  era de tal modo irrecorrível que a morte de sua noiva era só uma comunicação do óbvio.

            O modo como se deu, quando, ou em que lugar foi dispensável.

            Tanto, que se não fosse ilustrado poderia levar o espectador a conclusões ainda mais sinistras.

            Sobre trechos da “versão oficial do filme”

            Quais seriam eles?

            Sobre o Jorge Luis Borges e o Tlön, vou dar uma olhada;

            Sobre os quantos trechos insertos em filmes, há muitos.

            Há filmes inteiros só assistíveis “por iniciados”

            O problema é que não há mentes preparadas para entende-los, e então, fazem ficções meia-boca, para passarem meias-verdades,

            fake news.

            Sobre o “troço aí da foto”, continuo aguardando esclarecimentos, adiantando que não sou fã de cinema, séries e coisas do gênero.

            Vejo o necessário, por indicação e defendo firmemente o entendimento de que não temos que pagar pelo nosso aculturadamento.

            Sobre “colapsar função de onda” ninguém gosta mais do assunto do que o Hélio Couto.

            Aqui vai um aperitivo

            https://youtu.be/iZiBp6kbDk

            Inté!

             

             

             

  2. Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

    -> Se você desdiz que me premiou por alguma proeza, fica o dito pelo não dito.

    – vc recebeu o prêmio sim! só que ganhou o troféu antes: Tarot;

    – a comunicação por escrito via web enseja muitos mal entendidos;

    – este nosso diálogo abre muitas linhas de encaminhamento. todas sobre temas bastante complexos;

    -> O discurso do chefe do tráfico ao advogado  era de tal modo irrecorrível que a morte de sua noiva era só uma comunicação do óbvio.

    – postei o trecho do filme (que na verdade é o filme, o restante é só figuração), por considerar que exemplifica com exatidão como a maioria das pessoas (principalmente aqui neste Blog do Nassif, mas não só) se relaciona com o atual colapso (entendido tb como “colapso de onda”) no Brasil;

    – negam tanto a realidade quanto sua responsabilidade frente as opções que foram feitas. exatamente como o advogado (o counseler). por isto, o interlocutor lhe afirma: “Advogado, em algum ponto deve reconhecer a realidade do mundo em que vive. Não há outro mundo. Não é um hiato.”;

    – desde 05/2015 quando aqui tornei a escrever (a outra vez foi entre 2006/2009, portanto antes da Crise de 2008 e da candidatura Dilma) afirmo categoricamente; “não haverá retorno”. é também o que se diz no trecho do filme: “Deixando bem claro, a vida não lhe permitirá andar para trás.”;

    – não sairemos desta crise pelo mesmo caminho que a ela chegamos. quanto mais isto se tentar fazer, mas se afunda no abismo. exemplo: a patética discussão sobre apoiar Ciro Gomes;

    – a crise do capitalismo é estrutural. a Democracia Representativa está morta. o atual modelo é o Estado Pós-Democrático. o Judiciário tornou-se a garantia do estado de exceção permanente. a via eleitoral e institucional está interditada. não há saídas. só a opção entre dois portais de entrada (tb já postei muito sobre isto aqui);

    – antes que gere algum mal-entendido. não me identifico com os personagens do filme. a não ser, é claro, com o cabelo do Javier Bardem e o esmalte da Cameron Diaz (mas não o dente de ouro);

    p.s.: estamos vivendo o colapso de um mundo que se iniciou com a derrota consentida de Lula nas Eleições de 1989. fizemos um longo percurso na espiral, que agora se fecha. e mais uma vez estamos numa encruzilhada. em 1989 também um mundo paralelo se iniciou, neste Lula não teve medo de ser feliz e assumiu sua vitória, sem consentir com a fraude eleitoral materializada então como marco inaugural deste mundo que agora se encerra (assunto complexo).

    -> Sobre o “troço aí da foto”, continuo aguardando esclarecimentos, adiantando que não sou fã de cinema, séries e coisas do gênero.

    – tb não sou fã de séries, embora seja, obviamente, fã de cinema. até mesmo porque sempre ter feito filmes e vídeos. desde 1977, quando ainda era em super-8;

    – a imagem é do filme “Arrival”. há uma excelente matéria sobre ele, do Wilson Martins, tb aqui do Blog do Nassif: Em “A Chegada” o homem está incomunicável no Universo;

    – naves extraterrestres chegam em 12 cidades do mundo. uma linguista tenta decifrar a estranha linguagem deles. com muita sensibilidade, inteligência e coragem acaba conseguindo.toda linguagem não descreve um mundo, ela o cria. ao aprendermos um outro idioma, nossa mente é como reprogramada pro ele. a foto que postei é um dos complexos ideogramas da linguagem dos aliens (ou será que nós humanos seríamos os ET?). estes símbolos são como livros inteiros, de tanta informação que “condensam” (a onda de novo). os aliens do filme tem uma percepção não linear do tempo. e a linguista acaba sendo afetada por isto. os 12 países ficam a ponto de entrar em guerra, por não compreenderem a mensagem dos aliens: “use a arma!”. a linguista é a única que entende. o encontro dela com o General Chinês é uma cena antológica. acho que consegui dar uma idéia, sem qualquer spoiler;

    -> Como cada um pensa o seu próprio mundo, e cada pessoa é um mundo único

    – compreendo. mas não entendo exatamente do mesmo modo. não creio que exista “cada pessoa”, assim como também acho que não exista uma “sociedade” nos sobrepondo e que nos totalize;

    – acho mesmo que um dos maiores equívocos que cometemos é trabalhar no binômio (mas não apenas neste) indivíduo/sociedade. nossa existência é como relações sociais, e nosso ego apenas uma espécie de efeito colateral delas;

    – existem de fato muitos mundos, mundos paralelos, que sim podemos “condensar”. mas não exatamente por opções “individuais”. nenhum de nós tem o poder de fazer condensar (colapsar) um único mundo, mas ainda assim temos um nível de autonomia sobre certos aspectos deles. aqueles que estão em nossa “proximidade”.

    -> Sobre “colapsar função de onda” ninguém gosta mais do assunto do que o Hélio Couto.

    – não o conhecia. dei uma olhada no site. nos próximos dias vou examinar melhor com atenção.

    – abaixo um exemplo pictográfico de como as relações sociais engendram os “indivíduos”. tá cheio de “gente” nela, se ampliar mais gente se verá.

    .

  3. Transferência de responsabilidade -o retorno

    Muito bem!

    Você fez uma analogia da fala do Lula com a situação do advogado no filme.

    Havemos que fazer diferenciação entre os tipos de associações e a natureza dos associados.

    Havemos que respeitar também as motivações que levam as pessoas a se associarem.

    Em comum temos, da alegoria que você trouxe à baila, as associações espúrias.

    Ambos fizeram associações espúrias

    – O Lula, com candidatos profissionais e fisiológicos.

    – O advogado, com os mais impiedosos traficantes.

    Das motivações

    -Lula associou-se porque precisava.

    Recebeu o mandato do povo e precisava governar para todos e com todos.

    Ele não podia escolher se quisesse cumprir o seu mandato com sucesso.

    Sua motivação era, portanto, legítima.

    Talvez tenha sido o esse o erro de Dilma, a seletividade dos associados.

    Político fisiológico é como fruta em fim de feira. Você paga barato, leva de baciada, mas não pode escolher se quiser comer fruta.

    -O advogado associou-se porque tinha ambições.

    A ambição, em sí, não comporta nenhuma crítica. Todos, em maior ou menor grau nutrem alguma ambição. Ela é o sonho, a mola propulsora da realização.

    O modo como essa ambição se realiza é que vai definir o seu caráter, se exagerado, moderado, danoso ou desmedido.

    Também pode interferir na realização do que ambiciona, o caráter da pessoa que busca realizar as suas ambições.

    No caso, o advogado tinha um bom caráter.

    Das responsabilidades

    O Lula, tanto quanto o advogado, sabiam dos riscos que corriam e também das responsabilidade que deveriam assumir.

    E o fizeram.

    Então, aonde está a transferência?

    Em associações, ambas as partes assumem um compromisso com iguais direitos e obrigações.

    Quando as partes são confiáveis e agem de boa fé, as responsabilidades são repartidas e o objeto do contrato chega a bom termo, porque as ninguém pode assumir os direitos e obrigações de uma só parte do contrato.

    Cada um cumpre com a sua parte.

    Aquele que deu causa à quebra ou descumprimento do contrato, ou impediu que a outra parte o cumprisse para se beneficiar nos direitos totais do contrato, assume a responsabilidade, é a parte culpada.

    Assim, o agiota que manda quebrar a perna do devedor, o cara que manda matar por dívida de jogo, o traficante que queima a família do cara que perdeu a carga de droga, ele tem a responsabilidade transferida para si, porque o seu mau caráter não pode ser desculpa para punir a outra parte pela quebra do contrato ou pela obrigação não ter sido cumprida do modo que ele queria.

    O discurso do traficante, portanto, tem sim o caráter rigorosamente sádico, e o advogado, conquanto fosse ambicioso, jamais agiria do mesmo modo com o traficante.

    Nas circunstâncias de que tratamos, nem traficantes, nem políticos fisiológicos são entes humanos, mas nem por isso podemos deixar de lidar com eles.

    O advogado não precisava ter se envolvido, mas lidar com criminosos faz parte de sua profissão.

    Lula não precisaria ter se envolvido, mas lidar com políticos é da natureza de sua atividade.

    Não é porque ele se envolveu nas atividades que seus pares consideravam inapropriada para ele e nas quais foi ainda melhor sucedido,   que somente ele tenha que responder com a sua vida, sua liberdade, seu corpo e a vida e obra de seu grupo e de sua família.

    Não é porque o advogado se envolveu com uma operação ilegal que a noiva inocente tenha que pagar com a vida.

    A responsabilidade, portanto, é de ser transferida a quem de direito, e não a quem se queira imputar simplesmente pelo fato de se  ter poder para isso.

    • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

      seu comentário pede uma réplica mais detalhado do que a que vai a seguir. amanhã complemento. no momento, estou em outros mundos.

      vc está perdendo o foco no principal. ao contrário do caso do filme e do trecho que postei, quando vc manteve muito bem o foco.

      no caso do filme o principal é a cena do diálogo, pelo que ela encerra e que vai muito além do enredo do filme (mesmo com ele tendo conexões).

      no caso de meu texto (e de tudo que aqui escrevo neste Blog do Nassif), o principal não é Lula, muito embora com ele tenha forte conexão. o principal está alhures.

      o Lulismo não é Lula, mesmo sendo Lula o seu mais forte representante.

      e o principal é o efeito que o Lulismo causou nas pessoas, inclusive em seus relacionamentos cotidianos.

       e é por isto que a maior parte das pessoas associadas de alguma forma ao Lulismo está tão mal, em profunda crise, em depressão mesmo.

      daí o trecho que postei do filme. pois ele se refere muito mais as pessoas do que a Lula propriamente dito.

      a importância de Lula, ou de qualquer outra liderança, é minúscula diante das pessoas.

      quem muda o mundo são as pessoas. e o que muda as pessoas são as experiências de vida que elas são capazes de gerar e compartilhar intensamente.

      por isto o trecho do filme se refere a:

      e neste desespero, que é transcendente, se acha uma antiga sabedoria. de que a pedra filosofal sempre poderá ser encontrada, apesar de escondida enterrada na lama.

      isto até pode parecer algo trivial, em face da aniquilação. até que a aniquilação acontece.

      então, todos os grandes planos e os grandes projetos enfim são expostos tal como são.

      p.s.: e note que continuo acertando (como sem qualquer vaidade ou falsa modéstia, faço desde 2006 aqui no Nassif). escrevi que o Lulismo tenderia em direção a Ciro Gomes. a realidade dos fatos está confirmando, mesmo sendo sob forte reação de parte das bases.

      p.s.2:

      no caso, considere como a questão principal Lula ter se entregado voluntariamente, quando teve meses, a rigor 13 anos, para preparar a resistência. e se entregou sob o argumento de fazer a “transferência de responsabilidade”.

      no caso do filme, uma analogia possível seria se entregar ao cartel, como se fosse adiantar algo…

      e tb sobre isto o trecho que postei traz uma mensagem:

      “todos nós devemos preparar um lugar para acomodar as tragédias que sabemos serem inevitáveis. porém, este é um recurso que pouca gente faz uso.”

      acabou que me alonguei agora mais do que podia. tudo bem., está valendo a pena.

      .

    • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

      -> Você fez uma analogia da fala do Lula com a situação do advogado no filme.

      já abordei isto na réplica anterior. mas para ficar claro: faço a analogia com a reação das pessoas desde os primeiros movimentos preparatórios para o Golpe de 2016.

      e Lula foi claro quanto a sua justificativa para se entregar. abaixo vai o primeiro trecho do discurso dele em S. Bernardo em que cita a expressão:

      “E deixa eu contar uma coisa pra vocês: eu vou atender o mandado deles. E vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo que acontece neste país acontece por minha causa. Eu já fui condenado a 3 anos de cadeia porque um juiz de Manaus entendeu que eu não preciso de arma, eu tenho uma língua ferina, então era preciso fazer o Lula calar, porque se ele não calar, ele vai continuar falando frases como eu falei: “está chegando a hora da onça beber água” e os camponeses mataram um fazendeiro e eles acharam que essa frase minha era a senha.”

      e aqui cabe sim uma analogia. seria o mesmo que o advogado tentar se entregar ao cartel, sob “transferir a responsabilidade” e com alguma outra expectativa de não ser executado – ou algo ainda pior, ser vendido como escravo.

      Lula continua acreditando numa saída jurídica, institucional, eleitoral. e com isto ilude milhões de pessoas. os fatos confirmam exatamente o contrário: se há alguma opção ela é através de um amplo e capilarizado movimento de massas.

      -> Ambos fizeram associações espúrias – O Lula, com candidatos profissionais e fisiológicos.

      a associação espúria do Lulismo não foi exatamente com os políticos fisiológicos. foi com uma lumpenburguesia colonial e escravagista.

      como se fosse possível que de algum modo esta lumpenburguesia viesse a ter algum traço popular e nacionalista. a História brasileira já provou seguidamente que não.

      a burguesia brasileira é lumpen porque é rentista. vive de expropriar. não produz. pilha e saqueia. destrói. extermina.

      -> Recebeu o mandato do povo e precisava governar para todos e com todos.

      este é um dos maiores de todos os maiores erros.

      num país em que meia-dúzia de pessoas tem mais renda do que metade da população, é possível “governar para todos”?

      só é possível fazer política, e governar, a partir do enfrentamento, do confronto. isto precisa estar definitivamente consolidado na Esquerda. nunca haverá qualquer viabilidade de acordo com o setor dominante brasileiro, porque ele não quer este acordo. ainda mais agora.

      o que é preciso é saber construir sabiamente, e determinadamente, os instrumentos do confronto. e isto só se faz com permanente mobilização e organização popular. sempre pela base, e não através única e exclusivamente da via institucional/parlamentar.

      -> Não é porque o advogado se envolveu com uma operação ilegal que a noiva inocente tenha que pagar com a vida.

      vc e eu achamos isto. mas o cartel não! veja bem, esta é a questão. o cartel (a lumpenburguesia brasileira) tem suas próprias leis, e a elas estamos submetidos.

      para fazer a analogia, a mulher de vermelho atirada no lixão (a noivinha toda pura do advogado) é a nação brasileira. somos todos nós.

      p.s.:

      continuo lhe congratulando por ter sido quem até o momento percebeu que o trecho do filme é sobre mundos paralelos, e nossas conexões com eles. tudo o que aqui escrevo neste Blog do Nassif é também sobre este tema. como no filme, todo o resto é apenas pano de fundo.

      .

      • Olhando para árvore
         

        Se eu for concordar com você, vou ter que  admitir que o Lula errou por ter sido bem sucedido e que não há saída para o povo e nem possibilidade de se libertar da lumpenburguesia.

        A lumpenburguesia de hoje é o mesmo povo miserável e oprimido de ontem.

        Lula é um fato e contra fatos não há argumentos.
        Foi o povo que colocou o Lulalá, assim como foi o povo que o deixou encarcerar.
        Só resta ao Lula  transferir a responsabilidade a quem deu causa ao nosso presente: o próprio povo.

        Caro Arkx,

        digo a você o que já disse a um blogueiro famoso que foi tomado pelo incontrolável ódio que ainda domina a população.
        Cada geração procura a crise que precisa.
        A gente vive um momento e lugar único,  onde por um breve tempo  teremos escolhas e individualidade.
        Aproveitemos para vive-lo e melhorá-lo.

        Olhemos para a floresta porque a árvore a gente já viu

           

          • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

            se a noivinha toda pura do Counseler é a Democracia Brasileira, esta virgem de puteiro, a personagem de Cameron Diaz, com seu canino de ouro, é a predadora que caça e mata por puro prazer sexual. é a lumpenburguesia brasileira, com todas suas associações perigosas com o Black Market e o Deep State.

            .

          • Sobre virtudes
             

            Nem o advogado é virtuoso

            Nem sua noiva é toda pura

            Nem o PT é completamente íntegro

            Nem a democracia brasileira é um regime real

            São ambas existências razoáveis em busca de equilíbrio e bem estar com a maioria.

            A personagem de Cameron Diaz tanto quanto as direitas predadoras do poder pelo poder, bem como  os nobres de origem são, por sua natureza reptiliana desprovidos de empatia e com forte sentido de territorialidadade, dos quais somos presas fáceis, animais úteis dos quais se alimentam e que nos mantém prisioneiros neste mundo há milênios.

            PT-Saudações!

            Inté!

             

          • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

            -> por sua natureza reptiliana

            -> dos quais somos presas fáceis

            por coincidência, durante o almoço de hoje puxaram comigo o assunto dos reptilianos. afinal, com mais uma vez o mundo à beira de um confronto nuclear é algo mais do que atual.

            na tribo arkx a Hipótese Reptiliana é estudada desde a adolescência. contudo, tenho uma hipótese alternativa.

            sem dúvida há algo de muito errado na Terra. mas ao invés de sermos nós “presas fáceis” de aliens, talvez seja mais sensato considerar que nós os ditos “humanos” é que somo os alienígenas.

            ou seja: os reptilianos somos nós mesmos!

            só assim se explica uma espécie em constante conflito com o meio ambiente, sem possuir habitat definido, incapaz de relação harmônica tanto com os demais quanto consigo mesma, altamente predadora a ponto de colocar em risco a existência de vida no planeta, etc…

            assunto complexo.

            .

          • Brasil em Transe: transferência de responsabilidade

            -> Você vê David Icke?

            conheci o site dele imediatamente após o 11 de Setembro. foi um dos primeiros a desmascarar a farsa dos “atentados” como inside job.

            como expus antes, os reptilianos somos nós, que nos consideramos humanos. nenhuma outra forma de vida se comporta como nós, nem mesmo os vírus.

            .

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