16 de junho de 2026

Brasil faz a coisa certa ao diversificar parceiros comerciais, afirma economista sobre comitiva no Japão e Vietnã

Medida é importante para que o país não dependa apenas da China, mas também para desenvolver a indústria, é preciso investir em setores estratégicos
Presidente Lula em coletiva de imprensa no Vietnã, após última agenda na Ásia. | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em um cenário global marcado por tensões comerciais e políticas industriais em ascensão, o Brasil tenta reagir e se reposicionar no comércio exterior. A recente revalorização de atividades mais sofisticadas nas exportações do país reflete uma tentativa de se distanciar da dependência de commodities tradicionais, como minério de ferro, soja e petróleo, que dominam sua balança comercial. 

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O governo brasileiro, ao mesmo tempo, busca alternativas no campo industrial, impulsionado pelas mudanças nas políticas globais, principalmente após a presidência de Donald Trump. E, para comentar a mais recente empreitada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Japão e no Vietnã, o programa TVGGN 20H da última sexta-feira contou com a participação de Marta Castilho, professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Grupo de Indústria e Competitividade da universidade.

“Acho que o Brasil está fazendo a coisa certa. Essa missão para Japão e Vietnã, que é uma tradição, é tentar retomar uma tradição de diversificação de parceiros que o Brasil tem. O Japão é um parceiro relativamente tradicional, nunca teve um peso enorme (21:57) nas nossas exportações, mas tinha mais peso do que tem hoje”, aponta a economista.

“O Vietnã, não. O Vietnã é um país que cresce de forma muito sustentada, e o comércio com o Brasil vem crescendo desde os anos 2000. Eu estava olhando os dados aqui esses dias, e o comércio entre os dois países pula de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 7 bilhões em 2024”, continua Marta.

Alternativas

Com a ascensão de políticas industriais ativas tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, o Brasil também passou a intensificar suas discussões e ações nesse sentido, com destaque para setores como saúde, educação e tecnologia. 

A área da saúde, mais especificamente, representa um grande potencial para o Brasil, devido às suas características e necessidades locais. O país possui doenças tropicais como a dengue, que, apesar de ser um problema principalmente do hemisfério sul, já se expandiu para o norte. Nesse contexto, a produção de vacinas, tratamentos e a realização de parcerias com países como a Argentina e Japão se apresentam como oportunidades estratégicas.

Um exemplo claro dessa tendência é a inclusão da sustentabilidade como um objetivo fundamental da política industrial brasileira, dado o contexto de emergência climática global. Além disso, o Brasil pretende aproveitar a sua posição como fornecedor de produtos farmacêuticos e vacinas, uma área onde já obteve sucesso, especialmente com o fornecimento de vacinas contra a dengue.

Marta aposta ainda no desenvolvimento industrial da área da saúde porque o Sistema Único de Saúde (SUS), com seu grande poder de compra, também pode se tornar uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de novos produtos e tratamentos no país. 

Embora a perspectiva de se tornar um grande exportador de produtos de saúde não seja imediata, o mercado interno representa um nicho relevante. De fato, o setor de saúde está altamente concentrado globalmente, dominado por grandes empresas multinacionais. Ainda assim, garantir que o Brasil atenda a uma parte significativa de suas próprias necessidades é um passo importante para o fortalecimento da indústria local.

Parceiros

Outro ponto de atenção é a viagem recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão e ao Vietnã, que simboliza a tentativa do Brasil de diversificar seus parceiros comerciais, afastando-se da crescente dependência da China. 

Embora a China continue sendo um parceiro comercial crucial, especialmente em setores como produtos agrícolas e minerais, a diversificação é considerada uma estratégia essencial, especialmente após as tensões comerciais geradas pelos Estados Unidos sob a administração Trump.

Para além da diversificação, o Brasil tem a chance de resgatar seu sucesso no setor de aeronaves, com a Embraer sendo um exemplo notável de sucesso internacional. A retomada e ampliação da presença da indústria aeronáutica no mercado global seriam uma maneira eficiente de reforçar a competitividade do país e agregar valor a suas exportações.

No entanto, embora a diversificação de mercados e a busca por novos parceiros sejam positivas, o Brasil também precisa focar no fortalecimento de setores de maior valor agregado. 

“A gente exporta produtos normalmente muito simples, de origem agrícola ou mineral, e a gente importa dessas regiões produtos mais sofisticados. Então, assim, é positivo que a gente diversifique, ainda que seja vendendo carne ou outros produtos agrícolas, até porque uma parte das exportações desses produtos que vai também para os Estados Unidos provavelmente vai sofrer algum tipo de restrição”, aponta a economista.

As oportunidades estão nas indústrias que podem alavancar a inovação tecnológica, o desenvolvimento de novos produtos e, ao mesmo tempo, proporcionar benefícios sociais significativos, como no caso das políticas voltadas para o setor de saúde e educação.

Assista ao programa completo na TVGGN ou no link abaixo:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Lênin and The Ulianovs

    31 de março de 2025 6:48 am

    Paes vender pau-brasil?

    Ah, mas pode vender aviões…

    Mas para quem?

    A Embraer é uma montadora de aviões, com baixíssimo impacto de repercussão tecnológica.

    Arrisca até nem as lâmpadas dos avisos sobre os assentos são fabricadas no Brasil.

    Então, qual o sentido de exportar divisas, já que os exportadores não recolhem tributos, de acordo coma lei Kandir?

    Emprego?

    Uai, mas com essa renúncia fiscal cada emprego no latifúndio e na Embraer devem custar, em média, alguns milhões por ano, e que boa parte vai junto com a mercadoria.

    Era melhor dar o dinheiro direto ao trabalhador, e induzir consumo, ao invés de concentrar renda nos ricos daqui e de fora, não?

  2. José Carvalho

    31 de março de 2025 6:49 pm

    Ter uma distribuição maior nas relações comerciais mantendo um número maior de parceiros é uma boa medida para o Brasil. Cumpre a necessidade de melhorar a inserção do País no comércio internacional. Agora, isso deve ser acompanhado também de que a economia interna do País aumente seu volume. E isso parte de que ocorram investimentos para uma qualificação dessa participação. Vai ficando cada vez mais claro que o baixo crescimento é muito prejudicial a todo o conjunto do País. Quando você cresce , fica mais próximo de aproveitar as oportunidades. Quem participa de fato, da frente aberta pelo governo são os setores produtivos, e portanto devem fazer a sua parte, realizando os esforços na elevação das capacidades relativas a cada um.

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