10 de junho de 2026

Brasil tem cacife contra Trump, diz economista e ex-diretor do Banco Mundial ao canal TVGGN

Economista e ex-diretor do Banco Mundial, Rogério Studart ressalta que a tarifa anunciada por Trump não segue qualquer lógica econômica tradicional
White House Flickr

O economista e ex-diretor do Banco Mundial, Rogério Studart, afirmou na última sexta-feira (29) que o Brasil tem capacidade para reagir às recentes medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, no programa TV GGN 20 Horas, Studart analisou os impactos econômicos e políticos da nova política comercial norte-americana sob influência do ex-presidente Donald Trump.

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“É uma situação tão esdrúxula, se você parar para pensar, do ponto de vista econômico, de política comercial, que realmente dar uma resposta vai ser um xadrez muito difícil de ser jogado, disse Studart, ao comentar a aplicação de tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras.

Segundo o economista, a tarifa anunciada por Trump não segue qualquer lógica econômica tradicional. Você não impõe uma tarifa geral, mas sim sobre produtos. Você não impõe sobre um país que tem superávit. O Brasil tem, os Estados Unidos tem superávit com o Brasil. Mas mesmo assim, a lei foi criada como uma forma de dar alguma resposta ao fator econômico que parecia estar motivando o tarifaço”, explicou. 

O impacto direto das tarifas, contudo, é limitado. Apenas 4% das exportações brasileiras são afetadas, com setores como café e carne bovina sendo os mais atingidos. “Remanejar 1% do PIB não é complicado”, disse Studart, embora tenha alertado que renegociar contratos e redes de distribuição “não se faz assim”, pois o processo pode ser demorado.

Guerra política 

Para Studart, o tarifaço é mais político do que econômico. Ele afirma que os EUA têm usado sua influência econômica para pressionar o Brasil por questões internas, como o uso do PIX, citado em documentos oficiais norte-americanos como suposto risco à segurança.Trump não sabe a parte técnica detalhadamente, acho que não sabe nada detalhadamente, é o que tudo indica, mas ele sente que tem uma ameaça ”, disse.

O economista acredita que a verdadeira preocupação americana não é o sistema de pagamentos em si, mas seu potencial uso para driblar o dólar como moeda internacional, uma vez que o PIX pode se transformar em base tecnológica para criar plataformas de pagamento internacionais fora do dólar.

Dólar como arma de guerra

Studart detalhou como o domínio do dólar garante aos Estados Unidos uma vantagem estratégica: qualquer país que queira fazer comércio internacional precisa manter reservas em dólar ou títulos do Tesouro americano, o que sustenta o endividamento crônico do país. Então, na verdade, o que é vantajoso para os Estados Unidos em ser a moeda de comércio internacional, é que essas instituições, para rodar, têm que manter títulos americanos, e o Trump quer manter isso, para por quê? Porque, assim, ele pode continuar emitindo títulos americanos e financiando os Estados Unidos”, alertou.

Nesse cenário, a criação de moedas alternativas dentro dos BRICS, ou o aumento de transações em yuan (moeda chinesa), ganham força como caminhos para reduzir a dependência da moeda americana.

Se você faz um sistema de pagamento digital rápido, você diminui muito a necessidade de ter dólares ou ativos em dólares. Esse é o barato da história.”

Retaliação

Nassif levantou a hipótese de os EUA acionarem a Lei Magnitsky, usada para sancionar indivíduos ou instituições estrangeiras que violem interesses americanos. O jornalista destacou que o Brasil tem um mercado financeiro fortemente integrado ao norte-americano, o que torna o uso da lei um risco real.

Em relação à Lei Magnitsky, Studart vê o cenário com cautela.Eu acho que existe um fenômeno que é um pouco a irresponsabilidade sobre as consequências, a segunda derivada das consequências do que eles estão fazendo”, ponderou.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. +almeida

    2 de setembro de 2025 11:54 am

    O meu entendimento se aproxima mais de classificar toda essa proposital turbulência como um audacioso e perigoso blefe do governo Trump. Parece que jogou para tentar ganhar, quando usa o velho e popular apelo nacionalista e patriótico. Porém, por falta de pesquisa e avaliação dos riscos, começa a dar tiros nos pés ao criar mais dificuldades e prejuízos para a população norte-americana.
    A verdade nua e crua é que esse grande mico poderá lhe custar a perda do cargo e novos processos em seu vasto currículo.

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