Além de seus discos, livros, ensaios e aulas, Wisnik faz também música para cinema (Terra Estrangeira, de Walter Salles e Daniela Thomas), teatro (As Boas, Hamlet e Mistérios Gozozos para o Teatro Oficina, e Pentesiléias, de Daniela Thomas, dirigida por Bete Coelho) e dança. Fez quatro trilhas sonoras para o grupo Corpo: Nazareth, de 1993, sobre obra de Ernesto Nazareth; Parabelo, de 1997, em parceria com Tom Zé;Onqotô, de 2005, com Caetano Veloso e Sem Mim, de 2011, com Carlos Nuñez, sobre canções de Martín Codax.
Primeiro lenta e precisamente Arranca-se a pele Esse limite da matéria Mas a das asas, melhor deixar Pois se agarra à carne Como se ainda fossem voar As coxas soltas Soltas e firmes Devem ser abertas E abertas vão estar E o peito nu Com sua carne branca Nem lembrar A proximidade do coração Esse não! Quem pode saber Como se tempera o coração
Limpa-se as vísceras Reserva-se os miúdos Pra acompanhar Escolhe-se as ervas, espalha-se o sal Acende-se o fogo, marca-se o tempo E por fim de recheio A inocente maçã Que tão doce me deleita Nos tirou do paraíso E nos fez assim sem receita
Em outras aulas, os olhares lânguidos das moças anos setenta,
da turma da noite de LB I se entrecruzavam porque aquele professor novinho em folha era de arrasar. Cabelos meio longos, ondulados, despenteatos, olhar ao longe, como se levitasse, sem se fixar nas cadeiras nas quais nos sentávamos, talvez.
Sapatos em desalinho esquadrinhados naquelas noites perseguidas por barrocos e rococós, ai, ai.
Longe, de longe, um sorriso leve de canto de boca, mantendo sempre a seriedade… e olha que mesmo assim, sabe-se que saiu de um poema barroco para um poema concreto, guardadas as metáforas e preservando a seção delação de hoje. Amigas serão sempre amáveis com as outras, ora, ora.
É a hora em que o sino toca, mas aqui não há sinos; há somente buzinas, sirenes roucas, apitos aflitos, pungentes, trágicos, uivando escuro segredo; desta hora tenho medo.
É a hora em que o pássaro volta, mas de há muito não há pássaros; só multidões compactas escorrendo exaustas como espesso óleo que impregna o lajedo; desta hora tenho medo.
É a hora do descanso, mas o descanso vem tarde, o corpo não pede sono, depois de tanto rodar; pede paz — morte — mergulho no poço mais ermo e quedo; desta hora tenho medo.
Hora de delicadeza, gasalho, sombra, silêncio. Haverá disso no mundo? É antes a hora dos corvos, bicando em mim, meu passado, meu futuro, meu degredo; desta hora, sim, tenho medo.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE In A Rosa do Povo, 1945
Obrigada por este banho de lirismo – que reveste de barroco e com cores coloniais este nosso tempo – trazido pelas tuas mãos. Estivera aqui conosco Gregório e tais seriam os seus versos.
Que beleza termos entre nós uma poetisa a nos lembrar do universal…
A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente Mas desisti, vou ser feliz pra sempre
“Canção Bonita”, de Luiz Tati, trata da melodia e da musicalidade da fala.
Essa melodia não se pode mandar por carta – a linguagem escrita é absolutamente incapaz de traduzir as entonações, a expressividade, a riqueza, a melodia da fala.
“E ele explicou isso pro ômi. Olha, fica faltando à melodia.” Essa frase, lida, tem pouco a ver com a frase cantada (quer dizer, falada). Cantada (quer dizer, falada), ela tem graça, humor, uma entonação de súplica, temperada por uma pitada de deboche, de desdém pela insensibilidade do ômi da gravadora.
Quando é tempo de avançar – e é tempo ! – não há lugar para fantasmas a nos chamarem em sonhos (nem dentro da nossa cabeça), nem monstros, nem amarras.
Avançar é uma escolha.
É uma declaração.
É uma ação.
Tem-se que querer.
Por isso, esta peça musical é tão querida. Lembra o que deixamos ir; que já não há nada lá, além de amizade, gratidão e lembranças. Talvez um sentimento de proteção.
É só o que há.
O fantasma é uma figura triste, de um poder ilusório, degradado, conspurcado pela agressão e pela incompreensão, um poder manietado e inexpressivo.
O Amor não está lá.
Não pertencemos mais àquele lugar, nem àquela mente, nem àquele coração. Não há ódio, não há repulsa. Não há porque haver.
Queremos estar em outras paragens porque nosso coração – e nossa mente – está em outro coração, em outra vibração.
Não há feitiços, não há vinculação onírica, não há sintonia de amor; o fantasma é passado. Miramos um horizonte que nos vivifica, que nos permite ser mais livres, mais autênticos, que nos põe de pé de novo, que nos acena com o que podemos dar de melhor e com o que podemos ser de melhor…
Eu jogo pérolas aos poucos ao mar Eu quero ver as ondas se quebrar Eu jogo pérolas pro céu Pra quem pra você pra ninguém Que vão cair na lama de onde vêm
Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar E o cego amor entrego ao deus dará Solto nas notas da canção Aberta a qualquer coração Eu jogo pérolas ao céu e ao chão
Grão de areia O sol se desfaz na concha escura Lua cheia O tempo se apura Maré cheia A doença traz a dor e a cura E semeia Grãos de resplendor Na loucura
[ eu jogo ao fogo todo o meu sonhar eu quero ver o fogo se queimar e até no breu reconhecer a flor que o acaso nos dá eu jogo pérolas ao deus dará]
Post para o Baú de Lembranças. Para mostrar “aos netos” (que não terei; não da minha carne). Para lembrar nos outonos vindouros, para celebrar em nostalgia futura.
Canção:
querendo o teu regaço que num minuto sem igual você me lesse não me esquecesse adivinhasse enfim não desistisse mais de mim e ouvisse no meu canto as tontas entrelinhas que silenciei por ti
Os poetas, todos, a cantar a Vida em seus caminhos e descaminhos, as dores e as alegrias que só quem vive pode assimilar e conquistar para si.
E o Bardo. Ah, este Bardo! A revelar palavras que julguei nunca lidas …
Feliz! Esta palavra não abarca, não traduz, não significa. Mas é o mais próximo de que posso chegar quando penso neste momento de muita serenidade e de muita paz.
e tudo já era é incrível mas o mundo é uma fera indizível
eu sei que estou louco por você, e como não? só você apaga com suas luzes minha grande escuridão mas se você some é impossível eu não passo de um homem invisível
eu sei que estou morto de saudade e solidão mas se no meu canto ouço seu canto que me leva ao coração e toda distância é possível é pra dentro que ela avança indivisível
‘té que foi tão bom fugir e te esquecer Não saber mais nem notícia de você Com a tristeza consegui me entender Com a saudade conviver E com a dor não me doer
Mas aos poucos tive que reconhecer Que a tristeza não parava de crescer Tomou conta da cidade e do país Tudo que é melancolia Dizem que fui eu que fiz
É só chorar Em Palmas, Teresina ou Jequié Já vão avisar Que a origem é a tristeza lá do Zé
Já não quero nem lembrar que te esqueci Não sabia que a tristeza era assim Que ela segue o seu caminho até sem mim Não tem pouso nem tem fim Se deixar vai invadir
Evitar de se espalhar bem que tentei Mas também não é só comigo, eu reparei A tristeza é todo mundo e é de ninguém A tristeza ‘tá no fundo Da tristeza eu sou o rei
Chorar, chorar No Crato, em Cachoeiro e Macaé Já vão avisar Que a origem é a tristeza lá do Zé
Já não quero nem lembrar que te esqueci Não sabia que a tristeza era assim Que ela segue o seu caminho até sem mim Não tem pouso nem tem fim Se deixar vai invadir
Evitar de se espalhar bem que tentei Mas também não é só comigo, eu reparei A tristeza é todo mundo e é de ninguém A tristeza ‘tá no fundo Da tristeza eu sou o rei
Então valeu
Brasília, Diamantina e Taubaté Canção leva eu Vem nas asas da tristeza quem quiser
Matão, Belém São Paulo, Maringá, Chuí, Bagé Canção leva eu Vem nas asas da tristeza quem quiser Vem nas asas da tristeza azul do Zé
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 11:13 amNa aula de hoje: Desenganos da vida humana, metaforicamente
Desenganos da vida humana, metaforicamente
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
Gregório de Matos
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 11:22 am“Se meu mundo cair, eu que aprenda a levitar”
[video:https://www.youtube.com/watch?v=VzjuZA1Tons%5D
]
Luiz Tatit era meu colega de turma. Acho que foi ali que todos se conheceram, inclusive, Ná Ozzetti.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=zKlPTWsLbmQ%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=YBQ6xg2RgbI%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 6:26 pmZé Miguel e Elza Soares – “Presente”
“o gozo do mundo”
[video:https://www.youtube.com/watch?v=XX8p3JdCWBM%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 9:30 pmZé Miguel e Leminski
12 sinais de HAICAIS
[video:https://www.youtube.com/watch?v=HbDAcuaa4kU%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 9:48 pmAs trilhas… do professor. Fala aí…
Além de seus discos, livros, ensaios e aulas, Wisnik faz também música para cinema (Terra Estrangeira, de Walter Salles e Daniela Thomas), teatro (As Boas, Hamlet e Mistérios Gozozos para o Teatro Oficina, e Pentesiléias, de Daniela Thomas, dirigida por Bete Coelho) e dança. Fez quatro trilhas sonoras para o grupo Corpo: Nazareth, de 1993, sobre obra de Ernesto Nazareth; Parabelo, de 1997, em parceria com Tom Zé;Onqotô, de 2005, com Caetano Veloso e Sem Mim, de 2011, com Carlos Nuñez, sobre canções de Martín Codax.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Twf1tnuOgMc%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 10:13 pmAo jns, “Sem receita”
[video:https://www.youtube.com/watch?v=YQTbysGchSM%5D
SEM RECEITA
Primeiro lenta e precisamente
Arranca-se a pele
Esse limite da matéria
Mas a das asas, melhor deixar
Pois se agarra à carne
Como se ainda fossem voar
As coxas soltas
Soltas e firmes
Devem ser abertas
E abertas vão estar
E o peito nu
Com sua carne branca
Nem lembrar
A proximidade do coração
Esse não!
Quem pode saber
Como se tempera o coração
Limpa-se as vísceras
Reserva-se os miúdos
Pra acompanhar
Escolhe-se as ervas, espalha-se o sal
Acende-se o fogo, marca-se o tempo
E por fim de recheio
A inocente maçã
Que tão doce me deleita
Nos tirou do paraíso
E nos fez assim sem receita
jns
2 de agosto de 2015 1:47 pmO recado do morro
João Guimarães Rosa / José Miguel Wisnik
[video:https://youtu.be/BE64BrBt52E width:600]
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 5:06 pmEm outras aulas, os olhares lânguidos das moças anos setenta,
da turma da noite de LB I se entrecruzavam porque aquele professor novinho em folha era de arrasar. Cabelos meio longos, ondulados, despenteatos, olhar ao longe, como se levitasse, sem se fixar nas cadeiras nas quais nos sentávamos, talvez.
Sapatos em desalinho esquadrinhados naquelas noites perseguidas por barrocos e rococós, ai, ai.
Longe, de longe, um sorriso leve de canto de boca, mantendo sempre a seriedade… e olha que mesmo assim, sabe-se que saiu de um poema barroco para um poema concreto, guardadas as metáforas e preservando a seção delação de hoje. Amigas serão sempre amáveis com as outras, ora, ora.
Retrato (À Dona Ângela)
Anjo no nome, Angélica na cara
Isso é ser flor, e Anjo juntamente
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, se não em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda
Posto que os Anjos nunca dão pesares
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
A uma dama
Vês esse Sol de luzes coroado,
Em pérolas a Aurora convertida;
Vês a Lua, de estrelas guarnecida;
Vês o Céu, de planetas adornado?
O céu deixemos: vês, naquele prado,
A rosa com razão desvanecida,
A açucena por alva presumida,
O cravo por galã lisonjeado?
Deixa o prado: vem cá, minha adorada:
Vês desse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?
Parece aos olhos ser de prata fina…
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Catarina.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=QytdiuJOLPw%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 6:45 pmGregório de Matos e Wisnik – “Mortal Loucura”
Zé Miguel e Tatit
[video:https://www.youtube.com/watch?v=m4J1OZExWAc%5D
MORTAL LOUCURA
Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra
.
Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.
Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.
O voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada … nada.
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 9:45 pmAula magna – Fernando Pessoa!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=0uyieY-kbl4%5D
Canção sobre o poema de Fernando Pessoa, “Tenho dó das estrelas”, lançado no álbum Indivisível (2011):
tenho dó das estrelas
luzindo há tanto tempo
há tanto tempo…
tenho dó delas
não haverá um cansaço
das coisas,
de todas as coisas,
como das pernas ou de um braço?
um cansaço de existir,
de ser,
só de ser,
o ser triste brilhar ou sorrir…
não haverá, enfim,
para as coisas que são
não a morte, mas sim
uma outra espécie de fim,
ou uma grande razão —
qualquer coisa assim
como um perdão?
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 6:46 pmPróxima aula: Drummond
ANOITECER
É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.
É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.
É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz — morte — mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.
Hora de delicadeza,
gasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
In A Rosa do Povo, 1945
[video:https://www.youtube.com/watch?v=B9EkPQ9dHhA%5D
Anna Dutra
31 de julho de 2015 8:22 pmGregoriando …
Odonir, querida!
Obrigada por este banho de lirismo – que reveste de barroco e com cores coloniais este nosso tempo – trazido pelas tuas mãos. Estivera aqui conosco Gregório e tais seriam os seus versos.
Que beleza termos entre nós uma poetisa a nos lembrar do universal…
Abraços barrocos!
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 8:58 pmZé Miguel e Caetano amigos e … Gregório de Matos
[video:https://www.youtube.com/watch?v=cs2L70ZfVTI%5D
Triste Bahia
Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
Gregório de Mattos
jns
31 de julho de 2015 12:52 pmLUIZ TATIT
A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo
Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti, vou ser feliz pra sempre
[video:https://youtu.be/M7Ip8JDRiAQ width:600]
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 4:30 pmFui procurar meu RUMO – 1981. Achei.
Estão ali:
1- NINGUÉM CHORA POR VOCÊ
2- MINHA CABEÇA
3- CARNAVAL DO GERALDO
4- BEM BAIXINHO
5- UM BEIJO
6- SATÉLITE
7- NOSTALGIA E MODERNIDADE
8- VELHA MORENA
9- CANSAÇO
10- CHEQUERÊ
[video:https://www.youtube.com/watch?v=D3JyBUgPFCY%5D
(Receiam-se melindres possessivos de asas, voos e consequentes choques elétricos. Por isso, recua-se a evitar colisões)
[video:https://www.youtube.com/watch?v=5bOOpz4bUw0%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 4:43 pmTatit cursou Filosofia e Letras ao mesmo tempo na USP
Excelente observador dos homens e das coisas, foi se tornando um belíssimo cancionista.
Sua ligação com Tom Zé e Zé Miguel coroou isso.
Depois formou o RUMO, brilhante:.
Hélio Ziskind; Luiz Tait, Geraldo Leite, Paulo Tatit, Gal Oppido, Zecarlos Ribeiro, Ciça Tuccori, Pedro Mourão, Na Ozzetti, Akira Ueno.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=n1V8SqGgLOM%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Elebu4BDFj4%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=cxir__MCAFM%5D
jns
31 de julho de 2015 1:16 pm“Carnaval do Geraldo”, de Luiz Tatit, pelo Grupo Rumo
Tatit diz:
– “Olha o Geraldo, está chegando, está morrendo de vontade de entrar no carnaval.”
E o Geraldo diz que não entra, mas diz com a voz bem grave, ritmada, marcada, funcionando como o surdo da escola de samba:
– “Não vou, não quero, eu fico envergonhado, fica todo mundo olhando, todo mundo reparando…” (ou seja: bum, bum, bum, bum, como o surdo).”
Ao vivo no Sesc Pompéia em junho de 2004.
[video:https://youtu.be/MkObxs8yruA width:600]
jns
31 de julho de 2015 1:26 pmCanção Bonita
“Canção Bonita”, de Luiz Tati, trata da melodia e da musicalidade da fala.
Essa melodia não se pode mandar por carta – a linguagem escrita é absolutamente incapaz de traduzir as entonações, a expressividade, a riqueza, a melodia da fala.
“E ele explicou isso pro ômi. Olha, fica faltando à melodia.” Essa frase, lida, tem pouco a ver com a frase cantada (quer dizer, falada). Cantada (quer dizer, falada), ela tem graça, humor, uma entonação de súplica, temperada por uma pitada de deboche, de desdém pela insensibilidade do ômi da gravadora.
Resenha piblicada pelo “500 Anos de Textos”
[video:https://youtu.be/Zu1WfE75G5o width:600]
Anna Dutra
31 de julho de 2015 7:33 pmEsta, por carta…
[video:https://www.youtube.com/watch?v=6Mnj0tDilQ8%5D
Sem o compromisso estreito
De falar perfeito
Coerente ou não
Sem o verso estilizado
O verso emocionado
Bate o pé no chão
jns
31 de julho de 2015 9:05 pmUm cheiroPara a dengosa galerinha da SSMB
“A nossa planta o vento não desfez
É nunca mais, mas é mais uma vez”
[video:https://youtu.be/WAzOSlqZfUY width:600]
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 11:20 pmA chave do portão está embaixo do tapetinho
[video:https://www.youtube.com/watch?v=pr4woORP1ak%5D
jns
31 de julho de 2015 2:47 pmFantasmas
Por Anna Paula Dutra
Quando é tempo de avançar – e é tempo ! – não há lugar para fantasmas a nos chamarem em sonhos (nem dentro da nossa cabeça), nem monstros, nem amarras.
Avançar é uma escolha.
É uma declaração.
É uma ação.
Tem-se que querer.
Por isso, esta peça musical é tão querida. Lembra o que deixamos ir; que já não há nada lá, além de amizade, gratidão e lembranças. Talvez um sentimento de proteção.
É só o que há.
O fantasma é uma figura triste, de um poder ilusório, degradado, conspurcado pela agressão e pela incompreensão, um poder manietado e inexpressivo.
O Amor não está lá.
Não pertencemos mais àquele lugar, nem àquela mente, nem àquele coração. Não há ódio, não há repulsa. Não há porque haver.
Queremos estar em outras paragens porque nosso coração – e nossa mente – está em outro coração, em outra vibração.
Não há feitiços, não há vinculação onírica, não há sintonia de amor; o fantasma é passado. Miramos um horizonte que nos vivifica, que nos permite ser mais livres, mais autênticos, que nos põe de pé de novo, que nos acena com o que podemos dar de melhor e com o que podemos ser de melhor…
[video:https://youtu.be/RYzmAQMsR2c width:600]
Poder cantar, sonhar, amar, viver. Não é isso o Amor que buscamos de verdade?
O fantasma é só isso: um fantasma.
[ Comentário postado no dia 30 de julho de 2015 em vídeo do canal “jnscam” que inseriu a música incidental “The Phantom of the Opera” ]
Anna Dutra
31 de julho de 2015 5:39 pmÉ o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol …
Semeadura
Quem planta sementes, colhe alimento.
Quem planta flores, colhe perfume.
Quem semeia trigo, colhe pão.
De espinhos, espinhos. De morangos, morangos e a boca carmim.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Ewc3GfYWaOU%5D
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 6:09 pmPérolas aos poucos, Zé Miguel Wisnik
[video:https://www.youtube.com/watch?v=FbsQ_aTklO0%5D
PÉROLAS AOS POUCOS
Eu jogo pérolas aos poucos ao mar
Eu quero ver as ondas se quebrar
Eu jogo pérolas pro céu
Pra quem pra você pra ninguém
Que vão cair na lama de onde vêm
Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
E o cego amor entrego ao deus dará
Solto nas notas da canção
Aberta a qualquer coração
Eu jogo pérolas ao céu e ao chão
Grão de areia
O sol se desfaz na concha escura
Lua cheia
O tempo se apura
Maré cheia
A doença traz a dor e a cura
E semeia
Grãos de resplendor
Na loucura
[ eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
eu quero ver o fogo se queimar
e até no breu reconhecer
a flor que o acaso nos dá
eu jogo pérolas ao deus dará]
Anna Dutra
31 de julho de 2015 7:57 pmQuerida Odonir!
Post para o Baú de Lembranças. Para mostrar “aos netos” (que não terei; não da minha carne). Para lembrar nos outonos vindouros, para celebrar em nostalgia futura.
Canção:
querendo o teu regaço
que num minuto sem igual
você me lesse
não me esquecesse
adivinhasse enfim
não desistisse mais de mim
e ouvisse no meu canto
as tontas entrelinhas
que silenciei
por ti
Os poetas, todos, a cantar a Vida em seus caminhos e descaminhos, as dores e as alegrias que só quem vive pode assimilar e conquistar para si.
E o Bardo. Ah, este Bardo! A revelar palavras que julguei nunca lidas …
Feliz! Esta palavra não abarca, não traduz, não significa. Mas é o mais próximo de que posso chegar quando penso neste momento de muita serenidade e de muita paz.
Abraços, mais do que nunca rimados, da Anna!
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 9:06 pmAnna, para você num fim de tarde
[video:https://www.youtube.com/watch?v=pjJGJdbjolM%5D
INDIVISÍVEL
sei que eu já não presto
mais nenhuma atenção
e a vida passa
ultrapassa
os limites da razão
e tudo já era
é incrível
mas o mundo é uma fera
indizível
eu sei que estou louco
por você, e como não?
só você apaga
com suas luzes
minha grande escuridão
mas se você some
é impossível
eu não passo de um homem
invisível
eu sei que estou morto
de saudade e solidão
mas se no meu canto
ouço seu canto
que me leva ao coração
e toda distância
é possível
é pra dentro que ela avança
indivisível
Zé Miguel Wisnik e André Stolarski
Anna Dutra
31 de julho de 2015 9:26 pmSaudade e solidão
Ouvindo, ouvindo, ouvindo …
Obrigada!
Odonir Oliveira
31 de julho de 2015 9:12 pmTristeza do Zé (com Luiz Tatit)
[video:https://www.youtube.com/watch?v=50jRJqE7VPk%5D
TRISTEZA DO ZÉ
‘té que foi tão bom fugir e te esquecer
Não saber mais nem notícia de você
Com a tristeza consegui me entender
Com a saudade conviver
E com a dor não me doer
Mas aos poucos tive que reconhecer
Que a tristeza não parava de crescer
Tomou conta da cidade e do país
Tudo que é melancolia
Dizem que fui eu que fiz
É só chorar
Em Palmas, Teresina ou Jequié
Já vão avisar
Que a origem é a tristeza lá do Zé
Já não quero nem lembrar que te esqueci
Não sabia que a tristeza era assim
Que ela segue o seu caminho até sem mim
Não tem pouso nem tem fim
Se deixar vai invadir
Evitar de se espalhar bem que tentei
Mas também não é só comigo, eu reparei
A tristeza é todo mundo e é de ninguém
A tristeza ‘tá no fundo
Da tristeza eu sou o rei
Chorar, chorar
No Crato, em Cachoeiro e Macaé
Já vão avisar
Que a origem é a tristeza lá do Zé
Já não quero nem lembrar que te esqueci
Não sabia que a tristeza era assim
Que ela segue o seu caminho até sem mim
Não tem pouso nem tem fim
Se deixar vai invadir
Evitar de se espalhar bem que tentei
Mas também não é só comigo, eu reparei
A tristeza é todo mundo e é de ninguém
A tristeza ‘tá no fundo
Da tristeza eu sou o rei
Então valeu
Brasília, Diamantina e Taubaté
Canção leva eu
Vem nas asas da tristeza quem quiser
Matão, Belém
São Paulo, Maringá, Chuí, Bagé
Canção leva eu
Vem nas asas da tristeza quem quiser
Vem nas asas da tristeza azul do Zé
lenita
1 de agosto de 2015 1:27 amEstou aqui, garotas e garoto
Só ouvindo
só lendo
Só me reabastecendo
Através dos meus amigos.
Obrigado pelas aulas.
Bração prôcêis e um excelente fim de semana!
Odonir Oliveira
1 de agosto de 2015 10:48 amLenita, Zé Miguel dá mais uma aula: Cacaso “LOUVAR”
Zé Miguel sobre poema de Cacaso
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wvDP5EbTC54%5D
lenita
1 de agosto de 2015 1:31 amCadê o Cearense ?
Estará viajando ? Alguem sabe dele ?