Caso Witzel evoluiu para fase ostensiva em tempo recorde: 14 dias

O inquérito 1338 foi instaurado a pedido do MPF no dia 12 de maio de 2020, ou seja, apenas 14 dias antes da Operação Placebo ser deflagrada nesta terça

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O despacho do desembargador Benedito Gonçalves, que autorizou a fase ostensiva da operação da Polícia Federal contra Wilson Witzel, guarda algumas pistas sobre quando e como surgiu oficialmente a investigação contra o governador do Rio no Superior Tribunal de Justiça.

De acordo com dados do STJ, o inquérito 1338 foi instaurado a pedido do Ministério Público Federal no dia 12 de maio de 2020, ou seja, apenas 14 dias antes da Operação Placebo ser deflagrada nesta terça (26).

Dois dias depois, no dia 14 de maio, o Ministério Público Federal recebeu, por meio da Procuradoria da República no Rio de Janeiro, a primeira prova citada contra Witzel no pedido de busca e apreensão: uma interceptação telefônica que implica o governador por retirar pessoalmente o embargo à organização social Unir Saúde, do empresário Mário Peixoto, que estava proibida de trabalhar para o poder público.

Peixoto foi preso em 14 de maio, pela operação Favorito, da Lava Jato do Rio, que colheu parte das provas que agora abastecem a operação Placebo. O empresário é suspeito de fraudar licitações e superfaturar contratos no Rio desde a época de Cabral e Pezão. Reportagens da imprensa denotam que ele manteve influência sobre o governo com a vitória de Witzel.

Na visão dos investigadores, quando o governador assinou a portaria que revoga a desqualificação da Unir para trabalhar junto ao Estado, Witzel emitiu fortes sinais da “existência de ajustes para o desvio de dinheiro público.”

Em outro compartilhamento de provas, o MPF recebeu informações de que a esposa de Witzel, Helena, teria um escritório de advocacia que assinara contrato com uma empresa DPAD, de Alessandro Duarte, sócio e operador financeiro de Peixoto.

Na busca e apreensão desta terça (26), a PF encontrou o contrato do final de 2019, no valor total de R$ 540 mil. No despacho, o ministro Benedito anotara que, até então, não existia prova de que Helena Witzel prestou, de fato, serviços de advocacia para a empresa de Duarte.

Leia também:  Ex-superintendente da PF do Rio ganha cargo em Haia

Os pagamentos a Helena Witzel aparecem inicialmente em mensagens de e-mail apreendidas pela PF, trocadas entre o operador financeiro e um contador de Peixoto no dia 14 de abril.

Ainda citando as provas obtidas até a busca e apreensão, o MPF anotou elementos indicando que Peixoto e seus sócios promoveram recentemente mudanças na pessoa jurídica das empresas na tentativa de despistar os investigadores.

Alegam os investigadores ainda que há “provas robustas” de fraude na contratação da Iabas – que também teria Peixoto por trás – para executar as obras envolvendo os hospitais de campanha.

Por fim, os procuradores citam o elo entre secretário de Witzel, Luiz Tristão, com Peixoto. Na campanha de 2018, Tristão, que é ex-sócio e ex-aluno do governador, advogou justamente para empresa de Peixoto que tentava retomar contratos com a administração pública.

Eleito, Witzel atendeu aos interesses de Peixoto. Agora ele nega corrupção em seu governo e responsabiliza as mudanças que Jair Bolsonaro promoveu na PF após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça pela operação “política” que foi executada hoje.

Leia mais:

Caso Witzel: O que diz a autorização de busca e apreensão contra o governador do RJ

 

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4 comentários

  1. Talvez agora o caso Marielle também avance.
    Já que o miliciano atirou primeiro, acredito que Witzel não ficará parado.
    #ExercitoApoiaBandidos.

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