10 de junho de 2026

China não assistirá passivamente a uma tentativa de “mudança de regime” no Irã

Interesses chineses sobre a Nova Rota da Seda e a importação de petróleo iraniano estão em jogo, diz analista internacional
Imagem: Pixabay
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Doutor em ciência política, analista de relações internacionais e apresentador do canal TVGGN, Pedro Costa Jr dissecou, em sua participação no programa TVGGN 20 Horas [assista abaixo] de segunda-feira (16), o cenário de instabilidade no Oriente Médio, com Israel e Irã escalando o conflito armado e as ameaças do regime sionista, de forçar uma mudança no governo iraniano a partir do assassinado de suas lideranças.

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Segundo Costa Jr, Benjamin Netanyahu pode ser caracterizado como o atual “senhor da guerra ” dessas primeiras décadas do séculos XXI. Sua estratégia principal, ao deflagrar quatro guerras simultâneas (Cisjordânia/Gaza, Líbano, Iêmen e, agora, Irã), seria arrastar os Estados Unidos para transformar o conflito regional em uma guerra global.

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Durante o bate-papo com o jornalista Luis Nassif, Costa Jr explicou que divisões internas nos EUA têm retardado a entrada total do presidente Donald Trump nas guerras criadas por Israel. Ironicamente, um governo Biden ou de Kamala Harris já teria levado os EUA a uma intervenção direta, avalia Costa Jr.

Para além dos interesses políticos e econômicos dos EUA, é preciso considerar outros fatores. Entre ele, o fato de que o Irã não é “qualquer um”, mas sim um país com poderio bélico e uma parceria estratégica militar, econômica e energética recente com a Rússia.

O Irã tem ainda outro trunfo, que é ser o principal fornecedor de petróleo da China e o fato de que as principais rotas da iniciativa “Cinturão e Rota” (Nova Rota da Seda) passam pelo Irã. Assim, a China não assistiria passivamente a uma tentativa de “mudança de regime” no Irã, embora isso não signifique uma entrada direta na guerra, explicou Costa Jr. “Há maneiras e maneiras de reagir”, e a China deve dar um jeito de impedir fazer valer seus interesses na região.

O Irã também conta com o apoio declarado recentemente pelo Paquistão. Segundo Costa Jr, o Paquistão essa declaração “muda o jogo”, pois se Israel é uma potência nuclear, o apoio de outra potência nuclear (Paquistão) ao Irã cria um cenário de risco ainda maior. A Turquia também está observando o conflito com receio de ser a próxima vítima de Israel.

O analista ponderou ainda sobre a dificuldade de gerar uma mudança de regime no Irã, que é um país de caráter nacionalista exacerbado, com uma sociedade “blindada” à influência estrangeira, ao contrário de outras civilizações onde ocorreram “revoluções coloridas” ou golpes de governo.

Por fim, Costa Jr mencionou que, em um cenário de escalada global da guerra, o Irã tem a opção de bloquear o Estreito de Ormuz (por onde passa cerca de 30% do petróleo mundial), o que dispararia o preço do petróleo brutalmente.

Lula no G7 e os interesses de Trump

Durante sua participação no programa TVGGN 20 Horas, o cientista político Pedro Costa Jr lembrou que Lula é o único presidente brasileiro convidado para todas as cúpulas do G7 e preside o BRICS, um contraponto econômico ao G7, cujas economias combinadas são maiores.

Ele sugeriu que a voz de Lula pode ter maior relevância no contexto de Trump propor a volta da Rússia ao G7. Embora o BRICS seja um agrupamento econômico e não militar, questões como sanções envolvendo Rússia, China e Irã (membros do BRICS) poderiam ser discutidas.

Já do ponto de vista das decisões de Donald Trump a respeito de Israel, que muitos analistas consideram sem estratégia clara, Costa Jr avaliou que o presidente americano é, em sua opinião, um “arquiteto do caos”. Há estratégia na loucura. O plano seria desmantelar a ordem internacional para manter a dificuldade de outros concorrentes dos EUA. Sua proposta é focar nos problemas internos e potencialmente trazer a Rússia de volta ao G7 (formando um G8), “jogando tudo contra a China”.

Assista a entrevista abaixo, a partir de 33 minutos e 24 segundos:

Este texto foi escrito com auxílio de I.A.

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10 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    17 de junho de 2025 11:40 am

    A decisão não será fácil, porque essa não é uma “win win situation”. Se não fizer nada, a China ficará sem o petróleo iraniano e a Belt and Road Initiative entrará em colapso porque a credibilidade chinesa será estraçalhada na região (isso para não mencionar a redução da importação de produtos “made in China” pelo Irã sob controle norte-americano). Se a fizer algo, a Belt and Road Initiative pode ser salva na região. Mas em compensação as exportações chinesas para a Europa e os EUA irão declinar em virtude da imposição de sanções motivadas pela submissão total dos europeus e norte-americanos aos interesses mesquinhos dos sionistas. O teste para a China nesse caso é enfrentar uma “lose lose situation”. A questão então é saber quais os cálculos serão feitos em Pequim: o que perder; quanto perder; onde perder; por quanto tempo perder?

    1. AP Fripp

      17 de junho de 2025 1:27 pm

      Excelente comentário. Vamos torcer para que a China faça a melhor escolha. Acho que eles tem expertise para isso.

    2. Rui Ribeiro

      18 de junho de 2025 7:18 am

      Se EUA e Europa deixarem de importar produtos chineses, suas populações sofrerão muito mais do que a população da China. A China se tornou indispensável ao comércio mundial.

      A tendência da China é se tornar um país praticamente auto-suficiente, principalmente se conseguir produzir não para exportação, mas para o mercado interno.

    3. ANTONIO ALAIR DE JESUS SANTOS

      18 de junho de 2025 8:57 pm

      Não existe decisão dificil. Ou a china sustenta a posição do irã, ou cai junto

  2. Carlos

    17 de junho de 2025 11:54 am

    Israel precisa ser parado antes que jogue o mundo na merda.

  3. Rui Ribeiro

    17 de junho de 2025 12:04 pm

    You are ready for your Electric Funeral. Aren’t you?

    Electric Funeral
    (Black Sabbath)

    Reflex in the sky
    Warn you you’re gonna die
    Storm coming, you better hide
    From the atomic tide

    Flashes in the sky
    Turns houses into sties
    Turns people into clay
    Radiation minds decay

    Robot minds of robot slaves
    Lead them to atomic graves
    Plastic flowers, melting sun
    Fading moon falls upon

    Dying world of radiation
    Victims of man’s frustration
    Burning globe of obscene fire
    Like electric funeral pyre

    Buildings crashing down
    To Earth’s cracking ground
    Rivers turn to wood
    Ice melt into blood

    Earth lies in deathbed
    Clouds cry for the dead
    Terrifying rain
    Is a burning pain

    Electric funeral
    Electric funeral

    And so in the sky
    Shines the electric eye
    Supernatural king
    Takes Earth under his wing

    Heaven’s golden chorus sings
    Hell’s angels flap their wings
    Evil souls fall to Hell
    Ever trapped in burning cells

  4. Rui Ribeiro

    17 de junho de 2025 12:13 pm

    Teerã está sendo evacuada. Pra onde vão milhões de pessoas?

    Os poderosos são como Ratos, não estão nem um pouco preocupados com a população.

  5. Rui Ribeiro

    17 de junho de 2025 4:34 pm

    Putin, El Matador, disse que não vai matar o líder iraniano… por enquanto.
    Cabra marcado para morrer.

    Porque não ameaçam o Kin Jong?

    Eu não tenho muito plutônio. Distribuo gratuitamente, para fins pacíficos, é claro, pois só alguns países podem ter bombas nucleares. Não há igualdade entre as Nações.

    1. Rui Ribeiro

      18 de junho de 2025 7:23 am

      No comentário acima, onde se lê “Putin” leia-se “Trump” e onde se lê “Eu não tenho muito plutônio para distribuir”, leia-se “Eu tenho muito plutônio para distribuir”.

      Vou botar um pouquinho de plutônio nos almoços dos warmongers. Bom apetite, Ratos

  6. ANTONIO ALAIR DE JESUS SANTOS

    18 de junho de 2025 8:53 pm

    A china tem representado a maior decepção até aqui. O cerco se fechando e ela se escondendo. Será que esses estrategistas de meia tigela não perceberam que se o Irã cair, a china entra na mira? Será que é tão dificil compreender a estrategia de israel e dos EUA? Primeiro, Eles derrubaram as forças de retaguada do Irã, agora estão atacando o Irâ que é uma retaguarda da China. Jã testara as defesas do Paquistão. Se O Irâ cair, o proximo será o paquistão, e ai o caminho estará livre, ate a china. E a china continua assistindo isso de costas. Está dando a maior demostração que não tem capacidade de liderar o Sul global

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