
Jornal GGN – A China anunciou nesta quarta-feira (12) uma redução do valor do yuan ante o dólar em 1,62%, a segunda redução efetuada em dois dias, segundo informações da agência de notícias local Xinhua.
O Banco Central da China estabeleceu a “taxa de referência” diária do yuan em 6.3306 para US$ 1, comparando com o valor de 6.2298 nessa terça-feira.
Nesta terça-feira, a autoridade monetária chinesa divulgou a desvalorização do yuan em 1,86% em relação ao dólar norte-americano, com o objetivo de reforçar a segunda maior economia mundial e estimular as exportações.
Segundo informações da Agência Lusa, a desvalorização da moeda chinesa é considerada a maior desde a reforma do sistema monetário em 2005, e ocorre em um momento de forte desaceleração da economia do país. O objetivo da medida é estimular as exportações, uma vez que a produção nacional fica mais barata.
No sábado (8), a China anunciou que as exportações tinham caído 8,3% em julho, a maior queda em quatro meses e muito acima do inicialmente esperado pelos analistas (1,5%).
Clever Mendes de Oliveira
13 de agosto de 2015 12:12 amPost importante mas que sumiu da página em que ele se encontrava
JornalGGN,
Este post “China volta a anunciar desvalorização da moeda” de quarta-feira, 12/08/2015 às 11:16, foi publicado aqui no blog de Luis Nassif antes de a matéria do The Economist publicada no Estadão com o título “O curioso caso da moeda chinesa” ter sido transformada no post “Os sinais chineses com a desvalorização do yuan” de quarta-feira, 12/08/2015 às 11:44. O leitor menos desavisado fica sem saber a que a matéria da revista The Economist se referia. Tudo porque ontem conforme se pode ver no post “Para estimular economia, China promove desvalorização do yuan” de terça-feira, 11/08/2015 às 09:27, aqui no blog de Luis Nassif saiu a informação de que a China tinha desvalorizado o Yuan.O ruim foi que voltando ao blog de Luis Nassif não consegui achar este post “China volta a anunciar desvalorização da moeda”. E trata de assunto ainda que na visão de leigo bem relevante.
Bem, o endereço do post “Os sinais chineses com a desvalorização do yuan” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/os-sinais-chineses-com-a-desvalorizacao-do-yuan
E o endereço do post “Para estimular economia, China promove desvalorização do yuan” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/para-estimular-economia-china-promove-desvalorizacao-do-yuan
O que eu queria destacar que essas pequenas desvalorizações chinesas foram bem interpretadas por Paul Krugman em dois posts publicados no mesmo dia. O primeiro foi “China Bites The Cherry” de quarta-feira, 12/08/2015 às 08:56 am e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/08/12/china-bites-the-cherry/?module=BlogPost-Title&version=Blog Main&contentCollection=Opinion&action=Click&pgtype=Blogs®ion=Body
Ou via Google, o endereço é o que se segue:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/08/12/china-bites-the-cherry
Pode ser que ele já soubesse da nova desvalorização, mas há no post dele mencionado acima, o seguinte trecho que parece uma profecia:
“China, however, did not let the renminbi float, nor did it devalue by enough to persuade investors that any future move was likely to be up. Instead, it only devalued a little.
This is what Charlie Kindleberger used to call “taking the first bite of the cherry”. (Nobody takes just one bite out of a cherry.)”
(Uma tradução usando o GoogleTradutor é a que se segue:
“China, no entanto, não deixou o renminbi flutuar, nem desvalorizou o suficiente para convencer os investidores de que qualquer movimento futuro era susceptível de ser para cima. Em vez disso, a China só desvalorizou um pouco.
Isto é o que Charlie Kindleberger costumava chamar de “dar a primeira mordida na cereja”. (Ninguém dar apenas uma mordida em uma cereja.)”)
No segundo post intitulado “International Money Mania” de quarta-feira, 12/08/2015 às 12:56 pm, ele já sabia da segunda desvalorização. O endereço do post “International Money Mania” é:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/08/12/international-money-mania/?module=BlogPost-Title&version=Blog Main&contentCollection=Opinion&action=Click&pgtype=Blogs®ion=Body
Conforme copiado do próprio post na página dele na internet, ou então no seguinte endereço em busca via Google:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/08/12/international-money-mania/
O importante é que este segundo post de Paul Krugman sobre a desvalorização do Yuan fez-me pesquisar sobre textos de José Luís Fiori sobre a desvalorização ao mesmo tempo que lembrei de um texto muito bom sobre o que se chama de privilégio exorbitante dos Estados Unidos de deter uma moeda de reserva internacional. Primeiro fui a cata do texto de José Luís Fiori e encontrei o seguinte post aqui no blog de Luis Nassif: “O discurso do cientista político Zbigniew Brzezinski” de quinta-feira, 26/04/2012 às 11:09. O post “O discurso do cientista político Zbigniew Brzezinski” surgiu de sugestão de Marco Antonio L. que pinçou algumas frases de Zbigniew Brzezinski de uma entrevista concedida a Luis Fernando Silva Pinto e transmitida na Globo News no programa Milênio. O post “O discurso do cientista político Zbigniew Brzezinski” pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-discurso-do-cientista-politico-zbigniew-brzezinski
Eu enviei um comentário quinta-feira, 26/04/2012 às 13:01, para Marco Antonio L., e recebi uma resposta de Jurandir Paulo enviada quinta-feira, 26/04/2012 às 21:51, e para a qual repliquei mediante o comentário enviado sexta-feira, 27/04/2012 às 01:48, e na réplica eu deixo o link para o artigo de José Luís Fiori, intitulado “Sobre o Poder Global” publicado em novembro de 2005 nos “Novos Estudos CEBRAP”, pp. 61-72, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.scielo.br/pdf/nec/n73/a05n73.pdf
Retiro logo do início do artigo a seguinte frase:
“Foi no início da década de 1970 que Charles Kindleberger e Robert Gilpin formularam a tese fundamental que mais tarde foi chamada de “teoria da estabilidade hegemônica”. . . . Foi quando Kindleberger afirmou que o bom funcionamento de “uma economia liberal mundial necessita de um estabilizador e de um só país estabilizador” — um país que provesse o sistema mundial de alguns “bens públicos” indispensáveis para o seu funcionamento, como uma moeda internacional e o livre-comércio, ou da coordenação das políticas econômicas nacionais e da promoção de políticas anticíclicas de eficácia global”.
E há o seguinte acréscimo para se entender bem o pensamento de Charles Kindleberger e Robert Gilpin:
“A tese de Kindleberger tinha uma natureza claramente normativa, mas se apoiava numa leitura teórica e comparativa da história do sistema capitalista. Como sintetizou Gilpin: “a experiência histórica sugere que, na ausência de uma potência liberal dominante, a cooperação econômica internacional mostrou-se extremamente difícil de ser alcançada ou mantida””.
Este assunto rende muito e o tratamento dado ao assunto parece mais consistente quanto mais se menciona o Charles Kindleberger. De todo modo, ainda falta o link para um dos melhores artigos que eu já li sobre a questão do dólar como moeda internacional. Trata-se do artigo “O privilégio exeorbitante dos Estados Unidos” de autoria de Michael Pettis e publicado no Valor Econômico de quinta-feira, 15/09/2011, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.bresserpereira.org.br/terceiros/2011/11.09.O_Privil%C3%A9gio_exorbitante_dos_EUA.pdf
O artigo de Michael Pettis, muito extenso, questiona o que teria sido uma afirmação de Valéry Giscard d’Estaing, dita em 1965, segundo o qual “o domínio do dólar americano como moeda global de reserva deu aos Estados Unidos um “privilégio exorbitante””. A frase é apresentada logo no início e Michael Pettis que é francês e mora na China faz uma análise substanciosa da frase que é uma crença quase universal.
Bem, antes que eu me perca com tantas análises sobre moedas internacionais, vale a pena transcrever mais um trecho de Charles Kindleberger só que agora dito no segundo post de Paul Krugman, “International Money Mania”. Vou transcrever parte de um parágrafo do artigo de Paul Krugman. Diz Paul Krugman lá:
“I mentioned one of Charlie Kindleberger’s aphorisms earlier today, about taking the first bite of the cherry; another was that “Anyone who spends too much time thinking about international money goes a bit mad.” What he meant by that is that there’s something about the subject of reserve currencies that makes people want to believe that it’s a really important issue — that the dollar’s special role is an important part of American power”.
(A tradução também tirada do Google Tradutor é a que se segue:
“Eu mencionei um dos aforismos de Charlie Kindleberger hoje mais cedo, sobre dar a primeira mordida na cereja; outra foi a de que “Qualquer um que gasta muito tempo pensando em dinheiro internacional fica um pouco louco.” O que ele quis dizer com isso é que há algo sobre o assunto de moedas de reserva que faz com que as pessoas queiram acreditar que é uma questão realmente importante – que o papel especial do dólar é uma parte importante do poder americano”.
Não é por falta de advertência que eu já deveria ter parado de indicar tantos artigos, mas não resisto e lembro que no primeiro post de Paul Krugman que eu mencionei acima há a indicação de um artigo de David Beckworth intitulado “China’s Devaluation: Impossible Trinity, Deflationary Shocks, and Optimal Currency Blocks” de terça-feira, 11/08/2015 às 04:00 am, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://macromarketmusings.blogspot.com.br/2015/08/impossible-trinity-deflationary-shocks.html
Bem, talvez haja espaço e tempo antes de ficar louco, e assim lembro que, ontem, no primeiro de dois comentários que eu enviei para Athos, junto ao comentário dele enviado terça-feira, 11/08/2015 às 10:41, lá no post “Para estimular economia, China promove desvalorização do yuan” eu voltei a mencionar o artigo “The Monetary Superpower Strikes Again” de autoria de David Beckworth e publicado na sexta-feira, 07/08/2015 às 07:41 pm, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://macromarketmusings.blogspot.com.br/2015/08/the-monetary-superpower-strikes-again.html
Nos dois textos de Paul Krugman, ele de certo modo zomba dos chineses. Não creio que seja o caso. Exatamente o que os chineses querem não me parece algo que o Paul Krugman possa prever. E também não seria muito inteligente imaginar que os chineses estejam loucos de tanto pensar sobre a questão da moeda como reserva internacional. A zombaria deve ser vista mais como uma idiossincrasia do estilo do economista americano. Agora como sempre, o Paul Krugman parece ser o melhor que se tem como analista econômico, ainda mais em matéria de política econômica internacional. Ainda mais que ele se ancora em Charles Kindleberger que parecia alguns anos à frente de muitos economistas que hoje se destacam.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/08/2015