Classe média é o vetor de mudança social, diz Nelson Barbosa

Em artigo, ex-ministro explica que o grupo está bem hoje, mas pode cair amanhã – e elite a utiliza para manter sua influência

Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, professor da UnB e da FGV. Foto: Reprodução

Jornal GGN – A desigualdade sempre existiu na sociedade humana, mas, quando a diferença se torna injustificável, é a classe média quem tende a liderar a rebelião social.

Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, o ex-ministro Nelson Barbosa explica o conceito que a caracteriza: o medo de cair.

“Quando a classe média se alia aos mais ricos, normalmente temos mais aumento da desigualdade, que é tolerado enquanto houver crescimento econômico ou administrado via repressão contra os mais pobres quando o crescimento econômico é insuficiente”, diz Barbosa, ressaltando que, quando a classe média se alia aos mais pobres, se registra queda na desigualdade, que é igualmente tolerada quando houver crescimento.

“Uma pessoa de classe média tem vida geralmente confortável e segura, mas seus filhos não têm garantia de continuar na mesma situação. Para permanecerem na classe média, eles e elas terão que se qualificar e, mesmo assim, correm o risco de cair para as classes mais pobres se não houver empregos ou oportunidades suficientes para suas qualificações”, diz Barbosa. “Classe média é o grupo que está bem hoje, mas que pode cair amanhã e, principalmente, cujos filhos não têm garantia de permanecer classe média”.

Segundo Barbosa, a expansão da classe média é importante para a manutenção da democracia, mas isso está em risco em alguns países – os imigrantes são vistos como bode expiatório em países avançados, enquanto os “esquerdistas” são os culpados no Brasil, por terem distribuído mais renda do que de costume.

Assim, a elite cria uma cortina de fumaça e atribui apenas aos esquerdistas e aos imigrantes práticas como corrupção, ausência de valores e pecados equivalentes. “E, enquanto o medo de cair leva a classe média a se aliar aos mais ricos, sua situação econômica fica cada vez pior, com precarização das condições de trabalho e redução da mobilidade social”.

 

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