Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Marco St.
24 de maio de 2014 3:35 amJustiça manda quebrar sigilo
Justiça manda quebrar sigilo de internautas por comentários racistas no G1
Justiça Federal aceitou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou nesta quarta-feira (22) a quebra de sigilo de seis internautas por comentários discriminatórios em matéria do G1 que noticiou o acidente com ônibus com 18 mortes no Ceará.
A quebra do sigilo dos IPs dos computadores dos usuários foi pedida na terça-feira ( 20), dois dias após a tragédia, pelo procurador da República Edmac Lima Trigueiro, autor de procedimento criminal que apura a conduta dos internautas.
O procurador pediu a quebra de sigilo de 10 internautas, e a Justiça aceitou o pedido contra seis deles. “O crime foi entendido pela Justiça. A partir da quebra da sigilo nós vamos trabalhar na identificação dos autores do comentários.” De acordo com o procurador Edmac Trigueiro, a conduta dos internautas poderá ser enquadrada como crime de racismo. Se condenados, cada um dos seis internautas poderá pegar pena de dois a cinco anos de prisão.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/justica-manda-quebrar-sigilo-de-internautas-por-comentarios-racistas-no-g1/
Maria Carvalho
24 de maio de 2014 4:01 amA oposição só acredita em (aumento de) desemprego.
Wanderley Guilherme dos Santos
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-oposicao-so-acredita-em-desemprego/4/30990
postado em: 22/05/2014
Ciclos de recessão e desemprego fazem parte da dieta normal da tristeza capitalista. Isso é história econômica banal. Mas nada triviais são os esforços para evitar, superar e em último caso amenizar as seqüelas que, como já diagnosticara Alexis de Tocquevile, constituem o outro lado da moeda da expansão do mercado.
Em favor da verdade, a necessidade de intervir nesses maléficos processos não foi desde logo reconhecida nem muito menos, mesmo depois de registrada em cartório, aceita como necessária. Para os que, julgando-se Isaac Newton, acreditavam que as leis dos mercados capitalistas copiavam as leis da física clássica, toda intervenção seria inútil, tentativa de emendar a lei da gravidade universal. Pior, seria desastrosa, desajustando as leis da oferta e demanda. Foram precisos muito desemprego e muitas recessões até que surgissem concepções não mecânicas do mundo humano.
No Brasil criou-se o seguro-desemprego em 1986, embora já previsto na Constituição de 1946. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), instituído em 1990, foi outro grande marco de defesa do trabalho diante da imprevisibilidade capitalista. Finalmente, durante as três administrações petistas estenderam-se amplamente as políticas pró-trabalho. Não é à toa que organismos internacionais proclamam a excelência do programa Bolsa-Família, entre outros, copiada em vários países.
Mas o seguro-desemprego e equivalentes só compensam relativamente a perda de renda quando o trabalhador já está desempregado. Com o fim da estabilidade no emprego, na década de 80 do século passado, estabeleceu-se um buraco legislativo que a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não preencheu. Trata-se de desenhar medidas que evitem ao ciclo de expulsão do mercado de trabalho sem onerar excessivamente a folha de pagamentos das empresas. É neste sentido que os Ministérios da Fazenda e do Trabalho preparam medida provisória regulamentando a flexibilização da jornada laboral. Por ela, as empresas em comprovada dificuldade financeira cortariam temporariamente em até 30% o salário do trabalhador enquanto o governo ficaria responsável por complementar metade da parcela reduzida. Com a dificuldade financeira conjuntural do FAT (com fundos destinados a outras demandas do crescimento econômico e proteção aos trabalhadores), o governo inclina-se para financiar o programa com recursos do FGTS. Na proposta, o empregado beneficiado continuará a descontar para o Fundo de Garantia do Trabalhador. As centrais sindicais estão de acordo com a futura medida provisória.
Sem nenhuma surpresa, já se ouvem vozes críticas ao financiamento do novo programa, disfarce da real oposição que, no fundo, é à própria medida. Não importa que programas semelhantes tenham sido implantados em um punhado de países, desenvolvidos ou não: Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, Nova Zelândia, México, Hungria e República Tcheka. O Brasil, para esses arautos, nunca estará pronto para nenhuma iniciativa contrária ao mito do automatismo mercadista. Se o FAT, conjunturalmente, apresenta débitos em suas contas, o excedente real do FGTS não deveria ser utilizado em seu lugar, tendo em vista possíveis despesas futuras de origem sabida ou não sabida. Ou seja, uma possibilidade, que a seu tempo será administrada, como tudo em qualquer governo, seria motivo para abortar um extraordinário benefício atual, considerando as mais do que previsíveis oscilações do mercado.
O terrorismo fiscal sempre fez parte do embornal conservador. De nada valem os fracassos de suas previsões. Mudam de argumento. Os conservadores brasileiros estão, todavia, exagerando. Além de substituírem as verdadeiras estatísticas nacionais pelos sensacionalismos da mídia estrangeira, apelam para um indicador único para avaliar o “sucesso” de um governo: a taxa de desemprego. Quanto maior, melhor o governo. Deles.
O problema, como se sabe, não faz parte da estratosfera sustentável em que Marina Silva desfila. Eduardo Campos é omisso neste quesito, assim como em vários outros, embora fosse interessante saber como ele faria mais e melhor em matéria de emprego e de proteção ao trabalhador. Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego. Só desemprego estima a saúde de uma economia. Repetindo: para a oposição quanto maior o desemprego, melhor o governo. Cáspite!
Maria Carvalho
24 de maio de 2014 4:03 amEx-presidente da CUT é eleito para a presidência da Confederação
João Antonio Felício foi eleito presidente da maior confederação internacional de sindicatos. É a primeira vez que um latinoamericano é eleito para o cargo
23/05/2014 – Copyleft
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Ex-presidente-da-CUT-e-eleito-para-a-presidencia-da-Confederacao-Sindical-Internacional-/6/31000
Como já era previsto, o ex-presidente da CUT nacional e da Apeoesp de São Paulo, João Antonio Felício, foi eleito presidente da maior confederação internacional de sindicatos. A CSI – Confederação Sindical Internacional, fundada em 1º. de novembro de 2006, através da fusão de duas outras gigantes do setor, a WCL e a CFTU, representa cerca de 180 milhões de trabalhadores de 161 países, reunidos em 325 entidades filiadas. É a primeira vez que um brasileiro e latino-americano é eleito para um cargo deste porte no sindicalismo internacional.
A eleição aconteceu na sexta-feira, 23 de maio. O processo teve duas etapas. Primeiro o Congresso da CSI, reunido desde o domingo, 18, em Berlim, elegeu o Conselho da entidade e a Secretária Geral (na verdade reeleita), Sharan Burrow, do movimento sindical australiano. Depois, o Conselho, com representantes das entidades filiadas, elegeu o presidente. A escolha de João Felício se deu por unanimidade – o que o tornou uma das pessoas eleitas com mais votos no mundo inteiro. O processo eleitoral do Conselho prevê que cada conselheiro vote com o número de filiados à sua entidade, o que equivale a dizer que João Felício foi eleito por 180 milhões de votos, mais ou menos.
O Congresso votou também as prioridades para a próxima gestão: filiar mais 27 milhões de trabalhadores nosm próximos quatro anos; combater o trabalho escravo em escala mundial; lutar por um salário mínimo decente em todos os países do mundo; e intervir na Cúpula de Paris a respeito de um acordo positivo sobre as mudanças climáticas no mundo.
Durante o evento houve várias manifestações de diferentes setores que estão começando a se organizar em escala mundial. As principais foram as dos futebolistas, das trabalhadoras (es) domésticas (os) e dos taxistas. Uma das resoluções do Congresso foi o envio de uma manifestação à FIFA pedindo que ela reconsidere a escolha do Qatar para a realização do Campeonato Mundial de Futebol de 2022, porque o governo do país é considerado conivente com o trabalho escravo e é extremamente repressivo em relação às reivindicações e organizações de trabalhadores. O primeiro ato do novo presidente foi a assinatura desta carta.
Em declarações a este repórter Felício destacou que o movimento sindical está na defensiva no mundo inteiro, porque em muitos países os direitos dos trabalhadores estão sendo solapados, como, por exemplo, pelos planos de “austeridade” aqui na Europa. Este momento impõe uma luta organizada de modo acirrado pelo empoderamento dos trabalhadores e suas organizações, o que implica um fortalecimento das relaçòes sul-norte e sul-sul.
Ao mesmo tempo, destacou que sua eleição representa um reconhecimento da atuação do sindicalismo brasileiro, já que teve muitos apoios na América Latina, África, Ásia e também em outros continentes, inclusive na Europa, América do Norte e Oceania. Houve algumas resistências localizadas, mas que foram neutralizadas pela grande quantidade de apoios recebidos, o que levou à sua eleição por unanimidade.
romério rômulo
24 de maio de 2014 5:16 amo finíssimos votam no senador aécio
a grande dama lourdes catão declara seu voto e o de seus pares finíssimos.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=17636
romério
Marly
24 de maio de 2014 11:33 amNossa presidenta.
Com certeza não farão falta votos de pessoas como essa senhora fútil, que viveu toda a vida desconhecendo a realidade de seu próprio país e, que desde jovem, enganou da forma mais torpe possível, seu próprio marido. Que vote no AÉBRIO, pois esse sim, faz parte dos seus SEMELHANTES! DILMA 2014, para o bem do povo brasileiro!!!!!
Assis Ribeiro
24 de maio de 2014 8:54 am‘Greves rebeldes’ vão abalar
‘Greves rebeldes’ vão abalar sindicatos distantes das bases, preveem analistas
Para cientistas políticos, visibilidade da Copa e crise econômica global propiciam mobilização dos trabalhadores. Greve ‘sem dono’ alavanca mobilização horizontal, mas abre espaço para grupos obscuros
Nem sabotagem política, nem oportunismo. A greve dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo, que fechou 16 das 29 garagens de ônibus do sistema de transporte público e causou graves problemas de deslocamento em diversas regiões da cidade esta semana, é fruto de uma conjunção de fatores, como a proximidade da Copa do Mundo, evento que permite aos sindicatos e movimentos sociais conquistar exposição nacional e internacional para suas bandeiras, e as consequências da crise econômica mundial de 2008/2009, que só agora começam a afetar o Brasil, apontam cientistas políticos ouvidos pela RBA.
De acordo com os professores Antonio Carlos Mazzeo, pós-doutorado em ciências sociais da Unesp, e Ricardo Antunes, doutor pela Unicamp e especialista em sindicalismo, podem significar uma nova etapa para o movimento sindical brasileiro: o acúmulo de organização horizontal dessas categorias coloca em risco os sindicatos acostumados a não dialogar com as bases, e inspiram novas categorias a “virar a mesa” nos próximos anos.
“Uma greve emblemática foi a dos garis no Rio de Janeiro. Em alguns elementos, ela é parecida com a greve dos ônibus em São Paulo. A denúncia dos motoristas e cobradores é que um acordo foi aprovado em uma assembleia manipulada. Então, se o sindicato atropelou a categoria, a categoria atropelou o sindicato”, afirma Mazzeo.
Em março deste ano, no primeiro dia de Carnaval, os garis fluminenses deram início a uma paralisação de 20 dias à revelia do sindicato da categoria, acusado de amarrar acordos salariais com a prefeitura sem consulta às bases. O movimento foi bem-sucedido e inspirou diversas paralisações de servidores públicos pelo país desde então. “E não é só de agora. Temos visto paralisações importantes nos últimos dois anos. A greve dos bombeiros do Rio de Janeiro, por exemplo, que teve grande apoio popular em 2012 e foi vitoriosa, faz parte desse movimento. Mas o momento atual é mais tenso e intenso, porque a Copa do Mundo está a três semanas”, pondera Antunes.
“Para usar uma analogia de futebol: quando o outro lado recua, você não deixa de jogar porque é ‘injusto’. Quando o outro lado recua, você parte pra cima. A classe dominante nunca recuou de uma oportunidade de retirar direitos dos trabalhadores, então por que os trabalhadores o fariam? Grande parte das categorias percebeu que este é um ótimo momento para reivindicar. Se os dirigentes sindicais não perceberem isso, estão distantes das bases”, completa Antunes.
Os professores apontam a questão em torno de “representantes e representados” como um dos temas centrais das manifestações de trabalhadores em andamento no país, que incluem categorias como policiais civis em diversos estados, policiais rodoviários federais e policiais federais; aeroviários; motoristas de ônibus no Rio de Janeiro e de São Paulo; professores municipais de São Paulo; professores universitários estaduais de São Paulo; entre outras categorias.
As greves sem a liderança do sindicato, no entanto, abrem espaço para a ação de grupos obscuros: em São Paulo, cerca de 80 ônibus foram queimados por pessoas que pertencem ou se infiltraram no movimento de motoristas e cobradores, e o secretário de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, afirmou que ônibus foram impedidos de circular por indivíduos armados. O Ministério Público investiga a ação de criminosos no movimento.
Ainda entre os temas prioritários das paralisações de trabalhadores, segundo Mazzeo, está a política econômica brasileira diante de um cenário em que as consequências da crise econômica mundial continuarão interferindo na qualidade de vida da população com diferentes graus de intensidade. “No quadro atual, a tendência é que a crise econômica mundial continue. O prognóstico europeu é sombrio, com previsões de até mais 20 anos a partir de agora para recuperar a economia. Na minha opinião, é capaz que não saiamos da crise, pelo menos se a economia global continuar nos moldes em que está estruturada hoje. A tendência, nesse caso, é o aumento da ação dos movimentos sociais no mundo inteiro, não apenas no Brasil. Há uma ofensiva muito grande contra o Estado de bem estar social e os direitos dos trabalhadores no mundo inteiro”, avalia.
Em palestras recentes em São Paulo e em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil se saiu economicamente melhor do que as potências mundiais nos últimos anos, mas enfrentou problemas como a pressão inflacionária resultante da política cambial dos Estados Unidos e da China e um mercado internacional quebrado, onde os produtos brasileiros encontravam menos mercado do que nos anos anteriores à crise. Contou ainda a inflação sazonal dos alimentos, causada pelos períodos de entressafra a estiagem atípica, e que encareceram a cesta básica no primeiro trimestre. Segundo o Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), todos os itens do grupo Alimentação (alta de 1,18%) subiram acima da média geral de inflação do mês, de 0,57%.
A sensação de que os sindicatos estão distantes das bases no contexto de direitos em risco diante do avanço conservador nos países desenvolvidos, que pressionam o restante do mundo a adotar medidas de “austeridade” para cortar benefícios sociais, e o receio de que a economia brasileira possa ser mais afetada no futuro próximo pelo mundo que segue na crise, são explicações possíveis para o acirramento das reivindicações trabalhistas, num período quando o resultado das negociações tem sido positivo: de acordo com dados do Dieese, que acompanha sistematicamente negociações salariais pelo país, desde 2008 a taxa de acordos que representaram ganho real para os trabalhadores sempre esteve acima de 90%, e o salário mínimo aumentou em 72,35%.
http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2014/05/greves-rebeldes-vao-continuar-a-abalar-sindicatos-distantes-das-bases-preveem-analistas-8108.html
Assis Ribeiro
24 de maio de 2014 9:04 amA costura do invisível: sobre
A costura do invisível: sobre a carga tributária brasileira
A produção nacional continua bem nos setores mais expressivos e a carga tributária não indica ser empecilho crônico do recuo momentâneo do crescimento.
Não é novidade a arquitetura que será feita a seguir tomando informações aqui e ali de fontes oficiais do Brasil e do exterior. A maior parte delas não será encontrada na velha mídia, onde as informações são coadas várias vezes até ficarem com o aroma e o gosto pretendidos pelo editor-chefe, quando são liberadas para a composição final, ou poderá ser, sim, encontrada uma parte reduzidíssima delas, a qual será observada apenas como uma referência despretensiosa, descaracterizado o teor principal.
Outros arquitetos como eu já incursionaram por esse tipo de exercício buscando juntar as peças do quebra-cabeças que norteia a análise e a avaliação da economia brasileira diante da invisibilidade ou falta periódica e intencional de informações nos jornais, revistas e TV a despeito da abundância de informações medíocres ou mal intencionadas que são veiculadas.
Tomei emprestado o título destas notas do último desfile realizado por Jum Nakao em 2004 no São Paulo Fashion Week, posteriormente divulgado em livro de mesmo nome cujas concepção, composição, arte gráfica e edição ficaram a cargo de minha filha, Adriana Peliano.
Vamos então à costura do invisível. Começando pela comparação direta entre carga tributária e produção. Pois é, parlamentares, empresários e consultores de parlamentares e empresários, todos eles há tempos fazem ecoar aos quatro ventos que a carga tributária do Brasil é indecente. Percentual altíssimo que desestimula a produção e os investimentos.
Houve até um momento em que se discutiu a oportunidade e a viabilidade de se instaurar no país o imposto único que serviria para não só rebaixar os custos da produção em todos os níveis e setores, mas também amenizar os custos e as despesas de consumo e investimento tanto das famílias quanto das empresas. A tese e as tentativas não vigoraram e o esforço desapareceu, embora continue querendo ressuscitar vez ou outra pelas investidas dos mesmos parlamentares e empresários e seus seguidores.
Pois bem, a primeira fonte de informação é a insuspeita The Heritage Foundation, organização conservadora com sede em Washington, a qual defende políticas públicas sob o princípio do livre mercado, governo limitado, liberdade individual, valores tradicionais e defesa e segurança nacionais fortes. Os dados por ela divulgados indicam numa comparação internacional qual a posição do Brasil na escala das maiores cargas tributárias do mundo.
O Brasil é o último colocado no conjunto de 18 países com as maiores cargas tributárias do mundo. À frente dele estão Kiribati, Zimbabwe, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Cuba, França, Finlândia, Noruega, Áustria, Itália, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Argentina, Portugal e Rússia.
A percentagem do total de tributos cobrados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do nosso país é de 34,4%. Enquanto isso, relação igual na Dinamarca chega a 49%, França 44,6%, Itália 42,6%, Alemanha 40,6%, Espanha 37,3%, Argentina 37,2%, Portugal 37% e Rússia 36,9%.
Desde a crise financeira de outubro de 2008 eclodida nos Estados Unidos e espalhada pelo mundo afora, o Brasil tem sido um dos poucos países que conseguiu manter-se relativamente saudável na expansão de seu PIB e afetado sem maiores prejuízos em suas contas externas pelas oscilações da moeda e do crédito internacionais. Por outro lado, boa parte dos países acima listados foram afetados, uns mais, outro menos, com redução forte do PIB e aumento do endividamento bancário e da dívida externa.
Com todo o chororô parlamentar e empresarial de ocasião, não foi o tamanho da carga tributária brasileira que impediu o país de reagir bem à crise internacional. Ao contrário de muitos dos demais países acima que, sim, com cargas tributárias maiores acabaram reduzindo os ritmos de crescimento, chegando uns até mesmo à recessão, para enfrentarem melhor a situação financeira internacional.
Ao mesmo tempo o Brasil é o primeiro produtor mundial de etanol e biodiesel e o maior exportador de soja do mundo, além de ser o quarto produtor mundial de cimento, o quinto de telefones celulares – ao mesmo tempo o quinto em acessos de usuários na internet – e o sétimo de veículos. Somando tudo isto, o país apresenta a sétima economia mundial em tamanho do PIB.
Esses volumes e cifras alavancam seus respectivos nichos produtivos bem como a economia como um todo por serem setores portadores de sinergias fortes para frente e para trás no complexo da produção agrícola e industrial nacional. É uma falácia, portanto, pontuar a carga tributária como obstáculo e gargalo à expansão produtiva do país. O rescaldo da crise financeira, no entanto, ainda ronda muitas países e repercute no Brasil pelo arrefecimento localizado do movimento do comércio exterior.
O reflexo positivo das boas colocações do país nesses e noutros setores produtivos chega aos dados do desemprego. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE divulgada nesta quarta-feira, 22 de maio, mostra que a taxa de desemprego em abril último atingiu 4,9%, o menor percentual para esse período desde sua implantação.
Mais significativo é que, na comparação mensal, a taxa de março tinha sido de 5%, enquanto na comparação anual, a taxa em janeiro deste ano chegou a atingir 5,9%. Quedas seguidas, portanto, reduzindo mais ainda o contingente sem emprego formal no mercado de trabalho – a população desocupada ficou 17% menor do ano passado para cá.
A formalização dos trabalhadores igualmente aumentou desde o ano passado, quando o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chega a 11,7 milhões com acréscimo de 2,2%. Por fim, o rendimento médio real praticamente se mantém de março para abril deste ano, mas sobe 2,6% de 2013 a 2014, saindo do nível de R$ 1.977,24 e chegando ao nível de R$2.028,00. A situação de emprego e renda do trabalhador brasileiro, portanto, apresenta um quadro de melhoria gradativa apontando um cenário positivo daqui para a frente.
O resumo da ópera é que a produção nacional continua bem nos setores mais expressivos mundialmente e a carga tributária não indica ser empecilho crônico nem vilã do recuo momentâneo do crescimento, tanto é assim que os resultados conjunturais do desemprego e do rendimento mostram evolução gradativa para melhor nos dois casos. Os efeitos positivos sobre a desigualdade de renda são imediatos e inegáveis.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/A-costura-do-invisivel-sobre-a-carga-tributaria-brasileira/7/30993
Assis Ribeiro
24 de maio de 2014 9:05 amO paradoxo da esquerda na
O paradoxo da esquerda na América Latina
Eleitos com ajuda dos movimentos sociais, governos esquerdistas acabam indo na contramão das bandeiras antes encampadas na busca por se manter no poder
Eleitos com a ajuda do trabalho de movimentos sociais, os governos de esquerda da América Latina hoje enfrentam um paradoxo: para se manter no poder tiveram de ampliar sua base eleitoral a grupos cujos interesses podem ir na contramão das bandeiras desses movimentos. Assim, se veem entre o antigo apoio e novos grupos propulsores.
A análise é do professor Maxwell A. Cameron, da University of British Columbia, no Canadá. Em passagem pelo Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo, onde proferiu uma palestra sobre a importância da independência entre os poderes constitucionais no início do mês, o acadêmico apaixonado pela América Latina explica em entrevista a CartaCapital as nuances que marcam os diferentes governos da região e conta por que não acredita no conceito do mexicano Jorge Castañeda que divide a região em populistas e socialdemocratas. “Dizer que existe uma esquerda do bem e outra do mal é o mesmo que dizer que existem países do bem e do mal na América Latina.”
Cameron diz não ver esquerdas semelhantes na região e analisa casos distintos que merecem destaque, como o do governo popular de Evo Morales voltado para a causa indígena, e o do Brasil, que teria muito a ensinar aos vizinhos. “Porque o Brasil não seguiu a cartilha do Consenso de Washington está melhor que a maior parte da região”, afirma. “Não estou dizendo que o Brasil é perfeito, mas acredito que boa parte da região poderia se beneficiar e aprender com ele.”
Confira a entrevista:
CartaCapital – A chegada de muitos governos de esquerda ao poder na América Latina era algo largamente esperado pelos movimentos sociais. No entanto, anos depois, muitos parecem desapontados e reclamam da falta de diálogo. Por que temos esse quadro?
Max Cameron – Acredito que uma boa observação seria o fato de que a chegada de governantes de esquerda, como Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, entre outros, foram fruto de processos eleitorais precedidos por muitos anos de luta dos movimentos sociais. Na Bolívia, a guerra do gás, por exemplo, ilustra isso. No México, os zapatistas, e na Venezuela os protestos do caracazo (contra políticas neoliberais). Esses movimentos sociais criaram as condições sob as quais foi possível se eleger esses governos de esquerda, que chegaram ao poder cercados de muita expectativa de mudança.
Há certa razão em se dizer que em muitos casos há um quê de desapontamento e em alguns setores esses governos têm a difícil tarefa de governar de acordo com determinados programas. Por exemplo, na Bolívia há uma tensão clara entre a promessa do governo em incluir a maioria indígena nas políticas que permitem as pessoas viver melhor e em harmonia com a natureza, implementando a autonomia indígena. Esse objetivo foi alcançado com a industrialização da produção e tem gerado subsídios esperados para reduzir a desigualdade.
Hoje a popularidade de Evo ultrapassa os 70% e ele conseguiu estabilizar a economia e o sistema político. Com quase toda certeza, ele conseguirá ser reeleito. Mas há pessoas nos movimentos sociais que sentem haver muito a ser implementado. Que há promessas do governo aguardadas no próximo mandato, que as reformas sejam mais aprofundadas. Mas é inteiramente possível que, em vez disso, o foco se centre na redução da pobreza ou mesmo no processo de industrialização interna. E pode-se dizer o mesmo sobre o Equador.
Os movimentos sociais criaram as condições para esses governos serem eleitos, mas para que esses governos continuem no poder eles precisam sustentar o apoio popular e para serem reeleitos terão de implementar políticas que serão populares com uma grande base eleitoral que vai além dos movimentos sociais. Isso, muitas vezes, empurra-os para uma outra direção que os faz levar adiante políticas muito diferentes daquelas encampadas por esses predecessores.
CC – Representantes de movimentos sociais reclamam da falta de diálogo especialmente com o governo atual, da presidenta Dilma Rousseff. A primeira reunião dela com representantes de movimentos sociais se deu apenas depois dos protestos que tomaram as ruas do País em junho de 2013, quase três anos depois de ela ter chegado ao poder. Esse abismo também está presente em outros países da América Latina, em sua opinião?
M.C. – As massas são instrumento dos movimentos sociais. E as massas não são um partido político convencional, são construídas sob os movimentos sociais. Em algum sentido, é o que viabilizou a chegada desses governos ao poder. Isso é um pouco diferente do PT, que emergiu do movimento trabalhista no Brasil e por um longo período de tempo se tornou um partido político estabelecido. E acredito que apenas na Bolívia, quando Evo sabia que seria reeleito, ele governava mantendo o olho na estabilidade econômica. O que significa, por exemplo, fazer concessões à região rica em hidrocarbonetos da Media Luna. O mesmo no Brasil. Desde o início o governo do PT tenta ser conciliatório com os interesses da comunidade empresarial e tenta expandir sua base eleitoral.
Então, por um lado, isso é totalmente esperado e sempre acontece com governos de esquerda que chegam ao poder apoiados por movimentos sociais. Os movimentos sociais se sentem traídos, e o governo acha que os movimentos sociais não estão sendo realistas. Na Bolívia, acredito, os movimentos sociais têm mais poder no governo do que em qualquer outro governo na região, até mesmo do que na Venezuela ou Equador. Por isso acredito que a Bolívia é o pais mais interessante a ser observado na América Latina hoje, onde há uma experiência de participação democrática acompanhada pelos movimentos sociais. Também acredito que o Brasil é interessante por outros motivos. O impressionante em relação ao Brasil é o grau com que o governo sob o PT tem conseguido incluir a sociedade civil no processo de elaboração de políticas, que serve de exemplo de participação popular.
CC – Mas poderíamos dizer, portanto, que o foco do PT mudou desde que este chegou ao poder?
M.C. – Claro que sim. Como cientista político, digo que isso é absolutamente esperado. Como isso poderia não acontecer?
CC – Na Bolívia, isso aconteceu?
M.C. – Sim e não. Por exemplo, como eu dizia, Evo tem mais de 70% de popularidade hoje. E por quê? Programas sociais se expandindo de forma massiva, aumento considerável da geração empregos públicos, um crescimento na economia. Mas os movimentos sociais estão descontentes com o que aconteceu em Tipnis [Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Secure, reserva ecológica de 1,2 milhão de hectares por onde passaria uma estrada construída pela brasileira OAS com financiamento do BNDES] e o aumento dos preços da gasolina conhecido como “gasolinazo”, um outro momento no qual o governo foi acusado de não dar ouvido para esses setores. Muitos que ajudaram a eleger Evo diziam: esse governo é neoliberal. O ponto que sustenta o governo hoje é o crescimento econômico, que vai além do esperado. Há uma lógica similar ao que ocorre no Brasil, mas a diferença é o grau de institucionalização entre o PT e o MAS, partido de Evo.
CC – No Brasil, paradoxalmente, um programa social importante, o Bolsa Família, trouxe, além da diminuição da desigualdade, a desmobilização da luta do Movimento do Trabalhadores Sem-terra, o MST, uma vez que o benefício atinge muitos no campo. Como o senhor vê esse caso?
M.C.- A primeira coisa que eu diria é que os mecanismos de transferência de renda são instrumentos de políticas totalmente consistentes com a orientação de mercado. Em outras palavras, são totalmente consistentes com o liberalismo. De fato, por exemplo, no México alguns foram implementados sob o PRI, com Carlos Salinas.
Então, não há nada particular com o Bolsa Família. Mas, por outro lado, o que é significativo, na minha opinião, é o fato de que os governos estão ouvindo que o povo quer programas que vão diretamente aos pobres e a fim de diminuir a desigualdade e a dependência. O programa Bolsa Família, claramente, é uma grande fonte de apoio para o PT. E deve-se ressaltar o fato de que ele não é implementado de uma forma clientelista. Programas similares são implementados em outros países e não desta maneira. Isso nos permite dizer que esse processo é parte da construção de uma cidadania. As pessoas começam a se sentir contempladas por um tipo de Estado de bem estar social calcada em bases universais, independentemente do critério de apoiar ou não o PT.
Eu não saberia comentar sobre a relação entre os sem-terra e o Bolsa Família, pois não sei muito sobre isso. Mas, em geral, não me surpreenderia que políticas desse tipo viessem a desmobilizar alguns tipos de movimentos. Porque, novamente, isso é um fenômeno típico, que aconteceu uma vez e vai acontecer novamente. Aconteceu nos anos 80 no Peru, quando o governo introduziu o Programa Vaso de Leche, em Lima. E as pessoas diziam: Infelizmente, todos os líderes de movimentos sociais que nos anos 70 organizaram greves gerais e grandes manifestações e protestos, agora trabalham em setores do governo.
Acredito que os movimentos sociais são parte do processo natural da mudança política. Então, deve haver apoio à mobilização. Se não houver um certo grau de mobilização, esses governos correm o risco de se tornar cada vez mais conservadores. Na Bolívia, por exemplo, muitas pessoas se recusaram a entrar no MAS dizendo: não queremos institucionalizar esse governo, porque a institucionalização enfraquecerá a vitalidade do nossos movimento nas ruas, e esse será o fim da força condutora. Acho que esse é um bom ponto. Trata-se de uma preocupação com a própria legitimidade. E a solução é se articular a necessidade de uma cidadania vigilante e ativa.
CC – Como o senhor explica as duas variações da esquerda hoje na América Latina: a populista e a socialdemocrata, defendidas pelo mexicano Jorge Castañeda? De que maneira uma análise a partir dos movimentos sociais pode ajudar a explicar essa variação.
M.C. – Discordo totalmente do argumento sobre dois tipos de esquerda na América Latina – a esquerda do bem e a esquerda do mal, uma socialdemocrata e outra populista. A populista, que é antidemocrática e não aprendeu com o passado e com a longa tradição do populismo. E a esquerda socialdemocrática, que ironicamente, em muitos casos, é a esquerda tradicional, majoritária e que tem abraçado novas políticas. A esquerda que vemos na América Latina, em cada caso, reflete as condições as quais propiciaram sua emergência. Dizer que existe uma esquerda do bem e outra do mal é o mesmo que dizer que existem países do bem e do mal na América Latina.
A esquerda na Bolívia é o que é porque você tem uma maioria indígena excluída. E, por quase 20 anos, movimentos sociais massivos contra o neoliberalismo e políticas voltadas para garantir recursos naturais como água e gás produziram o tipo de governo que se tem no país hoje. Em um contexto institucional, os partidos políticos colapsaram, as pessoas não confiam nos legisladores. O país entrou em um impasse catastrófico, em que nem o governo nem a oposição podiam prever. E o que em algum momento veremos adiante é a reconstrução do establishment político, a viabilização de um sistema político e de um programa econômico.
Não há maneira, por exemplo, de a Bolívia ter a esquerda que existe no Chile. Isso é absurdo. A esquerda chilena é claramente a mais liberal do continente. No Chile, você tem o governo, uma autoridade constitucional e um modelo econômico instaurado por Pinochet que não se pode sequer tocar. Tanto que só agora a presidente Michelle Bachelet fala sobre a necessidade de reforma constitucional. No que ele chama de lado democrático, não se pode, por exemplo, comparar o Frente Amplia (Uruguai) com o Concertación (Chile). O Frente Amplia é uma força muito mais progressiva do que o Concertación. Sobre esses pontos, Castañeda deveria pensar um pouco.
E na Venezuela, por exemplo, um país exportador de petróleo, a situação já é muito diferente. Ou mesmo quando se fala do PT, um partido social democrata. A socialdemocracia tem raízes na América Latina, já o populismo é algo particular da política latino-americana. As condições existentes para mudanças socioeconômicas e países irão acontecer de maneira mais descontínuas e mais radicais do que se verá em lugares como a Europa, onde se tem uma classe média grande e instituições públicas funcionais responsáveis pela criação de um sistema de bem estar social.
CC – Falando em Europa e classe média, no Brasil, uma das críticas em relação aos programas de transferência de renda é a nova classe média que se forma no País. Muitos criticam esse tipo de emancipação ao dizer que essa nova classe média não tem nada além de maior poder de compra. Como o senhor vê essa situação?
M.C. – O conceito de classe média é muito instável, quando não ilusório. Em todo lugar, especialmente na América Latina, ela é muito pequena. E uma das razões que leva à desigualdade no continente é a extrema riqueza dos muito ricos. Digamos que os ricos sejam 1%, então a classe média será o quê? As pessoas com dinheiro, mas que sejam profissionais assalariados, como médicos, professores, militares, por exemplo, formando um pequeno grupo. Já a maior parte da população cairia na categoria de ser assalariados de outros setores produtivos.
E a real mudança que falam a respeito do Bolsa Família, na minha visão, diz respeito a esses grupos, os chamados setores emergentes. Pessoas que dez anos atrás não tinham nada e hoje têm um pouco. E eles estão usando esse novo poder de consumo. Acredito que a orientação política e as aspirações sociais da cultura desses setores emergentes são um tema fascinante.
Parte da importância de se ter uma grande classe média é a de pagar mais impostos. Ter mais pessoas pagando impostos é necessário para o Estado de bem estar social que se almeja. E em grandes economias da América Latina, comparativamente, uma parcela pequena paga impostos. Você tem melhores alvos para os programas sociais… Mas para construir um Estado de bem estar social precisa de pessoas pagando impostos e também impulsionar o crescimento da classe média.
CC – Uma das grandes decepções da esquerda que sempre sonhou em ver o PT no poder é o governo que hoje se faz através do gerenciamento de grandes obras de infraestrutura e projetos de médio prazo, quando gostariam de algo mais duradouro. Na opinião do senhor o que temos no Brasil hoje é um governo de esquerda clássico ou o crescimento de uma espécie de capitalismo de Estado, como definiu a revista britânica ‘Economist’ há cerca de dois anos?
M.C. – Eu nunca concordo com a Economist. Eu sou um grande fã do Brasil e também um grande propagandeador seu. Eu, na verdade, acredito que o restante da América Latina deveria prestar mais atenção ao que está acontecendo no País. Não acredito que nenhum país seja modelo para outro, mas acredito que muito pode ser aprendido com o Brasil. E acredito que, infelizmente, tem havido pouca troca de ideias e pouco aprendizado com o modelo brasileiro.
Se compararmos o Brasil com o restante da América Latina, o número de feitos é absolutamente extraordinário. Talvez o Chile e o Brasil sejam as duas economias mais sólidas da região. Além disso, é um país que produz a sua própria tecnologia. Poucos países têm uma indústria aeroespacial grande, tecnologia avançada. E, importante dizer, é um país que não seguiu o modelo escravizador e condicionante. Não cometeu, portanto, o erro do México ao assinar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Em vez disso, o Brasil lançou mão de uma estratégia muito inteligente, a de fundar o Mercosul juntamente com outros países da região. Ao insular o Brasil desses tipos de pressão, evitou a privatização em massa, deixando com que o setor privado guiasse a economia.
Porque o Brasil não seguiu a cartilha do Consenso de Washington está melhor que a maior parte da região. Acho que o Brasil merece os parabéns, e não apenas pelo PT, mas por uma série de reformas feitas anteriormente, até mesmo na época do regime militar. Não falo apenas da economia, mas do fato de o Brasil também estar promovendo o aumento da participação popular. Não estou dizendo que o Brasil é perfeito, mas acredito que boa parte da região poderia se beneficiar e aprender com ele.
http://www.cartacapital.com.br/internacional/o-paradoxo-da-esquerda-na-america-latina-9213.html
Assis Ribeiro
24 de maio de 2014 9:07 amA polícia nunca garantiu a
A polícia nunca garantiu a ordem (por Erick Vasconcelos)
Acabou. No começo da noite de quinta-feira, a Polícia Militar de Pernambuco decidiu terminar com a greve que durava o dia inteiro. Houve saques, depredações, desordem, assassinatos. O comércio fechou, as pessoas voltaram para casa. Arrastões aconteceram, carros foram queimados em outros lugares, talvez para verificar se os bombeiros também haviam entrado em greve.
Ao sair de casa aqui no Recife então, porém, uma sensação prevalecia: nada havia mudado. Pernambuco é um dos estados mais violentos do Brasil, e Recife é a 39ª cidade mais perigosa do planeta, com 36,82 homicídios a cada 100 mil habitantes. Com o funcionamento normal da polícia, nós estamos em constante perigo. Sem ela, o perigo havia multiplicado ou nada havia mudado?
Mudou a percepção das pessoas, pensando que não haveria punição a seus crimes. Todos saíram de casa e tomaram as ruas, roubaram. Grandes lojas moveram seus estoques e foram capazes de se proteger, muitos pequenos comerciantes perderam tudo. A situação parecia ter saído do controle, mas o governo decidiu exercer seu monopólio da violência de modo radical e colocou tanques de guerra nas ruas. Imagino que esperassem explodir alguns que tenham roubado uns aparelhos de TV — a Copa está chegando, TVs são aparelhos cobiçados.
Mas a percepção de que não havia polícia era muito mais forte do que a realidade: a verdade é que Pernambuco nunca tem polícia. Se tem, é vista como ameaça, não como proteção, por mais de 80% da população. Em nossas vidas normais, dificilmente temos a sensação de que a polícia nos protegerá, e na quinta-feira nada tinha mudado nesse aspecto. Se, num dia qualquer, as pessoas decidissem fazer o mesmo que fizeram na quinta, elas seriam capazes e sairiam impunes. Elas só não notaram sua própria força ainda, mas a polícia é apenas um pequeno número de pessoas, incapazes de lidar com uma quantidade infindavelmente maior de pessoas que não querem obedecer suas ordens.
O fato de a polícia ter parado de trabalhar e estimulado a desordem parecia apontar para a essencialidade da polícia, mas nos disse justamente o contrário. No Recife, morreram 1416 pessoas em 2013 — quase 4 pessoas por dia. No dia 15, de completa anomia e anormalidade, foram registradas 7 mortes. A greve deveria nos fazer parar para pensar que, no fim das contas, a PM é um exercício de futilidade, uma instituição que sobrevive mais pelo nome que por seus resultados.
Porque a ordem só subsiste quando as pessoas acreditam que ela subsistirá; se as pessoas acreditam que é o governo, ou seu braço policial, que mantém a ordem, essa ordem só continuará de pé enquanto o governo estiver de pé. A ordem não se mantém pela força, mas pela cultura — assim como os governantes. Se as pessoas, coletivamente, deixarem de acreditar que a polícia é necessária, haverá ordem e haverá liberdade, sem saques, depredações e mortes. O poder, portanto, é simplesmente uma ficção pública, algo que existe mas pode desaparecer com uma simples mudança na opinião geral.
Ayn Rand diria que o poder só subsiste com a sanção da vítima. La Boétie, por sua vez, pergunta que poder o governante tem que não aquele que damos a ele. David Hume conclui que o poder é sustentado por pouco mais que a opinião pública, enquanto Gramsci sabe que a ordem existente é legitimada pela cultura. E Varys, em A Fúria dos Reis (com o roteiro um pouco alterado para a série Game of Thrones), coloca a questão da seguinte forma, ao conversar com Tyrion:
— O rei, o sacerdote, o rico… Quem sobrevive e quem morre? A quem obedecerá o mercenário? É um enigma sem resposta, ou melhor, com muitas respostas. Tudo depende do homem que tem a espada.
— E, no entanto, ele não é ninguém — Varys concluiu. — Não tem uma coroa, nem ouro, nem o favor dos deuses, mas apenas um pedaço de aço afiado.
— Esse pedaço de aço é o poder da vida e da morte.
— Precisamente… E, no entanto, se são realmente os homens de armas que nos governam, por que fingimos que nossos reis têm o poder? Por que um homem forte com uma espada obedeceria a um rei criança como Joffrey, ou a um idiota encharcado em vinho como o pai?
— Porque esses reis crianças e idiotas bêbados podem chamar outros homens fortes, com outras espadas.
— Então são esses outros homens de armas que têm o verdadeiro poder. Ou será que não? De onde vieram as suas espadas? Por que é que eles obedecem? — Varys sorriu.
(…)
— Pretende responder ao seu maldito enigma, ou quer apenas fazer com que a minha dor de cabeça piore?
Varys sorriu.
— Eis, então. O poder reside onde os homens acreditam que reside. Nem mais, nem menos.
Na quinta, as pessoas usaram o poder que sempre tiveram e o usaram para o mal. E, ao final do dia, decidiram entregá-lo de volta para a polícia, que anunciou o fim de sua greve — mas se o povo não quisesse devolver o poder, o que a polícia faria? Na próxima greve, talvez as pessoas passem a acreditar que podem viver normalmente sem ela. Porque a ordem existe onde os homens acreditam que ela existe.
http://www.sul21.com.br/jornal/a-policia-nunca-garantiu-a-ordem-por-erick-vasconcelos/
Roberto São Paulo-SP 2014
24 de maio de 2014 9:13 amRefinaria Abreu e Lima já está aproximadamente 87% concluída
Novas refinarias no Nordeste responderão por 83% da nova capacidade de refino
———–Petrobras Fatos e Dados—–23.Mai.2014
Em cinco anos, as novas refinarias da região Nordeste serão responsáveis por 83% da nossa nova capacidade de refino, injetando 830 mil barris adicionais de derivados por dia no mercado de combustíveis do Brasil. Três empreendimentos serão os responsáveis pelos números: a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; a primeira etapa da Refinaria Premium I, no Maranhão; e a Refinaria Premium II, no Ceará. A entrada em operação dessas novas unidades permitirá a expansão da nossa capacidade de refino para atender ao crescimento da demanda de derivados no Brasil, reduzindo significativamente a necessidade de importação.
Com obras em ritmo acelerado, a Refinaria Abreu e Lima já está aproximadamente 87% concluída, com previsão de partida de sua primeira fase em novembro de 2014. A unidade processará 230 mil barris diários, quando a segunda fase do empreendimento, prevista para ser entregue em maio de 2015, entrar em operação. A Abreu e Lima traz o desafio de ser a nossa primeira unidade de refino a entrar em operação, após mais de trinta anos. A partida da primeira etapa da Refinaria Premium I, em 2018, e da Refinaria Premium II, em 2019, acrescentará 600 mil barris por dia à nossa capacidade de refino.
Além de permitir a entrega de mais derivados ao mercado consumidor brasileiro, as refinarias nordestinas contribuem com o desenvolvimento da região onde estão instaladas. Localizada na região metropolitana de Recife, em Pernambuco, a refinaria Abreu e Lima, por exemplo, gera atualmente 42 mil empregos diretos na obra e traz para a região inúmeras oportunidades. O efeito de sua instalação pode ser mensurado pela evolução do PIB de Pernambuco que, de acordo com pesquisa da Agência Estadual Condepe/Fiem, tem apresentado crescimento superior ao do país nos últimos cinco anos. O PIB dos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, regiões de influência da refinaria, cresceram 64%, de 2008 a 2012.
O empreendimento de Pernambuco contribuiu para a criação de novas estradas, para a ampliação do porto de Suape e atraiu inúmeros fornecedores de bens e serviços do Brasil e do mundo para a região, para atendimento das demandas deste investimento. Outro grande desafio é a formação de profissionais e técnicos para suportar o desenvolvimento das obras, o que vem sendo realizado por meio do apoio a diversas iniciativas, desde o nível básico ao avançado na formação técnica, como no apoio às Universidades, aos Institutos e Centros de Pesquisa.
url:
http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/nordeste-respondera-por-83-da-nova-capacidade-de-refino.htm
a
Assis Ribeiro
24 de maio de 2014 9:26 amAécio: PSB terá que ter bom
Aécio: PSB terá que ter bom argumento para justificar rompimento em Minas
Luciana Nunes Leal – O Estado de S. Paulo
Rio – O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta sexta-feira, 23, que o PSB, do presidenciável Eduardo Campos, “terá que ter um argumento muito bom” para justificar um possível rompimento da aliança com os tucanos em Minas Gerais e o lançamento de uma candidatura própria socialista ao governo do Estado mineiro.
Aécio disse ter recebido nesta semana um telefonema do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), candidato ao Senado, dizendo-se surpreso com notícias de que o PSB vai deixar a aliança com o PSDB.
“Não fizemos uma aliança para esta eleição. Temos uma aliança em favor de um projeto que vem sendo desenvolvido há muitos anos em Minas Gerais. Se houver uma mudança, a decisão será exclusivamente deles. Vão ter que encontrar um discurso para justificar o rompimento neste momento pré-eleitoral. Eu vou sempre honrar os compromissos que assumo. O presidente do PSB, Eduardo Campos, ainda não me procurou”, afirmou Aécio, que participou de reunião com empresários em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Aécio disse que, se a aliança PSB-PSDB em Minas terminar, os tucanos de Pernambuco tomarão uma decisão sobre a manutenção ou não do apoio ao PSB naquele Estado. Segundo Aécio, o quadro eleitoral em Minas não terá necessariamente como resposta o lançamento de uma candidatura tucana em Pernambuco.
Aécio disse que o primeiro grande ato político reunindo todos os partidos que o apoiam no Rio acontecerá no dia 5 de junho e vai reunir parte do PMDB, PP, PPS, Solidariedade e PSD.
Questionado sobre como pretende reduzir o favoritismo da presidente Dilma Rousseff no Estado do Rio, Aécio disse que as diferenças entre seu projeto e o do PT ficarão mais claras ao longo da campanha. “Existe uma desconexão das promessas da presidente com a realidade do Brasil. Hoje assistimos a um Brasil virtual, quase uma lavagem cerebral na cabeça do eleitor”, afirmou Aécio.
“Nossos palanques são mais sólidos que os do PT. Nós conquistamos 90% dos `planos A” que tínhamos nos Estados”, afirmou o tucano, referindo-se aos acordos firmados com outros partidos para a próxima eleição.
Assis Ribeiro
24 de maio de 2014 9:36 amQuando se cai na real, a
Quando se cai na real, a conversa sobre a Copa é outra
Com anos de atraso, a Folha publica hoje um levantamento feito pelos repórteres Gustavo Patu, Dimmi Amora e Filipe Coutinho que, como e diz nas conversas informais, “baixa a bola” dos “gastos absurdos com a Copa do Mundo”.
É o que dá ter raros momentos de jornalismo correto na mídia brasileira, porque não é nenhum “furo”, mas apenas a compilação de dados que são e sempre foram públicos.
A começar pela abertura do texto escrito pelos três:
Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.
Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.
O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.
Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.
E eles próprios se encarregam de dizer que nem sequer é assim, porque estes gastos diluíram-se pelos últimos sete anos e, sobretudo, porque uma parte ( a maior parcela, 32%) é feita com financiamentos de bancos públicos (quase toda do BNDES) e vai retornar.
Adiante falarei dela.
Bem, do gráfico publicado, conclui-se que o Governo Federal gastou R$ 5,8 bi diretamente com a Copa: R$ 2,7 bi na modernização e ampliação dos aeroportos, R$ 1,9 em segurança pública – quase tudo equipando, a fundo perdido, as polícias estaduais -, R$ 600 mil em portos, R$ 400 mil em telecomunicações e R$ 200 milhões em gastos diversos.
Aeroportos e portos, além de serem serviços públicos essenciais ao desenvolvimento econômico, geram receitas de tarifas e concessões.
Nenhum tostão, como você vê, em estádios.
Do dinheiro dos estádios, um total de R$ 8 bilhões, perto da metade veio de financiamentos federais, através do BNDES, de duas formas: debêntures e empréstimos.
Debêntures são “letras” financeiras e, no caso do estádio, seus tomadores pagam 6,2%% de juros mais a inflação do período.
No caso dos empréstimos, os tomadores, além de oferecer garantias, têm de pagar TJLP (taxa de juros de longo prazo), que de 2009 para cá variou entre 6,25% e 5%, mais 1,4% (taxa BNDES + intermediação financeira), mais risco de crédito (até 4,18%), além da taxa que o o tomador pagará a o banco operar o crédito. No total, portanto, pagam juros muito semelhantes (em geral um pouco maiores, em alguns momentos frações de centésimo menores) que a taxa de juros com que o Governo capta dinheiro no mercado.
Isso quer dizer que não houve empréstimo subsidiado pelo Governo Federal?
Sim, houve, maiores. E continuam existindo, independente de Copa.
São os recursos para obras de mobilidade urbana que, só nos empreendimentos ligados à Copa, receberam R$ 4,4 bilhões.
Como é isso: o BNDES financia contrando TJLP + 2% no caso de o empréstimo ser tomado por Estados e Municípios ou por TJLP + 1% + risco de crédito de até 4,18% no caso do financiamento ser feito por empresa privada.
Convenhamos que é uma forma muito mais adequada de o banco usar seus recursos em favor da população do que, como fez em 2002, aplicar R$ 281 milhões (R$ 1 bilhão, hoje, corrigidos pela taxa Selic) na Net, então propriedade dos Marinho (a família mais rica do Brasil), que estava enforcada de dívidas.
No caso dos Estados e Municípios, a grande maioria, boa parte dos gastos vem das contrapartidas locais para obras de mobilidade (R$ 2,4 bi, ou 41%) e os restantes R$ 3,3 bilhões em gastos diretamente com obras dos estádios e com as do seu entorno (ruas, praças, pátios, passarelas).
Os números insuspeitos publicados pela Folha vêm na mesma linha daquilo que ontem se comentou aqui.
Tirando os gastos imprevistos de três governos estaduais (Sérgio Cabral , com o Maracanã, Agnelo Queiroz, com o Mané Garrinha e Aécio Neves-Anastasia como Mineirão, que começou as obras ainda na gestão do atual candidato do PSDB à Presidência), os outros dois estádios que custaram muito mais do que o inicialmente previsto, o Beira-Rio e o Itaquerão, foram tocados pela iniciativa privada.
Há uma hidrofobia de direita implantada na mídia e em parte da classe média que eclipsa qualquer capacidade de exame racional dos fatos.
Se eu fosse um obtuso irracional, que não reconhecesse o direito de uma categoria profissional essencialíssima , como a dos professores, poderia dizer que se gastou muito mais que aquele “um mês” de Educação que a Copa custou com as greves e paralisações (em geral, justas) do magistério.
E isso seria uma apelação, porque eu estaria colocando nos direitos dos professores a “culpa” das nossas históricas carências no setor.
Colocar na Copa a “culpa” pelos problemas da educação, da saúde, da assistência social, da habitação é, igualmente, uma estupidez.
Que só tem um fundamento, embora a maioria dos que fazem isso não o percebam: as eleições.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=17602
Marly
24 de maio de 2014 11:35 amPor favor!
Só sei compartilhar, quando o comentário é elevado . Por favor poderiam elevar esse post do Assis?
Marly
24 de maio de 2014 11:36 amPor favor!
Só sei compartilhar, quando o comentário é elevado . Por favor poderiam elevar esse post do Assis?
jns
24 de maio de 2014 11:26 am24 DE MAIO DE 2014
Efeitos produzidos após dieta a base de milho geneticamente modificado pela Monsanto.
Mais: https://jornalggn.com.br/noticia/fora-de-pauta-226
Marly
24 de maio de 2014 11:41 amFelizmente!
E que PROVIDÊCIAS sejam tomadas e que nos informem a respeito.
Marly
24 de maio de 2014 12:48 pmUm engano…
Essa resposta sobre as ” providências “, era para o post do Maco ST, postado às 00:35h do dia de hoje.
Frederico69
24 de maio de 2014 12:28 pmolha o choque de (cafa)gestão
mais um choque de gestão tucanóide!!!
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/05/1459299-governo-do-parana-vai-leiloar-floresta-publica-para-fazer-caixa.shtml
Robson Barbosa Farias
24 de maio de 2014 1:11 pmContestando a Folha
O jornalista Mauro Cezar Pereira não concorda com a reportagem da Folha de São Paulo sobre gastos com a copa do mundo e se diz indignado com os n´meros apreentados.
Os números no jornal e a Copa já perdida pelo Brasil
Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Manchete da Folha de S. Paulo: “Custo da Copa equivale a um mês de gastos com educação”. O jornal mostra que os R$ 25,8 bilhões investidos no Mundial de futebol equivalem a 9% das despesas públicas anuais em educação, que giram em torno de R$ 280 bilhões. “Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área”. Parece pouco lendo assim, de primeira, não? Vamos mergulhar um pouco na questão.
Em 2009 já se sabia que o Brasil investe 5,55% do seu PIB em educação, valor abaixo da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 6,23%. Mas o salto ainda assim foi considerável, com os investimentos brasileiros passando de 10,5% em 2000 para 16,8% do orçamento federal em 2009.
Reprodução
Primeira página da “Folha de S. Paulo” do dia 23 de maio de 2014: o dinheiro da Copa e o da educação
Mesmo assim, no relatório mais recente, de 2012, estávamos apenas em 53º lugar entre 65 nações de acordo com o Programme for International Student Assessment (PISA), que avalia a qualidade da educação da própria OCDE. Ou seja, mesmo quando se ampliam os investimentos, falta qualidade ao ensino público. A Polônia, por exemplo, aparece em 15º, e Portugal em 27º. No nível do Brasil estão, entre outros, Albânia, Jordânia, Argentina e Tunísia. A performance brasileira perde para latino-americanos como Chile, México, Uruguai e Costa Rica.
No país a verba pública se concentra no ensino infantil, fundamental e médio. Já no nível superior o Brasil é 23º entre 29 países, segundo ranking que mede os investimentos com alunos universitários, cujo gasto por estudante caiu em 2% de acordo com os números mais recentes. Dos 5,55% do PIB que o país coloca na educação, escassos 0,8% são a eles voltados.
Por essas e outras nosso país apresenta a maior diferença salarial entre quem tem e quem não tem diploma universitário, de acordo com outro estudo da OCDE. A desproporção entre os que cursaram faculdade e os que jamais tiveram tal oportunidade é tamanha que a distância na remuneração chega ao triplo da média registrada nos demais países que integram a Organização.
Isso, claro, amplia o abismo existente na nação das diferenças sociais, cujo mapa, publicado recentemente pelo jornal Washington Post, você pode observar abaixo. E se quiser, fique envergonhado (eu fico sempre que olho isso). Diante de tal cenário, nota-se que, apesar da reportagem da Folha, a educação brasileira sofre muito. E qualquer “milhãozinho” gasto com a Copa do Mundo obviamente ajudaria a melhorá-la, pelo menos um pouco.
Torrar o equivalente a um mês de investimentos feitos na educação pública em estádios e no atendimentos aos caprichos da Fifa só se justificaria se o ensino público brasileiro fosse tão bom, mas tão bom, que tal quantia nem faria falta. Obviamente faz. E nem vamos falar de saúde e segurança neste post. Não é necessário. Essa Copa já foi perdida pelo Brasil.
IV AVATAR
24 de maio de 2014 11:27 pmA guerra furada da imprensa contra a Copa
A GUERRA CONTRA A COPA, por Paulo Moreira Leite, na Isto É
Depois de combater políticas de bem-estar, nossos dinossauros escondem números reais e usam fantasia social
Na medida em que dados concretos começam a ser divulgados, começa a ficar claro que a guerra contra a Copa é expressão de um delírio conservador que recebe, acessoriamente, o apoio ruidoso de uma retórica de ultra-esquerda – bastante comum em situações políticas como a atual.
Alguns números.
A sugestão de que os estádios de futebol tiveram reajustes e sobrepreços excessivos não resiste a uma matemática contábil. A inflação acumulada do país, no período, chegou a 40%. A alta média dos estádios ficou em 36%. Num país que convive com metas inflacionárias como política oficial, reajustes desse tipo são parte natural da paisagem dos investimentos públicos e privados.
Imaginar que o futebol retirou dinheiro da Educação é um acinte. Em 2007, quando o país foi confirmado como sede da Copa, o orçamento do Ministério da Educação consumia R$ 50,4 bilhões. Em 2014, a conta é de R$ 112,3 bilhões – mais que o dobro, em valores deflacionados.
Os gastos totais com a Copa, somando empréstimos públicos, privados, investimentos estaduais e municipais, chegam a R$ 26,7 bilhões.
Não é pouco dinheiro, convenhamos. Mas é menos, por exemplo, que metade do patrimonio da família Marinho, dona da TV Globo, segundo a revista Forbes. Em outra conta: num país com PIB de R$ 4,5 trilhões, os R$ 26 bi continuam sendo um bom dinheiro mas não vamos perder a perspectiva dos números.
Agora, algumas ideias.
É claro que toda pessoa tem direito de ser contra a realização da Copa no Brasil.
Em 2007 levantei críticas neste espaço – como qualquer pessoa, interessada na arqueologia da internet, poderá comprovar.
Sete anos depois, essa discussão está fora de lugar. Depois da crise de 2008, a maior do capitalismo mundial em 85 anos, não é possível ignorar o lugar da Copa no estimulo a investimentos realizados no país. Os trabalhos da Copa garantem um acréscimo anual de 0,4% no PIB brasileiro. Também ajudam a criar 3,6 milhões de empregos. Talvez não seja a melhor saída. Nem a mais duradoura. Mas cabe lembrar que, sem alternativas, que jamais foram apresentadas, as pessoas não tem o que comer nem o que vestir, não é mesmo? Do ponto de vista dessas pessoas, a Copa já é uma vitória, ainda que parcial, beneficiando a população mais pobre. Ou desemprego no orçamento dos outros não arde?
Além de sugerir medidas de austeridade, que afundaram a Europa, alguém apareceu com ideias mais adequadas, socialmente aceitáveis?
A campanha contra a Copa é antiga. Se você fizer a arqueologia de seus críticos, irá encontrar declarações solenes de que o governo brasileiro deveria render-se definitivamente a supostas mediocridades nacionais e devolver a Copa para a FIFA. O argumento, na época, é que nem os estádios ficariam prontos. Sem comentários, não é mesmo?
O debate seguinte foi outro. Nossos dinossauros se tornaram sociais – e foi para isso que a aliança com porta-vozes de uma retórica de ultra-esquerda se tornou necessária.
Repare: a mesma turma que em 2007 – o ano em que o Brasil foi escolhido como país-sede –derrubou a CPMF, aquele imposto semi-invisível que garantia verbas para a saúde pública, resolveu pedir dinheiro para postos de saúde como argumento para combater a Copa.
Sem ruborizar, teve a mesma reação diante do programa Mais Médicos.
A tecnologia política é conhecida. Depois de negar recursos que poderiam, de forma consistente e duradoura, promover uma mudança real na saúde pública, vamos à rua pedir hospitais padrão-FIFA.
Com todo respeito pela população que dá duro na fila dos hospitais públicos – e também pelos que são ludibriados regularmente pelos planos privados – cabe perguntar: quem queremos enganar com isso?
Quem está falando de indignação real? Quem joga na hipocrisia total?
A resposta virá em outubro. Até lá, o que se quer é enganar o eleitor.
A GUERRA CONTRA A COPA
Depois de combater políticas de bem-estar, nossos dinossauros escondem números reais e usam fantasia social
Na medida em que dados concretos começam a ser divulgados, começa a ficar claro que a guerra contra a Copa é expressão de um delírio conservador que recebe, acessoriamente, o apoio ruidoso de uma retórica de ultra-esquerda – bastante comum em situações políticas como a atual.
Alguns números.
A sugestão de que os estádios de futebol tiveram reajustes e sobrepreços excessivos não resiste a uma matemática contábil. A inflação acumulada do país, no período, chegou a 40%. A alta média dos estádios ficou em 36%. Num país que convive com metas inflacionárias como política oficial, reajustes desse tipo são parte natural da paisagem dos investimentos públicos e privados.
Imaginar que o futebol retirou dinheiro da Educação é um acinte. Em 2007, quando o país foi confirmado como sede da Copa, o orçamento do Ministério da Educação consumia R$ 50,4 bilhões. Em 2014, a conta é de R$ 112,3 bilhões – mais que o dobro, em valores deflacionados.
Os gastos totais com a Copa, somando empréstimos públicos, privados, investimentos estaduais e municipais, chegam a R$ 26,7 bilhões.
Não é pouco dinheiro, convenhamos. Mas é menos, por exemplo, que metade do patrimonio da família Marinho, dona da TV Globo, segundo a revista Forbes. Em outra conta: num país com PIB de R$ 4,5 trilhões, os R$ 26 bi continuam sendo um bom dinheiro mas não vamos perder a perspectiva dos números.
Agora, algumas ideias.
É claro que toda pessoa tem direito de ser contra a realização da Copa no Brasil.
Em 2007 levantei críticas neste espaço – como qualquer pessoa, interessada na arqueologia da internet, poderá comprovar.
Sete anos depois, essa discussão está fora de lugar. Depois da crise de 2008, a maior do capitalismo mundial em 85 anos, não é possível ignorar o lugar da Copa no estimulo a investimentos realizados no país. Os trabalhos da Copa garantem um acréscimo anual de 0,4% no PIB brasileiro. Também ajudam a criar 3,6 milhões de empregos. Talvez não seja a melhor saída. Nem a mais duradoura. Mas cabe lembrar que, sem alternativas, que jamais foram apresentadas, as pessoas não tem o que comer nem o que vestir, não é mesmo? Do ponto de vista dessas pessoas, a Copa já é uma vitória, ainda que parcial, beneficiando a população mais pobre. Ou desemprego no orçamento dos outros não arde?
Além de sugerir medidas de austeridade, que afundaram a Europa, alguém apareceu com ideias mais adequadas, socialmente aceitáveis?
A campanha contra a Copa é antiga. Se você fizer a arqueologia de seus críticos, irá encontrar declarações solenes de que o governo brasileiro deveria render-se definitivamente a supostas mediocridades nacionais e devolver a Copa para a FIFA. O argumento, na época, é que nem os estádios ficariam prontos. Sem comentários, não é mesmo?
O debate seguinte foi outro. Nossos dinossauros se tornaram sociais – e foi para isso que a aliança com porta-vozes de uma retórica de ultra-esquerda se tornou necessária.
Repare: a mesma turma que em 2007 – o ano em que o Brasil foi escolhido como país-sede –derrubou a CPMF, aquele imposto semi-invisível que garantia verbas para a saúde pública, resolveu pedir dinheiro para postos de saúde como argumento para combater a Copa.
Sem ruborizar, teve a mesma reação diante do programa Mais Médicos.
A tecnologia política é conhecida. Depois de negar recursos que poderiam, de forma consistente e duradoura, promover uma mudança real na saúde pública, vamos à rua pedir hospitais padrão-FIFA.
Com todo respeito pela população que dá duro na fila dos hospitais públicos – e também pelos que são ludibriados regularmente pelos planos privados – cabe perguntar: quem queremos enganar com isso?
Quem está falando de indignação real? Quem joga na hipocrisia total?
A resposta virá em outubro. Até lá, o que se quer é enganar o eleitor.