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  1. Webster Franklin

    19 de agosto de 2014 7:09 am

    As eleições e a mídia

    Da Carta Capital

     

    A influência dos meios de comunicação vai além da produção de noticiário. Eles contratam as pesquisas e organizam os debates.   por Marcos Coimbra — publicado 18/08/2014 11:18       ReproduçãoMídia

    Está mais que na hora de discutir a interferência da mídia no processo eleitoral. Na imagem, a entrevista de Aécio Neves no Jornal Nacional

     

    Na próxima terça 19, com o início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, entraremos na etapa final da mais longa eleição de nossa história. Começou em 2011 e nossa vida política gira em torno dela desde então.

    A batalha da sucessão de Dilma Rousseff foi iniciada quando cessou o curto período de lua de mel com as oposições, no primeiro ano de governo. Talvez em razão do vexame protagonizado por José Serra na campanha, o antipetismo andava em baixa.

    Durou pouco. Na entrada de 2012, o clima político deteriorou-se. As oposições perceberam que, se não fizessem nada, marchariam para nova derrota na eleição deste ano. Ao analisar as pesquisas de avaliação do governo e notar que Dilma batia recordes de popularidade a cada mês, notaram ser elevadas as possibilidades de o PT chegar aos 16 anos no poder. E particularmente odiosa. Serem derrotadas outra vez por Dilma doía mais do que perder para Lula.

     

    Ela era “apenas” uma gestora petista, sem a aura mitológica do ex-presidente. Sua primeira eleição podia ser creditada, quase integralmente, à força do mito. Mas a segunda, se viesse, seria a vitória de uma candidatura “normal”. Quantas outras poderiam se seguir?

    A perspectiva era inaceitável para os adversários do PT. Na sociedade, no sistema político e no empresariado, seus expoentes arregaçaram as mangas para evitá-la. A ponta de lança da reação foi a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo.

    Recordar é viver. Muitos se esqueceram, outros nem souberam, mas a realidade é que a “grande imprensa” formulou com clareza um projeto de intervenção na vida política nacional.

    Não é teoria conspiratória. Quem disse que os “meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”, foi a Associação Nacional de Jornais, por meio de sua presidenta, uma das principais executivas do Grupo Folha. Enunciada em 2010, a frase nunca foi tão verdadeira quanto de 2012 para cá.

    Como resultado da atuação da vanguarda midiática oposicionista, estamos há três anos imersos na eleição de 2014. A derrota de Dilma é buscada de todas as formas. O “mensalão”? Joaquim Barbosa? A “festa cívica” do “povo nas ruas”? O “vexame” da Copa do Mundo? A “compra da refinaria”? O “fim do Plano Real”? A “volta da inflação”? O “apagão” na energia? A “crise na economia”? A “desindustrialização”? O “desemprego”?

    Nada disso nunca teve verdadeira importância. Tudo foi e continua a ser parte do esforço para diminuir a chance de reeleição da presidenta.

    Ou alguém acha que os analistas e comentaristas dessa mídia acreditam, de fato, na cantilena que apregoam quando se vestem de verde-amarelo e se dizem preocupados com a moral pública, os empregos dos trabalhadores ou a renda dos pobres? Ou que queiram fazer “bom jornalismo”?

    Temos agora uma ferramenta para elucidar o papel da mídia na eleição. Por iniciativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está no ar o manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br), um site que acompanha a cobertura diária da eleição na “grande imprensa”: os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, além do Jornal Nacional da Globo (como se percebe, os organizadores do projeto julgaram desnecessário analisar o “jornalismo” do Grupo Abril).

    Lá, vê-se que os três principais candidatos a presidente foram objeto, nesses veículos, de 275 reportagens de capa desde o início de 2014. Aécio Neves, de 38, com 19 favoráveis e 19 desfavoráveis. Tamanha neutralidade equidistante cessa com Dilma: ela foi tratada em 210 textos de capa. Do total, 15 são favoráveis e 195 desfavoráveis. Em outras palavras: 93% de abordagens negativas.

    É assim que a população brasileira tem sido servida de informações desde quando começou o ano eleitoral. É isso que faz a mídia para exercer o papel autoassumido de ser a “oposição de fato”.

    O pior é que a influência dessas empresas ultrapassa o noticiário. Elas contratam as pesquisas eleitorais que desejam e as divulgam quando e como querem. E organizam os debates entre candidatos.

    Está mais que na hora de discutir a interferência dessa mídia no processo eleitoral e, por extensão, na democracia brasileira.

    http://www.cartacapital.com.br/revista/813/as-eleicoes-e-a-midia-1696.html

  2. Webster Franklin

    19 de agosto de 2014 7:57 am

    Deus e o diabo na terra da Globo

    Da Carta Maior

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Deus-e-o-diabo-na-terra-da-Globo/31627&page=1

     

     

     

  3. Assis Ribeiro

    19 de agosto de 2014 9:06 am

    Fausto e o moralismoO

    Fausto e o moralismo

    O neoliberalismo é também um projeto de retorno a uma ordem alicerçada exclusivamente em fundamentos econômicos

    Fausto vendeu-se ao demônio. Para adquirir poder e dinheiro entre os mortais, hipotecou a alma pela eternidade. Tamanha era a força da sua cupidez, a fome da riqueza abstrata, que, diante dela, a eternidade parecia durar apenas um segundo.

    Vai pela casa da tonelada a quantidade de tinta gasta para deplorar o poder do dinheiro, a sua força para corromper as consciências, desfigurar as almas e os sentimentos. Contra esse poder e essa força, lançaram-se poetas, filósofos, teólogos e até os moralistas de folhetim.

    George Simmel, em seu livro A Filosofia do Dinheiro, mostra que o sujeito atacado pelo amor “doentio” ao dinheiro não é uma aberração moral, mas o representante autêntico do indivíduo criado pela sociedade argentária. As qualidades dos bens e o gozo de suas utilidades tornam-se absolutamente indiferentes para ele. Suas preferências,  sentimentos,  desejos, são totalmente absorvidos pelo impulso de acumular riqueza monetária.

    É curioso observar como a sociedade argentária, ao transformar violentamente os indivíduos e suas subjetividades em simples coágulos monetários, pretenda ao mesmo tempo colocar barreiras, ensinando-lhes as virtudes da moderação, da frugalidade,  da solidariedade. Então, como podemos falar de sentimentos como honradez, dignidade, autorrespeito numa sociedade em que todos os critérios de sucesso ou insucesso são determinados pela quantidade de riqueza monetária que cada um consegue acumular?

    É difícil escapar da sensação de que a contenção desse impulso é impossível sem a coação e a intimidação crescentes. As leis devem se tornar cada vez mais duras e especializadas na tentativa de coibir o enriquecimento “sem causa” e a qualquer custo. Verdade? A experiência contemporânea parece demonstrar que os circuitos de enriquecimento ilícito – apesar do grande número de prisões e condenações – não fazem outra coisa senão aumentar, multiplicando-se mundo afora. As drogas e seus sistemas de produção e comercialização, a espionagem industrial e tecnológica, a corrupção política, a compra e venda de informações e de “desinformação” da opinião pública formam uma rede formidável e em rápido crescimento de circulação de dinheiro “sujo”.

     

    Esse dinheiro transita e é “esquentado” e “esfriado” nos mercados financeiros liberalizados. Negócios legais são muitas vezes fachadas para “branquear” dinheiro de origem ilícita. Os sistemas fiscais – diante dos circuitos financeiros que permitem a livre movimentação de capitais – perdem o seu caráter progressivo e passam a depender cada vez mais dos impostos indiretos e da taxação dos assalariados.

    Daí o enfraquecimento sem precedentes da esfera pública, a desmoralização dos poderes do Estado, a crescente onda de moralismo que revela, aliás, mais impotência do que indignação. Os perdedores desse jogo entregam-se a lamentações e ondas de protesto que se esgotam rapidamente entre o escândalo do momento e o próximo. Sem tempo para raciocinar, entregam-se ao consumo de fatos sensacionais e escabrosos.

    Nessas situações crescem os clamores por medidas “salvacionistas”, apoiadas na invocação da própria santidade, honestidade ou bons propósitos. Em geral, esses movimentos de opinião voltam-se contra o “formalismo” dos procedimentos legais. Os grandes pensadores da modernidade encaravam com horror a possibilidade de vitória dos grupos que veem no direito e na formalidade do processo judicial obstáculos ao exercício da moral. Para eles, tais protestos não são apenas errôneos, mas revelam apego malsão à sua própria particularidade,  desfrutada narcisisticamente sob o disfarce da moralidade.

    No capitalismo realmente existente são os negócios que invadem a esfera estatal. A concorrência entre as grandes empresas impõe a presença do Estado nos negócios e envolve a disputa por sua capacidade reguladora e por recursos fiscais. Isso significou  abrir as portas para a invasão do privatismo nos negócios do Estado.

    O neoliberalismo também pode ser entendido como um projeto de retorno a uma ordem jurídica alicerçada exclusivamente em fundamentos econômicos. Para tanto, é obrigado a atropelar e estropiar, entre outras conquistas da dita civilização, as exigências de universalidade da norma jurídica. No mundo da nova concorrência e da utilização do Estado pelos poderes privados, a exceção é a regra. Tal estado de excepcionalidade corresponde à codificação da razão do mais forte, encoberta pelo véu da legalidade.

    Seria uma insanidade, no mundo moderno e complexo, tentar substituir os preceitos e a força da lei pela presunção de virtude autoalegada por qualquer grupo social ou, pior ainda, por aqueles que ocupam circunstancialmente o poder.

    http://www.cartacapital.com.br/revista/813/fausto-e-o-moralismo-8804.html

     

  4. Assis Ribeiro

    19 de agosto de 2014 9:24 am

    Ministro do STF anula decisão

    Ministro do STF anula decisão de Barbosa sobre leilão de bens de Marcos Valério
     

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso anulou decisão do ex-ministro Joaquim Barbosa que determinou o leilão dos bens do empresário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão.  Barroso entendeu que a decisão deveria ser tomada pelo juiz responsável pela Vara de Execuções Penais, não pelo STF.

    A decisão de Barbosa foi assinada no dia 10 de junho. No dia 17 do mesmo mês, ele renunciou à relatoria das execuções das penas do processo do mensalão. Na ocasião, o ex-presidente do Supremo determinou o leilão de imóveis e carros de luxo para ressarcir os cofres públicos, além de entender que Valério não poderia pagar a multa de R$ 4,4 milhões, cobrada em função da condenação, com os bens bloqueados. A decisão também atingiu a ex-mulher de Valério, Renilda Santiago, e os ex-sócios dele, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach,

    No despacho, Barroso, atual relator das execuções, afirmou que, conforme decisão do plenário da Corte, a competência para decidir a questão é da Justiça de Primeira Instância. “Nos termos do que foi decidido pelo plenário e ratificado na sessão de 25/06/2014, já sob a minha relatoria, todas as matérias que esta Corte não tenha expressamente reservado para si deverão ser conduzidas pelo juízo competente para a execução. Por essa razão, torno sem efeito a decisão, sem que isso importe em qualquer juízo acerca do seu mérito”, decidiu Barroso.

    Todos os bens de Marcos Valério estão bloqueados desde a fase de investigação do processo do mensalão para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-08/ministro-do-stf-anula-decisao-de-barbosa-sobre-bens-de-marcos-valerio

  5. Assis Ribeiro

    19 de agosto de 2014 9:26 am

    Acordo entre estados e

    Acordo entre estados e governo quer garantir abastecimento de água no Sudeste

    Um acordo firmado hoje (18) em Brasília pretende  garantir o abastecimento de água nos estados do Sudeste. Foi discutido o cenário de abastecimento do Rio Paraíba do Sul, nos municípios que dependem diretamente do rio.

    O acordo foi assinado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e os secretários estaduais de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo,  Mauro Arce, e de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Francisco Portinho , e de Minas Gerais, Alceu José Torres Marques. A reunião também teve a participação do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp.

    Saiba Mais

    Decisão da Cesp de reduzir vazão de usina abre precedente, diz diretor do ONSAneel aguarda resposta da Cesp sobre redução de vazão não autorizada

    O acordo tem três pontos. A partir do dia 10 de setembro, o Rio de Janeiro vai reduzir a vazão de 165 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 160 m³/s, na Barragem de Santa Cecília.

    Em São Paulo, a Barragem Jaguari volta a operar com 43 m³/s. Atualmente está operando com 10 m³/s, após decisão unilateral da  Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de reduzir a vazão da  Usina Hidrelétrica Jaguari de 30 m³/s para  10 m³/s . A barragem federal de Paraibuna reduzirá os 80 m³/s para 47 m³/s. Ambas farão as alterações à meia-noite do dia 20 de agosto.

    O acordo vai vigorar até novembro. Neste período, segundo Izabella, as medidas deverão garantir o abastecimento. Em meados de setembro haverá uma reunião para avaliar a efetividade das medidas e, caso necessário, serão feitas alterações no acordo.

    De acordo com a ministra, a questão vinha sendo discutida desde fevereiro, antes do período de seca. “Se não tiver essa gestão, os reservatórios esvaziam rapidamente e podem secar antes das chuvas. Isso deverá assegurar o abastecimento de água para as populações”.

    O sistema de captação direta no Paraíba do Sul  atende a 37 municípios, sendo 26 no Rio de Janeiro e 11 em São Paulo, e a uma população de 11,2 milhões de pessoas. Em Minas Gerais, 88 cidades são afetadas indiretamente, por serem abastecidos pelos afluentes.

    Ainda não há estimativa de quanto custarão as medidas, mas a ministra adianta que são modificações simples, que não requerem muitos recursos financeiros.

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-08/acordo-entre-estados-e-governo-quer-garantir-abastecimento-de-agua-no-sudeste

  6. Assis Ribeiro

    19 de agosto de 2014 9:38 am

    O que é que a Marina tem?
    É

    O que é que a Marina tem?

    É consenso entre os analistas políticos e palpiteiros diversos que a entrada de Marina Silva no jogo da eleição presidencial embola o meio de campo e, em consequência, assusta os líderes desta corrida, Dilma Rousseff e Aécio Neves. Mas, em termos práticos, de onde vem este medo? Não da coligação partidária da candidata, menos estruturada do que as do PSDB e PT e que lhe renderá tempo de TV proporcionalmente muito menor do que os partidos citados. Mesmo os 20 milhões de votos de 2010 não seriam motivo suficiente para tanta preocupação, afinal cada eleição é um jogo novo.

    Minha aposta é que Marina Silva traz para as eleições deste ano, por força do destino, um elemento que estava ausente: a força do símbolo. Várias pesquisas mostram que uma parcela significativa dos eleitores querem “mudança”, mas nenhum dos candidatos, sequer Eduardo Campos, estava conseguindo personificar este desejo latente na sociedade. Diante desta ausência de forças simbólicas, a inércia ia apontando para uma disputa quase plebiscitária.

    E é aí que a chegada de Marina muda tudo. Ela traz consigo a possibilidade de ser a encarnação viva desta mudança. Mas o que torna sua entrada na disputa eleitoral ainda mais explosiva e imprevisível é o fato de, tal como Lula no seu momento, ela encarnar vários dos elementos do “monomito” ou “jornada do herói”, necessários, segundo Joseph Campbell, formulador da teoria, para criar mitos e, por meio de uma narrativa bem armada, perpetuá-los no inconsciente coletivo.

    Estes elementos foram arrumados por Christopher Vogler, famoso roteirista de Hollywood, para que ficassem mais adaptados às narrativas contemporâneas. Esta adaptação gerou um famoso memorando interno que passou a orientar o processo de roteiros dos filmes e animações da Disney.

    E qual seria, então, a jornada do herói da Marina Silva? Bom, vamos seguir os 12 passos desta aventura, tal como propostos por Vogler, a partir do trabalho de Campbell. Obviamente, várias passagens da vida da candidata poderiam ajudar a preencher esta narrativa. Eis a minha aposta:

    Ato I – Apresentação
    Mundo Comum – Conhecemos a origem de vida de Maria Osmarina Silva, que só se tornaria “Marina” depois, graças ao apelido dado por uma tia, as dificuldades de sua família, que morava em uma palafita, em sobreviver do extrativismo em plena floresta, a morte da mãe quando ela tinha 14 anos, o fato de que até os 16 anos não sabia ler ou escrever.

    Chamado à aventura – Aos 15 anos uma primeira grande mudança em sua vida, talvez a mudança determinante: Marina é obrigada a morar em Rio Branco, capital do Acre, para tratar da malária.

    Recusa do chamado – Ter de sair do seio da família não deve ter sido fácil. Ainda mais porque na mesma época duas de suas irmãs morrem, de sarampo e malária.

    Encontro com o mentor – Em 1974, com 16 anos, Marina conhece Dom Moacyr Grechi, então bispo do Acre, que a recebe na casa das irmãs Servas de Maria. Ela chegou a pensar em ser freira. Outro mentor, provavelmente o mais importante, foi Chico Mendes, com quem fundou a Central Única dos Trabalhadores do Acre e com quem lutou juntos pelos direitos dos seringueiros.

    Travessia do Primeiro Limiar – Ainda em 1974, Marina se matricula no Mobral (movimento de alfabetização de adultos criado pelo governo militar) e aprende a ler e escrever. Um ponto “sem retorno”. Sem dúvida algo transcendental em sua vida.

    Esquema clássico da Jornada do Heroi
    2014-08-18-JornadadoHeroi.jpg

    Ato II – Conflito
    O ventre da baleia (testes, aliados e inimigos) – Com certeza foram muitos “testes” até mostrar o seu valor, como quando se candidatou a deputada federal pelo PT em 1986 e não foi eleita. Ou quando Chico Mendes foi assassinado em 1988, no mesmo ano em que foi eleita vereadora em Rio Branco. De frente já criou vários inimigos ao questionar os privilégios financeiros dos vereadores e a devolver todos os benefícios aos quais julgava não ter direito. Mais um teste veio com a descoberta da sua doença causada pela exposição ao mercúrio e outros metais pesados nos tempos de seringueira. Foi eleita a senadora mais jovem da República em 1994 e depois reeleita em 2002.

    Aproximação da “caverna oculta” – na tipificação de Vogler/Campbell este é o momento em que de posse de uma “arma mágica”, nosso herói chega à caverna do inimigo. No caso da Marina, esta arma poderia ser sua vida inteira de luta por temas ambientais e de direitos dos povos das florestas. Isso lhe deu legitimidade para assumir o cargo de Ministra do Meio Ambiente no governo Lula.

    Provação suprema – O momento do embate com o antagonista. E quem seria este antagonista? Vários possíveis: os interesses do agronegócio, a visão desenvolvimentista a qualquer custo do governo e, no limite, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, agora sua antagonista real na corrida para a Presidência da República.

    Recompensa – Seria a hora de o herói ganhar seu prêmio por vencer o antagonista. Mas Marina Silva não venceu diretamente esta batalha como ministra. Pediu demissão e, com isso, sua vitória foi mais sutil: consolidou sua imagem de coerência e palmilhou seu caminho para ser a preferida daqueles que querem “mudar isso que está aí”.

    Ato III – Resolução
    Caminho de volta – O herói volta “para casa”, se reconstrói e prepara o caminho para reemergir. Marina fica em terceiro lugar nas eleições de 2010, prepara a criação de uma nova força política, a Rede Sustentabilidade, que, apesar dos percalços, segue seu rumo e lança-se novamente na aventura política presidencial em 2014, como candidata a vice na chapa montada pelo PSB.

    Ressureição – Revivido por “poderes mágicos”, ou pela providência divina, o herói volta. Por força de uma tragédia inesperada que levou a vida do candidato Eduardo Campos e de mais seis pessoas, Marina é alçada à cabeça da chapa, com condições concretas de chegar à Presidência.

    Retorno com o elixir – O herói retorna com a uma “solução mágica”, que no caso da Marina Silva seria, logicamente, a Presidência da República. Esta parte do mito está sendo escrita neste momento. E ainda não é possível saber se a jornada do herói de Marina Silva vai se completar desta forma.

    O fato é que se bem trabalhada esta jornada pode resultar em uma narrativa muito poderosa. O mesmo tipo de narrativa, por exemplo, que cerca a imagem do Lula e que o transformou em um símbolo. E é muito difícil combater símbolos e mitos. Especialmente quando eles encontram ressonância com o momento em que a sociedade vive.

    http://www.brasilpost.com.br/renato-guimaraes/o-que-e-que-a-marina-tem_b_5686592.html?utm_hp_ref=brazil

  7. Webster Franklin

    19 de agosto de 2014 9:41 am

    Dilma no Jornal Nacional

    Diário do Centro do Mundo

     

    Postado em 18 ago 2014

     

    por :

         

       

     Captura de Tela 2014-08-18 às 21.21.44

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    Dilma foi melhor no Jornal Nacional do que tinha sido na sabatina do UOL.

    Eduardo Campos, num de seus últimos pronunciamentos, disse que a cada entrevista você vai melhorando, como se estivesse treinando futebol.

    Foi uma boa imagem, e isso explica pelo menos em parte o avanço de Dilma no JN em relação ao UOL.

    Ela foi também beneficiada por uma coisa: a previsibilidade das perguntas. E então pôde se preparar adequadamente.

    O foco da sabatina, como era de imaginar, foi corrupção e economia, com um breve intervalo em saúde.

    Na corrupção, o que se viu foi como um braço de ferro entre Bonner e Dilma, no qual ela se saiu melhor.

    Por uma razão. Bonner foi de uma credulidade brutal ao falar nos sucessivos “escândalos” do governo Dilma.

    Ele falou como se acreditasse em todos.

    Ora, fora do universo fechado das grandes empresas de mídia, todos sabemos quanto há de exagero ou mesmo invenção nas constantes denúncias trazidas bombasticamente por jornais e revistas, e depois ampliadas pelos telejornais como o comandado pelo próprio Bonner.

    Dilma lembrou, com propriedade, que muitos dos “escândalos” não se comprovaram reais depois de investigados.

    Ao questionar a mídia, Dilma como que trocou de papel com Bonner por momentos. Era como se ele fosse o sabatinado.

    A mídia não resistiria a uma sabatina sobre o rigor jornalístico na maior parte dos “furos” de corrupção no PT.

    Carlos Lacerda fabricava casos de corrupção contra Getúlio Vargas para dar feições terríveis ao “Mar de Lama”. Não tem sido muito diferente nos dias de hoje.

    Bonner, mais uma vez numa posição de absoluta credulidade, invocou as decisões do Supremo no Mensalão como acima do bem e do mal.

    Ora, valeu tudo no julgamento. A começar pela inovação de condenar sem provas com a assim chamada “teoria do domínio do fato”, uma excrescência jurídica que deve se despedir do Supremo junto com Joaquim Barbosa.

    Dilma completou a boa resposta ao lembrar que em nenhum momento comentou as decisões do Supremo por respeito à autonomia dos poderes.

    Patrícia Poeta trouxe a saúde ao debate, mas eis um terreno bom para Dilma. A saúde pública brasileira, com todas as suas conhecidas precariedades, foi amplamente beneficiada na gestão Dilma pelo programa Mais Médicos.

    Falar em saúde com Dilma é como dar a ela uma oportunidade de lembrar as dimensões do Mais Médicos. Que outro programa na saúde pública teve tamanho impacto quanto este?

    A economia foi brandida por Bonner contra Dilma. Mais uma vez, era fácil antever as questões: inflação e baixo crescimento.

    Não foi o melhor momento para criticar a inflação sob Dilma, porque as últimas taxas são particularmente baixas, quase na casa do zero por cento.

    Bonner pareceu querer responsabilizar Dilma pelo baixo crescimento, como se a crise econômica internacional que estourou em 2008 fosse uma simples desculpa.

    Não é.

    Num mundo tão interconectado, uma crise internacional acaba por afetar todo mundo.

    Numa primeira fase, é verdade, os países emergentes conseguiram escapar dos apuros, com destaque para a China e seu crescimento na casa dos 10% ao ano.

    Mas, depois, também os emergentes foram apanhados pela onda. O crescimento econômico da China, para ficar no caso mais conspícuo, sofreu uma notável desaceleração nos últimos dois ou três anos.

    É neste novo ambiente que também a economia brasileira começou a andar mais devagar.

    Dilma se saiu bem ao lembrar que, ao contrário de outras crises, a resposta agora não se traduziu, para a sociedade, em arrocho de salários e demissões em massa.

    O real problema da economia brasileira não é o baixo crescimento momentâneo – mas a desigualdade de sempre.

    Não adianta nada ter um PIB que cresça 10% ao ano se o dinheiro for parar num pequeno grupo privilegiado enquanto a miséria persiste entre tantos brasileiros.

    Mas desigualdade não é um tema para Bonner e nem para a Globo.

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/dilma-no-jornal-nacional/

     

  8. Webster Franklin

    19 de agosto de 2014 10:14 am

    Deus e o diabo na terra da Globo

    18/08/2014    00:00

    Deus e o diabo na terra da Globo

    Há 60 anos do suicídio de Vargas, o conservadorismo reedita em farsa a tragédia. Ensaia um simulacro de catarse nacional varguista em torno da morte de Campos.

     

    por: Saul Leblon

     

         Fernando Frazão/Agência Brasil

     

    O conservadorismo brasileiro já viu o poder escorrer pelos dedos algumas vezes. Mas nunca de forma tão abrupta como há 60 anos, quando Getúlio Vargas cometeu o suicídio político mais demolidor da história em 24 de agosto de 1954.

    Chocada com a morte de um governante que preferiu renunciar à vida a abdicar do mandato como exigia o cerco virulento das elites, a população foi às ruas em um misto de consternação e fúria para perseguir e escorraçar porta-vozes do golpismo contra o Presidente.

    A experiência da tragédia abalou o cimento da resignação cotidiana. No Rio de Janeiro, a multidão elegeu a dedo o seu alvo simbólico: cercou e depredou a sede da rádio Globo que saiu do ar.

    Carros de entrega do diário da família Marinho foram caçados, tombados, queimados nas vias públicas. Prédios de outros jornais perfilados no ultimato pela renúncia conheceram a força da ira popular.

    Com a mesma manchete do dia anterior, atualizada pela fatalidade, os exemplares do único jornal favorável ao governo, o Última Hora, eram disputados nas esquinas por uma população desesperada, perplexa, em luto.

    A tiragem extra de 850 mil exemplares, providenciada a toque de caixa pelo editor Samuel Wainer, sustentou a declaração premonitória de Getúlio 24 horas antes. Agora, porém, revigorada pela mão do editor: “O presidente cumpriu a palavra: ”Só morto sairei do Catete!”.

    O resto é sabido.

    O sacrifício impôs duro recuo ao golpismo que só executaria seu plano original de tomar o poder dez anos depois, em 1964.

    Passados exatos 60 anos da morte de Vargas, o conservadorismo brasileiro reedita agora uma trama ainda mais ousada.

    Construir um simulacro de catarse nacional varguista a seu favor, emprestando à justa consternação pela morte de Eduardo Campos uma dimensão histórica que ela não tem.

    Assim como a de Tancredo Neves também não teve.

    Ambas por uma razão difícil de abstrair: nem um, nem outro personificaram, de fato –e assumidamente– um polo da correlação de forças em disputa pelo comando da sociedade e do desenvolvimento brasileiro.

    Vargas, ao contrário, encarnara um divisor real, consagrado nas urnas de outubro de 1950, de forma esmagadora, apesar do asfixiante boicote que lhe foi imposto pela mídia.

    Na resposta ao cerco, a campanha de Vargas levaria uma frota de caminhões a cruzar o país munida de caixas de som e filipetas.

    Em cada morada do voto fazia-se a ampla distribuição de panfletos. Neles, a promessa revolucionária –para a época– de um Brasil nacionalista e de feição popular.

    Quatro milhões de eleitores deram seu voto a esse desassombro; o dobro dos obtidos pelo ‘brigadeiro das elites’, Eduardo Gomes.

    Iniciou-se, então, aquilo que passou à historia como o ‘segundo Vargas’, para se diferenciar de seu primeiro ciclo no poder, iniciado com a revolução de 1930, que se estendeu pela ditadura de 37.

    O ‘segundo Vargas’ criou o BNDE (sem o ’s’ ainda) em 1952; a Petrobrás em 1953, no auge da campanha ‘o petróleo é nosso’ ,e decretou um aumento de 100% do salário mínimo no 1º de Maio de 1954.

    Era uma rota de colisão incontornável.

    Ao mesmo tempo em que espetara as estacas necessárias à dimensão industrializante da soberania nacional, com infraestrutura, restrições à mobilidade do capital estrangeiro e expansão do mercado interno, Vargas atraía as espirais de um cerco de interesses que hoje, como ontem e sempre sonegaram legitimidade a um dinâmica de desenvolvimento inclusiva.

    Só uma grosseira remodelagem da história poderá atribuir a Eduardo Campo ou a seu avatar feminino idêntica importância histórica.

    Nem mesmo com sinal trocado.

    Campos, antes e, ao que tudo indica, Marina de agora em diante, transitam num espaço de ambiguidade resultante do fracasso conservador em tornar palatável a restauração neoliberal no país, após 12 anos de governo do PT.

    Seu candidato do peito, José Serra, mostrou-se indigesto ao eleitor por duas vezes e, por fim, ao próprio partido. O digerível Aécio Neves antes mesmo do embicar no aeroporto da fazenda do tio Múcio, bateu num teto baixo em torno de 20% dos votos, insuficiente para arrastar Dilma ao 2º turno.

    A delicada operação em curso consiste em dar abrangência nacional-varguista à comoção do povo pernambucano pela perda do líder que governou o estado por duas vezes; e de transferir esse sentimento para uma terceira persona, Marina Silva, de modo a injetar competitividade eleitoral em uma quarta, Aécio Neves, e assim provocar uma segunda volta às urnas na base do ‘todos contra Dilma’.

    Não surpreende que a ‘providência divina’ seja evocada para costurar esse frankenstein histórico.

    Nessa alquimia destinada a produzir um adversário sobre-humano, uma junção de vivos e mortos para derrotar Dilma, caminhamos perigosamente do êxtase para o delírio conservador.

    Não é preciso esfalfar neurônios para imaginar quem será o núcleo diretor dessa superprodução destinada a reeditar em farsa a tragédia de 54.Vargas, ao contrário, encarnara um divisor real, consagrado nas urnas de outubro de 1950, de forma esmagadora, apesar do asfixiante boicote que lhe foi imposto pela mídia.

    A persistir a ladainha das últimas horas, ingressaremos num degrau grotesco de manipulação da opinião pública para sustentar o que se pretende a partir de um fato gerador que não o comporta.

    Glauber Rocha que entendia a força do misticismo na sociedade brasileira sem dúvida trabalhou esses elementos de forma mais complexa do que a encenação grotesca que se anuncia como realidade.

    Glauber morreu há 33 anos, em 22 de agosto de 1981. Tinha apenas 42 anos de idade, mas aos 25 já havia realizado Deus e o Diabo na Terra do Sol.

    O filme estrearia no Rio de Janeiro três dias depois do lendário comício da Central do Brasil e duas semanas antes do golpe de 64.

    ‘Deus e o Diabo’ guarda a atualidade de uma metáfora da encruzilhada brasileira, uma sociedade mergulhada em contradições estruturais dilacerantes mas sem força transformadora para efetivar as famosas ‘reformas de base’.

    No filme, o vaqueiro Manoel encarna o povo brasileiro, a ‘massa pobre’, diria Glauber. Injustiçado pelo coronel para quem trabalhava,  Manoel depois de mata-lo e ser perseguido engaja-se sucessivamente na procissão desesperada do beato Santo Sebastião e no bando de Lampião.

    Mas não encontrará  redenção nessas manifestações primitivas de rebelião, que Glauber valorizava como uma ruptura com o racionalismo bem comportado e inócuo diante da opressiva ordem dominante.

    O cinema do premiado diretor de ‘Terra em Transe’, porém, não hesitava também em denunciar os limites dessa chave alternativa,  expondo-a no paradoxo de uma estética aflitiva na qual os personagens parecem presos ao chão enquanto a câmera se move vertiginosamente ao seu redor.

    Deus e o diabo se confundem na terra  do sol, parece nos dizer Glauber. A figura dilacerada do jagunço Antônio das Mortes, talvez o personagem matricial da sua saga, dividido entre a consciência social e a obrigação pistoleira, é a síntese dessa tragédia.

    Mas nem tudo é ambiguidade. Pelo menos isso o cinema de Glauber, deixou claro em relação ao país: ‘Deus nos deu  a vida;  o Diabo inventou o arame farpado’, dizia .

    A farsa em curso nos dias que correm visa justamente embaralhar esse divisor.

    Quer  vender  arame farpado como sinônimo de redenção da vida brasileira.
     
    A ver.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Deus-e-o-diabo-na-terra-da-Globo/31627&page=3

     

  9. Caio Hostilio

    19 de agosto de 2014 10:33 am

    Contra a ferrovia Norte/Sul e o Porto do Itaqui…

    Flávio Dino é contra a ferrovia Norte/Sul e o Porto do Itaqui…

    Publicado em agosto 19, 2014 por Caio Hostilio

    candidatosdebateOntem (18), no debate da TV Guará, entre os candidatos ao governo do Estado do Maranhão, no momento em que os candidatos comentavam a pergunta de uma pessoa ligada a uma entidade e após suas considerações o candidato repassava o assunto em questão a um de seus oponentes, o candidato Lobão Filho foi sorteado para comentar um questionamento de um dos diretores da Fiema sobre seus projetos para engrandecer a logística no que tange a ferrovia Norte/Sul, as rodovias e, principalmente o Porto do Itaqui, além da atração de grandes investimentos.

    O candidato Edison Lobão ponderou dentro das expectativas de todos aqueles que pensam no engrandecimento econômico, social e de mercado internacional, assim como pensam, também, os candidatos à Presidência da República.

    Para comentar o assunto, o candidato Lobão Filho escolheu o seu oponente Flávio Dino… Para mim não foi surpresa alguma, pois eu sabia que o ex-juiz desconhece por completo as perspectivas mercadológicas e a importância da logística para sua evolução.

    Simplesmente Flávio Dino disse que a Norte/Sul e o Porto do Itaqui beneficiam poucos, no máximo sete grandes empresas, como a fabrica de celulose instalada em Imperatriz, fábrica comentada como exemplo por Lobão Filho…

    Que sua pretensão é investir nos pequenos empresários maranhenses, nas quebradeiras de coco etc. Tudo bem até aí, mas porque ele não mostra inovações para essas áreas?

    Será que ele ainda é a favor das estradas carroças e da quebra de coco com machado? Quando será que ele pensará em inovar? Será que ele já pensou em criar cooperativas dessas quebradeiras de coco com um maquinário apropriado para triturar toneladas de coco, deixando, com isso, os recursos medievais? Nunca passou por sua cabeça que os derivados do coco babaçu poderiam ser comercializados através das rodovias, ferrovias e pelo Porto do Itaqui?

    Será possível que o candidato Flávio Dino não sabe da luta dos produtores agrícolas, dos produtores gado de corte, dos produtores da carne frango e da carne suíno (principalmente com a crise entre os USA e a Rússia) e das indústrias do Sudeste e do Centro-Oeste para que a ferrovia Norte/Sul seja concluída e assim possam exportar seus produtos pelo Porto do Itaqui com preços mais competitivos para a Europa e a Ásia?

    Não passou por sua cabeça que diante de tudo isso é gerados milhares de empregos diretos e indiretos, além da criação de pequenos empreendimentos?

    Meu Deus!!! Não se pode fazer proselitismo político num assunto tão sério como esse… Tentar angariar votos de quebradeiras de coco, quilombolas e pescadores artesanais, sem que mostrem algo de concreto que possa trazer avanços para as formas de produção praticadas por essas etnias… Usam essas pessoas apenas de forma hipócrita… É nojento demais!!!

    Nunca pensei escutar tanta baboseira num debate, mas esse debate da TV Guará mostrou o quanto à politicalha e a falta de preparo superam o que de fato o povo precisa!!!

    Que tristeza…

  10. Allan Patrick

    19 de agosto de 2014 11:24 am

    Em 4 anos Brasil reduz um Reino Unido em emissões de carbono

    http://www.hugomanso1366.com.br/em-quatro-anos-brasil-reduz-um-reino-unido-em-emissoes-de-carbono/

    Em quatro anos Brasil reduz um Reino Unido em emissões de carbono

    Brasil cumpriu meta de redução de emissões por desmatamento

    O Brasil foi o único país, até agora, a cumprir a meta de redução das emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao desmatamento, como determinado naConferência das Partes sobre o Clima de Durban (COP-17), na África do Sul, em dezembro de 2011. A informação foi divulgada hoje (3) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

    A ministra adiantou que na próxima quinta-feira (5), o Brasil vai apresentar formalmente os números da redução de emissões àConvenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).

    “O Brasil é o único país do mundo, até agora, que vai fazer um depósito de valores de referência mostrando que nós não só estamos reduzindo as emissões como estamos contabilizando essa redução de emissões associadas ao desmatamento evitado e mostrando ao resto do mundo que o mecanismo de Reddplus [Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal com programas de conservação e manejo florestal] é efetivo para a redução de emissões e também dialoga com a Convenção da Biodiversidade, porque você evita o desmatamento e a perda da biodiversidade”.

    Izabella lembrou que, pelos acordos internacionais, o Brasil não tem obrigação de reduzir as emissões, mas o faz para mostrar que é possível caminhar para uma sociedade com economia de baixo carbono e levar dados concretos para as negociações globais.

    “Se você somar todos os esforços para redução do desmatamento no planeta, não soma os esforços de redução do desmatamento que a sociedade brasileira oferece. É mais um golaço do Brasil. Espero que nas negociações do clima agora em Lima [COP-20, no Peru, em dezembro deste ano] e depois em Paris [COP-21,na França, no ano que vem] isso seja uma contribuição para a gente dar celeridade, com os resultados concretos, a um novo acordo global de clima”.

    De acordo com a ministra, o Brasil reduziu, nos últimos quatro anos, o equivalente ao que todo o Reino Unido emite anualmente. “São 600 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, essa é a magnitude da redução do desmatamento no Brasil”, calculou.

    Com informações da Agência Brasil.

  11. Paulo F.

    19 de agosto de 2014 12:40 pm

    A importancia do protetor solar

    http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4083816

  12. CyroVelho

    19 de agosto de 2014 12:41 pm

    América Latina não tem anticorpos para combater o chikunguña
    El País: América Latina não tem anticorpos para combater o chikunguña
    Jornal do Brasil
    http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2014/08/18/el-pais-america-latina-nao-tem-anticorpos-para-combater-o-chikunguna/?from_rss=rio

    O El País, em matéria publicada neste domingo (17), alerta para os riscos de uma epidemia que começa a fincar os pés na América Latina: o chikunguña. Segundo o jornal, o vírus se propagou rapidamente pela América Latina e pelo Caribe e já causou a morte de 21 pessoas e infectou cerca de 6 mil. Uma quantidade baixa se comparada a outras infecções similares, mas que preocupa os especialistas devido a sua aparição recente, ou seja, toda a população latino-americana é suscetível à doença.

    Assim como o Ebola, que atualmente é uma preocupação global, o chikunguña veio da África. O nome complicado do vírus quer dizer “dobrar-se em dor”, na língua makonde, de onde o vírus é nativo. Foi dessa região que surgiram os primeiros infectados pela doença que, posteriormente, se estendeu para a Oceania, sudeste asiático e alguns lugares dos Estados Unidos. O mais preocupante dessa doença recente é que o vetor é o Aedes aegypti, conhecido por transmitir o vírus da dengue.

    Na América – latina os primeiros casos foram detectados no final de 2013 e já existe uma suspeita de que 500 mil pessoas tenham contraído a doença, principalmente no Caribe. Em entrevista para o El País, Fernando Lavadenz, especialista em saúde do Banco Mundial explica que o ciclo de migrações e viagens freqüentes podem ter espalhado o vírus. O Aedes aegypti se torna o vetor do chikunguña após picar uma pessoa infectada com a doença. “Até o momento existem 30 países da América Latina com registros da doença”, explica Lavadenz. “Certamente algumas dessas pessoas não usam proteção e foram mordidos pelos mosquito Aedes aegypti. Após mudar-se de volta ao seu país, quando o vírus já está no fluxo sanguíneo as pessoas se tornam potenciais transmissores da doença, quando picado por mosquitos que não têm o vírus”.

    Uma outra razão para a preocupação, segundo o El País é que a doença não existe nas regiões do Caribe e da América Latina “Isto é, não há nenhum histórico de anticorpos para chikunguña, nenhuma resistência natural contra a doença, de modo que a taxa de ataque de mosquitos é muito alta. Finalmente, o fato de o vetor do Aedes aegypti é o mesmo do chikunguña, o que faz com que países com altas taxas de dengue sejam suscetíveis a doença” conclui Lavandez para o El País.

    Além disso, Lavandez destaca que é necessário que os países da América Latina adotem políticas de vigilância de saúde que possam detectar a doença o mais rápido possível “Os países com um bom sistema de vigilância são mais capazes de enfrentar o chikunguña”, destaca.

    “Por outro lado, você tem que fornecer formação e informação aos profissionais de saúde. Saber qual é a letalidade da doença, suas características clínicas e ter diretrizes nacionais, incluindo indicações para combater e detectar”, conclui Lavandez para o El País.

  13. CyroVelho

    19 de agosto de 2014 12:42 pm

    Bardarbunga “mais perigoso” que vulcão de 2010
    Bardarbunga “mais perigoso” que vulcão de 2010
    http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4083764&seccao=Biosfera
    por Lusa, publicado por Marina Almeida
    Bardarbunga “mais perigoso” que vulcão de 2010

    O geofísico Fernando Carrilho admitiu hoje que o vulcão islandês Bardarbunga, que entrou em atividade no sábado, é “mais perigoso” do que aquele que provocou o caos na Europa em 2010, mas sublinha ser cedo para prever consequências.

    A Islândia elevou na segunda-feira o nível de alerta de erupção vulcânica para laranja, o segundo mais grave da escala, devido à atividade que o Bardarbunga tem apresentado nos últimos dias, anunciou o instituto de meteorologia local.

    Em declarações à agência Lusa, o chefe de divisão de geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Fernando Carrilho, explicou que a zona está a ser monitorizada pelo instituto meteorológico islandês, sublinhando que ainda “é especulativo” saber se a erupção vai, de facto, ocorrer.

    “Nesta fase ainda é especulativo, não sabemos se a erupção vai ocorrer ou não, nem qual vai ser a sua dimensão, sendo que os efeitos que pode provocar são fortemente condicionados pela intensidade da erupção”, explicou.

    “Sabe-se que é um vulcão perigoso, mais perigoso e com uma dimensão superior àquele que entrou em erupção há quatro anos, mas não se sabe se, entrando em erupção, vai libertar toda a energia que potencialmente pode libertar. Temos de continuar a aguardar e confiar nos colegas islandeses que têm uma enorme experiência nesta área”, frisou o geofísico.

    De acordo com Fernando Carrilho, até ao momento, o que foi monitorizado pelas autoridades islandesas foi o aumento da atividade sísmica na zona do vulcão, o que deu origem a sucessivas subidas do nível de alerta na região, estando agora no patamar quatro de um máximo de cinco.

    1. CyroVelho

      19 de agosto de 2014 2:24 pm

      Bárdarbunga: Notícias e
      Bárdarbunga: Notícias e atualizações de atividade do vulcão
      Bárdarbunga vulcão (Islândia): terremotos contínuos, mas nenhuma erupção ainda
      Terça-feira 19 agosto, 2014
      http://www.volcanodiscovery.com/bardarbunga/news/46887/Brdarbunga-volcano-Iceland-continuing-earthquakes-but-no-eruption-yet.html

      A atividade sísmica intensa do vulcão Bárdarbunga continua, mas não há sinais de magma atingindo a superfície, ou seja, de uma nova erupção do vulcão ainda.
      Até agora, 164 terremotos de magnitudes entre 1,2 e 2,8 foram detectados hoje e o nível de tremor permanece elevado.
      Os terremotos agrupam-se em uma área na parte nordeste do sistema vulcânico. Este é o local onde uma nova intrusão magmática provavelmente ocorreu no momento, mas é incerto se ela resultará em uma erupção.
      Uma nova webcam foi instalada a aproximadamente 30 km da provável localização onde está prevista a ocorrência de uma erupção.
      Um avião da guarda costeira foi colocado a monitorar visualmente a área e sismógrafos portáteis estão sendo instalados.

  14. CyroVelho

    19 de agosto de 2014 1:17 pm

    Papa suspende proibição à beatificação de bispo salvadorenho
    Papa suspende proibição à beatificação de bispo salvadorenho
    Atualizado em 18 de agosto, 2014 – 22:25 (Brasília) 01:25 GMT

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140818_papa_suspensao_beatificacao_el_salvador_lgb.shtml
    Arcebispo de San Salvador, Óscar Romero | BBC

    Igreja Católica bloqueou processo por causa de temores de que Óscar Romero tivesse ideias marxistas

    O papa Francisco suspendeu nesta segunda-feira a proibição que vigorava contra a beatificação do arcebispo salvadorenho Óscar Romero (1917-1980).

    Durante anos, a Igreja Católica bloqueou o processo por temor de que Romero tivesse ideias marxistas.

    Crítico aberto do regime militar durante a sangrenta guerra civil de El Salvador, o arcebispo foi assassinado enquanto celebrava uma missa em 1980. Ele tinha 62 anos.

    Na Igreja Católica, a beatificação – cerimônia na qual o papa declara digna de veneração alguma pessoa falecida – é o passo anterior à santificação.

    Romero era um dos principais advogados da chamada “Teologia da Libertação” – uma interpretação da fé cristã por meio da perspectiva dos mais pobres.
    Esquadrões de morte

    O papa Francisco afirmou esperar uma mudança no processo de beatificação.

    “Para mim, Romero é um homem de Deus”, afirmou o pontífice a jornalistas dentro do avião que o trazia de volta a Roma de uma viagem à Coreia do Sul.

    “Não há nenhum problema doutrinal e isso (a beatificação) deve ser feito rapidamente”, acrescentou Francisco.

    Então arcebispo da capital San Salvador, Romero denunciou a formação de esquadrões de morte de direita no país e a opressão contra os pobres. Em seus discursos, o religioso costumava pedir o fim de toda “violência política”.

    Cerca de 75 mil pessoas foram mortas durante a guerra civil de El Salvador, que começou em 1980 e terminou em 1992 com um acordo de paz mediado pelas Nações Unidas.

    Romero foi assassinado no dia 24 de março de 1980, após terminar uma missa na capital do país, San Salvador. Até hoje, ninguém foi preso pelo crime.

    Em 2010, o então presidente de El Salvador, Mauricio Funes, o primeiro líder de esquerda a ser eleito desde o fim da guerra civil, emitiu um pedido de desculpas oficial pela morte do arcebispo.

    “Estou buscando um perdão em nome do Estado”, afirmou Funes ao revelar um painel em homenagem a Romero no aeroporto internacional do país.

    O arcebispo, acrescentou o então presidente salvadorenho, foi uma vítima do que chamou de esquadrões de morte de direita “que, infelizmente, agiram sob a proteção, colaboração ou participação de agentes estatais”.

  15. Gustavo A. Medeiros

    19 de agosto de 2014 2:48 pm

    Esse resultado do Data Folha

    Esse resultado do Data Folha foi o mais esquisito que eu já vi. Antes: 
    Dilma 36%, Aécio 20% e Eduardo Campos 8%. Depois Dilma 36%, Aécio 20% e Marina Silva 21%. Marina Silva ganha 13% a mais sem afetar os percentuais nem de Dilma e nem de Aécio Neves. É como se nenhum eleitor da Dilma ou Aécio mudasse de ideia para votar na Marina. É como se os 21% viessem inteiramente dos indecisos (13%) e de Eduardo Campos (8%), o que é bem improvável. Não é possível que os eleitores de Dilma e Aécio estivessem tão convictos assim. Não é possível que os votos viessem todos dos indecisos e de Eduardo Campos. Mesmo que tenha sido uma coincidência de números é uma coincidência muito estranha.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  16. BRAGA-BH

    19 de agosto de 2014 7:19 pm

    Concurso público com ideologia no Banco do Nordeste
    Concurso público com ideologia no Banco do Nordeste

    18/8/2014 16:00
    Por Urariano Mota, de Recife

     
     

    Prova de Português do Banco do Nordeste, no concurso público aplicado pela Fundação Getúlio Vargas, tinha orientação política

    Prova de Português do Banco do Nordeste, no concurso público aplicado pela Fundação Getúlio Vargas, tinha orientação política

    Comento a denúncia de Geraldo Galindo, diretor da Associação dos Funcionários do BNB, divulgada no Blog do Miro e no Vermelho: “O Banco do Nordeste do Brasil, instituição de fundamental importância para o desenvolvimento da região nordeste, cujo sócio predominantemente majoritário é o governo federal, realizou concurso público no dia 09 de Junho. A FGV Projetos, unidade de assessoria técnica da Fundação Getúlio Vargas que organiza concursos públicos para diversas empresas país afora, foi a contratada.

    Em qualquer concurso sério, as provas não devem em hipótese alguma induzir o concursado a uma determinada posição política, a uma determinada ideologia – isso é básico, elementar. O debate político e ideológico cabe em outra esfera – na disputa política na sociedade, nos meios de comunicação, no debate entre partidos e entidades da sociedade civil, nas eleições etc. Agora, utilizar-se de um concurso público para fazer proselitismo em favor de uma corrente política – no caso aqui a oposição aberta ao governo federal e ao PT –, não é somente grave, é um crime, uma provocação inaceitável sob todos os aspectos. O episódio que cito neste momento, se fosse verificado em alguma prova com conteúdo em favor do PT ou do governo – o que também seria inaceitável -, provavelmente ganharia denúncia de repercussão nacional na nossa mídia monopolista e colonizada, mas como se tratou de uma propaganda em favor da direita brasileira, não foi objeto de comentários. Não devemos descartar até ter ter uma CPI pra investigar os responsáveis pela transgressão.

    A prova para analista bancário começa com um artigo de Carlos Heitor Cony…”.

    E aqui paro a cópia da excelente denúncia de Geraldo Galindo. Interrompo porque pesquisei, fui à prova mesma, conferindo o gabarito, que a Fundação Getúlio Vargas cravou como o certo.

    De passagem, devo anotar que o método adotado nessa prova, é, de um modo particular, o que os norte-americanos adotavam no treinamento de recrutas na guerra do Vietnan. Ou seja: brutalização e condicionamento, enquanto o leitor é distraído, porque tem o seu olhar desviado para outro lugar.

    Isso, de resto, é feito pela televisão, pela publicidade, pelas telenovelas, que nos vendem um modo de vida gerador de infelicidade. A saber: torna mercadoria tudo que é sentimento ou afeto. É o mesmo processo em que a desigualdade racial, a luta entre explorados e exploradores deixa de existir, e só existe a igualdade ideal ou mágica.

    Note-se, por fim, que nem mesmo no período da ditadura tivemos concursos públicos em que se exaltasse o anticomunismo, conforme era a ordem unida dos quartéis e nos ditadores. Pois agora temos provas que disfarçadas de língua portuguesa induzem o estabelecimento de raiva contra os “petistas” e esquerda em geral.

    Mas vamos ao específico do concurso: a prova de língua portuguesa, do concurso do Banco do Nordeste do Brasil, organizada pela Fundação Getúlio Vargas, organizou 20 questões e foi toda ideológica, da qual destaco algumas a seguir.

    Ela começa com um texto “exemplar” de Cony, para que os candidatos interpretem pela aceitação de antipetismo e oposição ao governo. Pinçamos:

    “Este ano, a tônica foram as vaias que os camaradas deram às autoridades federais, estaduais e municipais. Com os suculentos escândalos (mensalão, Petrobrás e outros menos votados), as manifestações contra os 12 anos de PT, que começaram no ano passado, só não tiveram maior destaque porque a mídia deu preferência mais que merecida aos 20 anos da morte do nosso maior ídolo esportivo.

    Depois de Ayrton Senna, o prestígio de nossas cores está em baixa, a menos que Paulo Coelho ganhe antecipadamente o Nobel de Literatura e Roberto Carlos dê um show no Teatro alla Scala, em Milão, ou no Covent Garden, em Londres.

    Sim, teremos uma Copa do Mundo para exorcizar o gol de Alcides Gighia, na Copa de 1950, mas há presságios sinistros de grandes manifestações contra o governo e a FIFA, que de repente tornou-se a besta negra da nossa soberania”

    Mas já chega. Que providências devem ser tomadas? Para esse caso específico, deveria ser a anulação da prova, do concurso, e encomendar a sua organização para uma universidade federal, séria, não comprometida com o ideário de Alckim, Serra e outros menos votados. E por fim, um aumento da crítica, de acompanhamento crítico dos concursos a que estão submetidos nossos jovens, quando precisam trabalhar e têm que passar pela concordância implícita, das provas, que lhes ensina que o governo da presidenta é corrupto e digno de vaias.

    Já não basta a doutrinação anticomunista, atrasada, feroz, que a juventude brasileira recebe nas Escolas Militares em plena democracia. Agora, invadiram também os concursos dos jovens em sua vida civil.

    Urariano Mota, escritor e jornalista. Autor do romance Soledad no Recife, sobre o assassinato pela ditadura brasileira da militante paraguaia Soledad Barret, grávida, depois de traída e denunciada por seu próprio amante o Cabo Anselmo. Escreveu também O filho renegado de Deus e seu livro mais recente é o Dicionário Amoroso do Recife. Seu primeiro livro foi Os Corações Futuristas, um romance na época do ditador Garrastazu Médici. Na juventude publicou artigos, contos e crônicas nos jornais Movimento e Opinião.

  17. jns

    19 de agosto de 2014 8:14 pm

    O Crápula Estuprador

     

    Roger Abdelmassih é preso no Paraguai, diz PF

    Marcelo Brandão  | Agência Brasil e Carolina Pimentel | 19/08/2014

     

     

    Foi preso na tarde de hoje (19), no Paraguai, Roger Abdelmassih, médico acusado de estupro e atentado violento ao pudor contra pacientes, e que teve o registro cassado. De acordo com a Polícia Federal (PF), a prisão foi efetuada por agentes paraguaios da Secretaria Nacional Antidrogas com apoio da PF. Abdelmassih era procurado no Brasil.

     

     

    Ele passará pelos trâmites de deportação sumária pelas autoridades paraguaias e dará entrada no Brasil por Foz do Iguaçu (PR). A expectativa é que isso ocorra ainda hoje. Após chegar a Foz do Iguaçu, ele será levado para São Paulo, em data a ser confirmada pela PF.

     

     

    Abdelmassih era considerado um dos principais especialistas em fertlização no Brasil. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por crimes de estupro praticados contra 56 mulheres.

     

     


     

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-08/roger-abdelmassih-e-preso-no-paraguai

    Informações da Agência Brasil com colagens da Internet

    1. jns

      19 de agosto de 2014 8:59 pm

      Dr Horror, o Violador em Série

       

      Detienen a violador serial condenado a 278 años

      HOY | MARTES 19 DE AGOSTO DE 2014 | 15:06

      Roger Abdelmassih escoltado hasta el Grupo Aerotáctico. Foto: Nidia Ortiz/Radio Uno

      El prófugo Roger Abdelmassih fue detenido esta tarde durante un operativo conjunto entre la Secretaría Nacional Antidrogas (Senad) y Migraciones. El exmédico brasileño fue acusado por haber violado a 52 pacientes.

      Según informó la cronista de Radio Uno Nidia Ortiz, el criminal que figura entre la lista de los más buscados del Brasil fue detenido en la vía pública, en el barrio Villa Morra de Asunción.

      El violador estuvo prófugo por 7 años, pero llegó al Paraguay hace 3 meses. El criminar será trasladado hasta el Grupo Aerotáctico, desde donde lo escoltarán al Brasil de forma inmediata, ante el riesgo que representa su presencia en el país.

      El ex médico se consideraba un experto en reproducción humana en Brasil. Después de su condena y de escape, se convirtió en uno de los más buscados por la Policía Civil del estado de São Paulo, que ofrece una recompensa de £ 10 000 por información acerca de su paradero.

      http://www.hoy.com.py/nacionales/detienen-a-violador-serial-condenado-a-278-anos

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      Uno de los prófugos más buscados del mundo cae en Asunción

      PARAGUAY.COM | 19 de Agosto, 2014

      El exmédico Roger Abdelmassih, buscado en su país por múltiples abusos sexuales, fue detenido este martes en Asunción. El hombre está condenado a 278 años de cárcel en Brasil.

      Agentes de la Senad, en coordinación con el departamento de Migraciones, detuvieron a Roger Abdelmassih, de 70 años, en el barrio Villa Morra de Asunción.

      El exmédico brasileño Roger Abdelmassih, fue detenido hoy en Asunción. Foto: http://www.istoe.com.br

      Datos preliminares indican que el hombre, con frondosos antecedentes en Brasil, se instaló en Paraguay hace dos meses después de recorrer varios países de Europa. No tenía documentos que avalen su estadía legal, frecuentaba lugares ostentosos y vivía tranquilamente.

      Abdelmassih estaba en la capital en compañía de su esposa, de 36 años, que trabajaba en el Ministerio Público de Brasil. La mujer no quedó detenida mientras que las autoridades paraguayas ya inician los trámites para la extradición del hombre a su país.

      Frondosos antecedentes

      El exmédico brasileño, que otrora gozaba de renombrada reputación, es uno de los 15 prófugos más buscados del mundo, según informó la Senad en conferencia de prensa. Las autoridades brasileñas ofrecían 10.000 reales por información que lleve a su captura.

      Su prontuario indica que desde 2009, sedaba a sus pacientes en su clínica de fertilidad y abusaba sexualmente de ellas. En total, hay 56 pacientes que denunciaron ser víctimas del exdoctor.

      En noviembre de 2010, la justicia brasileña condenó a Abdelmassih a 278 años de cárcel. Fue acusado de estupro y atentado violento al pudor. En aquella ocasión, no quedó tras las rejas ante un habeas corpus que planteó ante el Superior Tribunal de Justicia, según publica Globo.

      En enero de 2011, la misma justicia derogó ese recurso aunque el condenado ya no se presentó. Desde entonces, la policía lo consideró prófugo y comenzó su búsqueda.

      http://www.paraguay.com/nacionales/uno-de-los-profugos-mas-buscados-del-mundo-cae-en-asuncion-114093

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      Detuvieron al “Dr. Horror”, ginecólogo condenado por violar a sus pacientes, en Paraguay

      RADIO 780 AM | 19/08/2014

      El Dr. Roger Abdelmassih fue condenado en el 2010 por 37 casos de abuso sexual, entre ellas menores de edad.

      El Dr. Abdelmassih se fugó en el 2011 de San Paulo, Brasil, tras ser beneficiado con la libertad condicional vía hábeas corpus, a pesar de tener una condena de 278 años. Se creía que estaba en el Líbano, país con el que Brasil no tiene tratado de extradición.

      Fue detenido en el Barrio Villa Morra de Asunción, tras un operativo en conjunto entre la SENAD y la Dirección de Migraciones. Será llevado al grupo aerotáctico y tras la conferencia de prensa, será extraditado al Brasil.

      http://www.780am.com.py/index.php/noticia/7639-detuvieron-al-dr-horror-el-ginecologo-brasileno-acusado-de-violacion-en-paraguay

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      Detienen en Paraguay a exmédico brasileño condenado por abusar de pacientes

      NOTICIAS TERRA  | 19/08/2014

      El exmédico brasileño Roger Abdelmassih, especialista en reproducción humana que huyó de su país tras ser condenado a 278 años de cárcel por abusar sexualmente de más de 50 pacientes, fue detenido hoy en la capital de Paraguay, donde vivía en una lujosa vivienda, informaron a Efe autoridades policiales.

      http://noticias.terra.cl/mundo/detienen-en-paraguay-a-exmedico-brasileno-condenado-por-abusar-de-pacientes,e28e0367bafe7410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

  18. jns

    19 de agosto de 2014 8:19 pm

    POLÍCIA FEDERAL

    Agência de Notícias - Polícia Federal

    NOTA À IMPRENSA – PRISÃO ROGER ABDELMASSIH – 19/08/2014

    Brasília/DF – A Polícia Federal informa que o médico Roger Abdelmassih foi preso hoje, 19/8, em Assunção, Paraguai, pela Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia (SENAD) em parceria com a PF.

    Após o procedimento de deportação sumária, ele dará entrada no Brasil por Foz do Iguaçu/PR e, posteriormente, em data a ser confirmada, será transferido para São Paulo.

  19. Pedro Penido dos Anjos

    19 de agosto de 2014 8:30 pm

      18/08/2014revista Ensino
      18/08/2014

    revista Ensino Superior nº 14 (julho-setembro)

    Escola de Campinas: uma linha de pensamento econômico

    A Escola de Campinas nasceu para pensar qual é a especificidade da economia brasileira dentro da América Latina e do mundo. As teorias que foram criadas em países desenvolvidos tinham que ser requalificadas, adequadas e questionadas antes de serem aplicadas à realidade brasileira.

    Por Fernando Nogueira da Costa
    Graduado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974), mestrado e doutorado em Ciência Econômica pela Unicamp (1975-76 e 1986), livre docente pelo Instituto de Economia da Unicamp (1994). Desde 1985, é professor adjunto nesta Universidade. Experiência profissional com ênfase em Teoria Monetária e Financeira, pesquisando principalmente os seguintes temas: sistema financeiro, bancos, teoria e política monetária, macroeconomia e inflação e finanças comportamentais. Foi vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais da Caixa Econômica Federal entre fevereiro de 2003 e junho de 2007. Coordenou a Área de Economia da Fapesp entre 1996 e 2002. Publicou os livros Ensaios de Economia Monetária (1992), Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista, (1999), Economia em 10 Lições (2000) e Brasil dos Bancos (Edusp, 2012).Em reconhecimento da importância histórica do Instituto de Economia da Unicamp no cenário nacional, o Centro Acadêmico da Economia (Caeco) tomou a iniciativa de estimular o debate a respeito da Escola de Campinas. Concedi uma entrevista no dia 7 de junho de 2010, publicada no jornal do Caeco, para exprimir minha percepção pessoal a respeito das características e dos desafios de nossa Escola. Perguntado quanto à importância, para o Brasil, da ciência econômica ensinada nas universidades, eu respondi referindo-me ao caso específico da Escola de Campinas. Falei como professor desta escola de pensamento, a do Instituto de Economia da Unicamp. Esse tipo de pergunta já induz a resposta: a formação de qualquer economista para a sociedade, ou seja, de profissional para o mercado de trabalho, seja no nível da graduação, seja no da pós, deve ser voltada para o desenvolvimento do Brasil. Isso que dá a essa Escola postura bem distinta da predominante em outros cursos, porque professores de outras escolas acham que a formação do economista é universal, sempre a mesma, baseada em “currículo mínimo” obrigatório. Partem do princípio que há apenas uma “ciência econômica”. Portanto, no plano abstrato, o que esta propõe para outros países deve servir também para o Brasil… e em qualquer época! Nesse nível de abstração, a teoria econômica seria adequada a qualquer lugar e em qualquer tempo. A meu ver, nossa escola de pensamento começa rechaçando essa tese, que é classificada como monoeconômica. Os autores mais conhecidos abstraíram a partir da realidade dos países avançados. Nossos antecedentes da Cepal tentavam, justamente, conceber teoria do desenvolvimento em que se contemplasse a especificidade que havia na economia da América Latina. A Escola de Campinas nasceu para pensar qual é a especificidade da economia brasileira dentro da América Latina e do mundo. Isso significava que as teorias que foram criadas em países do chamado Primeiro Mundo, os desenvolvidos, tinham que ser requalificadas, adequadas e questionadas, antes de serem aplicadas à realidade brasileira. A Cepal também necessitava ser criticada por criar um modelo único para a América Latina, aliás, porque era essa interpretação o que se cobrava dela. Há inúmeros exemplos disso, como o da Teoria Cepalina da Inflação, que foi baseada na experiência chilena, onde se tinha problema de oferta agrícola. No Brasil, no entanto, a realidade era outra. Aliás, o país se tornou o maior exportador de alimentos do mundo. Então, tinha que se adequar aquela teoria estruturalista ao espaço e ao tempo. Com esse propósito, a Escola de Campinas nasceu com a criação de sua pós-graduação, em 1974, a partir do retorno de professores que estavam no Chile devido ao golpe militar que derrubou o governo socialista de Salvador Allende, em setembro de 1973. Eu sou da segunda turma do mestrado, a de 1975. Os professores de outras escolas de pensamento econômico acham que a formação do economista é universal, sempre a mesma, baseada em “currículo mínimo” obrigatório. Partem do princípio que há apenas uma “ciência econômica”. A ideia era ter o que nós chamávamos na época de “visão endógena” ou “de dentro para fora”, quando toda a visão da esquerda até então, influenciada pela ótica marxista, era “de fora para dentro”. Vinha da visão da colonização, em que a exploração colonial vinha de fora, ou seja, da metrópole. Nós pensávamos que deveríamos partir da especificidade de como se criaram as relações de produção capitalista aqui, no último país independente a extinguir a escravidão. Na época, havia viés bem marxista por parte dos alunos. Queríamos entender a luta de classes brasileira, verificar como se associavam, por exemplo, a nossa classe dominante e a classe dominante internacional. Para isso, achávamos que nós tínhamos que começar por entender “que país é este”, e depois verificar sua inserção internacional. Fomos criticados dentro da esquerda, em debate que não é muito conhecido pelos atuais alunos, por um grupo de trotskistas franceses, que publicavam na revista chamada Critiques de l’Economie Politique. Era “semi-clandestina”, porém encontrada na livraria Leonardo da Vinci, no Rio de Janeiro (que também o General Golbery, o homem-forte do governo Geisel, costumava frequentar). Portanto, no plano abstrato, o que esta propõe para outros países deve servir também para o Brasil… e em qualquer época! Nesse nível de abstração, a teoria econômica seria adequada a qualquer lugar e em qualquer tempo. Foi a primeira crítica que a Escola de Campinas recebeu, porque eles tinham a visão exógena da esquerda, isto é, “de fora”, baseada na exploração ou no “intercâmbio desigual” como a característica essencial, permanente, das relações existentes entre a “periferia” subdesenvolvida e o “centro” capitalista. Marx descreve o processo da exploração a que esteve sujeita a periferia durante o período da acumulação primitiva no centro. Mas o futuro desses países periféricos estaria espelhado no presente das economias mais avançadas. Dizia: de te fabula narratur, isto é, “de ti fala a história”. Nossa visão, pelo contrário, vinda de nossa tradição cepalina, era que tínhamos de construir a nação com a nossa especificidade, buscar a autonomia nacional no relacionamento com o resto do mundo. Até hoje, a tradição nacional-desenvolvimentista tem esse propósito: inserção internacional autônoma. Hoje isso está muito claro, quando temos política externa muito diferente da anterior, porque busca relacionamento diplomático independente – negocia com o Irã, com os outros BRICs, África, Oriente Médio, Sudeste Asiático –, ou seja, busca autonomia na inserção internacional. No governo anterior ao de Lula, o de Fernando Henrique Cardoso – aliás, o autor mais conhecido da Teoria da Dependência – ele achava que a globalização era muito positiva. Assim, não tinha jeito, a inserção seria subordinada mesmo. Não havia essa busca da autonomia nacional, que era bandeira de luta da ideologia nacional-desenvolvimentista desde os anos 50, no segundo governo Vargas, com a campanha popular “O Petróleo é Nosso”. Então, a importância da ciência econômica para o Brasil, aqui, para nós da Escola de Campinas, é sob ponto de vista diferente do predominante nas outras universidades. Nosso ponto de vista é buscar a inserção soberana do Brasil no mundo e analisar a especificidade econômica brasileira e, para isso, necessitamos adequar as teorias abstratas para aplicar à nossa realidade e tentar transformá-la em “o que deveria ser” de maneira democrática. Não podemos ficar só no plano abstrato, temos que construir a Nação, de maneira civilizada e autônoma. Qualquer escola de pensamento econômico é definida em torno do desenvolvimento inter-relacionado de certo tema comum entre os seus membros em determinada instituição ou local. Deve ter a capacidade de se comunicar e influenciar outros membros da profissão, no caso, a de economista, porque se ela se fecha em si não é reconhecida pela comunidade profissional como fonte de conhecimentos. Deve ser capaz de influenciar não só os economistas, formando opinião especializada, mas também a opinião pública. Isso eu acho que é característica da nossa Escola de Campinas: a capacidade de dialogar com empresários, sindicalistas, políticos, governantes. É uma característica muito importante, a capacidade de conversar “extramuros” acadêmicos, não ficar restrito a debates teóricos com outras comunidades acadêmicas, em congressos da Anpec (Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia), mas ligar sua atividade à realidade. Por isso ela está fortemente ligada ao seu local e tempo. A Cepal também necessitava ser criticada por criar um modelo único para a América Latina, aliás, porque era essa interpretação o que se cobrava dela. Há inúmeros exemplos disso, como o da Teoria Cepalina da Inflação, que foi baseada na experiência chilena, onde se tinha problema de oferta agrícola. O exemplo da Escola de EstocolmoComo exemplo, cito uma das que mais admiro entre todas as escolas de pensamento econômico: a Escola de Estocolmo. Sobre ela publiquei artigo – “Método Dinâmico da Escola de Estocolmo”. Revista de Economia Política. São Paulo; Volume 30, n. 4 (120), outubro-dezembro/2010; pp. 625-644. Durou apenas dez anos: de 1929 a 1939. A partir deste ano, seus membros se dispersaram. Eram brilhantes, pois elaboraram teoria macroeconômica dinâmica, antes de Keynes apresentar, em 1936, sua macroeconomia estático-comparativa. Sua discussão metodológica era muito mais avançada do que a de Keynes. Não se tornou tão conhecida, porque escreviam, inicialmente, apenas em sueco, traduzido no máximo para o alemão. Então, apenas alguns economistas ingleses tomavam conhecimento de suas teses. John Hicks tomou, e isso o influenciou muito. Keynes só a conheceu depois de publicada a Teoria Geral. Tanto que ele se propunha reescrever sua obra principal com base na metodologia ex-ante e ex-post da Escola de Estocolmo. Entretanto, depois de prometer isso, teve problema cardíaco e não pôde fazê-lo. Depois, veio a Segunda Grande Guerra e aí, definitivamente, Keynes não pôde mais cumprir a promessa. Escreveu apenas um artigo sobre isso. No Brasil, no entanto, a realidade era outra. Aliás, o país se tornou o maior exportador de alimentos do mundo. Então, tinha que se adequar aquela teoria estruturalista ao espaço e ao tempo. Por que a Escola de Estocolmo acabou em 1939? Não só porque começou a guerra, mas também porque seus membros se tornaram políticos, deputados, até houve secretário-geral da Unesco. Eles passaram a estudar o desenvolvimento econômico em outros países, e inclusive o racismo. Foram reconhecidas suas contribuições através de Prêmio Nobel de Economia e da Paz. Suas ideias ultrapassaram as fronteiras suecas (e da teoria abstrata), não ficando restritas a Estocolmo. (Será que não é necessário, igualmente, reconhecer que a formação com excelência de quadros profissionais que atuam em todo o território nacional leva ao questionamento dessa denominação localmente restrita de Escola de Campinas? A gente tem que analisar, metodologicamente, em três planos: o abstrato-teórico, o interdisciplinar e o de orientações de tomada de decisão prática, seja microeconômica, seja de política macroeconômica.) A ideia era ter o que chamávamos na época de “visão endógena” ou “de dentro para fora”, quando toda a visão da esquerda até então, influenciada pela ótica marxista, era “de fora para dentro”. Vinha da visão da colonização, em que a exploração vinha da metrópole.Tema comum nos primórdios da Escola de CampinasQual foi o tema comum nos primórdios da nossa Escola? Reinterpretar o capitalismo brasileiro do ponto de vista endógeno, não apenas focalizando sua relação de subordinação. Utilizou, para isso, novas teorias, abandonando a síntese keynesiano-neoclássica em que se baseava a Escola da Cepal. Nossa geração estudou o marxismo nos cursos de Economia Política. A tese de doutorado do Belluzzo [Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo], por exemplo, é sobre a teoria do valor em Marx. Estudamos também Kalecki, muito mais que Keynes, por aquele ter elaborado Teoria da Dinâmica Econômica. Estudamos Teoria do Oligopólio de autores que nenhuma outra escola estudava, entre outros, Steindl, Labini, Bain. O Luciano Coutinho foi meu professor dessa matéria. Depois, outro grande autor, Schumpeter, veio ganhando mais importância para nós. Com esses autores e suas teorias, construídas no plano abstrato, a gente as aplicava, reinterpretando o capitalismo brasileiro e a história econômica brasileira sob novo ponto de vista. A pergunta-chave era: “o Brasil fez a industrialização completa ou teria que investir em nova etapa de industrialização pesada?” Esse tema da tese do João Manuel Cardoso de Mello foi muito influente na análise do PND II. Estávamos vivendo exatamente na época do governo Geisel, quando surgiu o debate sobre se o governo deveria dar incentivos e subsídios para completar a industrialização, se iria haver industrialização pesada, para ganhar maior autonomia nacional. Nós pensávamos que deveríamos partir da especificidade de como se criaram as relações de produção capitalista aqui, no último país independente a extinguir a escravidão. Essa busca de autonomia, ou seja, de inserção soberana, mantinha como base o pensamento nacional-desenvolvimentista da Escola de Campinas. Todas as teses da época, cujas defesas quase todas eu assisti, em 1975 e 1976, eram reinterpretações da história econômica brasileira. Por exemplo, o objetivo da minha dissertação de mestrado (Bancos em Minas Gerais: 1889-1964, defendida em 1978) era buscar uma explicação na história bancária brasileira de algo que ninguém sabia. A pergunta-chave era a seguinte: por que os maiores bancos privados do Brasil eram de origem mineira? Ninguém sabia antes responder. Então, essa pergunta era feita para mim, o único mineiro da turma. A dissertação ganhou menção honrosa no Prêmio BNDES, como a primeira tese de história econômica reconhecida naquele concurso. A questão fundamental era essa: entender o capitalismo brasileiro. Ou você acha que a Cepal se preocupou com a história bancária daqui do Brasil? Eu vim para Campinas principalmente em função da professora Maria da Conceição Tavares, porque fiquei sabendo que ela iria dar aulas aqui. Na graduação, eu já tinha sido influenciado pelo estudo dela de capitalismo financeiro para escolher minha especialização. Mais tarde, quando me tornei ex-aluno e seu amigo, ela me disse que, na sua época, havia apenas um intelectual da esquerda que estudava finanças, o Ignácio Rangel. A segunda pessoa de esquerda foi ela, quatro anos depois do Inflação Brasileira, clássico de Ignácio Rangel publicado em 1963, onde ele defende a tese de que se não houvesse reforma financeira o capitalismo brasileiro não avançaria. Então, fazia sentido eu pesquisar bastante a história bancária brasileira, defendendo tese de doutoramento (Banco do Estado: O Caso Banespa; 1988), e até chegando a publicar um livro (Brasil dos Bancos; Edusp, 2012) a respeito. Quando os alunos me perguntaram quanto ao perfil desejado para seu graduando e pós-graduando, respondi rapidamente: social-desenvolvimentista.A particularidade da Escola de CampinasEntão, qual é a particularidade da Escola de Campinas? Do ponto de vista de ciência abstrata, usar novos autores com abordagens heterodoxas. Sem dúvida, alguns clássicos têm maior importância: Marx, Keynes e Schumpeter são os mais citados. Eu, talvez diferentemente de alguns colegas, não acho que nós temos que definir apenas esses três autores como os pilares do nosso pensamento. A característica principal da Escola de Campinas é resgatar essa longa tradição ideológica que vem do socialismo utópico, passa pelo pensamento estruturalista nacional-desenvolvimentista e se supera com a ênfase socioeconômica e política. Minha tese de livre-docência, defendida em 1994, origem teórica do livro Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista (Makron Books, 1999), é que é possível elaborar postulados de uma Teoria Alternativa da Moeda, lógica e consistente, a partir das críticas às premissas da Teoria Quantitativa da Moeda, realizadas ao longo de determinado percurso conceitual da história do pensamento econômico dos últimos 200 anos. Este percurso sai da Escola Bancária (autores como Henry Thornton, Thomas Tooke, John Stuart Mill), passando pela Escola Sueca (Knut Wicksell, Gunnar Myrdal, Eric Lindahl) e atingindo a Escola Pós Keynesiana (John Hicks, Nicholas Kaldor, Paul Davidson, Hyman Minsky, Basil Moore). Uma Contra-Teoria Quantitativa da Moeda pode ser construída a partir do meu estudo desses autores heterodoxos. Em nível de menor abstração, o de ciência aplicada, conhecimentos de outras ciências, antes abstraídos, são reincorporados para analisar a realidade. É característica dessa Escola, por exemplo, ter muitos profissionais que são historiadores, sociólogos, politicólogos. Nós sempre tivemos relacionamento com as outras áreas das Ciências Humanas, o que é importante para a formação interdisciplinar de nossos alunos. Sua missão social é continuar a formação de quadros profissionais para a sociedade brasileira que colaborem na busca de autonomia relativa na inserção internacional, seja financeira, seja tecnológica, e no desenvolvimento voltado para a redução da desigualdade social. É fundamental não ficar apenas no conhecimento da ciência pura. O terceiro plano, característica muito particular da Escola de Campinas (e também do IE-UFRJ, cuja raiz está em Campinas), é chamada a Arte da Economia, pois não estudamos Economia por razões puramente acadêmicas, para fazer “pontinho” no Qualis. Eu pelo menos vim para cá por razão política. No regime autoritário, existia determinada questão política que unia todos da oposição, que era a conquista da democracia. Então, era fundamental fazer proposições alternativas de política econômica para o debate nacional. Fazer primeiro o que se chama de Economia Positiva (não “positivista”), que significa analisar “o que é”, “como funciona”, como é o relacionamento com empresários, com sindicatos, com o governo. Mas também propúnhamos Economia Normativa, ou seja, “o que deveria ser” construído por política econômica. Ter diálogo com a opinião pública e ter posição democrática nos debates era fundamental. É por isso que a Economia de Campinas ficou notável, por sua participação política. Entre meus professores, vários eram assessores de Ulysses Guimarães, presidente do MDB. Minha geração foi mais para o PT. Toda essa experiência que estou recordando é para as novas gerações não esquecerem. Às vezes, esquece-se que nós constituímos uma escola de pensamento, talvez a única do país com tantas especializações. Significa, principalmente, o compromisso assumido com a sociedade brasileira em formar ótimos quadros profissionais e líderes. Não conheço outra escola de Economia no mundo que tenha tido dois egressos (José Serra e Dilma Rousseff) polarizando-se como candidatos à presidência da República, especialmente país com a importância do Brasil, como ocorreu nas eleições de 2010. A presidenta do Brasil fez seus créditos de pós-graduação na Unicamp. É minha ex-aluna. Formar quadros profissionais não significa formar só quadros acadêmicos. É incoerente ficar voltado apenas para o campus, para o critério de avaliação da Capes, ou só considerar importante o ranking da Anpec, esse tipo de coisa dos “pontinhos Qualis”. Isso para mim tem importância secundária. O mais importante é dialogar com a opinião pública e com a opinião especializada, embora esta última tenha muito ciúme, muita crítica, muita rivalidade (não é fácil lidar com ela). Opinião de colega não é critério de auto-avaliação, critério de avaliação é a contribuição que você dá para a sociedade que, em última análise, paga seu salário. O que importa é a opinião pública, e não a opinião de colegas emitida através de pareceres anônimos. Eles acabam se comportando como rivais, disputando o mesmo espaço em poucas publicações. Para ser bem sintético, destaco apenas mais dois pontos característicos da Escola de Campinas. Primeiro, em docência: formação com excelência de líderes profissionais. Essa missão social relaciona-se também com os objetivos do segundo ponto, em pesquisa: deve ser realizada, principalmente, para defender alguma tese ou ideia-chave original. Pesquisa feita sob encomenda, tipo “análise de elevador” de determinada variável, se subiu, se desceu, essas pesquisas não precisam de centro de excelência para fazer, em qualquer lugar se faz. Agora, é bem mais difícil defender teses baseadas em pesquisas primárias sobre temas originais, do que em modelos teóricos importados, mas isso foi o que marcou a nossa Escola. Citei como exemplo a minha dissertação de mestrado, mas poderia citar inúmeras originais, que trataram de assuntos que não eram conhecidos e/ou defenderam alguma posição original. Você buscava pesquisar sob esse critério de contribuir para o debate sobre a reinterpretação da história do capitalismo no Brasil, não escrevia papers apenas para publicar e ganhar pontinho. Acho que se deve defender sempre alguma hipótese relevante para o debate nacional, de maneira que a opinião pública busque ler a pesquisa para entender o país. Tem que explicar o país, não ficar apenas fazendo resenha de debate teórico de autores estrangeiros, para participar de congressos e publicar em alguma revista depois de três anos de espera. As pessoas formadas nos moldes da Escola de Campinas têm que ter formação de excelência, ser muito pluralistas em teoria econômica, conhecer tudo, tanto a ortodoxia quanto a heterodoxia. Saber das contribuições de outras ciências e saber propor política econômica. E, se possível, ter ainda capacidade de liderança. Quando eu falo que temos candidatos à presidência da República, candidatos a governador, candidatos a cargos em todas as esferas, é porque tivemos a capacidade de formar líderes, inclusive para empresa privada. Nunca foi feito estudo para ver como tem gente formada pelo Instituto de Economia da Unicamp dirigindo e/ou assessorando dirigentes de empresas privadas, estatais e órgãos públicos. Quando eu estava no mercado financeiro conheci vários, inclusive no Banco Central. Poucas universidades no país têm excelência na área de Economia Política para formar tantos quadros, em diferentes campos. Assim, a Escola de Campinas tem que continuar com esse compromisso social. Se é para ficar parecida com as outras, não vai mais formar lideranças. Vai formar apenas quadro acadêmico, um pontinho ali, algum destaque individual aqui. Mas, como Escola, acabará. E aí a gente chega à questão chave: isso será muito ruim para o Brasil. Liberdade curricularQuanto a reforma curricular: é algo periódico, para atualização, mas não tem significado estrutural se não ameaçar acabar com nossa tradição nacional-desenvolvimentista. Ela não é a questão mais importante. Eu defendi, em reuniões com os professores, e continuo defendendo, que a palavra-chave é flexibilização (falar nisso parece até coisa de neoliberal, se quiser, troque por liberdade). O aluno deve ter liberdade na escolha de disciplinas eletivas e/ou bons professores. O que acho que forma bons professores? Vou dar outro exemplo pessoal. Eu disse que, quando vim fazer o mestrado, vim por causa da Conceição Tavares e outros professores vindos da Cepal (o Castro e o Lessa) que eu conhecia também. Eu tive a sorte de ser aluno de praticamente todos os grande professores daqui. Acho que qualquer ser humano tem sempre que buscar bons professores. Inteligência, cada um tem a sua, seu código genético a determina de certa forma. Agora, o que estimula o desenvolvimento intelectual, mental, são os bons professores. Eles criam desafios para você se desenvolver mentalmente. Então, muitas vezes eu pegava alguma disciplina da pós, via que o professor não era bom e resolvia estudar por conta própria. Fui, por exemplo, autodidata em muitos temas, inclusive em Economia Monetária e Financeira, tema sobre o qual publiquei dois livros (Ensaios de Economia Monetária, 1992, e Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista, 1999). No doutoramento, eu tive só a primeira aula com o professor Belluzzo, na semana anterior a que ele foi para o governo federal na equipe do ministro da Fazenda, Dilson Funaro. Então, o coordenador do curso veio me convidar para eu ser meu próprio professor. Como já tinha a dissertação no assunto financeiro, eu me tornei o professor do doutorado dos meus colegas. Convidei meu ex-colega e amigo, o Fernando Cardim, que estava acabando de voltar do doutorado com o Paul Davidson, para fazer três palestras sobre os pós-keynesianos e fui estudando por conta própria. Depois, defendi a tese de livre-docência – Por Uma Teoria Alternativa da Moeda: A Outra Face da (Teoria da) Moeda, 1995 – sobre esse tema. Vazio de liderançaOs bons professores estimulam, facilitam a aprendizagem, são fundamentais. Aqui houve problema muito grave, a meu ver. Não houve o estímulo necessário para a primeira geração dos alunos da pós ganhar o destaque público e acadêmico que a geração dos professores fundadores tinha. Poucos eram convidados para participar de mesas-redondas, debates, dar palestras no auditório, inclusive não se estimulava eles fazerem concursos para titulares. Posso dizer isso pelo meu caso. Isso causou um interregno, com grave vazio de lideranças acadêmicas, inclusive candidatos com titulação para disputar a eleição para reitoria na Universidade. O IE-Unicamp praticamente não tinha professores titulares depois que os fundadores se aposentaram. Isso significa também ausência, não de bons professores, mas de professores que os alunos conheçam, que tenham renome, reputação profissional pública, porque não houve muito espaço para uma nova geração aparecer. Na minha, houve alunos e professores brilhantes que foram para as Universidades Federais de outros Estados, porque lá eles se tornariam professores titulares com maior facilidade. Saíram e não pensaram em fazer carreira aqui, porque sabiam que não teriam muito espaço. De fato, fizeram o correto nesse sentido, sob o ponto de vista individual, e mesmo nacional, pois se espalharam pelo país. O fundamental para se oferecer bom curso é ter bons professores, não grade ou ementas de disciplinas, meras consequências da qualidade docente. Escrever novos programas não é fazer reestruturação. No fundo, é falsa polêmica essa de escolher se três, quatro, cinco ou seis disciplinas devem ser obrigatórias ou não. Eu acho que o critério básico deveria ser: se existem três que são obrigatórias, pela exigência da Capes (Macro, Micro e Quantitativa), o resto a oferecer deveria ter por critério a oportunidade de os alunos da pós escolherem bons professores. Apresentá-los aos alunos. Não são muitos. Formar bom professor leva muito tempo. Tem toda uma geração nova, que ainda está em treinamento para se constituir futuramente em ótimos professores de pós-graduação. Acho que uma geração de bons professores está na véspera da aposentadoria. Eu vejo assim: oferecer disciplinas eletivas, em alguns casos, vale a pena até ter professores da nova geração para participar do debate, mas principalmente acompanhar esses bons professores antes que se aposentem. Por exemplo, desde novembro de 2011 eu já poderia me aposentar, mas enquanto tiver motivação intelectual e saúde, prosseguirei minha carreira docente. Eu tenho consciência de que sou bom professor, especialmente desde o concurso da livre-docência, em 1994, quando me preparei muito para receber ótima avaliação por parte da banca julgadora. Fiz meus melhores esforços para alcançar isso, considerando minhas limitações intelectuais. Creio ser bem avaliado, pelo menos de vez em quando escuto algum reconhecimento. Antes, até a época do concurso, eu dava aula só na pós, mas depois eu vi que aprendia muito mais didática, e tinha até mais prazer, ao dar aula para a graduação. Macroeconomia Aberta (Macro III), por exemplo, ofereci desde 1995. O coordenador de graduação me convidou para organizar esse curso que era novidade teórica na época. Já dei mais de 200 palestras pelo Brasil, sendo que em algumas fui aplaudido de pé. Dou frequentemente cursos de extensão à noite, para profissionais. Terminei o último sobre Finanças Comportamentais também com o pessoal me aplaudindo de pé, o que me emocionou muito. Agora vou dar exemplo de por que acho importante a flexibilização das disciplinas eletivas. Comecei a estudar esse novo tema quando voltei de licença para a Universidade, que é Finanças Comportamentais. Era algo que nunca havia visto. Simplesmente não conhecia nada, apenas sabia que um de seus autores, Daniel Kahneman, era um psicólogo e mesmo assim tinha sido premiado com o Nobel de Economia em 2002. Trata da Neuroeconomia, as descobertas das neurociências aplicadas à Economia, com aspecto muito interdisciplinar. Evidentemente, isso não tem nada a ver com disciplinas obrigatórias. Aí, ofereci um curso eletivo na graduação, houve certa repercussão e me convidaram para oferecer na pós. Foi muito bem-sucedido, os alunos disseram-me ter gostado muito do curso. As disciplinas eletivas surgem assim. Outro exemplo: ofereci disciplina de Economia Bancária, tema que pesquiso desde o mestrado, em que tenho muita experiência prática, pois estive presente na discussão de quase todas as inovações financeiras recentes. Meu livro Brasil dos Bancos ganhou o Prêmio Cofecon como o melhor de Economia em 2012. Chegou a finalista do Prêmio Jabuti em 2013. O mercado de capitais antes não tinha grande importância no Brasil, agora passou a ter. Esse é exemplo de curso muito demandado pelos alunos, com a finalidade de achar oportunidades no mercado de trabalho. Caso haja professor bem preparado, deve se oferecer, como eu faço no Curso de Extensão em Finanças à noite. Temos de aproveitar a oportunidade e a experiência dos professores, seja no plano teórico, como no debate entre as Finanças Comportamentais e as Finanças Racionais, seja no plano prático, como nos cursos de Economia Bancária e Mercado de Capitais. O curso de graduação, para ser algo vivo e para formar lideranças com excelência, tem que ter muita flexibilidade. Porque o mercado de trabalho hoje pede formação generalista, não ultra-especialista, ao contrário do que ocorria anos atrás. Nossos ex-alunos têm de ser profissionais extremamente flexíveis com conhecimentos multiculturais. O curso tem que ser bem atualizado, e não ficar rígido no currículo. Antes, havia certa “reserva de mercado” para determinados professores. Havia disciplinas que eram dadas sempre pelo mesmos professores, e o curso não era renovado. Isso não permitiu formar novos quadros intelectuais conhecidos pelos alunos. Um exemplo de eletiva: “Economia no Cinema”Para ser bem didático, em primeiro lugar, é necessário reconhecer que o avanço da tecnologia propicia modificar aquele método de ensino expositivo tradicional, cuja única evolução tecnológica foi passar de “giz-e-cuspe” para leituras enfadonhas de PowerPoint feito por “amadores”. A disponibilidade de grande acervo de DVDs e filmes na internet, seja para baixar via torrents, seja para ver diretamente no YouTube, por exemplo, facilitam essa tentativa de implementar novos métodos de aula adequados a uma “Geração Y” capaz de dividir o cérebro em tarefas simultâneas, que já nasceu durante a era dos PCs, da web e dos smartphones. Ela sempre teve acesso a uma profusão de dados e informações, muitas delas visuais. Mas essa jovem geração necessita de orientação de onde buscar as informações relevantes, como processá-las, intelectualmente, e apresentá-las de modo interessante para qualquer plateia. Uma definição de Ensino Superior que acho interessante é: “aquele lugar onde leremos livros que nunca pensaríamos ler”. Mas, hoje, face à profusão de informações, o tempo está tão curto para dar prioridade à leitura que é necessário receber muita motivação por parte do professor. Dessa forma, o objetivo do meu curso “Economia no Cinema” é delinear uma alternativa ao ensino tradicional de Economia via livro-texto: usar filmes para aplicar conhecimento econômico em suas interpretações. O filme é um meio visual e de áudio poderoso e atraente para a transmissão de informações. Complexos conceitos econômicos podem ser mais facilmente entendidos por alunos cinéfilos. Eles se beneficiam de exemplos retirados de filmes para ilustração de temas cuja análise pode ser reforçada através de discussão em classe. Conceitos são introduzidos com leitura de livros – recentes, interessantes, alguns dos quais inspiradores de documentários, seja da National Geographic, seja da BBC, como Armas, Germes e Aço e Civilização  –, reforçados através de visualização no cinema e, em seguida, fixados através de discussão. A intuição e a imaginação dos alunos estão envolvidas nesse processo por meio da ação de relacionar os conceitos que aprenderam, lendo ou assistindo aulas/palestras, com a “vida no mundo real” retratada, de maneira artística, nos filmes. Assim estimulados, os alunos se moverão em direção à apropriação intelectual do tema apresentado, o que implicará em retenção mental, em longo prazo, de conceitos econômicos. Já ministrei com sucesso curso sobre as Grandes Eras Econômicas retratadas no Cinema, outro sobre Economia Monetária via filmes como Robinson Crusoé, Mercador de Veneza, O Companheiro, Loucura Americana, Os Falsários,  O Dinheiro, Wall Street  (I e II), Margin Call, Grande Demais para Quebrar. Séries de documentários da BBC, apresentadas por Niall Ferguson, como Ascensão do Dinheiro e Civilização, são muito didáticas — Ferguson é professor de Harvard, Oxford, Stanford — e atraentes em termos visuais. Um método é, primeiro, os alunos lerem meus posts a respeito, pois cada um tem acesso à rede (web); em seguida vemos o filme, e depois o debatemos. No início, tem certa dificuldade em expressar oralmente as ideias, embora saibam escrever (e fazer PowerPoint) muito bem. Logo, ficam mais treinados para expor opiniões próprias. Perdem a inibição em se posicionar, pessoalmente, em público. Em curso de Métodos de Análise Econômica, meu objetivo é a análise das políticas socioeconômicas e formas de intervenção governamental para regulação de economia de mercado. Uso como método didático, em uma aula, a apresentação de um documentário sobre temática socioeconômica brasileira para, na aula seguinte, referenciar e/ou motivar o debate de possíveis soluções de políticas públicas  para os problemas abordados pelo filme. A intuição e a criatividade dos alunos estão envolvidas nesse processo através da ação de pesquisar, sob minha orientação, dados e informações sobre o problema, dimensionando-o, e analisando se as políticas públicas usadas são as pertinentes. Assim estimulados, os alunos movem-se em direção à apropriação intelectual do tema apresentado, o que resulta na prática de elaboração mental em Política e Planejamento Econômico. Finalmente, quando os alunos me perguntaram a respeito da linha epistemológica do IE-Unicamp e quanto ao perfil desejado para seu graduando e pós-graduando, respondi rapidamente. Linha epistemológica: a verdade é sobretudo o caminho da verdade. Se o conhecimento é a crença na verdade justificada, é necessário testar todos os caminhos possíveis para a justificar. Perfil: social-desenvolvimentista. Resgatar essa longa tradição ideológica que vem do socialismo utópico, passa pelo pensamento estruturalista nacional-desenvolvimentista e se supera com a ênfase socioeconômica e política – é a característica principal da Escola de Campinas. Sua missão social, como é originária de Universidade pública, é continuar a formação de quadros profissionais para a sociedade brasileira que colaborem na busca de autonomia relativa na inserção internacional, seja financeira, seja tecnológica, e no desenvolvimento voltado para a redução da desigualdade social. ReferênciasBIDERMAN, Ciro; COZAC, Luis Felipe L. e REGO, José Márcio [org.]. Conversas com Economistas I. São Paulo, Editora 34, 1996.BIELSCHOWSKY, Ricardo. Pensamento Econômico Brasileiro: O Ciclo Ideológico do Desenvolvimentismo. Rio de Janeiro, IPEA-INPES, 1988.BIELSCHOWSKY, Ricardo. 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Campinas, IE-Unicamp, 1998.artigos18/08/2014 | Escola de Campinas: uma linha de pensamento econômico30/06/2014 | A vulgarização do saber (1931)25/06/2014 | Migrações de professores de universidades privadas para públicas: os casos da Unicamp e da USP25/06/2014 | Processo de Bolonha, bacharelado interdisciplinar e algumas implicações para o ensino superior privado no Brasil05/05/2014 | Experimentos em sala de aula para estimular a aprendizagem de conceitos fundamentais em cursos de engenhariageral18/08/2014 | Escola de Campinas: uma linha de pensamento econômico08/08/2014 | “Enem” da Ucrânia tenta reduzir corrupção no vestibular, e por isso mesmo está em risco07/08/2014 | Garantia de qualidade da educação superior privada em Gana07/08/2014 | Tendências na regulação do ensino superior na África Subsaariana05/08/2014 | Políticas de imigração do Canadá para atrair estudantes internacionais 

  20. Osvaldo Ferreira

    20 de agosto de 2014 2:57 am

    E o Luiz Nassif ainda acha

    E o Luiz Nassif ainda acha que as tais jornadas de junho tiveram alguma conotação modernizante, apesar de tudo o que se produziu de análises e percepção dos seus próprios leitores avalizando uma leitura conservadora de quem até quis por fogo no Itamaraty!

     

    Peço ao nosso nobre Luiz Nassif, que deixe sua teimosia intelectual de lado (coisa que critica ferozmente em Dilma Rousseff) e que repense suas análises…rsrsrsrsrsrs

     

    Nada me espanta saber que setores dito “esclarecidos” ou infensos à tal “política tradicional” como os jovens e a classe média alta gostem da Marina e estejam propensos a sufragá-la. Ambos segmentos foram bombardeados pelo JN e pela Globo News, sentados juntos no mesmo sofá achando que os “protestos de junho” eram a redenção do Brasil. Redenção dos “esclarecidos”. Ambos acreditaram no “Não Vai Ter Copa” da Globo por razões diferentes. Mas acreditaram…Coisa de fé. rsrsrsrsrs

    O duro será mostrar que Marina é criacionista. Para ela jamais existiu tectônica de placas e evolução desde o australopithecus ao Homo Sapiens Sapiens, uma vez que não acredita na ciência, mas em deus. Marina não acredita em Charles Darwin, mas na bíblia.

    Que tenha a sua fé pessoal vá lá. Mas uma candidata a Presidente de um país que é a 6a economia do mundo não pode ser uma fundamentalista no poder.

    Marina é fundamentalista cristã, taleban brasileira com ares de moderninha e defensora dos bagres do Rio Xingu.

  21. José Maria dos Reis

    20 de agosto de 2014 1:57 pm

    Critica consistente

    De um blog da Veja. com:

    It’s the economy, stupid!… Só falta explicar

     

    O pai de família Israel Araújo, de 41 anos, trabalha como pedreiro numa cidade de 50 mil habitantes do interior de Minas — o Estado que Aécio Neves governou e de onde, costuma lembrar, saiu com 92% de aprovação.

    Em outubro, seu Israel, como é conhecido, pretende votar em Dilma Rousseff.

    “Acho que ela está dando um bom seguimento ao governo do Lula,” disse ele à coluna em duas horas de conversa. “Não é tão bom quanto o do Lula, mas é bom.”

    Apesar dos avanços dos outros dois candidatos e de seus próprios tropeços — como sua aparição de ontem no Jornal Nacional — a Presidente Dilma continua sendo a favorita para outubro, evidenciando a dificuldade da oposição em comunicar à maioria da sociedade, com eficácia, os problemas econômicos que se avolumam após 11 anos e meio de PT no poder.

    A crítica à política econômica de Dilma é conhecida de quem lê os jornais e paga impostos: a economia cresce quase nada, a inflação está assanhada há anos, o gasto público explodiu, e os empresários só investem se forem ‘loucos’ (segundo um dos mais governistas da classe). Por fim, o partido que está no poder inspira dúvidas sobre seu compromisso com as liberdades individuais, o que afeta o ambiente econômico no longo prazo.

    Seu Israel, no entanto, vê a coisa de forma diferente.

    A coluna perguntou por que ele aprova o Governo Dilma. Em vez de apontar uma ou outra iniciativa do governo, Israel emitiu um veredito sobre os últimos 10 anos: “O brasileiro hoje come melhor do que uns 10 anos atrás. A alimentação melhorou muito. Antes o café da manhã era só um cafezinho mesmo, hoje já tem pão, leite, manteiga…”

    Seu Israel, que mora no alto de um morro na periferia da cidade, tem uma renda mensal de 1.800 reais, além dos 60 reais que recebe do Bolsa Família para um de seus três filhos, a menina de oito anos. (O mais velho já saiu da idade elegível, e o do meio, de 16, foi cortado do programa por não ter ido à escola regularmente).

    Nas eleições majoritárias, a busca da vitória é uma cruzada pelo Santo Gral do Mínimo Denominador Comum e pelo convencimento do “homem médio”, aquele centro de gravidade onde se sedimentam os raros consensos sociais, que então se transformam em mandatos e legitimidade.

    Na campanha que elegeu Bill Clinton em 1992, o marketeiro James Carville fez história ao cunhar a expressão: “It’s the economy, stupid!“. Tudo que Clinton tinha que fazer era explorar o PIBinho de George Bush.

    Mas com o Brasil ainda próximo do pleno emprego, a inadimplência ainda em patamares razoáveis e os ganhos de consumo da nova classe média ainda criando uma sensação de bem estar, a tarefa da oposição é mais difícil:  falar dos problemas que ainda não estão à vista de muitos — mas que irão complicar a vida de todos a partir do ano que vem.

    Seu Israel, o “homem médio” a ser convencido, entende de racionalidade econômica. Antes de se tornar pedreiro, ganhava a vida como pintor, mas resolveu mudar de profissão porque “todo mundo que perdia o emprego virava pintor, e aí não dava pra tirar a mesma coisa que antes”, disse ele. Além disso, a pintura de um apartamento dura apenas alguns dias, enquanto uma obra qualquer o mantem empregado por muitos meses.

    Apesar de tomar decisões econômicas racionais, ele não consegue analisar a política econômica sob a mesma ótica.

    A coluna perguntou a seu Israel se ele estava incomodado com a inflação e quem era responsável por isso. Sua resposta: “Acho que isso aí são os grandes empresários”.

    Um banqueiro que acredita que Dilma será reeleita diz: “O boom econômico ainda não acabou, pelo menos na cabeça das pessoas. Ela foi eleita pelo boom e vai ser reeleita por isso. Você tem uma deterioração [da economia], e quem é mais sofisticado vê isso, mas essa piora ainda não é determinante para o povão.”

    A cabeça do seu Israel é, assim, o campo de batalha onde as chances de vitória da oposição exigem o melhor do marketing político.

    Como converter o voto deste brasileiro médio, mais decisivo para o resultado das urnas do que os partidários que fazem a guerrilha diária nos blogs, no Twitter e no Facebook?

    Como mostrar para seu Israel que o bem-estar que ele sente hoje foi comprado com uma hipoteca sobre o futuro — e, pior, que a conta está prestes a chegar?

    Como falar para este trabalhador sobre os esqueletos dos juros subsidiados, a distorção de preços que existe hoje na economia, como explicar que a inflação já está fazendo o trabalho que as políticas fiscal e monetária não fizeram, e que, se o rumo atual for mantido, sua renda amanhã será menor que a de hoje?

    Os economistas sempre disseram que a grande dúvida desta eleição é se a economia vai enfraquecer rápido o suficiente para expor as más escolhas econômicas do Governo Dilma, e com isso virar o jogo… ou se a Presidente vai escapar por pouco.

    Com as últimas pesquisas e o ‘fenômeno Marina’, muita gente já acha que a Era Dilma está chegando ao fim, mas, por via das dúvidas, convém combinar com seu Israel.

    Por Geraldo Samor

     

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