Com “dores da contração”, menina de 10 anos segue internada para concluir aborto

No domingo (17), a paciente estuprada pelo tio recebeu medicação para interromper os batimentos cardíacos do feto de 22 semanas. Houve protestos no hospital em Recife

Foto: Diário de Pernambuco

Jornal GGN – A menina de 10 anos que foi estuprada durante quatro anos e engravidou do tio, no Espírito Santo, segue internada no Cisam, hospital de referência no atendimento à gestão de alto risco, em Recife, capital de Pernambuco, na manhã desta segunda (17).

Segundo informações do Diário de Pernambuco, a menina recebeu nesta manhã a medicação para expulsar o feto de 22 semanas.

No domingo (16), quando chegou ao hospital com uma ordem judicial para realizar o aborto previsto em lei, a criança recebeu medicamento para interromper os batimentos cardíacos do feto.

A menina precisou ser transferida para Recife porque médicos do hospital onde ela estava internada, no Espírito Santo, se recusaram a realizar o procedimento de interrupção da gravidez.

Segundo o diretor do Cisam, o médico Olímpio Moraes, a equipe decidiu realizar um aborto “natural e não cirúrgico”.

“Como ela é muito jovem, pode ter planos de engravidar mais tarde e o aborto cirúrgico poderia trazer algum dano”. O médico informou que ela está bem, mas “sente as dores da contração”.

O Diário de Pernambuco apurou que não há movimentação em frente ao hospital na manhã desta segunda.

No domingo, deputados estaduais, vereadores locais, religiosos e membros de movimentos anti-aborto tentaram impedir o procedimento organizando protestos em frente ao hospital.

Gritos de “assassinos” foram disparados contra a equipe médica que aceitou realizar o procedimento e a menina de 10 anos.

“Ontem foi muito difícil. Durante o protesto, foram feitas ameaças não só à criança, como à equipe. As mulheres que estavam na maternidade precisam de tranquilidade para o parto e para amamentar e isso foi quebrado ontem”, reclamou Moraes.

Nas redes sociais, uma das responsáveis por revelar a identidade e a localização da menina foi Sara Winter, que se diz “ativista pró-vida”.

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