Confira trecho da reunião em que Bolsonaro pressiona PF, protegendo família e amigos

"Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha", disparou o presidente

Jornal GGN – Saiu na imprensa, na noite desta quinta (14), uma parte escrita da gravação da reunião ministerial em que Jair Bolsonaro ameaçou demitir Sergio Moro e reclamou que não recebe informações de inteligência dos órgãos do governo, incluindo a Polícia Federal.

A transcrição, feita pela Advocacia Geral da União no âmbito do inquérito na Suprema Corte que investiga se Bolsonaro cometeu crime ao interferir no comando da PF, deixa claro que o presidente queria saber de operações policiais e inquéritos em andamento com antecedência, por questão estratégica.

Em um dos trechos, ele diz: “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira.”

Em outra sequência: “Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento etc. A gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da… da… da… porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá comentando? Tem que ver para depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referência a Nações amigas] Então essa é a preocupação que temos que ter: “a questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso —todos— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade.”

 

 

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