21 de junho de 2026

Coronavírus: imunização leva esperança para tribos

Entre fake news que desestimula imunização e a discriminação, imunização é uma esperança para população das tribos tradicionais

Jornal GGN – A chegada das vacinas contra a covid-19 tem sido motivo de comemoração entre indígenas do país, apesar da desinformação que desestimula a imunização entre os povos tradicionais.

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Embora os indígenas brasileiros sejam integrantes do grupo prioritário para receber a vacina segundo o Plano Nacional de Vacinação apresentado pelo governo federal, dom Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo vinculado à CNBB que atua em defesa dos direitos dos povos indígenas, explica que o cronograma atende pouco mais de 410 mil indígenas, mas “não inclui a totalidade da população indígena que vive no Brasil” porque exclui quem vive nas aldeias urbanas – o que representa cerca de 46% da população indígena brasileira.

“O critério adotado demonstra racismo institucional, uma vez que define como indígenas apenas povos que vivem em aldeias de terras indígenas homologadas, ignorando os povos que vivem em contexto urbano que, segundo dados do Censo IBGE, de 2010, são cerca de 46% da população indígena no Brasil”, diz dom Roque Paloschi ao jornal Vatican News.

“O termo usado pelo ministro da Saúde, ‘indígenas aldeados’, nos remete ao período da ditadura militar que representa uma discriminação, onde o governo pretende definir de forma arbitrária quem é e quem não é índio, estabelecendo assim um conflito com a Constituição Brasileira, com os marcos legais nacionais e internacionais, e com o Movimento Indígena. O Censo populacional de 2010 indica a existência de quase 900 mil indígenas no Brasil. O Plano Nacional de Vacinação, portanto, precisa reconhecer o total desse grupo prioritário e alcançá-lo em sua totalidade”, ressalta o presidente do Cimi.

Dados do Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena mostram que, em quase um ano de pandemia, a covid-19 contaminou 46.508 indígenas e 929 faleceram em decorrência da doença, afetando diretamente 161 povos em todo o Brasil.

 

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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