Coronavírus: O que diz o relatório da OMS que deflagrou a polêmica sobre assintomáticos

Os pacientes assintomáticos também podem espalhar o vírus, mas em intensidade menor em comparação com os sintomáticos e pré-sintomáticos

Jornal GGN – A fala da diretora da OMS, Maria van Kerkhove, sobre a transmissão assintomática do coronavírus ser “rara”, gerou polêmica em nível internacional. Antes da instituição esclarecer que a transmissão ocorre, só não se sabe o quanto, jornalistas foram informados de que os dados que motivaram a fala de Maria estavam em um relatório divulgado em 5 de junho.

O relatório diz que a transmissão da covid-19 ocorre principalmente por meio de pacientes sintomáticos (justamente porque eles espalham gotículas quando tossem e espirram, ou porque tocam objetos e superfícies que conservam o vírus) e pré-sintomáticos (aqueles que demoram alguns dias para começar a produzir sintomas, mas podem espalhar o vírus antes disso).

Os pacientes assintomáticos também podem espalhar o vírus, mas em intensidade menor em comparação com os sintomáticos e pré-sintomáticos. Pelo menos é o que sugerem os estudos iniciais. Mas o próprio relatório ressalta que essas pesquisas ainda são escassas, têm amostragem pequena, estão sujeitas à revisão e podem, consequentemente, não refletir a realidade. Ou seja, há limitações e as informações precisam ser vistas com cuidado.

Na falta de tratamento e vacina para coronavírus, e com poucos testes para descobrir quem é assintomático, a OMS insiste que a melhor solução ainda é o distanciamento social.

O QUE A OMS SABE SOBRE ASSINTOMÁTICOS

O GGN teve acesso ao relatório [veja a íntegra abaixo]. Segundo o documento, “algumas pessoas infectadas com o vírus COVID-19 nem sempre desenvolvem quaisquer sintomas, embora possam lançar o vírus, que pode então ser transmitido a outras pessoas.”

Estudos “abrangentes” sobre transmissão por indivíduos assintomáticos são “difíceis de conduzir”, mas as evidências disponíveis até o momento indicam que “os assintomáticos são muito menos propensos a transmitir o vírus do que aqueles que desenvolvem sintomas.”

“Entre os estudos já publicados disponíveis, alguns descreveram ocorrências de transmissão de pessoas que não tiveram
sintomas. Por exemplo, entre 63 indivíduos infectados assintomáticos estudados na China, houve evidência de que 9 deles (14%) infectaram outra pessoa”, reportou a OMS.

“Além disso, entre dois estudos que investigaram cuidadosamente
a transmissão secundária de casos para contatos, não foi encontrado
transmissão secundária entre 91 contatos de 9 pacientes assintomáticos, enquanto outro relatou que 6,4% dos casos eram
atribuível à transmissão pré-sintomática.”

 

BOLSONARO DISTORCE OMS

Tão logo a fala da diretora da OMS chegou aos ouvidos de Jair Bolsonaro, o presidente passou a distorcê-la e usá-la para defender o fim do isolamento social.

Enquanto Kerkhove falava que a transmissão do coronavírus por assintomáticos ocorre, embora seja “raro”, Bolsonaro propagava aos seguidores que a transmissão assintomática é impossível, “praticamente zero”.

“Essa informação, da OMS, que há pouco tempo voltou atrás com a pesquisa da hidroxicloroquina – e essa agora, de que os assintomáticos não transmitem o vírus – vai mudar sim com toda certeza a posição de governadores e prefeitos no tocante a lockdown”, disse Bolsonaro.

“Desde lá atrás eu dizia que as medidas para combater o vírus não poderiam fazer com que o efeito colateral fosse maior. Isso [manifestação da OMS] pode mudar rapidamente as medidas preventivas, de restrição, de isolamento, de confinamento, determinados pelos governadores e prefeitos”, acrescentou.

“Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”, rebateu o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, na manhã desta terça (9).

Os dados da OMS que deram origem à polêmica foram divulgado na página 2 do relatório abaixo:

relatorio OMS ORIGINAL

O GGN PREPARA UM DOSSIÊ SOBRE O PASSADO DE SERGIO MORO. SAIBA MAIS AQUI.

Leia também:

OMS agora diz que transmissão assintomática de coronavírus é “rara”

 

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