7 de junho de 2026

Corregedor ignorou conduta grave de Dallagnol “por consideração”

Fiscal máximo da atuação dos procuradores viu problema em palestras mas não abriu processos administrativos
Foto: Lula Marques/PT

Do Brasil de Fato

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“Só quero lhe dizer q liguei em consideração a vc é ao Januário [procurador Januário Paludo]. Como Corregedor, na verdade, não me competia fazer o q fiz”, disse ao procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, em julho de 2017, o então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo Chateaubriand Filho.

A conversa, revelada nesta quinta-feira (8) em parceria entre Folha de S. Paulo e The Intercept Brasil, mostra mais um episódio de promiscuidade na Justiça entre quem acusa e quem fiscaliza. O assunto, no caso, eram as palestras de Dallagnol.

O corregedor aconselha o procurador, informalmente, a não monetizar a Lava Jato e alerta que gerou inúmeras críticas dentro do meio judicial. Hindemburgo e Deltan combinaram extraoficialmente que ele não apresentaria à corregedoria as empresas que pagaram por suas palestras para “evitar repercussão negativa”, diz a reportagem.

Deltan, que cogitou criar uma empresa de palestras para lucrar com a fama alcançada na Lava Jato, projetando ganhos de R$ 400 mil com a atividade.

A conversa teve início após Dallagnol divulgar em sua página pessoal do Facebook um convite para o evento  “Operação Lava Jato – Passado, presente e futuro – A Lava Jato na visão de quem está no olho do furacão”.

O evento, que seria realizado na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) em 4 de julho, três dias depois da publicação, tinha ingresso com custo de R$ 80, a ser doado para instituição de caridade e prometia revelações inéditas.

“Venha conhecer pessoalmente os procuradores da Lava Jato em Curitiba e ficar por dentro do que está acontecendo na operação – em primeira mão!!”, dizia.

Questionada pela reportagem, a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal disse que o titular do órgão não precisa ter distanciamento dos promotores como dos juízes.

A força-tarefa da Lava Jato disse que a antecipação de informações ao corregedor está dentro da legalidade.

Redação

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7 Comentários
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  1. Mauro Balbino

    8 de agosto de 2019 2:11 pm

    Para eles “operação lava jato” assim mesmo, tudo minúsculamente, “valia tudo” e, tudo valia, agora desmantelamento.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    8 de agosto de 2019 2:15 pm

    Ao que parece, o crime de prevaricação caiu em desuso ou, pior, o CNMP avocou a competência do Parlamento para revogar a aplicação do Código Penal em relação à conduta de seus próprios membros. Direito Penal do amigo, entendem?

  3. Rui Ribeiro

    8 de agosto de 2019 2:15 pm

    Para alguns operadores do direito, como o Ministro Marco Aurélio de Melo, arco Aurélio Mello, processo não tem capa, tem conteúdo. Já para outros, o processo não em conteúdo, tem capa.

    Eita Republiqueta do Bananistão

  4. Jackson da Viola

    8 de agosto de 2019 2:43 pm

    Um corregedor-geral sendo “dirigido”por um mero procurador de província…….. O tal de Hindemburgo faz jus ao nome…..um verdadeiro dirigível…..

    https://tinyurl.com/y3829sdq

  5. Maria Luisa

    8 de agosto de 2019 3:15 pm

    Corrupção? Isso é coisa de petista e do Lula ladrão. Nós estamos apenas aproveitando a onda e vamos surfando, com apoio dos nossos.

  6. Ivan de Union

    8 de agosto de 2019 3:49 pm

    “O corregedor aconselha o procurador, informalmente, a não monetizar a Lava Jato e alerta que gerou inúmeras críticas dentro do meio judicial”:

    Quem nao “criticou” no meio judicial so chamou ele de “corrupto” ou partiram de cara pro “corrupto filho da puta” mesmo???

  7. Anônimo

    8 de agosto de 2019 4:44 pm

    Ou seja, tudo normal.

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