Espanha e Portugal
Enormes protestos tomam as ruas contra os planos de austeridade
15 de setembro: fúria popular contra os ataques impostos pelas potências imperialistas. Centenas de milhares de manifestantes nas ruas de Madri e, em Portugal, a maior manifestação desde 1o. de maio de 1974
17 de setembro de 2012
Centenas de milhares de manifestantes tomaram conta das ruas de Madri, no dia 15 de setembro, para protestar contra os planos de austeridade do primeiro ministro Mariano Rajoy. O protesto foi convocado pela chamada “Plataforma Social em defesa do Estado de Bem-estar Social e dos Serviços Público”, que inclui as centrais sindicais e várias organizações sociais.
Os manifestantes se agruparam em seis colunas (sindicatos, educação, saúde, serviços públicos e associações de mulheres) e se congregaram na Plaza de Colón.
Os mineiros, provenientes de Castela e Leão, Aragão e Astúrias, que têm enfrentado o estado espanhol contra o fechamento da sua fonte de trabalho desde o mês de julho, após o lançamento do último pacote de austeridade, foram largamente aplaudidos. Também o foi a delegação do SAT (Sindicato Andaluz de Trabalhadores), que recentemente protagonizou uma marcha de 300 quilômetros até a capital de Andalucía, Sevilla, dando continuidade a luta combativa dos mineiros. Durante 23 dias, os manifestantes protestaram contra os planos de austeridade com palavras de ordem como Contra o desemprego! Viva a luta da classe operária! Que os capitalistas paguem a crise! No comício final, realizado, no dia 2 de setembro, participaram mais de 15 mil pessoas.
Pressionados pela multidão, os principais dirigentes da burocracia sindical, como Ignacio Fernández Toxo das CCOO (Comisiones Obreras) e Cándido Méndez da UGT (União Geral dos Trabalhadores), atacaram as políticas do governo espanhol e reivindicaram a convocação de um referendo. Uma nova greve geral deverá ser convocada para a última semana de outubro.
A maior manifestação em Portugal desde 1o. de maio de 1974
Um milhão de pessoas se manifestaram, em Portugal, no dia 15 de setembro pelo impeachment do primeiro ministro português, Pedro Passos Coelho, e pela saída da troika (FMI, BCE e a Comissão Europeia) do País. Trata-se do maior protesto desde 1974 quando as mobilizações populares provocaram a queda da ditadura salazarista.
O protestos do dia 12 de março, da chamada “Geração à Rasca” tinham levado à ruas duzentas mil pessoas.
A principal palavra de ordem entoada pelos manifestantes foi “Que se lixe a troika, queremos nossas vidas”, lotando a região central de Lisboa, somando 150 mil pessoas na cidade do Porto. Outras reinvindicações populares se materializavam em outros gritos como “Está na hora! Está na hora! De o governo ir embora!”; “Desconto mais que os paraísos fiscais”; “Cortamos no governo!”; “Sou desempregado, não sou delinquente!”; “Greve ibérica já!”; “Ruas sem medo”; “Insurge-te”; “Eu bem dizia que inevitável é a tua tia!”; “Não somos moeda de troika!”; “Relvas fora daqui!” e “O sonho ainda não paga imposto!”.
Vários novos protestos foram convocados para as próximas semanas. Para o dia 21 deste mês, foi convocado um novo protesto na frente do Palácio de Belém, onde o governo reunirá o Conselho de Estado na tentativa de impor novas as medidas de austeridade, como a redução dos impostos para as grandes empresas e o aumento da contribuição social dos trabalhadores em 7%.
Crescem as pressões populares pela realização de um greve geral que paralise o País e derrube o governo direitista de Passos Coelho. O movimento grevista, em setores específicos da economia, continua crescendo promovendo a resistência contra os ataques às leis trabalhistas e as demissões em cima da aplicação do novo Código do Trabalho.
A Fiequimetal (Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas – filiada na CGTP) convocou, para o dia 17 de setembro, uma greve por três dias, dos 4.000 trabalhadores das áreas da exploração, da produção, das refinarias e da distribuição do Grupo Galp, que congrega as empresas Galp, Petrogal e Lisboagás.
As federação dos sindicatos dos trabalhadores dos portos agrupados na Frente Comum Sindical Marítimo-Portuária convocaram a greve, a partir do dia 17 de setembro, apesar do acordo assinado entre o governo e os pelegos dos sindicatos ligados à burocracia da central UGT, apesar de representarem menos de 20% dos trabalhadores, por imposição da troika. Este acordo poderá levar à perda da metades dos postos de trabalho.
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