6 de junho de 2026

Da ameaça do hantavírus à resiliência do SUS: Infectologista Luana Araújo analisa o cenário da Saúde no Brasil

Especialista detalha riscos do hantavírus no Brasil e alerta que desmatamento acelera o surgimento de novas doenças infecciosas

Infectologista Luana Araújo falou sobre morte por hantavírus em MG e destacou necessidade de vigilância e investimento em saúde.

Especialista afirmou que hantavírus não tem potencial pandêmico, e futuras pandemias dependem de fatores ambientais.

Luana destacou desafios do SUS na tecnologia e elogiou parcerias para melhorar serviços e reduzir filas no sistema.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em entrevista concedida na noite de segunda-feira, 11 de maio, a infectologista e consultora internacional Luana Araújo discutiu temas cruciais para a saúde pública brasileira, como a ocorrência de casos de hantavírus, o potencial de futuras pandemias e a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). A especialista destacou a necessidade de vigilância ativa e investimento contínuo em tecnologia e pesquisa para enfrentar os desafios sanitários do país.

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Luana Araújo, infectologista e consultora internacional, abordou a recente morte por hantavírus no Brasil, explicando que a família de vírus é conhecida há décadas, com casos registrados no país desde os anos 90. Ela ressaltou que, embora a doença seja rara, um tipo específico, o Andes, presente na região dos Andes (Chile e Argentina), é capaz de transmissão pessoa a pessoa, embora de forma ineficiente. A infectologista mencionou o caso de um cruzeiro que saiu da Argentina e passou pelo Chile, onde pessoas podem ter sido infectadas, apresentando sintomas após um período de incubação de cerca de seis semanas, já em alto mar.

A especialista enfatizou que o hantavírus não possui potencial pandêmico, pois apenas um de seus tipos é transmitido entre pessoas, e os demais dependem do contato com secreções de roedores silvestres. Além disso, a alta letalidade do vírus faz com que os indivíduos infectados se recuperem rapidamente, o que não favorece uma pandemia. Luana Araújo destacou a importância do acesso à informação de qualidade como um determinante social de saúde, permitindo que as pessoas se protejam e busquem atendimento adequado.

Futuras pandemias

Sobre a possibilidade de futuras pandemias, a infectologista afirmou que não é uma questão de “se”, mas de “quando”. Ela explicou que a saúde humana, animal e ambiental estão interligadas, e a agressão à natureza, como o desmatamento e o aumento da temperatura global, cria um cenário de maior vulnerabilidade para o surgimento de novas doenças infecciosas.

A entrevista também abordou a questão dos animais domésticos como transmissores de doenças. Luana Araújo esclareceu que cães e gatos, quando bem cuidados, não representam um problema e, pelo contrário, a presença de animais de estimação é benéfica para a saúde mental e o desenvolvimento da imunidade.

A infectologista relembrou o período da pandemia de Covid-19, quando sofreu ataques e ameaças de morte por sua atuação como cientista e mulher. Ela explicou que aceitou o desafio de contribuir com o país em um momento de crise, optando por comunicar às pessoas a realidade dos fatos, apesar das dificuldades.

Tecnologia, pesquisa e SUS

Ao falar sobre os centros de pesquisa em infectologia no Brasil, Luana Araújo mencionou a Universidade Federal de Minas Gerais e a Fiocruz, destacando a tradição brasileira em pesquisa científica de alta qualidade na área. Ela ressaltou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) teve suas origens inspiradas nas ações e conquistas brasileiras em saúde pública.

Em relação à tecnologia no SUS, a infectologista apontou desafios como a informatização do sistema em um país de dimensões continentais, onde ainda há locais que utilizam papel e caneta. No entanto, ela também destacou o desenvolvimento de projetos com alta tecnologia, como big data e sensoriamento ambiental, que precisam de investimento e continuidade para serem plenamente implementados.

Sobre a telemedicina e a telecirurgia, Luana Araújo reconheceu o potencial revolucionário dessas ferramentas, mas enfatizou que o SUS ainda enfrenta problemas mais básicos que demandam atenção primordial. Ela também elogiou as parcerias entre o SUS e hospitais de excelência, como o programa de melhoria da qualidade, que transfere expertise e contribui para a redução de filas e a melhoria dos serviços de saúde.

A entrevista foi concedida na noite de segunda-feira, 11 de maio, quando o Brasil confirmou sua primeira morte pelo Hantavírus. O caso foi notificado em fevereiro, em Minas Gerais. Outros sete casos estão em acompanhamento. Assista abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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