Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, Francisco Lucas Costa Veloso, secretário da Secretaria Nacional de Segurança Pública, detalhou a nova abordagem do governo Lula para combater o crime organizado no Brasil. Veloso enfatizou que a estratégia não se baseia em mais violência ou aumento do contingente policial, mas sim na utilização de dados e integração entre as forças de segurança. Ele destacou a importância da asfixia financeira como eixo principal, argumentando que o dinheiro é o objetivo final e o motor do crime, alimentando desde a compra de armas até a corrupção de agentes públicos.
O secretário explicou que a lei antifacção, que define a organização criminosa ultraviolenta como aquela que busca lucro e usa a violência para amedrontar a população, serviu de base para o desenvolvimento de quatro eixos de atuação. A asfixia financeira é o mais importante, visando cortar o fluxo de dinheiro ilícito que não só explora mercados ilegais, mas também se infiltra em mercados lícitos de forma ilícita, como a exploração de postos de gasolina, onde a fraude trabalhista e fiscal oferece margens de lucro semelhantes ao tráfico de drogas com risco muito menor.
Veloso revelou que a Secretaria Nacional de Segurança Pública está criando um data center de segurança, uma base nacional de boletins de ocorrência que consolidará dados de todos os estados. Essa iniciativa visa superar a fragmentação do Estado brasileiro e a falta de compartilhamento de informações entre as unidades federativas, um problema histórico que o crime organizado explora. Ele citou o exemplo do roubo de celulares, um crime comum, mas cujos aparelhos são rastreáveis, e a bancarização da sociedade, que torna o dinheiro rastreável, como oportunidades para o uso de dados na identificação de atividades criminosas.
Ainda sobre a integração de dados, o secretário mencionou que o modelo de sucesso implementado no Piauí, que incluía a investigação de fundos como o Carbono Oculto e a identificação de empresas compradas por esses fundos, está sendo replicado nacionalmente. Ele ressaltou a necessidade de articulação entre órgãos públicos e o uso de supercomputadores de universidades para processar a massa de dados e identificar padrões de comportamento criminoso. Veloso também abordou a modernização do inquérito policial, sugerindo que ele seja reservado para crimes mais graves e que crimes de menor potencial ofensivo, como brigas de vizinhos, sejam desjudicializados e resolvidos por mediação.
Por fim, o secretário destacou a importância de superar a “guerra por atribuições” entre as polícias, que atende a interesses corporativos, em prol do cidadão. Ele mencionou a regulamentação do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) para que policiais militares possam lavrá-lo, e a iniciativa de permitir o registro de boletins de ocorrência via WhatsApp, como já foi feito no Piauí, para facilitar a comunicação de crimes e garantir que o dado, que não pertence a ninguém, sirva à qualidade do serviço público.
A entrevista foi veiculado durante o programa TV GGN 20 Horas da noite de terça, 12 de maio. Assista a partir do minuto 31:14:
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